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domingo, 13 de março de 2016

Status Quo e a Telecaster


Paulo May

(obs: antes de fazer perguntas e ou postar comentários, leia aqui: CLIQUE)

 



      Eu estava coletando material para um post sobre padronização de pontes de strato e principalmente o espaçamento entre as cordas, mas comecei a assistir o documentário "Hello Quo" da BBC e o meu TOC destrambelhou total. Passei longas horas colocando subtítulos em português no documentário. Que trabalhão... Por que? Bem, primeiro porque o Status Quo foi uma das bandas que mais me influenciou na adolescência, segundo porque é imensamente subestimada nas américas e terceiro porque eles talvez sejam a principal razão de eu ter me apaixonado por Telecasters, logo depois do Keith Richards e do Wilko Johnson (Dr. Feelgood).

E, por último, coloquei subtítulos porque quero retribuir um pouco. Assim fica mais fácil para os brasileiros conhecerem a banda.

Obs: Já fiz um vídeo com alguns dos melhores e mais famosos timbres de telecaster que conheço e foi postado aqui no blog,mas vai um repeteco:

"O Som da Telecaster"



         Esse é mais um post quase pessoal, mas pra quem gosta dessa banda e rock básico, vai ser interessante. Deve ficar no máximo 10 dias no ar. O Oscar e o Chico fizeram uma excelente demo do amp Pedrone Overdone que será postada em seguida.

Meu primeiro disco do Status Quo foi o "Hello", de 1973, que devo ter comprado em 1975 ou 76. "Caroline" eu ouvi até gastar o vinil. Tirava tudo de ouvido naquela época. Assim como os Stones, eles também usavam afinações abertas e a gente nem sabia o que era isso.
"Down Down" do disco "On The Level" é em sol aberto com capo na quarta casa, mas isso eu só descobri depois da internet...

Francis Rossi e Rick Parfitt sempre usaram telecasters. A branca do Rick Parfitt me deixava maluco. A primeira guitarra que tive foi, portanto, uma telecaster branca. Infelizmente, uma nacional, da marca FINCH, que não afinava, tinha o braço desalinhado com o corpo e o pior: sem aterramento na ponte (fizeram o captador da ponte sem base de metal, então deveriam ter aterrado a ponte - coisa de brasileiro que nem copiar sabe). Ruído insuportável. Pior guitarra que já tive na vida.

Na época, eu não tinha a mínima ideia de como resolver esses problemas e era impossível tocar com ela. Daí tive que me virar com uma Giannini SG preta, que também era uma dureza pra tirar som. Por isso que eu às vezes fico p da cara com esse pessoal que venera o vinil e essas guitarras brasileiras "vintage", feitas à facão nos anos 60 e 70. Gostam porque nunca tiveram que depender delas ou ouvir música com estalos, chiado de fundo e agulha pulando. Pouquíssimas guitarras eram boas e o vinil...putz! Fita (de rolo) é interessante e as bem gravadas são fantásticas, mas vinil não, pelamordedeus.

     A telecaster do Rick Parfitt é de 1965 e a do Rossi, quase certo que é de 1959  (se não, 57). Pra ser mais prático, coloquei subtítulos também num vídeo recente onde eles falam sobre elas:



         Ambas têm corpo de ash e modificações nas pontes que eu jamais faria. A do Rick Parfitt não deveria afinar bem as oitavas, pois ele colocou um stop tail no lugar da ponte/saddles, mas seu técnico de guitarra diz ele teve sorte e ela afina bem. Fico pensando também na questão da curvatura, pois o raio do braço é de 7.25 polegadas e do stop tail deve ser 12, se for Gibson... Mas ele diz que é uma maravilha e tudo bem... :)

Outro detalhe interessante é que Parfitt usa cordas .14!! Pesada! Rossi usa .09. Ambos usam amps Marshall JCM 800 sempre junto com um Vox AC30.



        A telecaster verde do Francis Rossi foi definitivamente aposentada em 2014. Como vemos no vídeo, ele diz que sempre teve uma relação de "amor e ódio" com ela. Não entende porque a sexta corda às vezes desafina sem causa aparente e não a utiliza para gravações há mais de 25 anos. Mas continuou utilizando-a nos palcos porque sente-se "inseguro" sem ela. Afinal, é sua marca registrada :)

         O Status Quo vendeu mais de 128 milhões de discos porém é solenemente ignorado fora da Europa. A maioria dos críticos cai de pau neles, mas o legal é que eles se divertem com isso. Lançaram até um disco com o título "À procura do Quarto Acorde". KKK!

         O documentário "Hello Quo", foi lançado em 2012. Conta a história da banda, com entrevistas, etc. Acho difícil ser lançado no Brasil, por isso achei necessário fazer a tradução. É um pouco longo pra quem não é fã rasgado, então eu cortei a parte "Coronation Street" e acrescentei uma música, no final, do show de 2013 da tour de reunião dos membros originais. Hello Quo:

"HELLO QUO"
OBS: em fevereiro  de 2018, recebi um comunicado (na verdade uma advertência**) do YouTube dizendo que o vídeo "HELLO QUO" foi retirado do ar por infringir direitos autorais. PQP - fiz o favor de traduzir o documentário para a língua portuguesa pois ele não foi (e acho que nem será) lançado aqui. Perderam (mais) uma oportunidade de divulgar a obra do Status Quo no Brasil... Até entenderia se fosse o vídeo anterior, do show de 1989, mas um documentário? Bah!

** Hi Paulo May:
Due to a copyright takedown notice that we received, we had to take down your video from YouTube: 
Video title: Hello Quo (portuguese subtitles)
Video url: http://www.youtube.com/watch?v=Lc0yafPqLT4
Takedown issued by: LeakID
This means that your video can no longer be played on YouTube. 
You received a copyright strike
You now have 1 copyright strike. If you get multiple copyright strikes, we’ll have to disable your account. To prevent that from happening, please don’t upload videos containing copyrighted content that you aren’t allowed to use. 

Também subtitulei esse documentário sobre a gravação do projeto acústico da banda. "Aquoustic":



    Bem.. Parece que a minha obrigação de fã brasileiro foi cumprida. Perdoem-me os fritadores e roqueiros refinados, mas adoro rock de 3 acordes! :)


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Perseguindo um timbre!! The "Mid Scoop Strat Tone" e o Sérgio Rosar CBS 64

Oscar Isaka Jr.

         Alguns amigos me perguntam como eu faço pra chegar nas conclusões sobre os equipamentos e etc. Da onde vc tira essas idéias? Da onde vc imagina que o bloco da Strato vai fazer essa diferença toda?
A resposta é que eu nunca imagino nada, rsrs, mas vou juntando pecinhas e tentando deduzir as coisas com base em muita pesquisa, em fóruns e tudo mais que você possa imaginar. Muitas vezes as conclusões não estão prontinhas lá pra você sair implementando. Muito teste e montagem de quebra cabeças tem que acontecer até que a gente entenda as variáveis de um timbre. Quem acompanha o blog sabe das nossas odisseias.

         Eu sempre fui um fanático em perseguir o timbre do John Mayer. O chamado timbre "Mid-Scoop (médios escavados)" (que de mid-scoop não tem nada rsrs) característico do DVD ao vivo "Where the Light Is" estão pra mim no top 3 de timbres de strato e eu queria a todo custo entender como ele conseguia aqueles sons cremosos com extrema definição e clareza. As stratocaster dos anos 60 têm esse DNA, mas o som que Mayer tira é diferente, tem uma cremosidade e equilíbrio, com ataque contundente e definido que a strato normalmente não mostra de maneira tão polida. Como? Mãos à obra!
         A primeira variável que vem em mente quando falamos de timbre são os captadores. Começando a ler sobre o assunto, a primeira informação que se acha é que ele usou por muito tempo uma strato SRV Signature com Texas Specials. Ok, faz até um certo sentido, uma vez que captadores um pouco mais "hot" de fio Enamel (como o TX Specials) tem agudos redondinhos e mais graves. O "problema" é que qualquer single com mais de 6.5k começa a desenvolver uma linha de médios que entopem o som e tiram o ar do timbre mais clean. Quem conhece o TX Specials sabe que ele é um ÓTIMO captador pra tocar com um Tube Screamer ou qualquer drive, mas ele tem médios estranhos, um pouco graves demais no clean, e ele soa qualquer coisa menos arejado e bonito nesse setup.

Depois de já ter pesquisado muito sobre construção de captadores, feito muitas experiências com o Sérgio e etc., a gente sabe que o fio Enamel tem uma característica menos aguda mesmo pois cria uma capacitância na bobina que 'limita' os agudos. Fez todo o sentido pegar meus TX Specials feitos de enamel e desenrolar algumas voltas, o que teoricamente removeria médios e graves e colocaria um pouco mais de agudos e brilho de volta .
O resultado foi legal, mas ainda não era aquilo que eu ouvia. Ainda faltava o ataque preciso e a dinâmica.


          Os captadores mantinham-se como o caminho mais óbvio pra mim já que tinha chegado perto com os "Texas Specials Underwound" e eu resolvi ir atrás dos captadores da Fender stratocaster John Mayer Signature. Descobri os famosos Big Dippers bombando nos fóruns gringos e no ebay sendo vendidos pela bagatela de U$ 450,00.
Fiquei com pena de pagar a quantia alta e fui pesquisar o que tinham, do que eram feitos e etc. pra saber se eram os principais responsáveis pelo timbre do nosso amigo. Descobri que o timbre que eu gostava veio depois do álbum Continuum (de onde saíram Gravity e outras) e ele já não estava usando mais a sua SRV. Fez sentido novamente, pois os sons do registro ao vivo "Any Given Thursday" bem anterior ao Continnum, são normais e eu ouvia o texas specials claramente. Bastante graves, e uma linha de médio agudos que chega a soar como um brilho cristalino quase vítrico (ressaltado pela escala de Pau-Ferro) dependendo do amp e regulagens. Ótimo para drives, mas é a razão pela qual os Texas Special geram relações de amor e ódio....
  
       
          Bem, de posse dessas informações e tudo mais, fui testar as coisas. Empunhei minha strato (Alder, Maple e Rosewood) com um set de Rosar Fullerton, meu Egnater Renegade no clean e toquei usando um Tube Screamer Clone como um boost (ganho baixo). Verifiquei que o pedal realmente deu uma diferença no som, atuando como um leve compressor e arredondando tudo. Os agudos não sobravam tanto, os graves ficaram bem redondinhos e o médios idem. O som veio cheio, bonito, detalhado,  mas ainda longe do som do nosso amigo Mayer.
Pensei: "lógico, eu quero fugir de médios e o Fullerton foi desenvolvido pensando justamente no ataque de médios"... Percebi que o captador tinha sim um papel importante naquilo tudo e comecei a experimentar. Tinha trocado alguns modelos sem sucesso (Seymour SSL-1, Fralin Blues Specials, Sérgio Rosar Blues, Sérgio Rosar Vintage Hot), quando consegui um set de (Fender) Custom Shop 69. Instalei já meio sem esperanças e quando liguei tudo o som que ouvi foi algo próximo do que eu esperava: Redondinho nos graves, médios meio ocos (olha o scoop mid aí...) e agudos bem comprimidinhos e percussivos.

Claro, como eu pude esquecer de um captador super popular da Fender que atendia aos requisitos que identifiquei lá no começo? Enamel, fraco, bobinamento regular, timbre anos 60. Tinha tudo pra soar melhor que meus Texas Specials desbobinados, obviamente!
Depois disso eles ficaram um bom tempo na minha guitarra e eu tocando e experimentando, sempre chegando nos 60% do som, mas algo ainda faltava. O timbre da posição 2 (caps meio e braço em paralelo) de Gravity ainda não estava lá. Cheguei a ler que os Big Dippers tinham sido inspirados numa Strato Vintage anos 60 que o Mayer tinha e que ele gostava muito, mas nada me dizia exatamente o que rolava... Era bem claro pra mim que a sonoridade era Fender 60's CBS, mas resolvi tirar o escorpião do bolso, aproveitar que uma amiga estava nos EUA e comprar os malditos Dippers (foto abaixo).


Deixei toda a parafernália de lado (por hora) e esperei chegarem. Quando os recebi pareciam um set de Texas Specials. Como eu imaginava, fio Plain Enamel e perto de 6K de resistência. Estava pronto pra me jogar do 10º andar se soassem igual aos Custom 69 ou os Texas desbobinados que eu tinha feito, mas não, UFA! rsrs.
Quando instalei-os na minha Strato o som veio diferente do que eu já havia ouvido nos últimos meses de pesquisa e busca. O ataque mais firme e percussivo, graves sequinhos mas bem presentes, e agudos redondinhos estavam todos lá. A clareza das notas e dinâmica também estavam presentes e de maneira nenhuma ele soava embolado. Mas qual a diferença dele pro Texas e pro Custom 69? Os médios!! :-) Mid-Scoop é uma percepção, pois no Big Dipper eles estão lá presentes, mas tunados numa faixa mais alta da EQ (médio agudo) que no Texas por exemplo e isso faz com que ele tenha o som gordo e redondo dos caps um pouco mais fortes sem o corpo de médio graves que faz com que esses soem mais fechados e entupidos. O som deles ligados no amp direto era um pouco mais próximo do que eu ouvia no CD e por isso os Dippers e a Fender John Mayer Signature são tão cobiçados. O som clean soa grande e presente, com muita dinâmica e ar, e o com drive é definido e firme também.
Claro, não temos a cristalinidade dos sons de Strato dos anos 50 (nem pense em Sultans of Swing com esses) mas pra sons de Blues com muita dinâmica, esse é o captador e o mais legal que obtive respostas semelhantes com praticamente qualquer amp valvulado.
Na mesma semana mandei pro Sérgio Rosar analisar tecnicamente e clonarmos os Dippers. Várias barreiras foram quebradas e técnicas descobertas nesse árduo processo, mas depois de uns 3 meses de testes e uns 8 protótipos chegamos no modelo final. Com algumas técnicas novas desenvolvidas durante o processo, o Sérgio conseguiu replicar as nuances dos Dippers usando o material moderno e acertou a curva de ressonância dos originais.  Nascia aqui o (Rosar) CBS 64.

 

A loja não está mais no ar e não tive tempo de editar o vídeo. A guitarra é uma Castelli ( www.dicastellis.com.br ) feita pelo meu amigo Tom com corpo de Alder, braço de maple e escala em Jacarandá. Uma Strato clássica!
         Os Big Dippers entregam o som com o DNA do timbre do Mayer prontinho, sem muita pestana com praticamente qualquer Strato de Alder/Maple/Rosewood plugada num amp valvulado com características Fender. Acredito que a Fender tenha pensado exatamente nisso quando desenvolveu os Big Dippers pra equipar a guitarra assinatura do Mayer (Acho que o que ELE MESMO usa é coisa diferente e molda tudo com pedais e amps, mas isso é pra um próximo post :-) ). Os CBS 64 do nosso estimado Sérgio Rosar alcançam o mesmo objetivo por uma fração do preço, além é claro de serem fabricados aqui em SC. Todas as pessoas que usam e/ou já usaram o CBS 64 ficaram extremamente satisfeitas com resultado. Não me canso de falar bem do Sérgio pois tendo trabalhado com ele tanto como lojista bem como desenvolvendo captadores, pude contemplar sua seriedade e competência para entregar nada menos que o melhor possível a seus clientes sempre procurando aprimorar e esculpir os pickups, por um preço justo!
Nós todos agradecemos!
Abraço!
Júnior

sábado, 13 de julho de 2013

O Som Da Telecaster

Paulo May

Uma pausa para relaxamento enquanto esperamos o último post da saga... :)
Vídeo exclusivo do blog em HD.


sexta-feira, 31 de maio de 2013

Guthrie Govan - Técnica a serviço da música.

Oscar Isaka Jr.

POOOTZZ , lá vem os puristas malhar um fritador... Calma gente não é bem isso.... kkk !

         Quando estava na minha viagem de férias meu "cumpadi" Frederico enviou um e-mail avisando que ia ter Workshop do Guthrie Govan aqui em Curitiba e perguntando se eu não tava a fim de ir que ele compraria nossos ingressos. Se tem uma coisa que eu gosto tanto quanto ir em lojas de instrumentos comprar minhas guitarras é ir em shows e workshops, especialmente do escalão nosso nosso amigo londrino, então prontamente aceitei.

     
         Contando um pouco da sua história, Guthrie Govan disse que começou a tocar aos 3 anos de idade e  sempre tentava reproduzir as melodias e acordes que escutava na guitarra  mesmo sem saber direito o que estava fazendo e que ao contrário do que parece, ele nunca foi uma criança que ficava horas tocando com um metrônomo. A técnica que possui hoje é um resultado de tocar muito sim, mas aquilo que gostava. Lembro de ele ter enfatizado umas 4-5 vezes durante o workshop que todos nós deveríamos usar a guitarra (ou qualquer outro instrumento) como um meio pra fazer a música dentro da gente sair pelo amplificador. Até aí nada de anormal, quase todos eles falam isso, mas eu veria mais pra  frente que esse cara tinha algo diferente, além da capacidade de tocar fusas...


Entre tocar músicas de maneira perfeita seja de seu álbum solo ou com sua banda "The Aristocrats", algumas perguntas da platéia eram feitas e duas se destacaram pra mim...
A primeira:

Pessoa: Gostaria de saber se vc tem uma rotina de estudos com palhetada alternada, escalas e etc....
Guthrie Govan: Não, isso é como tirar a diversão daquilo que eu gosto de fazer, que é música. Sempre toquei as músicas que eu gostava e tentava tocar da maneira mais limpa e perfeita que eu podia. Acho que assim desenvolvi minha técnica naturalmente. Tirava os acordes de Jazz de ouvido e em algum momento eu quis saber os nomes daqueles trecos que eu fazia (referindo-se aos acordes) e por isso estudei um pouco de teoria, mas estudar técnica pra mim é como o Bart Simpson (de castigo) escrevendo no quadro negro "Não vou mais fazer isso, não vou fazer mais isso..." .

Depois de responder ele emendou ainda: "Nós homens temos esse treco chamado testosterona que diz que sempre temos que ser melhores que o outro cara. Tive alunos que estudavam horas de técnica só pra dizer que tocavam tão rápido quando o Malmsteen, mas cadê a música?"

Seguindo a pergunta 2:

Pessoa 2: Vc conheçe Allan Holdworth?
Guthrie Govan : Sim, já toquei com ele uma vez.
Pessoa 2:  Vc poderia falar sobre o estilo dele e tocar um pouco?
Guthrie Govan : Até poderia, mas acho que você está no Workshop errado. Estou aqui pra ajudá-los, não pra ficar fazendo pirotecnias na guitarra....

Esses dois pequenos diálogos fizeram com que esse cidadão esguio e de barba estranha ganhasse 100% do meu respeito e atenção.

          Hoje gosto muito de um Blues e da espontaneidade do Rock mas aprendi a tocar guitarra escutando metal, já tive meus períodos em que guitarrista bom era guitarrista técnico. Guthrie Govan claramente não está nem aí pra tocar rápido ou mostrar sua exuberante técnica, mas sim para fazer SUA MÚSICA. E daí que ela tem muitas notas? É a música que o cara faz! Concordo que essa pode eventualmente ser "meio chata", que é "música pra músico" e etc, mas Steve Vai e Satriani também não sofrem do mesmo mal muitas vezes? Como todo exímio guitarrista de Fusion, ele incorpora todos os ornamentos possíveis no seu tocar, aplicando com muita propriedade os múltiplos elementos a fim de gerar um vocabulário guitarrístico abrangente, que tanto pode ser chato como um poema de Camões ou uma obra prima como uma pintura de Picasso. Ao invés de explorar as cores de uma Les Paul com timbres complexos e dinâmicas bluseiras, prefere saborear os modos gregos e sonoridades dos intervalos das escalas e campos harmônicos mais rebuscados com técnica exuberante, mas sempre com coerência e propósito.

Aqui uma aula do mestre Govan. Muito interessante como ele faz a metamorfose de uma pentatônica:


terça-feira, 11 de setembro de 2012

Guitarras Caras? Pergunte Para o Tom Morello

        Embora o considere um guitarrista inovador, não sou fã, não curto a banda. Mas acabei de ver um vídeo de suas guitarras e apareceu essa Saint George da década de 60, japonesa, provavelmente feita pela Shiro ou Kawai Teisco. Tom Morello a comprou numa loja de penhores no Canadá por 40 dólares!


Colocou um DiMarzio Hot Rail na ponte, compôs, gravou e ganhou um Grammy em 1997 (música "Tire Me" - Melhor Performance Metal) com essa guitarra e um amplificador transistorizado de 20 watts!!
Ele mesmo admite que na época comprava guitarras mais pelo aspecto que timbre, porém surpreendeu-se com o som dela.

Mais um ponto pra ideia de que pelo menos 80% do timbre tá na mão (e alma) do guitarrista... :)
Aqui, o vídeo: