quarta-feira, 23 de junho de 2010

PRS SE Custom 22



2008, feita na Coréia pela World Musical Instrument Co. Ltd. Segundo informações não confirmadas, é uma das 3 grandes fábricas coreanas, juntamente com a Cort e Samick. Captadores originais de alnico, 9k, sem muita resposta dinâmica e presença. Os pontos fracos dessa guitarra eram os captadores e as tarraxas - foram devidamente trocados...
Coloquei potenciômetro "push/pull" no tone prá separar o humbucker do braço. Preferi não usá-lo no da ponte.

Especificações: 
Corpo: Mogno/Maple ( + folha c/ Flame), flat top
Braço: Mogno, colado, "wide fat", 22 trastes
Escala: 25", Rosewood, Raio: 10"
Tarraxas: Planet Waves Auto Trim Lock.
Captador Ponte: Sérgio Rosar Supershred, 12,5K
Captador Braço: Sérgio Rosar Dynabucker, 4k (split: 2,6k)
Ponte: PRS Tremolo
Binding: apenas no corpo, "natural" (faux binding)

É uma das melhores guitarras que tenho e é incrível sua relação custo/benefício. Segundo a GP americana, a qualidade chega a se aproximar das PRS originais. O braço é fantástico (os braços PRS Wide Fat têm um interessante raio de 10", assim como escala de 25), um meio termo entre Fender e Gibson.

No dia em que a comprei, havia uma americana do mesmo modelo e a "pegada" das duas é muito semelhante. A diferença de sonoridade era relevante em relação aos captadores, que foram trocados pelos Sérgio Rosar, de qualidade comparável, senão superior aos próprios PRS americanos. É claro que não dá pra transformar uma PRS SE numa PRS americana só trocando os caps, mas ajuda um bocado... :)

Tive problemas para encontrar um captador para o braço com a sonoridade que gosto, "hi-fi", que valorize a ressonância das madeiras e tenha excelente dinâmica e sensibilidade. Detesto o som "gordo", com graves sem definição e meio abafado dos captadores mais comuns. Tentei um Seymour 59 mas não chegou nem perto.




O Sérgio Rosar comprou a briga e depois de umas 4 ou 5 tentativas, sempre buscando a minha idéia de "graves discretos, mas firmes e definidos, com médios e agudos equilibrados e que proporcionem um certo estalo no ataque", chegamos nesse protótipo, que eu chamo de "Halfbucker" (mas o nome oficial é "Dynabucker" :) ), porque uma das bobinas é bem mais forte (enrolada) que a outra. Ao colocá-lo com a bobina ativa virada prá ponte e "splitado", tive a grata surpresa de perceber que tinha um maravilhoso som de single, extremamente semelhante a um captador do braço de Stratocaster (acredito que a ponte flutuante tenha contribuido prá isso, pois um outro Halfbucker colocado na Cort KX Custom não soou tão "strato" quanto esse).

Embora tenha apenas 4k, soa como se fosse mais forte. É óbvio que usar um captador de 12,5k junto com outro de 4k não é prático em situações "ao vivo", pela diferença de volumes. Mas nessa configuração e com esses captadores, é como se eu tivesse duas guitarras distintas. O "clean" do Halfbucker é excelente (no modo single, é fantástico) e o "dirty" do Supershred é matador.

Quanto ao Sérgio Rosar Supershred, esse é, na minha opinião, um dos melhores captadores de média/alta saída do mundo. Tenho dois Seymour Duncan JB. O Supershred tem o som de um JB, com mais definição de graves e médios mais equilibrados.
 


 Update 18/2/2012: VÍDEOS

Vídeo 1: Inicio com o riff de rockabilly de "Rock and Roll Zombie", tocado sem palheta com o Dynabucker e em seguida passo para o Supershred. O baixo foi gravado com meu Fender Jazz Bass (também com captadores Rosar) e os loopings de bateria retirados de músicas e editados no Sonar.




Vídeo 2: Dynabucker (splitado - apenas uma bobina) na direita e Supershred na esquerda. A base da música "Play That Funky Music" tem voz/bateria/baixo e é do guitarbakingtrack.com.



quinta-feira, 13 de maio de 2010

Les Paul Standard 1981 - parte 2

Quando postei a guitarra, ainda não tinha visto os captadores, mas disse: "o da ponte é muito bom, quem sabe é um Tim Shaw?".
Pois, prá minha grata surpresa, o captador da ponte é um Tim Shaw autêntico! Maravilha! Mesmo antes de aprender um pouco sobre guitarra, sempre confiei nos meus ouvidos. Tava bom demais prá ser um T-Top!
O do braço, que é até legal, mas sem muita dinâmica e meio abafado, é um T-Top. Esse vai ser trocado com certeza.
Também fiz duas alterações que melhoraram a sonoridade em uns 30% no mínimo (mais brilho e ressonância): stoptail (cordal) Gotoh de alumínio e inversão da passagem das cordas (agora por cima do stoptail, prá evitar o damping provocado pela angulação ponte/stoptail - as cordas encostavam no corpo da ponte antes de chegarem nos saddles)
Essa guitarra deve ter uma angulação de braço de 5 (comum na época) e não 4 graus, o que me obriga a levantar a ponte pelo menos até a metade do curso. Se alguém souber como medir de forma simples essa angulação, me avise, please.

Captador da ponte: Tim Shaw


Captador do braço: T-Top

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Como Modificar Um Captador Single Coil Cerâmico Para Alnico


 (obs: antes de fazer perguntas e ou postar comentários, leia aqui: CLIQUE)

Devido a minha G.A.S. ( :-) ), tinha aqui em casa uns 12 captadores singles cerâmicos retirados de guitarras baratas que eu customizei com captadores melhores. Pois bem, para não jogá-los fora, resolvi dar um upgrade neles prá alnico e deixá-los pelo menos com uma certa dignidade (usáveis, portanto...).
Por questão de economia, os single cerâmicos, em vez de pinos individuais de imã alnico (liga magnetizada de alumíno/níquel/cobalto + ferro), apresentam pinos metálicos que conduzem o magnetismo de um grande imã retangular do tipo cerâmico/ferrite colocado na base do captador:



Essa configuração gera um campo magnético totalmente diferente do gerado pelos pinos de alnico, por isso a diferença (para pior) de sonoridade dos captadores cerâmicos. O resto da estrutura é basicamente a mesma de um single alnico genérico: fios/enrolamento, carretel da bobina, ligações, etc. Então, a ideia aí e tirar o imã cerâmico e os pinos metálicos e colocar pinos de alnico.

Pessoalmente, não gosto da sonoridade dos imãs cerâmicos, com pouca dinâmica e agressiva. Ficam legais em captadores humbuckers de alto ganho, com mais de 12-14k, mas num single clássico de strato eles não fazem nenhum sentido.

Antes de começar, um aviso:
"Trocar os pinos de captadores de qualidade geralmente provoca rompimento do fio e perda do captador, pois os mesmos costumam ser enrolados com o fio praticamente em contato com os pinos.
Essa manobra é indicada apenas para captadores chineses, onde a estrutura de plástico da bobina tem tubos que isolam os pinos dos fios."

1) - Primeiro, retire o imã cerâmico: via de regra ele é colado à base. Eu uso um formão e martelo de borracha, mas uma boa faca e martelo de carne já servem. Coloque o formão/faca entre a junção imã/captador e dê umas marteladas para forçar o descolamento. Geralmente ele "pula" fora, mas eventualmente pode quebrar e tem que continuar martelando. Sempre com cuidado para não atingir a área de onde saem os fios de cobre da bobina:



2) – Retire os pinos metálicos. Eles estão presos por pressão ou com uma leve colagem. Martele para cima e para baixo para soltar um pouco e puxe-os (sempre girando, é mais fácil) com um alicate. O captador deve ficar assim:



3) – Coloque os pinos de Alnico. Podem ser adquiridos em lojas especializadas no exterior ou na Malagoli: (clique aqui) Custam R$ 3,50 cada e disponíveis na altura de 14 ou 18 milímetros (use os de 18mm se quiser “estagiar” – deixar diferentes alturas para cada corda respectiva). Os de 14 milímetros são ideais para ficarem “flat” na superfície. Deixam o captador com visual mais “equilibrado” mas têm menor massa, portanto, menor magnetismo.
Dependendo do diâmetro dos furos dos carretéis de bobina plástica, se os pinos ficarem um pouco frouxos, passe um cotonete molhado com um pouquinho (mesmo) de cola tipo Super Bonder nos furos antes de colocar o pino de alnico. Se necessário (e não estiver fazendo estagiamento/escalonamento), coloque também uma fita adesiva na base.
Obs: pinos de alnico devem ter suas polaridades checadas no topo e na base (positivo/negativo ou sul/norte). Com uma simples bússola escolar pode-se checar as polaridades. Todos os pinos devem ser colocados com a mesma polaridade num mesmo sentido. O captador do meio entretanto, pode ter os pinos de alnico colocados de forma invertida (se o polo “sul” dos outros está prá baixo, o do meio terá os polos “sul” para cima ou vice-e-versa). Esse procedimento foi iniciado na Fender somente em 1977. Nessa situação, ocorre cancelamento de fase nas posições “3” e “4”, diminuindo muito o ruído natural dos single coils (obs: para cancelamento eficiente do ruído, o captador do meio deve ter as polaridades magnética/imãs e elétrica/fios invertidos em relação aos outros dois).
Ele chegam da malagoli em blocos enrolados com uma fita adesiva com os mesmos pólos no mesmo sentido (mas sempre é bom checar... ) Os pinos que serão usados no captador do meio devem ser virados de “cabeça para baixo” e instalados nesse sentido... (obrigado pelo lembrete Jaques...)

Captador (re)montado com alnico e colocado na guitarra (o do braço com pinos de 18mm e o do meio com pinos de 14mm) :





PS1: Em 90% ou mais desses single cerâmicos, existe uma camada de plástico que fica entre o imã e o fio (originalmente o fio é enrolado em contato direto com os pinos), diminuindo um pouco a potência real do imã (mas não acredito que caia a ponto de virar um "alnico IV"). Algumas vezes o efeito é até benéfico, deixando o single mais "macio" - principalmente aqueles entre 6 e 7K.

PS2: Dependendo do processo de fabricação, alguns cerâmicos (ex: guitarras SX vintage - eles passam cola por tudo, até na capa) não permitem esse "truque".
Além disso, não é incomum rompermos o fio de cobre durante o processo (todo cuidado é pouco - caso a secção do fio ocorra nos terminais, dá para arrumar, mas daí já é assunto para outro post). Aproveite as dicas do multímetro aí de baixo prá checar se o cap continua vivo até o final... :)

Com humbuckers é mais fácil ainda. SIGA O LINK (Clique aqui)

sábado, 17 de abril de 2010

Multímetro: adendo


Só prá ficar mais claro...

PS: Prá testar cabos, nem precisei me dar ao trabalho. Esse tutorial da Paula tá demais:
Pauleiraguitars.com - Cabos: Tutorial

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Multímetro para guitarristas


 (obs: antes de fazer perguntas e ou postar comentários, leia aqui: CLIQUE)


         Antes de falar das Fender, um intervalo de utilidade musical... Não entendo nada de eletrônica e nem de física, mas vou passar 3 dicas essenciais de uso do multímetro.
Primeiro, precisas comprar um. Desses digitais baratinhos, que nem o meu, que custou 22 reais. Vamos usá-lo para (1) medir a resistência (entenda como saída, para simplificar) de captadores, (2) checar a carga de pilhas e (3) o valor real de potenciômetros:


 

Multímetro: Captadores

A resistência é medida em ohms. 1000 ohms: 1 Kohm. Coloque o seletor na posição da foto e faça o contato das agulhas ("sondas" preta e vermelha) com os dois fios dos captadores. A ordem não é importante. Qualquer agulha em qualquer fio. A resistência dos captadores pode ser medida nos terminais dos fios de cobre, nos fios de ligação do captador ou, se o captador já estiver instalado, através do jack do cabo (qto mais curto o cabo, melhor). Veja:

Nos terminais dos fios de cobre:



Nos fios de ligação do captador:



No jack do cabo:


Obs: Quanto mais fio é colocado entre o captador e o ponto de medição, menor é o valor obtido (o fio aumenta a impedância, diminuindo a saída). Esse é um captador da ponte de uma Fender Strat 97. A saída inicial é 7,74K. Instalado e com um cabo de mais de 4 metros, por exemplo, com certeza o sinal que chega no amp é menor. Imagine com uma pedaleira enorme no meio... :)
Obs2: Esse multímetro não é perfeito, uma pequena variação pode ocorrer, até devida ao toque dos dedos. Mas dá pra ter uma idéia bem aproximada dos valores.
__________________________________________

Multímetro: Potenciômetros

Pra testar os potenciômetros, eles necessariamente têm que estar com os contatos livres. Não dá pra testá-los conectados.
Coloque o seletor na posição da foto e as agulhas (qualquer ordem) no terminal do centro e num de fora (qualquer um). Se o pot é de 250K (como o da foto), deves ler no multímetro o valor anunciado (mais ou menos 10-15%). Se o pot for linear, ao girar o cursor para o meio, devemos ler a metade (125). Totalmente fechado, o valor deve ser "zero".
Já medi pots supostamente de 500k com 700k - quanto maior o valor do potenciômetro, mais agudo é liberado do captador. Captadores de natureza aguda, como os single coil, geralmente usam pots de 250K. Já os humbuckers, que têm menos agudos, se beneficiam de pots de 500K. Captadores de muita saída (quanto mais fio enrolado, maior a saída e diminuição dos agudos) geralmente requerem pots de 1Mega (1000K).
Fotos - Potenciômetro de 250K:

Volume no "10":



Volume perto do "5":




Volume no "Zero":


 _______________________________________

Multímetro: Pilhas

Cheque a voltagem da pilha antes. Pra guitarrista, a quadradinha de 9 volts será a mais testada, mas nesse dia não tinha nenhuma disponível e fiz as fotos com uma de 1,5 volts. Coloque o seletor na posição da foto e a agulha vermelha no positivo e a preta no negativo da pilha (se inverter, o valor mostrado é o mesmo, só que negativo). Se a pilha for de 1,5 volts, deve ter no mínimo 1,45 pra funcionar bem. Dependendo do aparelho pode funcionar até com menos carga, mas não é legal. Pedais que usam pilhas de 9 volts normalmente funcionam até 8,5 volts, menos que isso o sinal degrada demais. A regra para pedais é: menor que 9 volts, troque a pilha ou recarregue.
Por falar em recarregar, pilhas recarregáveis Ni-MH de 9 volts com capacidade igual ou maior que 350 mAh funcionam muito bem com pedais.

Pilha carregada:



Jogue fora (coleta seletiva, please... :) )

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Les Paul Standard 1981



Essa é a minha... Adquirida em 03/2010 na Guitar Garage em Porto Alegre. 100% original. A cavidade de controle nunca havia sido aberta.
É uma LP de 1981, portanto:
1 - É uma "Norlin" (1968 a 1986 - para alguns fanáticos, isso é pejorativo). Não tem os parâmetros exatos das clássicas 58-60, porém é de antes de eles resolverem furar o mogno. E tive muita sorte: o corpo é de mogno em peça única. Peso total: 4,35 kg
2 - Já sem o "volute" na junção do braço com o headstock (perfil grande), mas o braço é de 3 peças de maple (a do meio é invertida - fica muito resistente). Embora seja o braço preferido do Zakk Wylde, o padrão clássico é com uma peça de mogno.
3 - Ainda não averiguei os captadores, mas tudo leva a crer que sejam "T-Tops". O da ponte é muito bom... Quem sabe é um "Tim Shaw"? Quando for trocar as cordas eu vejo...
4 - Ação ESTUPIDAMENTE baixa, com "zero" de trastejamento. Nunca na minha vida vi isso numa guitarra. Humm... a palavra mágica "Gibson"?
5 - Pots CTS 300k, capacitores cerâmicos .022, blindagem com "caixa" de metal. Fantástico! Quero trocar os capacitores e o captador do braço, mas dói pensar em mexer numa guitarra que está original há 29 anos...
6 - O melhor de tudo: foi um presente surpresa da minha esposa! :)



Tava na parede da Custom Shop da Gibson...


8,0 pounds = 3,630 kg
9,0 pounds = 4,0 kg
9,6 pounds = 4,354 kg
10 pounds = 4,536 kg
10,6pounds = 4,808 kg

"R": Reissue. O número seguinte refere-se ao ano: 8:1958 9:1959 0:1960
GT: Gold Top
"B's": São as Custom. BB quando "Black Beauty"... :)

Vai comprar uma LP? Com furos ou câmaras?

O mogno excepcional usado nas décadas de 50 e 60 começou a ficar escasso e durante a década de 70 as peças disponíveis tornaram-se cada vez mais pesadas (ppte em função da absorção de silica do solo - o melhor mogno é o antigo e de solo bem drenado). A solução encontrada pela Norlin/Gibson foi criar furos ou câmaras no mogno. Isso aliviaria o peso (weight relief) e seria imperceptível porque o mogno é coberto pelo top de maple. Toda e qualquer Les Paul Gibson USA produzida entre 1982 - 2007 é "weight-relieved". As únicas Les Paul atualmente com corpo sólido de mogno são as "Custom Shop Historic" e as réplicas de guitarras famosas (Jimmy Page, Billy Gibbons, etc.)
As duas técnicas usadas atualmente são:
Câmaras (chambered body):



ou buracos (9 holes - também conhecidos como "swiss chesse/queijo suiço"), uma série de nove buracos:


A regra é essa. Se tu tens uma Les Paul e queres realmente checar se ela é "weight relieved", podes fazer duas coisas: radiografá-la ou cortá-la ao meio... :)

_______ R7 com mogno sólido__________

quarta-feira, 14 de abril de 2010

PAF, Tim Shaw, J. T. Riboloff e Tom Holmes - Gibson Humbuckers



Um PAF original. É bom saber que nem todos os PAFs são bons. O primeiro cara da Gibson a estudá-los foi Tim Shaw (gerente de pesquisa e desenvolvimento da Gibson), no início da década de 80 e já naquela época ele relata PAFs originais divinos e outros horríveis. Mais mistério ainda...

Captador Gibson TIM SHAW :

Captadores feitos sob a supervisão do Tim Shaw são considerados os melhores depois dos PAFs. Foram produzidos entre 1980 e 1985/86, substituindo os infames "T-Tops" e geralmente equipavam as Les Paul Custom ou séries especiais, mas ocasionalmente apareciam numa standard. Eles recebiam um carimbo característico:


_________Tim Shaw de 1981 __________

Outro cara importante na Gibson foi J.T. Riboloff, que desenvolveu, na década de 90 (com o auxílio do Tom Holmes, o cara que atualmente faz o melhor clone de PAF do mundo, na garagem de sua casa) o captador "57 Classic" (E a Les Paul Classic, que era uma standard muito próxima das vintage). Outra hora eu posto a entrevista em que ele explica o sufôco que eles passaram prá chegar nessa versão...

Um dos melhores links - se não o melhor - sobre PAFs:
Saiba (quase) tudo sobre os "PAF" - clique aqui 

O nível dos detalhes chega a ser assustador. E eu que achava que era fanático por isso... :)

________________________________
Pô! Eu tinha arquivada uma entrevista do Tim Shaw... Transcrevo-a:

Whether it was rivalry between plants or increased market awareness, the Nashville plant jumped into the reissue action in 1980. By this time, one of the most glaring deficiencies of new Les Pauls (compared to the originals) was the humbucking pickup. In preparation for its first attempt at a reissue, Gibson assigned engineer Tim Shaw the job of designing a reissue of the original Patent-Applied-For humbucking pickup-within certain restrictions. "This was 1980 and Norlin was already feeling the pinch," Shaw said, referring to Gibson's long decline through the 1970s and early '80s. "We weren't allowed to do much retooling. We redid the bobbin because it was worn out. We got some old bobbins and put the square hole back in. We did it without the T-hole, which stood for Treble."

To replicate the magnets, Shaw gathered up magnets from original PAFs and sent them to a lab to be analyzed. "Most were Alnico 2's," he said, "but some were 5's. In the process of making an Alnico 5, they stick a magnet in a huge coil for orientation, but an unoriented 5 sounds a lot like a 2. They started with Alnico 2 and then switched to Alnico 5."

Shaw discovered that the original magnets were a little thicker than 1980 production magnets. "Magnetic strength is largely a function of the area of the polarized face; increasing the face size gives you more power," he explained. So he specified the thicker magnet for the new PAF.

Wiring on the originals was #42 gauge, which Gibson still used. However, the original wire had an enamel coating and the current wire had a polyurethane coat, which also was of a different thickness or "buildup" than that of the original, which affected capacitance. Norlin refused to go the extra mile-or extra buck, as it were. Enamel-coated wire cost a dollar more per pound than poly-coated. Shaw could change the spec on the buildup without additional expense, so the thickness of the coating was the same as on the original wire, but he was forced to use the poly coat. The difference is easy to see: purple wire on the originals, orange on the reissues.

Shaw later found a spec for the number of turns on a spec sheet for a 1957 ES-175. "It specified 5,000 turns because a P-90 had 10,000 turns and they cut it in half," Shaw said. In reality, however, originals had anywhere from 5,000 to 6,000 turns, depending on how tight the coil was wound. Shaw later met Seth Lover, who designed and patented Gibson's humbucker, at a NAMM show. Lover laughed when asked about a spec for windings, and he told Shaw, "We wound them until they were full."

The spec for resistance was even less exact, Shaw said. The old ohmeter was graduated in increments of .5 (500 ohms). Anywhere between 3.5 and 4 on the meter (3,500 to 4,000 ohms) met the spec. Consequently, Shaw pointed out, there is no such thing as an exact reissue or replica of the 1959 PAF pickup. There can only be a replica of one original PAF, or an average PAF. As Gibson would find out in the early 1990s, the same could be said about the entire guitar.

Shaw's PAF reissue debuted on Gibson's new Nashville-made Les Paul Heritage 80 in 1980. Compared to anything Gibson had previously made (which is to say, compared to nothing), it was an excellent reissue of a sunburst Les Paul Standard. It had a nice top, thin binding in the cutaway, nickel-plated parts, more accurate sunburst finish and smaller headstock, but the body shape, body size and three-piece neck, among other details, were just regular production. It appears that Gibson still didn't understand the demand for an accurate reissue, because Gibson accompanied the Heritage 80 with fancier versions: the Heritage 80 Elite, with an ebony fingerboard that had no relevance to the reissue market (although it did have a one-piece neck) and the Heritage 80 Award, with gold plated hardware that also had no relevance to the reissue market.  

** Em tempo: James T. Riboloff (alguns escrevem Ribiloff) agora trabalha na Samick e tem uma linha de excelentes guitarras chamadas "JTR". Agumas fotos atuais dele (O de cabelos brancos longos e pinta de motoqueiro/roqueiro):


terça-feira, 13 de abril de 2010

LP 59: características



      O tendão de inserção do braço no corpo era longo (long tenon). O contato final do tendão com o corpo era na altura da cavidade do captador do braço e formava a imagem de um sorriso (smile). Quando voltou a produzir as Les Paul em 1968 (parou em 1960), a Gibson aos poucos foi se desviando do conceito original e o tendão foi ficando mais curto, diminuindo o sustain e a ressonância. Durante o período em que a Norlin era a proprietária da marca, houve uma degeneração em várias características, tornando as Les Paul dessa época praticamente um instrumento à parte.

      Vários livros já foram escritos sobre essas Les Paul, as "burst". Foram produzidas cerca de 1.700 guitarras no período de 1958 a 1960. O preço atual de uma 1959 (a preferida pelos colecionadores) original em bom estado, com top bonito, passa dos 500.000 dólares. Se pertenceu a algum músico famoso, como a do Peter Green/Gary Moore, pode chegar a um milhão de dólares... Assustador, mas tudo leva a crer que essas guitarras foram produto de uma conjunção de fatores (madeiras, processos industriais, mão de obra, etc.) que não podem mais ser reproduzidos. O próprio Tom Murphy numa ocasião pensou que Deus só nos permitiu essa chance temporal.
Não vou entrar em detalhes muito técnicos porque pelo menos dois livros fazem isso profundamente, mas o fato é que a Gibson tem tentado, principalmente nos últimos 15 ou 20 anos, repetir a façanha. Até que consegue, esporadicamente, em termos de madeira e construção, mas ainda resta o mistério do som dos captadores da época, os "PAF".
Se o próprio inventor do humbucker, Seth Lover, não conseguiu explicar porque eles soam diferentes dos clones atuais, só podemos continuar conjecturando
Seguem algumas fotos com detalhes interessantes dessas guitarras. Depois volto ao assunto.

PS (02/2012): Eu tenho usado a tradução livre e pessoal de "tenon" para "tendão". A palavra equivalente para tendão em inglês é "tendon" e não "tenon". Tenon deriva da palavra latina "tenir" ou "o que tem/o que segura".
A tradução para o português mais comum é "espiga". Mas tecnicamente, a termo tendão faz mais sentido, pois são os tendões que prendem/ligam os músculos aos ossos. Enquanto um luthier não aparece por aqui e dá uma mão na terminologia, fico com essa mesmo... :)

O "Cálice Sagrado" das guitarras...



Sendo basicamente um cara "Telecaster", eu bem que gostaria de começar com as minhas Teles 1968 e Custom 74, mas não tem como deixar o "holy grail" prá depois... Tô falando da Les Paul 59, que, até prova em contrário, é a melhor guitarra já construida. Vou colocando fotos e falando aos poucos das características e dos mistérios que cercam essa obra-prima...

Introdução

Existem diversos sites e blogs técnicos sobre o mesmo assunto, mas aqui vamos nos ater à perspectiva do guitarrista que gostaria de conhecer mais sobre seu instrumento para poder compreendê-lo e apreciá-lo na íntegra.