segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Luthier Cavalheiro (post em stand by)



ATENÇÂO:

Post temporariamente retirado até esclarecimento de algumas pendências. Não apaguei os comentários porque é importante que as manifestações permaneçam.

Até onde sei, por volta de julho de 2012 o luthier Roberto Cavalheiro estava mudando de cidade devido a um novo projeto. O meu último contato com ele foi através desse e-mail:
(7/2012): cavalheiroguitar@gmail.com

Telecastermania - parte 3: Making Off

       Então vamos à sequência de passos:

1) Madeiras: para Telecaster, só existem 3 madeiras (minha opinião): Ash leve (swamp), Ash pesado (northern) e Alder. Pinus (americano), Marupá, Cedro, todas podem funcionar, mas não ficam iguais às clássicas. Resolvi fazer uma de ash e outra de alder, além de um braço de maple com escala de maple.

Comprei os blocos (blanks) no Brasil, na MusicTools do Miguel Cardone. Já havia comprado antes alguns equipamentos de luthieria e um lindo blank de flamed maple AAAA para o top da minha - ainda distante - Les Paul 59. Acesse o site: www.luthierexpress.com e faça o download do catálogo de madeiras (e do de ferramentas, caso seja metido como eu :) ). O Miguel é gente finíssima -  o telefone para contato direto é (11) 9193-8797.
Preços: blank de Ash (pesado/northern): 200,00. Alder: 270,00 Maple: braço: 80, escala: 45 reais.


Posicionei os blocos e escolhi (a decisão final seria do luthier, mas o Cavalheiro concordou comigo) a melhor combinação para colagem. Cada corpo terá duas partes. Convém citar que mesmo na Fender, em qualquer época, corpos de bloco único são raros.
É importante evitar os nós da madeira - onde o som não se propaga tão bem e podem gerar problemas no acabamento. Usei o corpo da minha Tele 68 pra desenhar o local do corte:


As fotos seguintes já são na oficina do luthier Roberto Cavalheiro, de Blumenau (oficinadomusico@ig.com.br / Fone: (47)33785960), cerca de 150 km daqui (Florianópolis). Já havia feito um corpo de cedro e a Les Paul Jr (postada anteriormente) com ele e fiquei impressionado com a qualidade. O Cavalheiro poderia finalizá-las completamente, mas eu queira ficar com a diversão final do acabamento e montagem, hehehe...


Observem na foto acima, que o corpo de alder foi posicionado bem embaixo no blank, pra fugir daquele nó no canto superior direito. O blank de ash tá com aspecto feio porque havia uma camada de resina/cera para proteção.
Então, passo número 2:

2) Manufatura dos Corpos/Braço: A sequência de fotos é do próprio Cavalheiro:

Colagem dos blocos. As superfícies devem estar absolutamente planas para um perfeito acoplamento e os clamps mantém a pressão até secagem completa


Blocos colados. Observe que a linha de separação do ash é praticamente invisível.


Corpos semi prontos. À esquerda, já com as cavidades, feitas na tupia copiadora (vide vídeo da tele de mogno no post anterior). Pedi para o Cavalheiro não arredondar as bordas, pois queria fazê-las pessoalmente. Gosto de bordas suaves, mas sem exagero, e dá pra fazê-las rapidinho com lixa.


Furação do "string through body". Telecaster  com "top load", cordas presas em cima, sem atravessar o corpo, não tem o som clássico.


Braço. Esse é bem mais complicado... Acredito que a habilidade do luthier de guitarras é colocada à prova aí. Braço não é fácil! Desenho e corte inicial.


Cavidade e colocação do tensor.


A escala é colada.



Escala cortada,"raiada" (curvatura/raio), posicionamento e corte para os trastes e colocação das bolinhas de marcação.



Trastes (Dumlop Jumbo) colocação e corte. Depois disso ainda tem o check-up do nivelamento e arredondamento das bordas.


Acabamento do shape do  braço: parte posterior e cavidades das tarraxas. Tudo é medido exaustivamente. Braço é geometria/matemática pura. A pegada/forma do braço (vide post sobre tipos de braço) vai depender do cliente. Pedi um "C" um pouco mais gordo, com mais ombros. Prefiro assim porque é fácil retirar um pouco dos ombros depois e eu mesmo posso fazer (mas gostei dele assim). Quando o braço fica muito fino ou pequeno, não tem remédio...


 Os 3 corpos (o de Mogno tá explicado no post anterior :) ) e o braço, já aqui em casa. Pretendia fazer um acabamento natural no de alder, mas esse tá muito liso e sem figuração - é ideal pra pintura sólida. Como decidi só depois de trazê-lo pra cá, fiquei com preguiça de viajar novamente e levá-lo para o Cavalheiro pintar... Resolvi fazer por aqui mesmo, com o cara de uma oficina de carros que pintou alguns arranhões no meu carro. Mas essa eu vou postar assim que acabar de montá-la... :)


3) - Acabamento:
"Butterscotch Blonde" é a cor mais famosa da Telecaster,  e fui atrás dela com a anilina. Num primeiro momento, ficou assim, bem no tom "butterscotch" (essa tonalidade refere-se a um doce feito de manteiga e caramelo). Porém, ele é conseguido no verniz, que é tingido com corantes e não na anilina. O resultado final da Fender provoca um certo apagamento dos veios de ash. Como esse ash tava muito bonito, resolvi fugir um pouco do laranja e me direcionar para o amarelo, para realçá-lo ainda mais. Após essa foto, cheguei a passar duas demãos de verniz incolor:

Mas, não sei como, tive a paciência de lixar tudo, retirar o verniz, enfraquecer o primeiro tingimento e acrescentar um pouco mais de amarelo. Antes de envernizar novamente, uso as lixas para tirar a uniformidade da cor, lixando mais nas partes naturalmente mais gastas com o tempo (bordas, ângulos e apoio do braço)


         Aqui, o resultado final, mais sutil. 4-5 passadas de verniz spray e depois muita lixa (600 e 1200) pra cortar o brilho. No final fica verniz suficiente apenas pra deixá-la com o toque sedoso/macio e bem selada.
O braço também ficou muito legal com o tingimento/envelhecimento.
Os metais passaram todos por uma lixa de 1200. Saddles de aço, roubados de uma ponte Wilkinson de strato. Captador da ponte feito pelo Sérgio Rosar (fio Enamel 42 AWG) com uma bobina velha que eu tinha guardado. Captador do braço GFS Premium 63 vintage wound (fio Enamel 43 AWG). Tarraxas Planet Waves (não poderia ser outra:) )
Capacitor Mojotone Dijon de .047uF,  potenciômetros de 250k, mas acabei de descobrir que minha Tele 68 tem pots originais de 500k - nunca me preocupei em checar e isso me colocou uma pulga atrás da orelha. Vou testá-la também com pots de 500k.
O restante do hardware foi comprado na Mensageiro Musical e é da Condor Parts. O escudo não foi parafusado porque está ligeiramente fora do padrão Fender. Encomendei um da GFS (Guitar Fetish: http://store.guitarfetish.com/ que vai chegar em breve.
O braço foi tão bem feito e com encaixe soberbo no corpo que pude deixar a ação extremamente baixa, ainda mais que a das Tele 68 e 74. Mais um mérito para o Cavalheiro!

CONCLUSÃO :

          A guitarra ficou linda e excelente. Madeiras e hardware de primeira, construção impecável do Cavalheiro. Ela não perde em nada pra minha 68. Os timbres são ligeiramente diferentes devido ppte às escalas distintas, mas ambos excepcionais. Telecaster na veia!

Vamos checar o custo final da guitarra (algumas peças eu já tinha, mas vou passar o custo como se não as tivesse):
Blank de Ash/Corpo de 2 peças: 200
Blank Maple braço/escala: 125
Manufatura corpo e braço (Cavalheiro): ainda não acertei com ele, mas acredito que entre 500-600 reais
Captadores: Ponte: 175 (Sérgio Rosar Hot T). Braço (GFS Premium 63): 180 reais (originalmente custa 34 dólares - o resto é a porcaria de impostos). O modelo do Érico Malagoli da www.captadores.com.br custa 135 reais à vista e é adequado. Quando ele passar a usar o fio original (enamel 43AWG), não haverá razão pra comprar lá fora.
Tarraxas Planet Waves: 200 reais
Hardware restante: 120 reais
Fato interessante: ela foi em boa parte baseada na minha 68. No final, por coincidência, o peso das duas é o mesmo: 4,1kg... :)
Total: R$ 1.500
Garanto-lhes que nenhuma Fender mexicana (e provavelmente algumas americanas) chegam perto dessa guitarra em termos de qualidade. O valor dela aqui, a julgar pela qualidade e pelas outras que temos à venda, seria no mínimo 2.500 a 3.000 reais.
Meu amigo Oscar Isaka Jr., também membro do fórum da Guitar Player, esteve aqui em casa hoje e pode avaliá-la e tocá-la. Vou pedir pra ele comentar, da forma mais sincera possível, o que ele viu aqui.

Sei que algumas pessoas que acompanham o blog acham uma perda de tempo tunar e montar guitarras. Tudo bem, tunar SX chinesa não é a melhor ideia do mundo, mas nesse caso, mostrei uma opção viável, sem muito risco e com uma relação custo benefício excelente. Mesmo que o cara não saiba ou não queira finalizar a guitarra, o luthier pode fazê-lo, com um acréscimo, é claro.
O mesmo processo pode ser aplicado para uma strato de alder ou ash, com custos semelhantes.

Recentemente o Fagner Cirino postou aqui dizendo que só tem 3.000 reais pra fazer uma strato. "Só 3.000?" Imagine a strato que dá pra fazer com esse dinheiro. É só ligar para as fontes citadas (ou outras que eu não conheça) e esperar sentado em casa. Com 2.000 reais ele faz uma strato absolutamente top de linha.

Novamente: não tenho vínculo comercial com ninguém. Indico as pessoas e fornecedores que eu mesmo utilizo e comprovei a qualidade. O objetivo do blog permanece: trocar informações e dicas com guitarristas. Quanto mais sabemos, menos gastamos! :)




PS: O baixista Flávio Siodoni fez um processo semelhante para construir o seu Precision 51. A história, com os custos especificados, está aqui: Siodoni P-Bass by luthier Cavalheiro

domingo, 30 de outubro de 2011

Telecastermania - parte 2: Mogno (ou: como fazer um corpo de mogno em 64 minutos!)


         Quando cheguei na oficina do luthier Roberto Cavalheiro em Blumenau pra pegar as minhas duas teles de ash e alder, vi um enorme bloco de mogno, e como sempre, fico babando quando vejo mogno. Esse era de uma madeireira recentemente fechada e o aspecto era muito bom.

Ficamos a tarde inteira em função das Teles e lá pelas 18 horas,o Beto ainda percebendo o meu encanto pelo mogno, me disse: se esperares mais uma horinha, faço um corpo de tele de mogno pra ti, em peça única. E melhor ainda, de presente, já que vieste aqui me visitar e sempre acreditaste no meu trabalho!
"Daquele bloco ali, pretendes fazer um corpo pronto em 1 hora??" - E comecei a rir. :)
"1 hora? Tá com cara de 3 a 4 horas, no mínimo... Pensei"

Mas, tudo por um corpo de mogno bom, e ainda em peça única! Resolvi cronometrar, filmar e fotografar pra ter certeza :) E, exatos 64 minutos depois, ele me entrega aquela maravilha!
Acabei de editar o vídeo em HD no YouTube - pra quem tem boa conexão, sugiro assisti-lo no formato HD - tá muito legal.
Eis o vídeo:


Aqui a bichinha pronta, depois de uma finíssima camada de verniz para acender o mogno:

Nos próximos posts, conforme prometido, toda a aventura da construção das duas Teles, com detalhes e dicas.
Abraço!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Telecastermania

Telecasters: Ash e Mogno

       Recentemente resolvi montar duas teles clássicas, uma com corpo de Ash e outra de Alder, mas sem ter que importar quase nada (apenas algumas peças). Andei pesquisando e vi que poderia fazer essas guitarras com alta qualidade, tudo no Brasil e com custo bem inferior às importadas. Nos próximos posts vou colocar um "passo-a-passo", desde a compra das madeiras, o processo de manufatura dos corpos e  braço de maple, feitos magnificamente pelo luthier Cavalheiro, até a finalização aqui em casa. Já aproveitarei para explicar porque no final acabei com uma terceira tele, feita com peça única de mogno.
De brinde, vou postar um vídeo do luthier Cavalheiro fazendo o corpo de mogno em exatos 64 minutos! Incrível! :)
A tele de alder está em processo de finalização.

Por enquanto, vou colocar algumas fotos, só pra dar água na boca do pessoal, hehehe...

A Telecaster de mogno, num close up (o braço é de uma antiga Roland GR707, sem a barra estabilizadora):



A Telecaster de Ash (pesado: northern ash):



Tudo começou porque queria fazer uma tele semelhante à minha 68. Era pra ser um clone, mas no meio da aventura resolvi modificá-la um pouco (escala de maple, tarraxas Planet Waves). Fiz um acabamento  "envelhecido" que realça a beleza dos veios do ash.
Aqui, ela do lado da 68:

De perto, ao vivo, ela parece mais antiga que a própria tele de 1968! :)

PS: O som delas, é claro! Esqueci de comentar, mas nem é necessário: não tem como errar quando usamos madeiras e parâmetros clássicos de construção. Guitarras magníficas! Com o tempo, colocarei os samples, mas já posso adiantar que a de Ash tá com um timbre muito parecido com o da irmã... :)

Update 08/2012: Depois de ouvir muito, conclui que a nova de ash é excelente, mas se comparada com as outras. Quando no "mano-a-mano" com a 68, ela apanha um pouquinho... :)
Essa Fender 68 é foda. O som parece que "salta" dela, equilibradíssimo. Ainda bem que é minha! :)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

As Crônicas do Cedro - (1º capítulo)

     


        Acabei de ressuscitar uma Telecaster com corpo de Cedro, que cismava em soar mal. Mesmo depois de umas 5 tentativas de captadores, não tinha jeito. Semana passada resolvi colocar aquele braço da SX (postado aqui) que estava sobrando, e mais algumas peças, também "sobrantes". Dessa vez, tinha certeza que o captador do braço seria um P-90 e separei o meu humbucker mais agudo e rabugento pra colocar na ponte.
Tudo isso iria para um corpo de Telecaster de (suposto) Tauari, que acabou ficando muito pesado (quase 5 kg) e com timbre feio, abafado. Abafado por abafado, prefiro o Cedro! :)

Quando acabei de montá-la, liguei no amp sem muita esperança, mas me surpreendi com a sonoridade! Comparei com várias guitarras boas que tenho e o timbre dessa tele de cedro está praticamente à altura de todas elas. É um meio termo entre a Les Paul e a Telecaster padrão.
Como já apanhei muito do cedro, tomei o cuidado de colocar um pot de volume com 560k e capacitor de .022. Ajudou a abrir um pouco mais o timbre.

        No fórum da Guitar Player já fiquei conhecido como "o cara que não gosta de cedro" :). Tudo porque há uns 7 anos, quando era apenas um guitarrista sem nenhum conhecimento de luthieria, resolvi finalmente ter uma strato e conclui que uma de luthier seria ideal. Nem me lembro se a palavra "cedro" foi mencionada, mas na época não tinha a mínima noção da importância das madeiras.
Gastei quase o mesmo valor uma Fender americana importada e o resultado foi terrível - uma strato SEM som de strato.
Depois de umas 20 tentativas frustradas para fazê-la soar bem, fui pesquisar... Santa cultura! Aos poucos, fui entendo porque ela não soava como strato: corpo de cedro, braço de marfim, captadores Seymour Duncan Quarter Pound/Blackmore, ponte Wilkinson VS50 (esse modelo nunca engoli - muito bem feito, mas...).
De início, pensei: "Ahá! É só trocar os captadores!". Troquei e nada, abafada, sem muito estalo... Até que troquei o corpo de cedro por um de alder e a mágica aconteceu.

Ainda fiz mais 2 tentativas com cedro, dessa vez com tops de outras madeiras para tentar jogar brilho no timbre: Cedro+Marfim (essa tele), Cedro+Imbuia. Nada. Com um EQ paramétrico, consegui identificar uma falta de força nos médio-agudos, entre 1600 e 2000 Hz, centrado em 1850 Hz. As 3 guitarras tinham essa característica. Todos os corpos de cedro foram para o "depósito"...

        Há uns 4 meses, peguei o corpo da minha strato de cedro e percebi que o cheiro característico (de sauna) do cedro havia diminuido muito. Coloquei um braço de maple/maple e ao tocá-la (captadores StewMac Golden Age) percebi uma boa melhora no timbre. Imediatamente pluguei a minha strato de alder e somente com as duas, lado a lado, é que consegui perceber que aquela deficiência de médio-agudos ainda estava lá, mas mais sutil. Se não estivesse ouvindo a de alder junto, juraria que o som era de uma strato perfeita... :)
Acredito que o maple tenha equilibrado o timbre do cedro.

Fiquei com uma pulga atrás da orelha e resolvi ressuscitar as outras duas. A Tele foi uma grata surpresa - tá com um timbre muito legal, principalmente por causa do braço de maple/maple. Ficou tão boa que vou investir numa troca de trastes (com luthier - não tenho capacidade técnica pra isso) - 3 deles estão levantados e se tem uma coisa que me irrita é traste mal colocado/nivelado. Coisa de guitarra (SX) chinesa barata.
Já uma custom HH, cedro rosa com top de imbuia (o timbre da imbuia não ajuda muito nos agudos), continuou abafada - mas nela coloquei uma braço de maple (fino) com rosewood.



O que será que aconteceu? O cedro envelheceu, secou mais ainda (mas já estavam bem secos, segundo os luthiers) ou foi o acréscimo do maple?
Não sei ao certo. Ainda acho o cedro deficiente nos médio-agudos (há quem goste dessa característica) e o Alder e Ash bem melhores, principalmente para guitarras estilo Fender, mas pra quem jurou que nunca mais tocaria numa guitarra de cedro, tô mordendo a língua, kkk...

sábado, 15 de outubro de 2011

FAQ-002: Tingindo Plásticos

Guitarra boa é sempre guitarra boa, independente do aspecto. Pode ser uma daquelas envelhecidas naturalmente, como a famosa e clássica tele "Micawber" do Keith Richards:

Pode ser uma ilustre desconhecida, como a do Jon spencer:

Ou uma toda reluzente e novinha em folha, sem nenhum arranhão.
O que eu não curto muito, esteticamente, é guitarra muito "relicada". Não sei, pouquíssimas me parecem realmente naturais. Principalmente essas "heavy relic", onde algumas tentativas ficam ridículas:

Até mesmo a Fender às vezes exagera e perde a mão. Aqui, uma "Time Machine" Custom Shop:

A Fender iniciou essa onda (e criou o nome "Relic", de relíquia) nos anos 90. Reza a lenda que Keith Richards encomendou cópias de suas amadas Telecasters e as devolveu com um bilhete: "Estão muito bonitas. Se vocês derem uma "gastada" nelas, eu as tocarei". Daí foi ladeira abaixo. Tom Murphy na Gibson aproveitou a onda e hoje ambas as empresas têm nas suas linhas "envelhecidas" as guitarras mais caras.

Por outro lado, não gosto de guitarras reluzentes, com metais ultra polidos e aquele acabamento grosso de poliuretano que reflete tudo.
Também não gosto do branco "OMO", pode até ser trauma de uma telecaster Finch branca muito ruim que tive há décadas e entre outras coisas, não afinava nunca e me dava choques elétricos... hahahá :). Fico feliz que tenham inventado o "Off White", que é o branco "não tão branco"

Por isso, sempre que pego um plástico branco, fico tentando deixá-lo um pouco mais escuro. Sempre que pego uma guitarra reluzente demais, passo uma lixa bem fina pra "cortar" o excesso. Idem para os cromados. A técnica atual de cromagem de metais (acho que) surgiu na década de 50/60 e só foi instituída nas peças de guitarras a partir dos anos 70. Anteriormente, os metais eram mais foscos e, na minha opinião, mais bonitos quando combinados com madeiras. O acabamento de poliuretano (PU) também iniciou-se só em meados da década de 60. Antes era só nitrocelulose ou "duco", que não brilhava tanto. Hoje, é tudo PU super polido e em grossas camadas, abafando a madeira..

Chega de papo retrô... Esse post é porque o pessoal demonstrou curiosidade sobre o método que uso pra tingir os plásticos. Já tentei várias coisas e tintas. Uma vez peguei uma "fórmula" num fórum que incluia, entre outras coisas, uísque e mostarda... E funcionou! :)

Mas um método mais simples é usando apenas corantes para tintas, aplicando-os diretamente no plástico. Aconteceu por acaso - tentei uma vez e saiu tudo após passar água. Mas no outro dia, por acidente, derramei um pouco na mesa e como não tinha água por perto, tentei limpar com um pano velho. Quanto mais eu esfregava, mais a tinta grudava. Depois tentei com água, mas daí a tinta já havia grudado... :)

Então, descobri que o princípio é esse - sujar bastante com a tinta e tentar limpar sem água. :) Quanto mais tentamos limpar, mais a sujeira/tinta gruda. É importante que o plástico seja previamente lixado - de maneira uniforme ou não (veja o porque na sequência) - pode ser uma lixa de grão 400 a 600 (obs: quanto mais alto o valor, mais fina é a lixa) 

Essas são as cores que uso (lojas de ferragens, tintas e utilidades, custam por volta de 4-5 reais cada):


Aqui o processo em dois escudos de telecaster. O da direita já é "off white", mas eu queria deixá-lo "mint green", um pouquinho esverdeado. Pinguei as gotas. Mais tarde vou acrescentar apenas 4 gotas de verde claro no da direita:

Aqui, já com um pedaço de pano (bem seco, não esqueça, tudo nessa etapa é sem água). Esfreguei bastante e com força, até secar e "travar" o pano. Tente literalmente "limpar a seco":

Faltou um pouquinho de amarelo... E esfregar novamente.

Depois de bem secos, são então lavados com água corrente. A água (continue esfregando aí também) retira mais de 80% da "mancha", mas o que queremos realmente são os 20, 10 ou 5% restantes...



O da esquerda "manchou" mais porque eu o lixei propositalmente de forma irregular. A sujeira irregular é essencial para um aspecto vintage. 
Agora, seque-os novamente, esfregando firme. O excesso de cor/manchas/sujeira é retirado com lixa e água. 


A relação de valores das lixas é importante. Se lixamos inicialmente com uma 400 e queremos tirar pouca coisa, podemos usar uma lixa de 800 ou 1200 (usei inicialmente uma 500 e depois 1200). Mas se o objetivo for apenas o de "cortar o branco", podemos usar uma com o mesmo valor ou um valor imediatamente acima. Lixamos levemente, de maneira uniforme ou não, dependendo do objetivo final. 

Na foto o da direita não parece tanto, mas ficou com um tom levemente esverdeado, exatamente como eu queria. O da esquerda, que deve ir para uma telecaster que será pintada em "Daphne Blue" ou "Surf Green" (ou Teal Green), pode ainda receber mais lixadas pra diminuir o amarelo - ou simplesmente acrescentar um pouco da cor "ocre" ou marrom. Prefiro esperar e decidir depois.
O legal é que podemos lixar, retirar tudo e tingir novamente :).
Nessa strato (postada anteriormente), o tom levemente amarelado/esverdeado do escudo ficou perfeito com o vermelho do corpo:

É claro que se alguém fizer isso e descobrir mais alguma dica, por favor, dê um toque - é obrigação! :)

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12/11/2011: O pessoal já está aplicando esse método e descobrindo novas opções/variações muito interessantes. Uma delas é a tinta a óleo - faz sentido porque o óleo "gruda" e mancha bem. Vou postá-las sempre que acrescentarem algo:

Duda Menezes: usei algumas Tintas Óleo , aquelas usadas para pintar quadros e tive um bom resultado. Marrom escuro , marron médio e amarelo .Usei o seu sistema para tirar excesso e ficou muito bom. Não ficou exagerado , ficou no ponto . 

Cesar: "Eu utilizei essa tecnica para tingir escudo e covers de captadores. Realmente é uma técnica fácil e q funciona, porém fiz algumas adaptações. Para mim funcionou mto bem com as peças molhadas, ficando assim mto mais fácil para espalhar a tinta mais homogeneamente. Pinguei algumas gotas do corante amarelo (meio mostarda) em um pano e apliquei em todo o escudo molhado, em seguida passei um pano seco, assim já ficou praticamente na cor que eu queria, levemente amarelado, sem excessos, bem homogêneo e natural, depois só lavei em água corrente e passei uma lixa 1200 bem de leve msm, o resultado me agradou bastante

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Guia para Tunar Guitarras Baratas


(Atenção - Adendo 30/09/13: temos um novo post sobre tunagem  (clique aqui)  - um guia definitivo para as guitarras SX. Até acho que o novo post deveria ser lido ANTES desse aqui...)
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         Ao longo de vários anos, aprendi muito sobre guitarras na medida que comprava modelos mais baratos, com madeiras razoáveis a boas e tentava melhorá-las. Cheguei à conclusão de que "guitarra barata é guitarra barata" e dificilmente conseguimos transformar uma delas em "top de linha", mesmo tunando ao extremo. Geralmente porque a essência de qualquer guitarra é a madeira. E madeira boa é, via de regra, cara.

          Prometi que não ia mais fazer isso, mas achei que essa era uma oportunidade de acompanhar tudo em "real time" aqui no blog.

Hoje comprei uma nova SX (já tunei duas anteriormente). Essa tem um selo escrito: "American Swamp Ash". Será? :)
Analisei-a por quase meia hora na loja e decidi comprá-la (600 reais). O corpo realmente parece Swamp Ash, é leve e composto de apenas duas peças (pelo que percebi até agora :) ), porém 5mm mais fino que uma Strato padrão (40mm x 45mm).


Guitarra Strato SX de Swamp Ash

Ponte ruim, sem massa, captadores cerâmicos, tarraxas "a esclarecer", mas não devem ser além do "razoável", escudo com figuração tortoise impressa, enfim, vai mais uma boa grana pra tuná-la devidamente.

Mas valerá a pena? Minha experiência é de que as chances para "Sim" não passam de 30%.
Antes de comprar, levantei o escudo e vi que a cavidade dos caps não é universal/piscinão. Um ponto positivo, pra começar.
Mãos à obra - vou postando aqui o dia-a-dia da tunagem.

DIA 1

Antes, é bom lembrar que o ideal seria num primeiro momento, apenas colocar bons captadores e checar o timbre da guitarra. Se não ficar legal, pare a tunagem aí mesmo... :). Mas, pelo timbre dos captadores cerâmicos, dá pra projetar com relativa certeza que ela tem boa sonoridade. Por isso, vou iniciar pela parte estética/estrutural.


1 - Retirei o escudo. Cavidades clássicas da Fender. Ainda bem que os caras nem tentaram colocar espaço para um humbucker na ponte. Nenhuma falha até agora.



2 - Captadores cerâmicos (já dava pra imaginar) de 5,3k para a ponte e 4,9k os demais. O da ponte tem espaçamento maior, como é o padrão Fender moderno. Pots de tonalidade A250k (logarítmico) e de volume B250k (linear). Capacitor de polipropileno, .047uf:


3 - Já comecei a adaptar os pots para deixar apenas um de tonalidade e desviar o de volume para o ponto do segundo pote de tonalidade (esse sai)


4 - O Escudo. Horrível, nitidamente dá pra notar que a imitação de Shell/Tortoise é pintada.:



Fui dar uma pequena lixada para diminuir a intensidade dos efeitos "super laranja" e a tinta desandou a sair e borrar tudo. Nunca vi disso. Resultado: tive que lixar tudo e deixá-lo com o top branco:


O problema aí é que eu não gosto de escudos de strato TOTALMENTE brancos. Em 1 hora, ele foi envelhecido (clique aqui para o post sobre "envelhecimento" de plásticos) e ficou com tons mais equilibrados com a madeira (deixei um full white do lado para comparar:



Não que eu não goste do escudo "tartaruga", mas não é o meu preferido nessas guitarras com acabamentos naturais. De qualquer forma, vou comprar um escudo "Shell/Tortoise" só para ter essa opção estética.
Se eu mantiver o escudo "envelhecido", toda a guitarra será manipulada para o aspecto vintage. A começar pela retirada do excesso de brilho do corpo.
Amanhã tem mais...
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DIA 2

Decidi que além de fazer o upgrade, vou também deixá-la com aspecto mais vintage. Pra isso, é importante retirar o excesso de brilho do verniz e das ferragens cromadas. Em ambos os casos, o processo é feito com lixa d'água, grão 600 pra cima. O corpo fiz com lixa 600 e ficou divino sem o brilho. A textura está perfeita.
Desmontei-a totalmente e nessa foto, o que de fato é importante: madeiras. Observem no detalhe que já fiz uma marca naquele bico de papagaio do headstock. Como fiz com todas as SX, vou aproximá-lo de um headstock Fender:


OBS: Para saber mais sobre a modificação do headstock, clique aqui.

Agora, com o corpo lixado e o headstock modificado (fiz com grosa e lixas):



Como sempre, deixar com aspecto de Fender e não colocar o logo é igual a garrafa de Coca Cola sem o logotipo: não faz sentido! :)



Ainda não consegui comprar a ponte Wilkinson mas eu tinha um bloco de aço pesado que comprei na Guitar Fetish e troquei aquele ridículo bloco chinês por esse (obs: o braço do tremolo original não cabe nesse bloco - compre um braço "USA sized" junto - custa apenas 4 dólares). O bloco pesado é muito importante para o timbre de uma strato, pois nela ele funciona como "bloco de inércia", garantindo boa e estável vibração das cordas. Aqui, uma foto comparando o bloco GFS de aço com outros chineses. Os "genéricos" são feitos de uma liga de metal que se martelar, esfarela, de tão vagabunda. O da Condor GX40 é pequeno, mas o metal é, aparentemente, de maior qualidade.

Caso alguém queira comprar um bloco desses para colocar numa ponte chinesa, escolha o modelo "Import", que é na medida de 90% das pontes genéricas.

A ponte ficou assim:



Os cromados foram lixados (grão 500 pra cima - às vezes só umas esfregadas de lixa 1200 já dá o efeito desejado) para ficarem foscos. Não pode lixar muito porque a camada cromada é bem fina... Aqui, antes de lixar.



Coloquei na foto uma outra canoa e um stoptail cromados para acentuar a diferença:


Observem que o chapa de tróculo é estilo Fender anos 70, com apenas 3 pontos de fixação. Não foi uma boa idéia do Leo Fender, tanto que não é mais usada. Alguém da SX marcou bobeira... Vou deixar assim por enquanto...

Poderia tê-la montado hoje, mas tive que envernizar (com spray) o headstock para proteger os logos. Terei que esperar pelo menos 36 horas antes de recolocar as tarraxas.
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DIA 3/4

Quando estamos lidando com instrumentos musicais, existe uma regra primordial: "Siga o padrão técnico". Se não a obedecemos, as leis de Murphy começam a pipocar aqui e ali e o projeto vira lixo.

Quando medi a espessura da guitarra e deu 40mm (o padrão é quase 45mm), achei (nunca "ache" nada) que isso não acarretaria nenhum problema na tunagem.
Pois bem, adivinhem qual é o comprimento do bloco de tremolo GFS? Perto do padrão: 41,5mm!
PUTZ! O corpo acaba e sobra uma ponta do bloco pra fora... :(


Um simples detalhe de 1,5 milímetros tecnicamente pode comprometer a sonoridade final da guitarra. Se eu não colocar esse bloco, ela não terá o timbre que eu quero, mas se deixar assim, toda vez que deitar a guitarra em alguma superfície, vai forçar o bloco e sua fixação.
... Continuando (e já li a dica do Pedro e do Lucas), quando coloquei as molas, subiu ainda mais... Terrível. Se não estivesse postando no blog, já teria parado por aí.
Tenho 3 opções: 1) Voltar para o bloco original (nem pensar); 2) Cortar uns 3-4mm desse bloco (aço... Nem imagino onde fazer isso) 3) Levantar a placa traseira. Uma 4ª opção seria deixá-la sem placa, mas daí tem que sempre lembrar de nunca colocá-la deitada na horizontal.... Alguém tem mais alguma ideia?

Decidi pela 3ª opção e usei uma segunda placa (partes dela) para levantar:
De cima, parece ok:

Mas de lado, a gambiarra aparece em toda a sua glória... :).

E as molas ainda estão praticamente coladas na placa. O espaço ali é menor do que 0,5mm. Provavelmente terei que ampliar ainda mais a abertura.
É realmente uma pena. Ela tava ficando muito legal:

Se o som dessa guitarra for excepcional (isso nunca aconteceu com uma chinesa antes), daí talvez tente fazer uma base de acrílico.
Só falta colocar o braço, cordas, regular a tocabilidade e finalmente ouvir o som dela :)

Outro detalhe importante pra quem ainda pretende comprá-la e tuná-la: os 3 captadores têm distâncias dos pinos distintas. É muito legal porque o espaço entre as cordas vai diminuindo à medida que afasta-se da ponte. Mas isso quer dizer também que podemos esquecer a reutilização das capinhas. Geralmente no mercado encontramos singles com dois espaçamentos: para ponte e meio/braço. Por sorte, tinha um captador antigo aqui que coube na capinha do braço, a mais estreita.

Adendo 14/05/2012: O Daniel resolveu esse problema da seguinte forma: "Peguei uma ponte Fender, bloco padrão e corpo 40 mmms... peguei o bloco, levei a um torneiro mecânico e ele cortou na parte superior (parafusada a ponte), foi feito com precisão, tirei 5 mms e ficou bem legal, me cobrou pouco pelo trampo, que tbm não é demorado. Se não fez, em torno de 20,00, faça, a minha ficou perfeita."

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DIA 4/5

Aqui a SX montada. Detalhe técnico: precisei colocar um calço no tróculo para leve angulação - coisa comum nas Fender (clique aqui para o post sobre angulação do braço). Agora a ação está perfeita em toda a escala. Tarraxas Grover Mini Rotomatics

Novamente, a foto não faz jus à beleza dela... :)


Observem na foto abaixo como os pólos dos captadores estão perfeitamente alinhados às cordas: nas Strato, o ideal é esse tipo de configuração, mas atualmente o pessoal tem usado apenas dois espaçamentos e o captador da ponte fica ligeiramente desalinhado. 

Ontem à noite coloquei as cordas e pude ouvir sua sonoridade. Embora conheça muito bem Teles de ash e Stratos de alder, tenho pouquíssima experiência com stratos de ash, principalmente swamp ash.

O que eu percebi foi uma ressonância muito boa, agudos e médios bem equilibrados, semelhantes ao alder, porém com graves mais fortes e projetados - e isso eu não esperava. Tinha a impressão oposta, que ela soaria mais magra e com médios mais fortes.
Como isso foi observado principalmente no captador do braço e acabei usando um muito antigo de apenas 4,9k porque queria manter as capinhas (a cor creme delas é perfeita), vou colocar um captador que conheço bem - o Fender CS54 ou o Rosar Fullerton hoje e testá-la novamente.

Mas num primeiro momento, gostei muito do som. Melhor do que eu esperava.
Se continuar assim, vai valer a pena o trabalho e vou atrás de alguém pra cortar o bloco do tremolo. :)
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DIA 5/6



Excelente a idéia do pessoal de cortar o bloco. Por enquanto, ela fica assim. Tá muito legal.
Tive que trocar os caps (54 no braço, Fender 97 no meio e Rosar Rock/Blues na ponte), então as capinhas e os botões obviamente foram trocados -  o visual ficou mais "branco"... :)



Gravei um solo (o mesmo feito com a Strato Candy Red no post anterior - podem comparar os timbres) com o Fender CS 54 no braço. Muito, muito bom! Timbrão.
Interessante é que ela é um pouco mais grave que a de alder. Mas a essência do timbre strato é essa mesma.
Ouça:

E aqui, só as duas guitarras. A strato Fender de Alder tá na direita, fazendo a base:

É isso aí. Ainda pretendo comparar o timbre só trocando novamente o bloco e gravando o mesmo solo...
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Concluindo, o som dessa SX de Swamp Ash é muito bom! Ainda prefiro o timbre da minha Fender de alder, mas gostei bastante do ataque e peso dela, mesmo com um corpo mais fino.
O único problema sério foi a falta de espaço para o bloco, mas aparentemente é fácil cortar um pedaço e a guitarra ficará bem equilibrada visualmente.
Abraço!

P.S.1: o Sávio perguntou quanto custou a tunagem e a questão do custo deveria ser mencionada também ao longo do post. Ao tunar uma guitarra, vamos gastar geralmente bem mais do que o preço inicial dela e, é importante ressaltar, o valor de revenda não aumenta tanto, porque as pessoas vão continuar vendo uma "guitarra chinesa barata".
Então, tunar pra vender não é negócio, é prejuízo... :)

Eu considero que paguei 630 reais não por uma SX, mas por um corpo de Swamp Ash e um braço razoável de maple/rosewood. 3 singles bons estão entre 330 e 600 reais, uma ponte Wilkinson "Selo Ouro LPG" :), 180-220 reais, tarraxas Grover Mini Rotomatics, 95-130 reais... O prazer de tunar sua própria guitarra... Não tem preço!! Hahahá.

P.S.2: Update 12/2011: Comprei um tremolo GFS de aço (42 dólares + uns 25 shipping + cerca de 45 de impostos - total de 200 e poucos reais) que coube no limite exato nessa guitarra. Melhor assim. Não precisei cortar nada, mas foi um saco tapar os furos dos parafusos e fazer dois novos para os pivôs desse tremolo. Recomendo um luthier para quem nunca fez isso.