sábado, 23 de fevereiro de 2013

Malditos SPAMS!


Não sei se é porque o blog está com um volume grande de visitas, mas de uns tempos pra cá tenho recebido vários spams (todos em inglês) que incomodam bastante e confundem os comentários.
Reconfigurei a postagem de comentários para tentar filtrar essa praga.


domingo, 3 de fevereiro de 2013

Ponte de Stratocaster: entrando nos detalhes.

(obs: antes de fazer perguntas e ou postar comentários, leia aqui: CLIQUE)


         Há muito tempo estava pensando em postar sobre pontes de guitarra. Como são construídas, como funcionam e principalmente como influenciam no timbre. Recentemente meu grande amigo Oscar Isaka Jr. publicou no seu blog uma extensa revisão sobre pontes, dividida em 3 posts. Dado o conhecimento do Júnior, seria redundância fazer um post novo, então simplesmente invadi o seu blog e roubei os posts. :)

Os dois primeiros posts do Jr., um sobre as Tune-o-Matic e o outro sobre pontes de Telecaster são fantásticos e muito esclarecedores. Recomendo veementemente a leitura.

O terceiro da série, que vou colocar como primeiro aqui, é talvez o mais interessante porque o pessoal sempre faz muitas perguntas sobre pontes de strato.

Segue então o post do Oscar, com algumas pequenas edições e modificações que acrescentei. No final, usei os áudios comparativos que ele fez e coloquei-os num vídeo no YouTube - é mais fácil acessar do que o 4Shared.

Oscar Isaka Jr. :

         ...Vamos falar da criação mais famosa (e talvez a melhor) de Leo Fender, a Stratocaster. Sem dúvidas a ponte tremolo da Strato é a mais complexa das abordadas até agora. Tem mais partes, requer mais precisão da regulagem e sem dúvida a que contém mais variantes no mundo guitarrístico moderno com vários modelos desde o vintage original até modelos mais modernosos como os Wilkinson VS100 - considero que até a Floyd Rose foi concebida a partir do design inicial da ponte da Strato.


          Falando do que interessa que é o timbre, a ponte da Strato tradicional é composta por basicamente 3 partes chave que são os saddles (carrinhos), o bloco e o plate/placa (onde são fixados os saddles e o bloco). Todos esses três fatores influenciam no timbre de madeira direta ou indireta e contribuem para o resultado final do som, podendo ser modificados de acordo com o que se procura de resultados. Os saddles e o bloco são os mais comuns e fáceis de modificar com resultados mais audíveis. O plate depende mais da qualidade inicial da ponte e eu diria que é a parte que menos influi, mas discutiremos isso abaixo.



Saddles (Carrinhos)

         Os saddles originais da Fender dos anos 50 eram feitos de Aço (Cold Rolled Steel) e produzem um som com ataque rápido, "punch" e um certo brilho que se tornaram característicos da Strato clássica e equipava a Stratocaster até perto dos anos 70. Com a CBS atuando para reduzir custos, e consequentemente o início do "período negro" da Fender nos anos 70, as pontes começaram a ser produzidas com materiais que permitissem uma produção com custo reduzido. Esse material é uma liga metálica conhecida popularmente como ZINCO, mas que possui várias nomenclaturas e composições. No final das contas esse material é incrivelmente fácil de manipular, pois em sua forma liquida é possível usar moldes e fabricar centenas ao mesmo tempo, mas o resultado é um metal que não tem a mesma rigidez mecânica do aço. Com o aço, é preciso usinagem e manipulação manual o que torna o processo todo mais caro o que explica a opção da CBS nesse período. Já nos anos 80, a Fender começou a usar uma liga a base de alumínio como outro material nos saddles, mas eu nunca entendi realmente a razão oficial, porém acredito que seja pelo fato dessa liga ser mais fácil de manipular que o aço e não comprometa tanto a sonoridade quanto o zinco.

         Mas, qual a sonoridade associada a cada material? É difícil colocar em palavras características sonoras de tunagens pontuais pois normalmente é uma soma dos fatores que fazem mais diferença no timbre final, mas é importante ter uma idéia do efeito que elas geram para que possamos buscar nossas necessidades. Vou tentar descrever um pouco baseado nas experiências que eu tive com os 3 tipos de materiais descritos, lembrando que dependendo dos outros componentes da guitarra (madeiras, cordas, bloco e etc) podem haver variações.

  • Saddles de Aço são os mais rígidos mecanicamente e possuem teoricamente as melhores propriedades físicas para transmissão de vibrações de corda. Os graves ficam firmes e os médios ganham definição e corpo com agudos presentes que não soam estridentes. Numa guitarra de Alder parece ser o casamento perfeito e singles soam com punch e resposta rápida ao toque com o estalo definido de uma boa Stratocaster.  São realmente os meus preferidos para Strato.

    • Saddles de Liga de Alumínio tem graves um pouco mais soltos e médios mais retraídos em relação ao Aço com um pouco mais "ar" no timbre. Essa leve atenuação do ataque pode ser interpretada como mais agudos, o que não necessariamente é a verdade. Guitarras com característica sonora mais "seca" e/ou grave podem se beneficiar deles para amaciar um pouco o timbre final. Encontrados nas Squier Std (Indonésia), Fender Am Std (anos 80 e 90) e algumas outras.


    • Saddles de Zinco são os mais comuns nos instrumentos chamados de "entrada" das marcas e também encontrados nos de origem asiática como SX, Shelter, algumas Squier, Cort etc. Sendo o de menor resistência mecânica, o Zinco tende a absorver mais vibrações da corda causando uma transmissão não tão eficiente ao resto do conjunto o que acaba "amaciando" de certa forma o som. Os graves e médios ficam um pouco menos definidos e o agudo parece desconectar do resto das frequências. A percepção que eu tenho é que soa abafado com uma leve sibilância no topo dos agudos. São fáceis de identificar pois norlmanente são cromados e as cordas marcam com facilidade o lugar onde ficam apoiadas.


      Bloco

                 O bloco é responsável por dar massa e resistência mecânica ao conjunto do tremolo e assim fazer com que as cordas vibrem e a ponte transmita isso ao corpo e etc. Por essa razão a resistência mecânica do material utilizado na fabricação e a massa tem um importante papel nesse componente que é um pouco mais complexo do que muitas vezes parece e também sofreram mudanças de acordo com o período da mesma maneira e por razões semelhantes as dos saddles. Os blocos grandes e pesados de aço que equipavam as primeiras Strato dos anos 50 e 60 tinham grande papel sobre sua sonoridade como vamos discutir mais a diante. 

      Já nos anos 70, a CBS passou a utilizar os blocos de zinco já menores e mais fáceis de fabricar, visando redução de custos novamente. 

      Não é a toa que muitos consideram esse (anos 70) o período negro da história de Fender. Nos anos 80 e 90 o bloco é adaptado e otimizado para utilização do tremolo, sofrendo redução de tamanho porém ainda fabricado de uma liga metálica, já melhor que o zinco mas não tão eficiente quanto o aço dos anos 60. Vamos ver as particularidades de cada modelo:

    • Bloco 'Vintage' de Aço é o presente nas primeiras Strato. Eram pesados e grandes limitando a utilização do tremolo mas garantiam uma eficiente vibração das cordas pela alta resistência mecânica. Outra característica importante, é que as bolinhas da corda ficavam rentes à parte inferior do bloco fazendo com que a corda se esticasse por toda a extensão do bloco antes de passar pelo plate e chegar ao saddle. 




    • Blocos Modernos: Nos blocos modernos a bolinha entra no bloco e fica fixada mais perto do meio do mesmo. O efeito disso é que no bloco vintage o comprimento da corda tensionada tem cerca de 5 cm a mais, o que gera uma maior tensão para que ela chegue a afinação. Essa maior tensão deixa os graves mais firmes e definidos, aumenta um pouco o ataque e é considerada uma das razões pelo timbre único das Stratos Vintage:



    • Bloco de Zinco é o que equipa a grande maioria das pontes de origem asiática com custo reduzido. Claramente feito para custar pouco, cumpre seu papel para um instrumento barato que não tem pretensões de soar com as nuances de uma Strato vintage.

    Esses blocos chineses baratos mais prejudicam do que ajudam no timbre. Não cumprem corretamente a função de "bloco de inércia" devido à pouca massa. Nessa foto, a comparação com um bloco "pesado":




    Existem blocos de Zinco do tipo "Big Block". São bem superiores aos fininhos chineses:




    • Bloco de Latão ( liga metálica de cobre e zinco) é uma variante que acredito não tenha chegado a estar presente nas linhas de produção da Fender (por favor me corrijam se esta informação for equivocada), mas consta como um dos possíveis upgrades para a ponte de Strato. O latão tem boa massa e gera um timbre mais macio em relação ao aço. Parece que o ataque não fica tão imediato e rápido, dando uma sensação de "sag" no tocar. É uma boa alternativa caso vc tenha aquela Strato de SwampAsh mais arisca e aguda.
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             Ok, muita teoria bonita mas e o som mesmo? É possível ouvir as diferenças? Eu digo que sim, pois já testei todos os modelos que escrevi nesse post. As diferenças muitas vezes são sutis e dependendo do seu setup de equipamento (Samp, pedais, captadores e etc) mas elas existem e fazem diferença. Me peguei várias vezes durante a pesquisa do timbre de Strato falando sozinho e dizendo:  "O timbre está bom, mas está faltando aguma coisa....". Esse alguma coisa pode justamente ser uma ponte BOA para enfatizar aquele ataque, aquela nuance que você não sabe exatamente o que é, mas sabe que está faltando. Parece papo de maluco, mas você guitarrista que gosta de timbres sabe do que eu estou falando! :-) Basta uma rápida pesquisa no google e nos forums internacionais e nacionais.

            Quando estava pesquisando sobre Strato achei um site muito legal que fala sobre esses upgrades de Strato e etc. O areyouexperienced.net contém várias mods de Strato incluindo uma em que o autor faz o upgrade de Saddles e Bloco em uma de suas Strato, gravando o antes e o depois de maneira bem interessante. O site está em inglês, mas você pode conferir essa matéria aqui.

             Vários fabricantes disponibilizam saddles e blocos para reposição e tunagem de Stratos. A GuitarFetish , já conhecida do público brasileiro pelos captadores GFS, possui uma linha acessível de blocos com especificação vintage em seu site, bem como saddles de aço e conjuntos inteiros de tremolo já com upgrades. Outra empresa muito aclamada nos EUA é a Callaham Guitars ( http://www.callahamguitars.com/ ) que fabrica réplicas de Strato e Tele excepcionais bem como todo o hardware necessário como pontes, tarraxas etc. Eu tenho a ponte de Strato e de LesPaul da Callaham e o produto, embora caro, é de extrema qualidade e o upgrade sonoro foi audível nas minhas guitarras.

    Seguem duas gravações que eu fiz quando dos upgrades, comparando entre um blodo de Zinco e outro de aço:



    ADENDO 01: BLOCO PESADO BRASILEIRO

    O Carlos, leitor do blog, mencionou que ele mesmo faz seus blocos para ponte flutuante: "Paulo, eu mesmo faço esses blocos, artesanalmente em casa, conforme minha necessidade, utilizando materiais específicos, no caso o aço, uso SAE1045, excelente para tempera (tratamento térmico), muita qualidade mesmo, o ferro fundido fofo, como já mencionei anteriormente, dependendo da construção do instrumento (alder), timbra melhor que o aço, em volumes poucos mais altos, na minha opinião é claro. O legal mesmo seria você testar os dois. Pouco mais de meio século de vida e 40a de guitarra a gente aprende algumas coisas. 
    OBS: sou do ramo de usinagem desde garoto."

    Seguem as fotos que o Carlos enviou:






    Nada mal, Carlos. Tô curioso pra ouvir o som deles. Vai atiçar todo mundo aqui. E, por favor, se pensares em comercializar esses blocos, eu sou o primeiro da lista... Bem, depois do Jr... :)
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    Adendo 24/06/2013: ATENÇÃO***: Já temos disponível no Brasil um bloco de aço com a qualidade de um Callaham! Clique aqui para maiores detalhes.

    quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

    Comparando Les Pauls (Gibson Les Paul Standard 1981, Gibson Les Paul Traditional 60 2011, Vintage AFD Les Paul 2012)


             Recentemente o Oscar Isaka Jr. Esteve aqui em casa e trouxe sua Les Paul Traditional 60's, uma linha exclusiva feita pela Gibson para a rede Guitar Center dos EUA. É uma Traditional, com os 9 furos de alívio de peso, corpo de duas peças de mogno, cerca de 4,4 kg. Enfim, uma Les Paul que em termos de qualidade, estaria abaixo apenas das Custom Shop. As LP Standard são mais caras mas aquele corpo com câmaras ainda não engoli (e nem vou).

    Enfim, como ela estava com um captador Jim Rolph Pretender 58 no braço, a minha Les Paul 81 tem o mesmo captador e a Les Paul Vintage AFD está com um Rosar Mojo 13, que é baseado no Rolph, fiz uma comparação, usando o mesmo setup e solo para as 3.
    Obs: O Júnior me lembrou que a Traditional estava com cordas 0.11, enquanto as outras duas com 0.10. Isso pode explicar os graves um pouco mais lentos (portanto mais perceptíveis e soltos) dela.

    É interessante notar que o timbre Les Paul "genérico" está presente em todas, mas as diferenças estão nos detalhes.

    Ainda estou timbrando o neck da AFD -  atualmente o Mojo 13 está com a bobina ativa virada pra ponte e o controle de tonalidade em bypass (desligado), por isso soa algo mais aberta que as outras. Mas é proposital - gosto muito do som meio humbucker, meio single na posição do braço de Les Paul. Detesto timbre gordo e/ou aveludado, com graves sobrando. Quero estalo, definição e clareza COM a densidade de humbucker (tô quase descrevendo o som de um PAF).

    Para comparar bem, o ideal é ouvir normalmente uma vez, deixar o youtube carregar todo o vídeo e depois trocar rápido de uma para outra com a barra de posição.

    Uma levada de base estilo Freddie King (sem shuffle aparente, mas pensando em shuffle). Vamos ouvir:



    sábado, 26 de janeiro de 2013

    FAQ-001 - Tapa Furo: Tapando o buraco do escudo

             Esse blog já passou das 500.000 visitas, está com uma média de 1.400 visitas diárias e obviamente a quantidade de perguntas (são 106 posts, elas pipocam de todos os lados) só tem aumentado.    

    Já percebi que não adianta reclamar das perguntas repetidas (essa de hoje já rolou mais de 5 vezes) e pra não passar por mal educado, acho que a solução será essa série de "FAQs" (Frequently Asked Questions - perguntas frequentes). Se não funcionar, dancei... :)
    O ser humano é comodista por natureza (não me excluo) e infelizmente a maioria prefere perguntar antes de pesquisar. Blá blá blá... E deu de lamúrias! :)

            Então... Por uma questão também de comodidade, porém física, eu sempre retiro um dos controles de tonalidade das stratos, passo o de volume para o segundo furo e tapo o primeiro - assim, a minha mão direita para de bater inadvertidamente no volume. Minhas stratos têm essa configuração:


            No início, procurei um monte de coisas que pudessem tapar, de forma esteticamente satisfatória, o buraco no escudo.
    Depois de várias bobagens, descobri, numa loja de utilidades, o "Tapa Furo", uma buchinha de plástico usada para tapar furos, principalmente de móveis (esconde os parafusos).

    Nas lojas na internet (Metafix, por exemplo), podemos encontrá-los em diversas cores (branco, cinza, marrom, marfim e preto) e tamanhos (6,8,10 e 12 mm). Mas aqui só encontro o branco. Não sei se eles referem os milímetros à base ou a tampa do tapa furo, mas o que mais funciona pra mim tem 6 mm na base e 10 mm na tampa (6/10). Alguns escudos exigem o 8/12. O bom mesmo é comprar no mínimo dois tamanhos e no maior número de cores possível, principalmente branco, preto e marfim. O branco é o coringa, que pode ser pintado:


            Esmaltes de unha são baratinhos e uma mão na roda pra qualquer guitarrista e luthier. Eu os utilizo principalmente para colorir pequenas peças de plástico, inclusive botões de volume e tonalidade. Também pequenos descascados nas guitarras. O Colorama "Baunilha" e o preto intenso são dois preferidos :)
    Na foto, preso na pinça invertida/de pressão, um branco já com esmalte. O processo é fácil e idêntico à pintar unhas, então, aprenda com sua mãe, irmã, parceira. Não tenha medo de misturar cores até atingir a tonalidade desejada.

    Normalmente o Tapa Furo prende por pressão no escudo, mas às vezes um pentelho de cola (pentelho mesmo, essa Superciano é poderosa), com um cotonete na aba do tapa furo garante uma boa adesão. Às vezes, ele é um pouco grande para o furo - geralmente uma pequena lixada (aproveite e roube também a lixa de unha de sua namorada) no tapa furo resolve.

    Obs: O Daniel passou outra dica excelente nos comentários: "Uma outra boa é quando se quer tapar os buracos de mini-switch, com as chaves de defasagem ou série /paralelo, utilizo a "bundinha" da caneta BIC, que tem o mesmo formato dos "tapa buraco", normalmente encaixa certinho!"

    Beleza! Estamos combinados: "NINGUÉM MAIS PERGUNTARÁ SOBRE ISSO, OK?

    PS: Tenho recebido muita ajuda de vários frequentadores do blog em relação às perguntas. Agradeço imensamente e se puderem, sempre que necessário, lembrar esse link, seria fantástico.


    sábado, 19 de janeiro de 2013

    Guitarra SX Modelo SG


    ATENÇÃO: Assim como a grande maioria das guitarras chinesas baratas, as SX podem variar MUITO de qualidade, às vezes entre modelos de um mesmo lote. SEMPRE avalie pessoalmente a guitarra antes de comprar. Aqui no blog há vários posts que ajudam a identificar e avaliar guitarras. 

    Guitarra SX Modelo Gibson SG:


    Acho que a primeira guitarra "digna" que tive foi uma SG Giannini dos anos 70 (provavelmente de mogno). Na época, guitarra era 100% feita à mão. Em seguida comprei uma Telecaster Fender e vendi essa Giannini.
    Mas o fato é que, desde então (1980, na foto: SG e amp Duovox Giannini, Crybaby no chão), nunca mais havia pensado em comprar uma SG... :)


    É... Quando eu achava que já tinha dado pra mim com essas SX, dei de cara com esse modelo (também na Multisom) custando 799 reais, TODA de mogno (africano, oriental, inferior ao hondurenho, mas tudo bem, é mogno mesmo). Braço de mogno, escala de rosewood, colado.
    Claro, alguém deve estar pensando que a madeira pode muito bem ser Agathis, já que com o corante e verniz, pode ficar parecida com o mogno. Poder, pode e eu já me enganei uma vez, mas primeiro, ela soa aberta demais pra ser Agathis (que quase sempre soa meio morto) e a SX costuma aproveitar-se da semântica ("Alder" sem especificar a origem) mas não costuma mentir...

    (OBS 2016-10: No site da SX existe um modelo chamado SSG STD, que vem com "case luxo" e a madeira é "Nato" (Eastern Mahogany). Outro modelo - o que eu comprei - SSG-STDWB é listado como "mogno" (Mahogany) e vem com bag. Confuso. 
    É foda... junta chinês com brasileiro e não tem como saber se é mogno mesmo. É melhor estar preparado para o "Nato", hehehe)

    Na loja havia uma SG Custom Epiphone (o modelo com 3 captadores, que aparece no background das fotos da Tele V52 do post anterior) e uma SG Gibson Special. Analisei e comparei as 3 guitarras e ficou muito difícil localizar a esperada "grande diferença" entre elas. Simplesmente não havia. A SX, lado a lado com a Gibson, tinha a mesma estrutura, madeiras e apenas o hardware de qualidade algo inferior. Corpo  muito bem construído, de 3 peças de mogno bem semelhantes.
    A SX SG custou 799 reais COM bag de luxo e a Gibson SG Special acho que custava por volta de 4.500 reais.
    Peguei uma foto da SX na internet, porque esqueci de fazer uma foto dela original:

    Beleza. Não fosse aquele headstock feio, seria um belo clone mixaria da Gibson.
    Chegando em casa, desmontei a guitarra e pude observar que as cavidades por baixo de escudo também eram muito bem feitas, no padrão da Gibson original. Vejam:


    Ponte e stoptail ok, mas como sempre, o material sem muita densidade/masssa. Troquei por Gotoh. Captadores bem honestos, mas com imã cerâmico... No braço, um Rosar Mojo13 e na ponte, o original do braço, com 8,5k porém coloquei imã de alnico V. O da ponte, de 15 ou 16k, guardei e deixei com imã cerâmico, já que tem características similares ao cap do Angus Young, de alta saída.

    A fiação estava ok, bem organizada:


    Há falhas na tinta condutiva, mas o fato de TER tinta condutiva já é um mérito! :) E a guitarra é muito silenciosa.
    Obviamente os potenciômetros são chineses, baratos, porém um pot barato não é necessariamente um pot ruim. Raramente mexo no controle de volume (sempre no 10) e só mexi nos controles de tonalidade umas duas vezes na vida :), então pra mim não há necessidade de colocar pots CTS ou similares. Mas o curso desses pots é bem razoável. Concluindo, não mexi em nada, só pra soldar os captadores.

    Braço: já vi SG Gibsons com braço mais fino. Esse é tipo "D", um pouco mais achatado. Frisos, escala e inlays: não há sequer um sangramento ou irregularidade. Os inlays obviamente são de plástico, mas simulam razoavelmente bem o natural. Não é aquele plástico branco sem graça da maioria.

    Não poderia jamais deixar aquele headstock SX feioso e sem graça. Peguei algumas limas e a Dremmel e redesenhei-o para ficar mais parecido com o Gibson. Devido ao seu desenho original, ppte na parte inferior, não fica igual, mas muito parecido. Lixei toda a face anterior, mexi em algumas bordas, pintei de preto e por último coloquei uma folha/veneer com o logo Gibson. Obviamente não era pra passar por uma Gibson, mas o visual assim fica bem mais "normal":
    Headstock durante o trabalho:


    Um problema relativamente incômodo, também observado pelo JR., que comprou uma preta dessas, são os trastes. Em nossas SX-SG, estavam um bocado irregulares. Chequei com o Fret Rocker e pelo menos 3 trastes estavam bem mais elevados, incomodando no timbre, tocabilidade e entonação. Mas já arrumei-os em casa mesmo.
    SX-SG, braço colado, padrão Gibson, mogno no braço (estilo SG Gibson, algo mais grosso), 3 peças de mogno no corpo, extremamente leve, com bag de luxo, por menos de 800 reais? Putz!
    Ficou assim agora:


    800 reais! Putz novamente... :)
    Lembrar que o tensor é do tipo "two way" com ação dupla. O veneer/folha (em papel grosso e fotográfico) fiz no Photoshop, colei e joguei verniz incolor por cima. Tentei comprar um desses da Inlayer, mas confundiram tanto os meus pedidos que acabei não recebendo.
    Convém lembrar que existe uma modelo SX similar a esse com o braço parafusado - definitivamente inferior. SG tem que ser com braço colado...

    Outra coisa que vocês SEMPRE devem considerar: a qualidade de uma guitarra chinesa varia muito, inclusive da mesma marca e modelo - exceto por alguns trastes, a minha estava ok, mas é essencial que seja avaliada antes da compra.

    PS: Voltei aqui só pra acrescentar uma coisa: por mais que o Les Paul não gostasse dessa "guitarra de dois chifres", tenho que reconhecer que fazia tempo que não tocava com uma guitarra tão leve e com timbre tão clássico e matador... Acho que vou atrás de uma Gibson :)

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    Update 01/2016: Como o pessoal eventualmente pergunta sobre a alteração do headstock, acrescento:
    A gambiarra inicial foi com um headstock "Gibson" impresso  numa transparência. Achei uma imagem na internet e modifiquei até que coubesse no novo headstock, colei e depois passei verniz spray. Obviamente ficou apenas razoável. Ao cortar e lixar o headstock, partes da madeira tiveram que ser pintadas e foi muito difícil achar o tom exato da original, portanto, as laterais do headstock ficaram com uma tonalidade diferente.
    O meu luthier de confiança, Inaldo, ao ver o trabalho meio porco que fiz, disse que tinha um veneer Gibson (modelo big headstock - anos 70) sobrando na oficina e poderia melhorar a guitarra, mas seria ideal que mudássemos a cor para preto - "all black". Topei, ele deu mais uma mexida no headstock - acho até que cortou, colou dois pedaços de mogno e refez tudo -  e no final ficou assim:


    Legal, né? :)
    Conclusão: certas coisas, para ficarem realmente legais, têm que ser feitas por luthier experiente. :)

    quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

    Telecaster Vintage V52 Distressed Butterscotch


     (obs: antes de fazer perguntas e ou postar comentários, leia aqui: CLIQUE)


    Esse é o segundo post sobre essas guitarras da marca Vintage, e dessa vez achei outra excelente guitarra num preço muito bom.

    (Adendo 06/01/13: após ler esse post, por favor, cheque os comentários no final, de vários guitarristas que possuem esse modelo)

    Como a maioria dos guitarristas, sofro de "G.A.S.", ou "Síndrome de Aquisição de Equipamentos" e essa excelente Telecaster me atiçou de todas as maneiras, mas o fato de já possuir 9 (!) Telecasters (pelos menos 4 delas excepcionais) pesou muito e, até o momento, não a comprei.
    O problema é que essa belezoca está numa loja que fica no caminho da minha academia e sempre que passo pela frente, a GAS bate forte. A solução: vou postá-la aqui, passar o preço, endereço, contato e torcer pra que alguém a compre antes que eu fraqueje novamente :)

    Vamos lá. Em primeiro lugar, é uma soberba e clássica telecaster, com materiais (corpo de alder, duas peças e braço/escala de uma peça de hard maple) e acabamento no nível de uma Fender American Standard. Nem tente me falar que tens uma Tele mexicana excelente porque dessa segunda linha da Fender, somente a "Baja" pode competir com a Vintage V52.
    É uma variação especial, com relicagem (Distressed) e na cor "Butterscotch" (um tipo de bala de caramelo dos EUA). Dê uma olhada:


    Chamo a atenção para as madeiras - um motivo frequente de críticas (minhas e de todo mundo). O corpo é de Alder americano (NÃO é chinês), de apenas duas peças com junção central e o braço é de peça única de maple, ou seja, a escala não é colada por cima. O raio da escala é de 10", trastes médios e o formato do braço é em "Soft C".
    Assim como no detalhe dos carrinhos com compensação de entonação, a genialidade dos designers (e excelentes músicos) Trev' Wilkinson e Dennis Drumm foi de respeitar os aspectos vintage das Telecaster dos anos 50 e modificar apenas o que (na minha opinião) sempre mostrou-se falho: raio muito pequeno, dificuldade de entonação e o terrível acesso posterior ao tensor. Por incrível que pareça, eles criaram uma Telecaster que tem o melhor dos anos 50 e 60. A V62 só troca a escala, de maple para rosewood.

    A relicagem é excelente. A escala fui muito bem envelhecida e está suja na medida. As ferragens, além de excelentes, dá pra jurar que têm uns 20 anos, ppte as tarraxas, levemente "enferrujadas":


    O único detalhe que não achei 100% foi a borda inferior esquerda (na 1ª foto) - a linha de desgaste não está perfeitamente natural - mas, já vi Fender Custom Shop de 5 mil dólares com o mesmo detalhe. Fora isso, perfeita. Ela salta aos olhos na loja. Os captadores são Wilkinson e, surpreendentemente, cerâmicos. Não gosto de captadores com imãs de ferrite, mas num primeiro momento soaram bem. O restante do hardware é todo Wilkinson - não me canso de falar bem dessa marca - a relação custo/benefício é insana. Pra deixá-la melhor do que já é, eu apenas trocaria o captador da ponte por um Rosar Hot T, o meu preferido entre todos os que já toquei na vida. Além disso, talvez colocasse um captador single de strato no braço (obviamente teria que trocar o escudo), que é uma manobra muito legal nas teles.
    Na verdade, teria que testar a sonoridade dessa guitarra em casa, com o meu setup, pra ter 100% de certeza do timbre. Assim como qualquer guitarra de loja, ela pode soar de uma maneira na hora da compra e de outra em casa.

    A ponte é a única no padrão vintage Fender, com apenas 3 saddles, que eu consigo tocar (detesto as pontes de 3 saddles), tem saddles/carrinhos com compensação de entonação. Grande sacada da Wilkinson.

    Enfim, é uma Telecaster muito, muito boa, por um preço muito, muito bom (não lembro exatamente, mas por volta de 1.250 reais) e que não precisa de nenhuma tunagem (exceto talvez pelos captadores, mas é pessoal). Já vem pronta. :)

    Olha, considerando o que é colocado de impostos no Brasil, uma telecaster desse nível, por cerca de 1.250 reais, com nota e garantia, só aqui no blog mesmo, KKKK! :)


            A loja em questão é a Multisom (sou freguês de carteirinha da Mensageiro Musical e quem sabe o Gué agora acredita que essas Vintage são um bom negócio... :) ) no calçadão da Felipe Schmidt em Florianópolis. Telefone (48) 33330711, peça para falar com o Felipe (felipe.multisom@hotmail.com). Dá pra fazer no cartão em até 10 vezes. Mais fácil que isso...
    Essa loja tem site e dá pra comprar pela internet, mas é uma porcaria e várias guitarras que estão nas lojas não constam no site. Se moras fora, podes combinar com o Felipe e talvez dê pra fazer a compra pela internet.



    Tem alguns vídeos dessa guitarra no Youtube. Depois que chequei, vi que alguns modelos mais antigos tinham uma relicagem ainda mais pesada. Acho que a dessa V52 tá na medida.
    Novamente, assim como no post sobre a Vintage AFD, existe uma versão (a V2) que tem corpo de Poplar e custa uns 750 reais. Obviamente não tem a qualidade dessa V52.

    Dois vídeos do YouTube:




    Eu realmente fiquei impressionado com a qualidade dessa Telecaster. Se custasse 2 ou mesmo 3 mil reais ainda assim faria sentido. Coloque o preço de pouco mais de 1.200 reais e ela vira uma pechincha.
    Depois de avaliar uma guitarras dessas, fico realmente com pena de quem paga 2.000 reais por uma Fender Telecaster Standard mexicana. Item por item, a comparação é uma piada.

    Sempre achei que a China (no caso das Vintage, o Vietnã, conforme a informação do Randerson) tinha capacidade e tecnologia para fazer guitarras excelentes a preços baixos e sempre suspeitei que eram os atravessadores (incluo aí as grandes empresas, como Fender e Gibson) que de certa forma proposital, degradavam a qualidade. A Fender faz questão que as Squier e as MIM sejam inferiores às suas american made, idem para a Gibson/Epiphone.
    Esses ingleses estão, mesmo sem querer, revelando a mutretagem que impera no mercado. Que seja uma lição também para as empresas nacionais "fabricantes de guitarra" chinesa. Alder, Ash e Maple da américa do norte não são madeiras caras, pelo contrário.

     Pra quem sempre quis uma Telecaster e acha as Fender americanas caríssimas, essa Vintage V52 tem o melhor custo-benefício do Brasil, provavelmente. :)

    PS1: Depois de publicar esse post, fui pesquisar um pouco mais sobre essa V52 da Vintage. Aqui segue um excelente link (clique).

    PS2: O Felipe me vendeu recentemente uma SX SG, que devo postar em breve. Só pra adiantar, ela estava do lado de uma Gibson SG Special e uma Epiphone SG Custom dourada. A SX, por 800 reais (com bag de luxo) não devia nada para as outras duas. Impressionante. Foi só trocar os captadores e a guitarra tá um absurdo de boa.

    quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

    Falência da Hamer Guitars - a verdadeira história

    No dia 6/12/2012, a famosa marca de guitarras Hamer declarou falência. À princípio, já que não estava vendendo bem nos últimos anos e enfrentando a corrosiva concorrência das guitarras orientais, parece um fato corriqueiro, mas não é.
    A Hamer é uma das muitas subsidiárias da Fender (que por sua vez é controlada pelo grupo de investimento Weston Presidio, que detém 43% da ações. A Yamano Music do Japão tem 14%). E foi aniquilada devido à dificuldade da Fender para saldar suas dívidas.

    Quem diria... Falamos mal da da CBS e sua política corporativista, que entre 1965 e 1985 diluiu a qualidade da Fender e poucos sabem que desde 2001 a Fender voltou a ser controlada por uma corporação...

    Recomendo, para quem domina o inglês, essa reportagem da CNN e também a do New York Times.



    A Fender gastou 117 milhões de dólares em 2007 para comprar a Kaman (leia Ovation), que por sua vez havia comprado a Hamer em 1988. A Fender tem sérias dívidas e aparentemente está num beco sem saída. O primeiro passo da faxina necessária nesses casos, é cortar despesas, e a Hamer, inicialmente direcionada para guitarras de médio/alto custo foi a primeira da fila. Quem iria comprar uma Hamer Talladega Pro pelo preço atual?
    Os economistas e afins de plantão aqui poderiam ajudar na interpretação, mas acredito que basicamente seja isso - a Fender tá cortando um dedo pra não ter que cortar o braço.

    Assim, resumindo, o grupo de investimentos Weston Presidio manda na Fender, que manda na Kaman, que manda na Hamer. Jol Dantzig é que foi esperto - pulou fora em 2010 :)




    terça-feira, 13 de novembro de 2012

    Instrumentos musicais ficarão mais caros em janeiro de 2013

    Post rápido.
    Resumindo, o governo brasileiro pretende, à partir de 2013, aumentar (ainda mais) os impostos sobre instrumentos musicais. Ridículo!
    Leia a notícia aqui: CLIQUE
    Assine a petição aqui: CLIQUE

    Se não fizermos nada agora, o barco vai continuar afundando. Assine a petição e peça para seus amigos assinarem também, por favor!

    PS: O Pedro Ditz colocou um link interessante.  É um projeto de lei (de 2004 - ainda não votado!) do senador Morazildo Cavalcanti que sugere a isenção do imposto de importação para músicos:  CLIQUE.




    segunda-feira, 5 de novembro de 2012

    Les Paul 1959 - O Mito Revisitado

         

            Inaugurei esse blog em 2010 falando sobre o "Cálice Sagrado" das guitarras: o mito "Les Paul 1959"
    Realmente, parece que houve alguma confluência mágica de fatores para gerar uma guitarra que é considerada a melhor de todos os tempos. Essa mágica durou apenas três anos, de 1958 a 1960 e teve o ápice em 1959. Uma Les Paul Sunburst 1959 hoje em dia não custa menos de 200.000 dólares, Pode chegar a 400, 500 mil e se acrescentarmos o fato de ter sido de algum músico famoso, como a Peter Green/Gary Moore, pode chegar (dizem) perto de um milhão de dólares.

    Li todos os livros, artigos e fofocas que encontrei sobre as famosas "burst" como são apelidadas, mas recentemente me deparei com uma entrevista do Gary Moore falando sobre suas guitarras, mais especificamente as 59 e me surpreendi quando ele mencionou essa Les Paul 59:


    Transcrevo suas palavras:
    I had another ’59 Les Paul that I sold in the ’90s and that one sounded like shit,” Moore laughs.
    “It’s the one that’s on the cover of the After Hours album, and I only kept it for a year or two. It had a nice light body, looked really good and played really nice, but it wasn’t until I tried it in the studio that I realised it just didn’t sound very good. It sounded very flat and dull and was probably the worst-sounding one that I’d come across in a long time."

    Tradução livre: "Eu tive outra Les Paul 59 que vendi nos anos 90 que soava como uma merda, ri Moore. É a que está na capa do album "After Hours" (foto abaixo) e eu fiquei com ela apenas um ou dois anos. Ela tinha um corpo legal e leve, um visual realmente bom e ótima tocabilidade. Mas foi somente quando a ouvi no estúdio que percebi que não soava muito bem. Ela soava muito "flat" (linear) e apagada/sem graça e foi provavelmente o pior timbre de Les Paul que ouvi em muito tempo"


    O Gary Moore nunca foi de meias palavras, mas era um cara esperto. Só falou a real da guitarra depois de vendê-la... Bem, vários colecionadores e guitarristas já mencionaram que "nem todas" as burst são excelentes guitarras, mas até então nunca tinha lido alguém falar que era uma "merda"!

    Ele vendeu também a "Peter Green", mas manteve essa 59:


    Foi com essa Les Paul Sunburst 1959, comprada em 1989, que Moore gravou seus maiores clássicos. A primeira música que ele gravou com ela foi o hit "Still Got The Blues".
    Não sei se essa (mais provável)) ou a "merda" é a que teoricamente pertenceu ao guitarrista Ronnie Montrose (roubada em 1972). Montrose entrou com uma ação legal contra Moore em maio de 2009 (a petição está aqui, em PDF). Com a morte do Moore, não sei como ficou a coisa.
    (Obs: Ronnie Montrose suicidou-se com um tiro em março de 2012 - ele sofria de câncer de próstata e depressão. Gary Moore morreu em fevereiro de 2011)
    Bem, não estou tentando desmistificar um ícone já cristalizado na cultura musical do mundo, mas é interessante confirmar, através de uma fonte legítima, que realmente nem todas soam bem. Quase um alívio :)

    Ela também não tem o poder de enfeitiçar os guitarristas de maneira irreversível. Inclusive dois dos guitarristas que iniciaram a hiper valorização das bursts na década de 1960, Keith Richards e Eric Clapton, optaram por simples e mais mundanas Fender... Jimmy Page é uma exceção clara, mas em qualquer lista dos "maiores guitarristas de todos os tempos", veremos que apenas alguns são fiéis às Les Paul clássicas.


    Bem, não interessa. Independente de qualquer coisa, clássico é clássico e uma Les Paul sunburst 1959 "boa" ainda é o Cálice Sagrado das guitarras... :)

    sexta-feira, 2 de novembro de 2012

    Telecaster Castelli Custom




             Quando o meu amigo Oscar Isaka Júnior, outro louco por guitarra, me enviou a foto de uma maravilhosa Telecaster Custom feita pelo mestre luthier Tom Castelli de Curitiba, fiquei de queixo caído, não só pela beleza exuberante mas também pelas especificações. Acho que nunca vi um top de quilted maple tão tridimensional quanto esse... Luxo absoluto! :) 
    Ela tem aspectos técnicos muito interessantes e ninguém melhor que o Júnior pra falar sobre essa obra de arte. Pedi pra ele fazer o texto porque eu precisava colocar essa Tele no meu blog! :) Segue:
    _____________________

    OSCAR ISAKA JR.:

            "Sempre que eu encontro algo interessante converso com o Paulo e trocamos muitas figurinhas, e sendo ambos compulsivos por guitarras e tudo o que gira as 6 cordas seria natural que eu roubasse um post ou outro deste que considero um dos mais informativos blogs de Guitarras da Internet. 

            Desde quando comecei a tocar guitarra em meados dos anos 90, o nome DiCatellis tem sido uma constante pra mim. Sendo de Curitiba, ainda mais tendo começado no meio metaleiro, as guitarras Castelli sempre foram sinônimo de qualidade entre músicos e guitarristas. Lembro que tinha um companheiro de banda que havia recém mandado fazer uma réplica do famoso modelo "Kelly" da Jackson, na época utilizada por Marty Friedman. Mais e mais instrumentos DiCastellis apareciam nas mãos de amigos e conhecidos do mundo guitarrístico, mas eu por alguma razão não havia ainda ido lá efetivamente até uns 3 anos atrás, quando voltei a tocar e desde então já fiz algumas guitarras com ele e sempre levo meus instrumentos para regulagens ou vou simplesmente para um (ótimo) papo sobre guitarras e afins.

    Sexta Feira passada fui até a Castelli para trocar uma ideia com o Tom, e essa Telecaster estava sentada na bancada depois da montagem e regulagem final. Foi impossível não reparar a beleza e capricho dessa guitarra e questionei o Tom.
    O cliente (vou me referir aqui como John :-) ) queria uma guitarra para tocar Rock/Hard Rock, então a clássica combinação mogno/maple foi a escolhida. O formato escolhido para o corpo foi a Tele pelo gosto do próprio John e o braço/escala seria parafusado, de maple. Ponte String Through Body hard tail e escala padrão Fender de 25,5 polegadas garantem o final da composição timbrística da menina. Mas ainda falta a estética.



    A combinação de Mogno com top de Maple para o corpo garantem um timbre quente sem perder a definição, acentuado ainda mais pelo braço/escala de maple. 
    Como uma Les Paul? Humm, mais ou menos pois a escala longa de 25,5 e a ponte hard tail com String Through Body aumentam o comprimento de corda deixando-a com um pouco mais de tensão, fazendo o ataque aparecer mais rapidamente e secar os graves. Tudo o que se precisa para não embolar em timbres mais distorcidos. 

    Mas o braço parafusado não compromete o sustain nessa configuração? Não necessariamente. Nesse caso a junção e fixação são cruciais para garantir uma boa ressonância do conjunto e portanto assegurar boa sustentação. 
    O Tom faz uma fixação bem justa no "Neck pocket" (tróculo), assegurando o máximo de contato possível nas paredes no braço e da cavidade no corpo, juntamente com 5 parafusos para garantir a pressão necessária para eficaz transferência das vibrações do braço. Parafusos de INOX, com 3 mm a mais de comprimento e 1 mm a mais na largura do que os tradicionais usados pela Fender. Embora isso remova um pouco do estalo característico de guitarras com braço parafusado, o aumento da pressão proporcionado por esse padrão de 5 parafusos faz com que a sonoridade ganhe corpo de médios e uma sustentação melhor desde o ataque das notas, trazendo-a mais próxima das observadas nas guitarras de braço colado. 


    O Tom faz esse tipo de "upgrade" em guitarras de braço de braço parafusado em que essa característica é mais procurada como por exemplo Jackson, Ibanez, etc. com excelentes resultados. O upgrade é simples e consiste em adicionar 2 parafusos sob o neck plate para aumentar a pressão da fixação do braço e corpo. 

    Em Strato/Tele clássicas, esse upgrade tira um pouco do estalo e quack característicos dos sons clássicos com single coils, mas os resultados são muito bons com uso de humbuckers. Paul Gilbert já relatou que costumava sentar em suas guitarras na hora de apertar os parafusos dos braços de suas Ibanez a fim de deixar a junção mais firme.
    Como a intenção de sonoridade desejada era ter a maior densidade possível sem perder a definição, o pedaço de mogno escolhido para o "back" do corpo é bem denso e com veios bem próximos. Isso gera um som gordo e quente, mas também aumenta consideravelmente o peso da guitarra (a sonoridade e peso desse tipo de mogno é bem conhecida nas Gibson dos anos 80). Para cortar um pouco desse peso, foram feitas câmaras no corpo antes da colagem do top de Maple. A técnica já é utilizada pela Gibson, Tom Anderson e muitos outros e conhecida como "Tone Chambers". Se executada corretamente, além de reduzir o peso do instrumento, aumenta a ressonância geral modificando levemente a resposta sônica do conjunto. Em geral o ataque fica um pouco mais macio, sem comprometer a definição. Nem melhor nem pior, só diferente!



           A parte elétrica estava definida com 2 humbuckers, 1 volume e 1 tone e chave de 5 posições. Os captadores escolhidos foram o Seymour Duncan 59 para o braço e (Seymour) Duncan Distortion para a ponte formando um conjunto bastante versártil, com bastante potência na ponte e algo mais ameno no braço para sons mais suaves. De ultima hora foi adicionado um Seymour Duncan Vintage Rails logo acima do captador da ponte (onde Steve Morse usa um também) para uma versatilidade ainda maior, permitindo a utilização deste sozinho ou em paralelo com os humbuckers.



    Com a parte técnica toda delineada chegava a hora de definir os detalhes estéticos. O John fez questão de ter uma atenção redobrada nessa parte do projeto e escolheu a dedo os componentes. O mogno do corpo, foi o brasileiro de um estoque antigo da própria Castellis, de coloração avermelhada e veios bem bonitos. O top, um Quilt Maple de graduação 4A "book matched" e o braço e a escala, Bird's Eye Maple também muito figurados, todos importados dos EUA especialmente para esse projeto. A pintura foi feita utilizando as mesmas técnicas de tingimento que a PRS, Anderson, Suhr, Gibson e etc utilizam para realçar o efeito tridimensional. O resultado pode ser visto nas fotos, que não fazem jus à beleza desse instrumento ao vivo. O 3D do top é algo simplesmente impressionante e a figuração Bird's Eye do braço idem. Sem brincadeira, eu não me lembro de ter visto um top e braço tão figurados e com um 3D tão bonito!!



    Tive a oportunidade de tocar por alguns minutos com ela, e a sonoridade ficou incrivelmente equilibrada. O Distortion estava soando forte e preciso sem a estridência às vezes observada. O 59 definido e até mais detalhado do que eu estava acostumado a ouvi-lo e o VintageRails realmente adiciona um Q diferente ao timbre quando combinado com os humbuckers. 
    Comparando a sonoridade com uma boa Les Paul, todo o calor do mogno com a definição e mordida do maple estavam presentes, com excelente sustentação. Os graves menos soltos e talvez um pouco mais de extensão e detalhe de agudos e um ataque mais rápido são as maiores diferenças para o clássico modelo da Gibson, o que já era de se esperar dadas as diferenças técnicas já abordadas. Os trastes INOX médio-jumbo fornecem maciez aos bends e permanecem brilhantes e polidos o tempo todo. A pegada do braço é fenomenal. O shape é um "C" médio copiado com exatidão de uma Music Man Axis. Acredito que os objetivos delineados lá na parte do projeto foram plenamente alcançados.

    Todos devem estar se perguntando quanto custou esse brinquedo? O valor final ficou em torno de R$8.000,00 com hard case personalizado. O valor é realmente alto, mas dada a qualidade dos componentes e madeiras (só de maple para o top, braço e escala foram quase R$2.000,00 ) o capricho e beleza dessa guitarra, acho que o proprietário ficou extremamente satisfeito com o resultado. "


    (Texto de Oscar Isaka Jr.)


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    Olha, mesmo sendo um aficionado por Telecaster clássica e captadores vintage, acho que eu seria muito feliz com uma guitarra dessas... :)
    O Tom Castelli é um mestre e embora não o conheça pessoalmente, TODAS as guitarras que vi/ouvi/toquei dele são de uma qualidade ímpar. A guitarra que ele fez para o Oscar é absurdamente linda e tecnicamente perfeita. Pedi algumas fotos dela e postarei aqui como complemento em breve.

    E o Tom Castelli é aqui do Brasil, ali em Curitiba... :)
    Visite o site: Castelli

    sexta-feira, 26 de outubro de 2012

    Montando uma Strato Fender...

    (obs: antes de fazer perguntas e ou postar comentários, leia aqui: CLIQUE)




           Já postei aqui várias "montagens" e "tunagens" de guitarras. A Telecaster "Black Jack" ficou linda e não deve nada para uma Fender autêntica.
    Mas, e se eu montasse uma Stratocaster somente com componentes (diretos e indiretos) Fender? Seria uma Fender? E quanto custaria essa brincadeira?
    Bem, já posso adiantar que custa bem menos do que comprar uma Fender americana aqui no Brasil...

           Nas minhas andanças pelo ebay, conheci uma empresa que faz corpos de guitarra mas também vende corpos Fender "ponta de estoque" (se não sabes o que isso significa, pergunte para tua namorada, mãe ou irmã). Lá eles chamam de "factory outlet" - são corpos que estavam na linha de produção e, por algum motivo estético (pequenas lascas, defeitos na madeira, etc.), foram reprovados na inspeção final.
    Analisei e continuo analisando sempre esses outlets da Fender. A maioria já está na fase final apenas faltando a pintura e todos são plenamente funcionais. A Fender é honesta o bastante pra não preencher uma ranhura com cola ou filler de madeira e tocar tinta por cima, mas pra mim, um corpo Fender 95% finalizado na fábrica, com um pequeno detalhe estético, custando 80 a 100 dólares é um puta negócio... Putz!


    (Obs: hoje, pela primeira vez, não há peças à venda no ebay da B.Hefner. Estranho...
    Como opção na mesma faixa de preço, há os corpos da licenciada Fender Mighty Mite na Guitar Center. Clique aqui para o link.)

            Aproveitei a viagem de um parente para os EUA, comprei um corpo ultra leve de alder (o mais leve que vi nos últimos meses), já com a tinta condutiva aplicada e pronto para pintura e pedi para a B.Hefner entregar no hotel em Miami, junto com todo o hardware Fender comprado na Guitar Center (no esquema pick up at the store). Poderia tranquilamente colocar os excelentes captadores Rosar Fullerton que não devem nada para os Custom Shop Fender, mas fixei na idéia de montá-la com tudo "Fender". O braço, eu havia comprado aqui no Brasil, um Mighty Mite licenciado pela Fender (mais sobre isso depois)

    Bem, eis aqui a guitarra, um quebra cabeças espalhado no sofá:



    A única coisa "Fender" que me arrependo de ter colocado foi o pot de tonalidade "No Load" - uma bobagem inútil que havia comprado há uns 2 anos e coloquei só por causa da brincadeira.

    No detalhe, o "defeito" (com a marcação em vermelho do inspetor da Fender) que retirou esse corpo da fábrica e me possibilitou comprá-lo por 97 dólares:


    Uma pequena rachadura, extremamente fina e de pouca profundidade, na extremidade traseira. Essas pequenas rachaduras incomodam muito na pintura porque a tinta tende a penetrar ali e fica uma irregularidade na supefície. Pô, é só colocar um pouco de massa de madeira e lixar... Em casa, preenchi essa ranhura e uns 2 ou 3 pequenos amassados, tipicamente provocados pelo empilhamento e manuseio posterior dos corpos. Como nunca havia feito isso, não percebi que é um processo que deve ser feito, esperar secar (há uma retração na secagem) e refeito mais uma ou duas vezes. TODO luthier que pinta, assim como TODO pintor de carro sabe que a superfície tem que estar absolutamente plana para receber a pintura. Lixar, lixar e lixar...
    Como sempre, eu não tenho muita paciência e levei o corpo para o pintor de carros já no segundo dia... E, como sempre, pedi o mínimo de camadas de verniz. O cara diz: "Olha, isso aqui e aquilo ali não estão bem planos... Se queres apenas poucas camadas... Na hora, resolvi deixar assim - até porque, já falei, não gosto de guitarra brilhando demais e minha intenção era fazer uma relicagem nela depois.



    O resultado ficou muito melhor do que eu esperava, até "bonita demais"... duas pequenas depressões microscópicas e um belo corpo "all black" :)
    Na foto acima, a guitarra montada. O mais legal de montar uma "Fender" dessas é que tudo encaixa perfeitamente. O corpo e o braço estão com a junção PERFEITA.
    A sonoridade? Fender na veia!
    Vocês queriam o que? O som de uma Tagima 735 Special? :)

    O corpo (levíssimo) de alder comparado com o da minha 97 (bem mais pesado, duas peças) tem menos projeção e ataque, porém é um pouco mais estalado e agudo. Autêntica sonoridade strato, sem nenhuma dúvida.
    Na última hora acabei usando as tarraxas Fender com lock na minha Fender 97. Ia colocar as tarraxas Fender antigas nessa, mas tinha um jogo de Planet Waves sobrando e, por mais que quisesse que ela fosse toda Fender, uma tarraxa Fender comum perde feio para a Planet Waves... :)

    Esse corpo tem 3 peças de alder. A terceira só consegui ver depois de dois dias. Eu aposto que ele é da linha da American Special ou até da Standard, considerando o tipo de cavidade frontal.
    No total, gastei menos de 1.500 reais, mas não paguei impostos do corpo e hardware. O mais caro foi o braço, 560 reais  - bem pagos, pois é um excelente braço e o acabamento do luthier do Ceará é fantástico. Por cima se tivesse que pagar os impostos e transporte, acho que teria que acrescentar uns 800 a 1.000reais. Humm... 2.500 reais por uma Fender, aqui no Brasil? Só mexicana com captadores cerâmicos e corpos com 6 peças...

    O decalque Fender no braço (tinta metálica, padrão original) e o acabamento foram feitos pelo guitarrista/luthier Vitor Tavares, de Fortaleza/Ceará ( vitor_tavares_ce@hotmail.com ). O Vitor adquire os braços da Mighty Mite e faz um acabamento realmente profissional neles. Um braço desses custa por volta de 100 dólares lá nos EUA. Coloque transporte, impostos... A gente acaba pagando 400 ou mais reais. 560 reais pela finalização e sem o stress da compra e espera, acho um excelente negócio. Ele também monta guitarras inteiras com peças originais e/ou licenciadas da Fender, da mesma forma que eu fiz.
    Me esqueci de perguntar para o Vitor se poderia colocar link, mas aqui vai:
    http://lista.mercadolivre.com.br/_CustId_17984361

    Observem o padrão de qualidade do logo:



    Minha black strat...:) Acho que todo guitarrista, no fundo, gostaria de ter uma stratocaster preta, não? :)




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    Me esqueci: a pintura custou a bagatela de 75 reais. Os captadores são os Fender Custom Shop 54,  meus preferidos, mas tem gente que não gosta dos médios deles. O Rosar Fullerton tem DNA desses 54 misturado com o DNA do 57/62 - estupidamente Fender mas um pouco mais macios que os 54


    PS: Não faço propaganda paga, muito pelo contrário, os links que coloco aqui são para os guitarristas e só para eles. Se acho alguma coisa legal, justa, barata e principalmente honesta, passo a dica adiante.

    Sei do sonho de muito guitarrista de ter uma Fender ou uma Gibson. E sei que para a imensa maioria, pagar os impostos brasileiros é inviável. Não acho que a culpa seja dos lojistas finais (pelo menos uma boa parte deles), pois eles também pagam impostos pra tudo, até para as vendas por cartão, mas diante do impasse, mesmo uma pequena luz no fim do túnel já ajuda. Quanto custa uma Fender "John Mayer" aqui no Brasil? Quanto custa essa John Mayer?
            A Fender americana mais barata do Brasil (com todos os impostos devidamente pagos) tu encontras provavelmente em Fortaleza, no Ceará... :). Não é uma Fender oficial, mas é uma Fender na soma das partes, com qualidade similar (senão maior, já que algumas variáveis nem a Custom Shop domina) às originais.
    Não perguntei o preço final, mas pela lógica, aposto que...