quinta-feira, 28 de abril de 2011

Jim Rolph

Jim Rolph

      Eu estava há tempos pensando em postar um tópico especificamente sobre captadores e pensava se deveria começar do básico, algo bem didático, ou já entrar direto no cerne da questão. Mas meu amigo Oscar Isaka Jr., de Curitiba, acabou de ter um longo papo por telefone com um dos maiores mestres de captadores de todos os tempos, um senhor do Kentucky conhecido com "Jim Rolph".
J. M. Rolph faz captadores vintage desde a década de 60 e era um "segredo" desconhecido pela maioria dos guitarristas (nós... :) ), mas com clientes do nível de Eric Johnson, David Gilmour, Rolling Stones, Eagles, Steely Dan, Mick Mars e Robben Ford. Robben Ford que acabou "entregando o ouro" ao falar sobre o Jim Rolph para os maníacos por PAF da revista Tone Quest. Foi então que nós, meros mortais, tivemos acesso ao segredo... Eu tenho um par de PAFs J. M. Rolph 58. São absolutamente fantásticos!

J.M. Rolph 58 Pretender PAF

J.M. Rolph Pretender Vintage 60 Strat

      Diante da preciosidade das informações, vou postar o relato do Jr. e depois voltarei a falar de captadores, Jim Rolph, Sérgio Rosar, e tudo de (muuuito) interessante que esse assunto tem...
Segue:

Meu papo com Jim Rolph  (Oscar Isaka Júnior).

Estava de papo com o Jack no telefone conversando sobre os novos protótipos e testes da versão de ponte do nosso já famoso PAF quando entramos no assunto (como todas as vezes..) dos segredos que poderiam estar dentro daquele famoso set de “Pretenders 58” feitos por Jim Rolph que o Jack possui. Estamos (Eu, o Sérgio e o Jack) a todo custo tentando entender qual é a mágica por trás deles e quanto mais tentamos, mais percebemos que não basta somente ter o tipo de enrolamento certo, fio e imã. São necessários o imã com correta proporção na composição do alnico, com o tamanho correto, o fio na espessura e isolamentos corretos e mais algum pó mágico que os fabricantes de clones de PAF possuem pra fazê-los soar como soam. Vou ressaltar que o nosso está soando muito bem dado que não temos isso tudo e o Sérgio faz mágica pra atender o que nós dizemos pra ele, mas isso é papo pro próximo post. :-)

O fato é que eu tenho um amigo que mora nos EUA  que está vindo pro Brasil nos próximos dias e resolvi mandar um e-mail pro Jim Rolph pra perguntar se ele tinha um set disponível e o preço. A Susan (esposa e baixista da banda dele...) cordialmente me respondeu com um telefone, dizendo para eu ligar. 
No dia seguinte pela manhã liguei para o número e eis a minha surpresa. “Hi this is Jim”... O próprio Jim Rolph atendeu o telefone. Fiquei meio sem palavras na hora mas lembrei dos fóruns gringos dizendo que ele adorava falar ao telefone com seus clientes, e na uma hora de papo que se seguiu eu confirmei isso.
Comecei perguntando sobre suas réplicas de PAF e ele me explicou as diferenças dos modelos 57, 58, 59, 60 e 61 que ele faz dizendo que todos são distintos quanto ao tipo de fio, quantidade de espiras, tipo e tamanho do magneto, padrão de bobinamento, etc. Eu pensei "como é que esse cara conhece tudo isso?" Foi aí que ele disse que a primeira vez que pisou num palco pra tocar foi em 1959. Simplesmente parei de falar e deixei o simpático senhor continuar aquela aula. Continuando a conversa perguntei sobre os 58 especificamente, e foi quando o “show” começou, o Sr Rolph comentou que tinha preparado uma R8 de 2002 com todas as vintage specs (VOS), e comparou numa apresentação de sua banda com sua VERDADEIRA GIBSON BURST FLAME TOP DE 1958. Ele gravou o A/B em uma fita e tocou pra mim no telefone a gravação pra eu perceber que não havia diferença entre essa R8 especial que ele havia pessoalmente escolhido, e sua VERDADEIRA Burst 58.

Abro um parênteses aqui pra fazer uma descrição da R8 que ele mencionou. Uma Gibson LesPaul Standard 1958 Reissue “FlameTop” com os JimRolph PAF Pretenders 58 (que ele também mencionou ser seu set preferido), ponte stop-tail com cordal de alumínio e capacitores Bumble-Bee originais. Segundo o próprio Jim tem uma razão de custarem quase USD400,00 CADA, pois fazem diferença sobre o timbre mesmo com os botões de tone e volume no 10 como nós já haviamos constatado nos testes daquele post do Glauco sobre capacitores. Mencionou também que especialmente os FlameTops soam melhor que os PlainTop nas LesPaul. Achei um comentário curioso....

Depois dessa “DEMO”, onde confesso não ter conseguido ouvir direito (imaginem uma fita k7 tocada pelo telefone...), eu mencionei que minha referência pra timbre PAF era do GaryMoore, ele perguntou “Você já tocou na LesPaul do Gary Moore? Eu já....”. Depois de ele confirmar que estava falando da guitarra mais cara do mundo, contou que antres do Gary Moore adquiri-la ele foi ver para comprá-la do cidadão que comprou do Peter-Green e descreveu com as seguintes palavras “ Just a good worn-out LesPaul... Nothing Special..” (Só uma boa e malhada LesPaul.. Nada demais...). Que que eu digo depois disso... rsrsrs!!

O Sr Rolph então me perguntou se eu conhecia a LesPaul 69 (Deluxe com Mini Humbuckers...) e disse que tinha uma no colo que havia modificado para que pudessem ser instalados humbuckers tradicionais, e comecou a tocar pra mim no telefone. Pessoal, como o homem toca... Ouvi desde passagens de Country, Standards de Jazz, Johnny be good, Licks de Blues, ZZ Top com um timbre que até mesmo através do telefone era simplesmente maravilhoso. Foram quase 20 min initerruptos do Mr. Rolph tocando essa LesPaul e eu besta do outro lado ouvindo.

Quando ele acabou, conversamos mais um pouco e entre broncas por ter colocado um captador de ponte (O Rolph do Jack que está aqui comigo..) no braço, dicas de EQ de amplificador e auto-falantes para que os PAF brilhem e desliguei o telefone meio bobo ainda depois daquilo. Eu havia falado com um cidadão que antes dos meus pais se conhecerem, já tocava guitarra e rebobinava captadores de todos os tipos.

Depois da conversa ficou muito clara a intenção do Sr Rolph em oferecer simplesmente nada além do MELHOR em termos de réplicas de PAF. Nas suas palavaras, “Não existem “leituras” de um PAF, eu faço exatamente o que era na época e minha MAIOR preocupação é que meus clientes escutem os timbres do final dos anos 50 do jeito que eles eram.” isso mencionando que rebobina pelo menos 1 ou 2 PAFs reais por semana na sua oficina.

O cara é realmente uma LENDA da guitarra e ter tido a oportunidade de passar uma hora no telefone com esse cidadão simpático e prestativo e ainda ouvi-lo tocar foi realmente muito legal! :D

Fantástico! :) Depois eu volto com foco em captadores...
Enquanto isso, podem ir curtindo o som dos humbuckers "PAF" (Pretenders 58 ou mais provavelmente, 57)  Jim Rolph nessa Les Paul Gold Top 58 do Larry Carlton, aqui tocada pelo mestre Robben Ford:

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Jimmy Page: PAF ou T-Top?

      Como tem muito guitarrista fã do (som do) Jimmy Page, acho interessante saber que ele usou um famigerado Gibson T-Top a partir de 1972, no lugar de um raríssimo PAF com as duas bobinas brancas. Deveria, mas não vou falar da Les Paul "Nº 1" de Jimmy Page, uma burst 59 comprada do Joe Walsh em abril de 1969 por 500 dólares. Como ela teve (antes de Page) o braço lixado para ficar mais fino e no processo o número de série foi apagado, existem dúvidas quanto ao ano, mas atualmente a própria Gibson registra como 1959.
      Além disso, a famosa "fiação/wiring do Jimmy Page" só foi criada na década de 80, portanto, ele não gravou nenhum disco clássico com ela. Vamos ver então qual captador foi usado em cada disco (com exceção do Led I, gravado basicamente com a Telecaster Dragon)

      De abril de 1969 (portanto disponível no Led Zep II) até maio de 1972, a Les Paul Nº 1 tinha um PAF "double white" na ponte (o do braço aparentemente foi trocado por um PAF de 1960 após 2000):

O timbre desse PAF foi usado no Led Zeppelin II, III e IV. (Obs: curiosamente, o solo de Stairway To Heaven, o mais famoso de Page, do disco Led Zep IV, foi feito com a Telecaster)

Em maio de 1972, a guitarra é fotografada com um T-Top com capa na ponte. O último registro com o PAF branco é de fevereiro de 1972, na Austrália (foto colorida no canto inferior esquerdo da imagem acima). Na época, a lenda dos PAF ainda não existia e esse captador deve ter ido para o lixo...


      Então, todos os discos a partir de "Houses Of The Holy" (e o filme The Song Remains The Same) têm o som de um T-Top... Claro, ele tinha mais duas LP clássicas, mas sempre usou principalmente a Nº 1 nas gravações.

Interessante, existe uma enorme diferença de timbre entre um PAF:


e um T-Top:


Será que ele ignorou isso? Sabemos que alguns PAFs são ruins, mas não era o caso desse double white (vide os timbres das gravações) e os T-Tops são famosos pelos médios exagerados. Se bem que eles foram piorando de qualidade durante a década de 70. Eu tenho um T-Top de 1981 que é uma bela porcaria.

É importante acrescentar que, para quem acha que é necessário um captador mais potente, tipo o Seymour JB (16k)  pra tocar Led Zeppelin, tanto o PAF quanto o T-Top de 1972 eram captadores de baixa saída, entre 7 e 8k, no máximo 8,5k.
Na década de 90, o T-Top foi trocado por um Seymour Duncan exclusivo.

Concluindo, os melhores discos do Led foram gravados com uma LP burst 1959 e um par de PAFs com fiação original (50's wiring). Pra quem tá sempre à caça de timbres, é uma informação valiosa.

Se não fosse por esse excelente site sobre o Led Zeppelin, eu não saberia desses detalhes (imperdível): http://wholelottaled.webs.com/
Agora, vou ouvir - e comparar - os CDs....

terça-feira, 19 de abril de 2011

OCD ou Oh!CeeDee?

Só pra sair desse assunto desagradável da Tagima, vou colocar um rápido post sobre a comparação que fiz entre um OCD original e o "clone" Oh!CeeDee da EFX áudio, de São Paulo.
Primeiro, pra quem não conhece, o OCD da Fulltone é considerado por muitos o melhor pedal de overdrive de baixo/médio ganho do mercado atualmente.
Segundo, assim como tudo no mundo, nada se cria, tudo se copia. Essa máxima vale para pedais. Um novo pedal geralmente é uma variação melhorada de um velho pedal. Dito isso, o da EFX é um clone, mas tem o atenuante que o próprio OCD, embora engenhosamente modificado, foi baseado em outros pedais.

Comprei o Oh!CeeDee porque gostei do timbre da demo, e não por ser um clone do OCD - que eu nunca havia testado. É o melhor pedal de overdrive "low gain" que já ouvi (e olha que eu sou do tempo do primeiro OD1 da Boss - coisa horrorosa! :) ).
Fica perfeito no Blues Jr. e no Twin. Não o uso no Tiny Terror porque NENHUM pedal pode competir com aquela distorção valvulada deliciosa (mais do que uma Nhá Benta) da Orange (num Celestion vintage 30, tenho dito - não tente em outro :) ) 


Com os dois em casa, pluguei a guitarra (como era de madrugada, usei uma excelente simulação limpa/clean de um Fender Bassman 59 do Amplitube Fender) e gravei os dois pedais. Achei as diferenças irrelevantes e, segundo o Eugênio da EFX, os diferentes posicionamentos dos controles é porque ele baseou-se na versão posterior do OCD que eu tinha...
Um OCD aqui no Brasil não sai por menos de 500 reais. O da EFX, 220. Claro, há diferenças estéticas óbvias, já que o da EFX é artesanal. Quem se importa, com um timbre desses? :) A versão atual tem a antiga mini chave de ganho trocada por um foot switch - bem mais útil e prático, tornando-o um overdrive com booster acionável no pé.
Seguem os áudios para comparação de vocês. O amp usadoé uma exclente simulação de um Bassman Fender do Amplitube Fender, num preset "clean" - praticamente toda a satuação é dos pedais:
Oh!CeeDee - EFX:


OCD -Fulltone:



É isso aí! Atualmente tenho 4 pedais da EFX e considero todos excelentes.
Link para o site da empresa: EFX

PS: "OCD" é a abreviação em inglês para "Obsessive-Compulsive Disorder" ou "Transtorno Obsessivo-Compulsivo/ TOC". Segundo a Fulltone, o OCD deles é a abreviação de "Obsessive-Compulsive Drive"... Legal! Humor nunca é demais.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Tagima - parte II


Para quem acompanha o blog e já leu o post "Tagima 735 Special (ou, como levar gato por lebre...)"
Link: http://guitarra99.blogspot.com/2010/09/tagima-735-special-ou-como-levar-gato.html 

Hoje, 18/04/11, houve uma "Audiência Conciliatória" num fórum de Florianópolis. Ano passado iniciei um processo contra a empresa Marutec, dona da marca Tagima.
Interessante que a empresa contratou um advogado (local) que também é guitarrista e enviou um técnico de São Paulo (luthier? Não perguntei).

OFERTA DA TAGIMA: um corpo de Alder, sem acabamento, composto de 5 (sim, cinco!) emendas. Parecia uma daquelas cercas de madeira que vemos por aí. Como brinde, escudo, ponte e captadores (o mesmo hardware da T-735 nacional). Quase ia esquecendo: também um bag Tagima de plástico e uma camiseta Tagima.

O advogado, simpático e articulado, toca guitarra há 20 anos e tem uma "Fender Standard" - não sei se ele referiu-se à americana ou literalmente à standard mexicana, mas o fato é que ele achou o corpo "muito bom" e "gostaria de ter um desses".
Embora tenha ficado claro que fez a "lição de casa" e pesquisou antes, ele não tinha percebido esse detalhe do corpo e até tentou argumentar que as Fender americanas "podem ter cinco emendas/partes". Olha, duvido muuuito. Mesmo nos anos "negros" da CBS, acho extremamente difícil encontrar alguma. Duas peças é a regra geral. Três? Nas de cores sólidas, talvez.. Quatro? Humm... Cinco???
E acho que de certa forma eu me vi nesse advogado. Eu tinha pouco mais de 25 anos de guitarra quando finalmente me interessei pela construção delas. Há cinco anos, não perceberia essas mutretas.

O técnico/representante da Tagima, também muito educado, por 3 vezes mencionou "A Tagima não trabalha com alder". Na terceira eu pedi para ele assistir o vídeo do Zaganin!

Eu falei que tinha amigos guitarristas que sabem tudo o que eu passei com essa Tagima e eles iriam rir da oferta.
Não aceitei e achei uma falta de e educação e bom senso da Tagima me oferecer um corpo de Alder todo retalhado. Se eles não conseguiram me enganar com uma guitarra de "lenha", ingenuidade extrema achar que eu seria incapaz de perceber as emendas. Acho que nunca leram o meu blog... :)
E a cavidade dos captadores era piscinão! :)

Eu vou até o fim com essa coisa agora. A minha índole é de natureza pacífica e de certa forma até complacente, mas aprendi com meu pai o valor da honestidade e honra. E não foi isso que vivenciei hoje, novamente.

PS: 03/2013: Leia o final desse caso aqui (CLIQUE)