quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Comparando Les Pauls (Gibson Les Paul Standard 1981, Gibson Les Paul Traditional 60 2011, Vintage AFD Les Paul 2012)


         Recentemente o Oscar Isaka Jr. Esteve aqui em casa e trouxe sua Les Paul Traditional 60's, uma linha exclusiva feita pela Gibson para a rede Guitar Center dos EUA. É uma Traditional, com os 9 furos de alívio de peso, corpo de duas peças de mogno, cerca de 4,4 kg. Enfim, uma Les Paul que em termos de qualidade, estaria abaixo apenas das Custom Shop. As LP Standard são mais caras mas aquele corpo com câmaras ainda não engoli (e nem vou).

Enfim, como ela estava com um captador Jim Rolph Pretender 58 no braço, a minha Les Paul 81 tem o mesmo captador e a Les Paul Vintage AFD está com um Rosar Mojo 13, que é baseado no Rolph, fiz uma comparação, usando o mesmo setup e solo para as 3.
Obs: O Júnior me lembrou que a Traditional estava com cordas 0.11, enquanto as outras duas com 0.10. Isso pode explicar os graves um pouco mais lentos (portanto mais perceptíveis e soltos) dela.

É interessante notar que o timbre Les Paul "genérico" está presente em todas, mas as diferenças estão nos detalhes.

Ainda estou timbrando o neck da AFD -  atualmente o Mojo 13 está com a bobina ativa virada pra ponte e o controle de tonalidade em bypass (desligado), por isso soa algo mais aberta que as outras. Mas é proposital - gosto muito do som meio humbucker, meio single na posição do braço de Les Paul. Detesto timbre gordo e/ou aveludado, com graves sobrando. Quero estalo, definição e clareza COM a densidade de humbucker (tô quase descrevendo o som de um PAF).

Para comparar bem, o ideal é ouvir normalmente uma vez, deixar o youtube carregar todo o vídeo e depois trocar rápido de uma para outra com a barra de posição.

Uma levada de base estilo Freddie King (sem shuffle aparente, mas pensando em shuffle). Vamos ouvir:




sábado, 26 de janeiro de 2013

FAQ-001 - Tapa Furo: Tapando o buraco do escudo

         Esse blog já passou das 500.000 visitas, está com uma média de 1.400 visitas diárias e obviamente a quantidade de perguntas (são 106 posts, elas pipocam de todos os lados) só tem aumentado.    

Já percebi que não adianta reclamar das perguntas repetidas (essa de hoje já rolou mais de 5 vezes) e pra não passar por mal educado, acho que a solução será essa série de "FAQs" (Frequently Asked Questions - perguntas frequentes). Se não funcionar, dancei... :)
O ser humano é comodista por natureza (não me excluo) e infelizmente a maioria prefere perguntar antes de pesquisar. Blá blá blá... E deu de lamúrias! :)

        Então... Por uma questão também de comodidade, porém física, eu sempre retiro um dos controles de tonalidade das stratos, passo o de volume para o segundo furo e tapo o primeiro - assim, a minha mão direita para de bater inadvertidamente no volume. Minhas stratos têm essa configuração:


        No início, procurei um monte de coisas que pudessem tapar, de forma esteticamente satisfatória, o buraco no escudo.
Depois de várias bobagens, descobri, numa loja de utilidades, o "Tapa Furo", uma buchinha de plástico usada para tapar furos, principalmente de móveis (esconde os parafusos).

Nas lojas na internet (Metafix, por exemplo), podemos encontrá-los em diversas cores (branco, cinza, marrom, marfim e preto) e tamanhos (6,8,10 e 12 mm). Mas aqui só encontro o branco. Não sei se eles referem os milímetros à base ou a tampa do tapa furo, mas o que mais funciona pra mim tem 6 mm na base e 10 mm na tampa (6/10). Alguns escudos exigem o 8/12. O bom mesmo é comprar no mínimo dois tamanhos e no maior número de cores possível, principalmente branco, preto e marfim. O branco é o coringa, que pode ser pintado:


        Esmaltes de unha são baratinhos e uma mão na roda pra qualquer guitarrista e luthier. Eu os utilizo principalmente para colorir pequenas peças de plástico, inclusive botões de volume e tonalidade. Também pequenos descascados nas guitarras. O Colorama "Baunilha" e o preto intenso são dois preferidos :)
Na foto, preso na pinça invertida/de pressão, um branco já com esmalte. O processo é fácil e idêntico à pintar unhas, então, aprenda com sua mãe, irmã, parceira. Não tenha medo de misturar cores até atingir a tonalidade desejada.

Normalmente o Tapa Furo prende por pressão no escudo, mas às vezes um pentelho de cola (pentelho mesmo, essa Superciano é poderosa), com um cotonete na aba do tapa furo garante uma boa adesão. Às vezes, ele é um pouco grande para o furo - geralmente uma pequena lixada (aproveite e roube também a lixa de unha de sua namorada) no tapa furo resolve.

Obs: O Daniel passou outra dica excelente nos comentários: "Uma outra boa é quando se quer tapar os buracos de mini-switch, com as chaves de defasagem ou série /paralelo, utilizo a "bundinha" da caneta BIC, que tem o mesmo formato dos "tapa buraco", normalmente encaixa certinho!"

Beleza! Estamos combinados: "NINGUÉM MAIS PERGUNTARÁ SOBRE ISSO, OK?

PS: Tenho recebido muita ajuda de vários frequentadores do blog em relação às perguntas. Agradeço imensamente e se puderem, sempre que necessário, lembrar esse link, seria fantástico.


sábado, 19 de janeiro de 2013

Guitarra SX Modelo SG


ATENÇÃO: Assim como a grande maioria das guitarras chinesas baratas, as SX podem variar MUITO de qualidade, às vezes entre modelos de um mesmo lote. SEMPRE avalie pessoalmente a guitarra antes de comprar. Aqui no blog há vários posts que ajudam a identificar e avaliar guitarras. 

Guitarra SX Modelo Gibson SG:


Acho que a primeira guitarra "digna" que tive foi uma SG Giannini dos anos 70 (provavelmente de mogno). Na época, guitarra era 100% feita à mão. Em seguida comprei uma Telecaster Fender e vendi essa Giannini.
Mas o fato é que, desde então (1980, na foto: SG e amp Duovox Giannini, Crybaby no chão), nunca mais havia pensado em comprar uma SG... :)


É... Quando eu achava que já tinha dado pra mim com essas SX, dei de cara com esse modelo (também na Multisom) custando 799 reais, TODA de mogno (africano, oriental, inferior ao hondurenho, mas tudo bem, é mogno mesmo). Braço de mogno, escala de rosewood, colado.
Claro, alguém deve estar pensando que a madeira pode muito bem ser Agathis, já que com o corante e verniz, pode ficar parecida com o mogno. Poder, pode e eu já me enganei uma vez, mas primeiro, ela soa aberta demais pra ser Agathis (que quase sempre soa meio morto) e a SX costuma aproveitar-se da semântica ("Alder" sem especificar a origem) mas não costuma mentir...

Na loja havia uma SG Custom Epiphone (o modelo com 3 captadores, que aparece no background das fotos da Tele V52 do post anterior) e uma SG Gibson Special. Analisei e comparei as 3 guitarras e ficou muito difícil localizar a esperada "grande diferença" entre elas. Simplesmente não havia. A SX, lado a lado com a Gibson, tinha a mesma estrutura, madeiras e apenas o hardware de qualidade algo inferior. Corpo  muito bem construído, de 3 peças de mogno bem semelhantes.
A SX SG custou 799 reais COM bag de luxo e a Gibson SG Special acho que custava por volta de 4.500 reais.
Peguei uma foto da SX na internet, porque esqueci de fazer uma foto dela original:

Beleza. Não fosse aquele headstock feio, seria um belo clone mixaria da Gibson.
Chegando em casa, desmontei a guitarra e pude observar que as cavidades por baixo de escudo também eram muito bem feitas, no padrão da Gibson original. Vejam:


Ponte e stoptail ok, mas como sempre, o material sem muita densidade/masssa. Troquei por Gotoh. Captadores bem honestos, mas com imã cerâmico... No braço, um Rosar Mojo13 e na ponte, o original do braço, com 8,5k porém coloquei imã de alnico V. O da ponte, de 15 ou 16k, guardei e deixei com imã cerâmico, já que tem características similares ao cap do Angus Young, de alta saída.

A fiação estava ok, bem organizada:


Há falhas na tinta condutiva, mas o fato de TER tinta condutiva já é um mérito! :) E a guitarra é muito silenciosa.
Obviamente os potenciômetros são chineses, baratos, porém um pot barato não é necessariamente um pot ruim. Raramente mexo no controle de volume (sempre no 10) e só mexi nos controles de tonalidade umas duas vezes na vida :), então pra mim não há necessidade de colocar pots CTS ou similares. Mas o curso desses pots é bem razoável. Concluindo, não mexi em nada, só pra soldar os captadores.

Braço: já vi SG Gibsons com braço mais fino. Esse é tipo "D", um pouco mais achatado. Frisos, escala e inlays: não há sequer um sangramento ou irregularidade. Os inlays obviamente são de plástico, mas simulam razoavelmente bem o natural. Não é aquele plástico branco sem graça da maioria.

Não poderia jamais deixar aquele headstock SX feioso e sem graça. Peguei algumas limas e a Dremmel e redesenhei-o para ficar mais parecido com o Gibson. Devido ao seu desenho original, ppte na parte inferior, não fica igual, mas muito parecido. Lixei toda a face anterior, mexi em algumas bordas, pintei de preto e por último coloquei uma folha/veneer com o logo Gibson. Obviamente não era pra passar por uma Gibson, mas o visual assim fica bem mais "normal":
Headstock durante o trabalho:


Um problema relativamente incômodo, também observado pelo JR., que comprou uma preta dessas, são os trastes. Em nossas SX-SG, estavam um bocado irregulares. Chequei com o Fret Rocker e pelo menos 3 trastes estavam bem mais elevados, incomodando no timbre, tocabilidade e entonação. Mas já arrumei-os em casa mesmo.
SX-SG, braço colado, padrão Gibson, mogno no braço (estilo SG Gibson, algo mais grosso), 3 peças de mogno no corpo, extremamente leve, com bag de luxo, por menos de 800 reais? Putz!
Ficou assim agora:


800 reais! Putz novamente... :)
Lembrar que o tensor é do tipo "two way" com ação dupla. O veneer/folha (em papel grosso e fotográfico) fiz no Photoshop, colei e joguei verniz incolor por cima. Tentei comprar um desses da Inlayer, mas confundiram tanto os meus pedidos que acabei não recebendo.
Convém lembrar que existe uma modelo SX similar a esse com o braço parafusado - definitivamente inferior. SG tem que ser com braço colado...

Outra coisa que vocês SEMPRE devem considerar: a qualidade de uma guitarra chinesa varia muito, inclusive da mesma marca e modelo - exceto por alguns trastes, a minha estava ok, mas é essencial que seja avaliada antes da compra.

PS: Voltei aqui só pra acrescentar uma coisa: por mais que o Les Paul não gostasse dessa "guitarra de dois chifres", tenho que reconhecer que fazia tempo que não tocava com uma guitarra tão leve e com timbre tão clássico e matador... Acho que vou atrás de uma Gibson :)

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Telecaster Vintage V52 Distressed Butterscotch

Esse é o segundo post sobre essas guitarras da marca Vintage, e dessa vez achei outra excelente guitarra num preço muito bom.

(Adendo 06/01/13: após ler esse post, por favor, cheque os comentários no final, de vários guitarristas que possuem esse modelo)

Como a maioria dos guitarristas, sofro de "G.A.S.", ou "Síndrome de Aquisição de Equipamentos" e essa excelente Telecaster me atiçou de todas as maneiras, mas o fato de já possuir 9 (!) Telecasters (pelos menos 4 delas excepcionais) pesou muito e, até o momento, não a comprei.
O problema é que essa belezoca está numa loja que fica no caminho da minha academia e sempre que passo pela frente, a GAS bate forte. A solução: vou postá-la aqui, passar o preço, endereço, contato e torcer pra que alguém a compre antes que eu fraqueje novamente :)

Vamos lá. Em primeiro lugar, é uma soberba e clássica telecaster, com materiais (corpo de alder, duas peças e braço/escala de uma peça de hard maple) e acabamento no nível de uma Fender American Standard. Nem tente me falar que tens uma Tele mexicana excelente porque dessa segunda linha da Fender, somente a "Baja" pode competir com a Vintage V52.
É uma variação especial, com relicagem (Distressed) e na cor "Butterscotch" (um tipo de bala de caramelo dos EUA). Dê uma olhada:


Chamo a atenção para as madeiras - um motivo frequente de críticas (minhas e de todo mundo). O corpo é de Alder americano (NÃO é chinês), de apenas duas peças com junção central e o braço é de peça única de maple, ou seja, a escala não é colada por cima. O raio da escala é de 10", trastes médios e o formato do braço é em "Soft C".
Assim como no detalhe dos carrinhos com compensação de entonação, a genialidade dos designers (e excelentes músicos) Trev' Wilkinson e Dennis Drumm foi de respeitar os aspectos vintage das Telecaster dos anos 50 e modificar apenas o que (na minha opinião) sempre mostrou-se falho: raio muito pequeno, dificuldade de entonação e o terrível acesso posterior ao tensor. Por incrível que pareça, eles criaram uma Telecaster que tem o melhor dos anos 50 e 60. A V62 só troca a escala, de maple para rosewood.

A relicagem é excelente. A escala fui muito bem envelhecida e está suja na medida. As ferragens, além de excelentes, dá pra jurar que têm uns 20 anos, ppte as tarraxas, levemente "enferrujadas":


O único detalhe que não achei 100% foi a borda inferior esquerda (na 1ª foto) - a linha de desgaste não está perfeitamente natural - mas, já vi Fender Custom Shop de 5 mil dólares com o mesmo detalhe. Fora isso, perfeita. Ela salta aos olhos na loja. Os captadores são Wilkinson e, surpreendentemente, cerâmicos. Não gosto de captadores com imãs de ferrite, mas num primeiro momento soaram bem. O restante do hardware é todo Wilkinson - não me canso de falar bem dessa marca - a relação custo/benefício é insana. Pra deixá-la melhor do que já é, eu apenas trocaria o captador da ponte por um Rosar Hot T, o meu preferido entre todos os que já toquei na vida. Além disso, talvez colocasse um captador single de strato no braço (obviamente teria que trocar o escudo), que é uma manobra muito legal nas teles.
Na verdade, teria que testar a sonoridade dessa guitarra em casa, com o meu setup, pra ter 100% de certeza do timbre. Assim como qualquer guitarra de loja, ela pode soar de uma maneira na hora da compra e de outra em casa.

A ponte é a única no padrão vintage Fender, com apenas 3 saddles, que eu consigo tocar (detesto as pontes de 3 saddles), tem saddles/carrinhos com compensação de entonação. Grande sacada da Wilkinson.

Enfim, é uma Telecaster muito, muito boa, por um preço muito, muito bom (não lembro exatamente, mas por volta de 1.250 reais) e que não precisa de nenhuma tunagem (exceto talvez pelos captadores, mas é pessoal). Já vem pronta. :)

Olha, considerando o que é colocado de impostos no Brasil, uma telecaster desse nível, por cerca de 1.250 reais, com nota e garantia, só aqui no blog mesmo, KKKK! :)


        A loja em questão é a Multisom (sou freguês de carteirinha da Mensageiro Musical e quem sabe o Gué agora acredita que essas Vintage são um bom negócio... :) ) no calçadão da Felipe Schmidt em Florianópolis. Telefone (48) 33330711, peça para falar com o Felipe (felipe.multisom@hotmail.com). Dá pra fazer no cartão em até 10 vezes. Mais fácil que isso...
Essa loja tem site e dá pra comprar pela internet, mas é uma porcaria e várias guitarras que estão nas lojas não constam no site. Se moras fora, podes combinar com o Felipe e talvez dê pra fazer a compra pela internet.



Tem alguns vídeos dessa guitarra no Youtube. Depois que chequei, vi que alguns modelos mais antigos tinham uma relicagem ainda mais pesada. Acho que a dessa V52 tá na medida.
Novamente, assim como no post sobre a Vintage AFD, existe uma versão (a V2) que tem corpo de Poplar e custa uns 750 reais. Obviamente não tem a qualidade dessa V52.

Dois vídeos do YouTube:




Eu realmente fiquei impressionado com a qualidade dessa Telecaster. Se custasse 2 ou mesmo 3 mil reais ainda assim faria sentido. Coloque o preço de pouco mais de 1.200 reais e ela vira uma pechincha.
Depois de avaliar uma guitarras dessas, fico realmente com pena de quem paga 2.000 reais por uma Fender Telecaster Standard mexicana. Item por item, a comparação é uma piada.

Sempre achei que a China (no caso das Vintage, o Vietnã, conforme a informação do Randerson) tinha capacidade e tecnologia para fazer guitarras excelentes a preços baixos e sempre suspeitei que eram os atravessadores (incluo aí as grandes empresas, como Fender e Gibson) que de certa forma proposital, degradavam a qualidade. A Fender faz questão que as Squier e as MIM sejam inferiores às suas american made, idem para a Gibson/Epiphone.
Esses ingleses estão, mesmo sem querer, revelando a mutretagem que impera no mercado. Que seja uma lição também para as empresas nacionais "fabricantes de guitarra" chinesa. Alder, Ash e Maple da américa do norte não são madeiras caras, pelo contrário.

 Pra quem sempre quis uma Telecaster e acha as Fender americanas caríssimas, essa Vintage V52 tem o melhor custo-benefício do Brasil, provavelmente. :)

PS1: Depois de publicar esse post, fui pesquisar um pouco mais sobre essa V52 da Vintage. Aqui segue um excelente link (clique).

PS2: O Felipe me vendeu recentemente uma SX SG, que devo postar em breve. Só pra adiantar, ela estava do lado de uma Gibson SG Special e uma Epiphone SG Custom dourada. A SX, por 800 reais (com bag de luxo) não devia nada para as outras duas. Impressionante. Foi só trocar os captadores e a guitarra tá um absurdo de boa.