quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Tops de "Maple" - ilusão de ótica ou reais?

Postei no fórum da GP e achei relevante colocá-lo aqui também... Mais um post do tipo "utilidades de reconhecimento"... :)

       O famoso "top de maple" em guitarras sólidas surgiu durante a criação da Les Paul, em 1952. A resposta da Gibson ao sucesso da Fender Telecaster foi uma guitarra com corpo formado pela combinação de mogno (parte principal) e uma cobertura colada de maple.
Segundo Ted McCarty, o presidente da Gibson e principal responsável pelo design, eles tentaram inicialmente com um corpo de maple, mas o som ficou muito agudo. Depois, apenas mogno, mas faltavam os médios que eram a característica principal da "concorrente" (lembrando que a guitarra sólida na época estava sendo comprada principalmente por músicos de Country & Western e Blues). A lógica óbvia era unir as duas madeiras e essa combinação é hoje um dos arquétipos de corpo de guitarra.

A Gibson, orgulhosa, jamais faria uma guitarra que tivesse a mínima semelhança com a Telecaster, por isso evitou o Ash e o Alder. Ainda hoje, na Gibson, os braços "parafusados" do Leo Fender são motivo de desdém - mas nós sabemos que é pura birra... :)  O fato é que, entre 1950 e 1954, tivemos três fenômenos de genialidade que jamais foram repetidos: 1950: Telecaster, 1952: Les Paul, 1954: Stratocaster. Todas as guitarras sólidas, mesmo hoje em dia, são variações dessas três.

Bem...Voltando ao maple. O top de maple da Gibson Les Paul é escavado e grosso na parte central. Funciona como gerador de timbre e "bloco de inércia", contribuindo para o sustain. Veja uma Les Paul cortada ao meio (a camada superior, mais clara, é o maple e a inferior, o mogno):

        Hoje em dia, quando uma fábrica anuncia uma guitarra com "top de maple", não quer necessariamente dizer que é o padrão da Les Paul. Pode ser uma camada (figurada ou lisa) pequena de maple de alguns milímetros, chamada de "drop top", pode ser apenas um folha fininha (veneer) de maple figurado colado direto na madeira do corpo (com função apenas estética) ou à um top de maple mais grosso (daí o maple já funciona como elemento estrutural e sonoro) e pode ser um top de maple grosso e figurado (encontrado somente em guitarras top de linha e caras). Mas existem também aquelas que nem maple têm - é apenas uma película com a imagem impressa...
A minha PRS SE, por exemplo, tem um top de maple mais fino e flat e uma folha de flamed maple colada nele. A PRS original é escavada, portanto o centro tem mais maple. Por incrível que possa parecer, eu prefiro essa PRS com menos volume de maple - sempre achei as originais muito agudas.

 Já a LTD EC100, supostamente com um top de quilted maple, parece ter apenas uma película. veja a cavidade do suporte da ponte: aquela parte inicial branca com aspecto plástico... Pode até ser o verniz bicomponente muito grosso, mas, onde está a separação de tonalidades do maple e agathis?

Entretanto, a guitarra é linda, coloquei captadores EMG 81/85 que ficaram muito bem nela. Comprei-a após ler um teste na GP com o Michael Molenda falando maravilhas de uma guitarra tão barata. O braço é fantástico.


Continuando sobre o maple...
        A graduação (crescente) de qualidade/figuração/beleza do maple vai de "A" a "AAAAA" (É a usada pela Gibson. Outras fontes classificam apenas de A até AAAA). O nome da figuração (flamed, quilted, curly, wave, tiger, etc.) depende do corte, do desenho de suas estrias e da imagem que ele lembra:  traduzindo, respectivamente: chamas, colcha/acolchoado, cacheado, ondas, tigrado, etc. Após receber corante e verniz, algumas figurações chegam a ter aspecto tridimensional. Além de variarem de acordo com o ângulo que são observadas. Certas figurações são mais raras que outras, como o quilted em relação ao flamed, mais comum.
Veja alguns tipos de figuração do maple:

A maioria do maple não tem figuração, com estrias sem nenhum efeito visual bonito. Tipo o usado para braços de guitarra (ou no top das Les Paul "plain top"). O mais interessante é que na américa do norte, o maple figurado é considerado ruim para marcenaria e raramente usado para estrutura de móveis (ppte pela instabilidade). Segundo eles, vira "lenha".
Entretanto, folhas laminadas de maple são usadas em móveis, com um efeito visual interessante:


Antes de ser cortado, não dá pra saber se o maple será figurado ou não. As peças aparecem "por acaso" e são separadas para os tops. O aspecto é dado por uma montagem chamada de "book matched" - o maple é "fatiado" horizontalmente e as duas partes posicionadas como um "livro aberto". É nesse momento, de acordo com o aspecto final, que ele recebe a graduação. O maple book matched AAAAA é o de excepcional qualidade estética.

Veja esse top de quilted maple AAAAA, aberto (book matched) e em seguida já na guitarra:
(Observe como o uso de corante amarelo torna a figuração ainda mais viva e tridimensional)

























A propósito: "Quilted" traduz-se como "Colcha/Acolchoado/Edredon".... Parece mesmo, não? :)
  É quase impossível que uma guitarra de menos de 1.500 dólares tenha um top com grau maior que AA ou AAA. Quando tem, é folha fina (drop-top plate) de maple figurado por cima de um maple (top plate) sem figuração. Esse artifício é comum hoje em dia (vide os tops das Cort M-600 ou das PRS-SE), mas não é "picaretagem"... :) Sacanagem é vender como "top de maple" e não existe maple, apenas a folha ou uma imagem impressa... :)

Muitos luthiers juram que a figuração influencia no som. Será? Aparentemente sim, pois o "flame" é o resultado de fibras alternando-se em direções opostas... Um maple liso pode até soar melhor que um figurado AAAAA se for mais denso e rígido.

PS: já que escrevi um monte, vai mais curiosidade: depois de "book matched", se o top tiver que ser escavado (carved), existe a possibilidade do padrão sofrer alterações ou simplesmente desaparecer por completo à medida que a madeira vai sendo escavada. Nesse caso (Les Paul, PRS, etc.), a graduação só é dada APÓS a escavação.
Tem uma história de um fanático por Les Paul que guardou durante 10 anos uma peça de maple já pronta (aberta e colada), com o flame mais bonito que viu na vida. Enviou a peça para a Custom Shop da Gibson, escolheu o melhor mogno que tinham e colou o maple em cima. À medida que foi sendo escavado, o maple perdeu todo o figurado nas laterais, ficando só no centro (feio, portanto). Triste...

E depois perguntam porque guitarras perfeitas como as Les Paul Custom ou PRS Custom, com tops escavados AAAAA custam tão caro...
Madeira boa e bonita é cara - vale uma olhada nos preços (um top plate de quilted maple AAAA custa 377 dólares!):
http://www.lmii.com/carttwo/thirdproducts.asp?NameProdHeader=Figured+Maple

Mais algumas fotos, só para diversão:
Les Paul Custom Shop 59, envelhecida (o neologismo "relicada" fica mais legal) pelo Tom Murphy (flamed maple top):

Existe uma figuração que eu particularmente não acho bonita: é o "Spalted Maple". Geralmente o efeito visual é provocado pela presença de fungos na madeira:


E essa? Uma Cort M600 (boa guitarra) que custa 1.300 reais. Corpo de mogno com "top" de maple... Depois de ler todo o texto, aposto que tu já tens certeza que é um drop top (mais provável, a Cort geralmente é honesta) apenas uma folha ou, na pior das hipóteses, uma película impressa.
Os meus últimos posts levam a uma conclusão inevitável: não existe guitarra barata de mogno e maple realmente bons. Ou são cheias de artifícios ou formadas por inúmeras peças coladas...

E de saideira, um vídeo mostrando a impressionante transformação visual do maple quando realçado com um leve corante amarelado:

sábado, 14 de agosto de 2010

Les Paul Chinesa


(Já que num post anterior vimos uma Epiphone chinesa, vou aproveitar o embalo):
Guitarra clone de Les Paul feita na China. Provavelmente no "turno da noite" de alguma fábrica que faz ou fez Epiphones. Teoricamente, é uma Epiphone. Eles até aproveitam esse "turno extra-oficial" para fazerem uma cópia com o headstock idêntico aos das Gibsons. Quando falamos de cópias chinesas, não existem garantias de que os materiais sejam realmente o que dizem ser. Ash pode ser SEN e Mogno pode ser Agathis. Ou pior, tudo pode ser qualquer madeira que esteja disponível no momento...

Comprei (2008) como "ponta de estoque" por 500 reais, pois ela tinha alguns leves arranhões na parte traseira e uma das tarraxas quebrada. A "marca" era "Boomer". O importador brasileiro comprou um lote de 30 ou 40 guitarras e escolheu o nome na hora... Corpo de mogno/maple (com câmaras ***) com medidas corretas, na média das LPs, braço estilo 60's de mogno e após uma boa limpeza e regulagem, a tocabilidade ficou excelente.
*** vide link mistério resolvido... :)


O hardware era bem ruim. Captadores cerâmicos, tarraxas ordinárias... Após confirmar que as madeiras eram, com 90% de certeza, mogno e maple, troquei tudo.

A foto abaixo mostra nitidamente o top de maple com o mogno por baixo. Dá prá perceber também uma pequena projeção do tendão (tenon) do braço, o que caracteriza essa junção como "intermediária" ou de "transição". (Para saber mais sobre esse assunto, vá para o início do blog)


Com o upgrade do harware, a guitarra ficou muito boa. Comparada com a Les Paul Gibson 1981, ela soa com um pouco menos de presença e corpo, provavelmente devido aos furos (e também à menor massa do braço). Essa alteração do timbre ocorre igualmente nas Gibsons com câmaras. Alguns guitarristas até preferem esse som um pouco mais leve e acústico, mas eu não abro mão da densidade do timbre de uma LP sólida. Assim, ela foi "armada" com um JB na ponte para aumentar seu poder de fogo... :)

Especificações:
Corpo: Mogno com furos (144!) de alívio de peso, top de maple. Cor: Preto fosco
Braço: Mogno, mais fino, estilo 60's
Escala: 25", Rosewood, Raio: 12". Nut: plastic
Tarraxas: Sperzel Locking Tuners
Captador Ponte: Seymour Duncan JB (SH-4) - 16,4K
Captador Braço: Seymour Duncan 59 (SH-1) - 7,43K
Pots e capacitor: Alpha, 500K, capacitores cerâmicos 0.022uf
Ponte: Tune-o-Matic Gotoh, Stop Tailpiece Gotoh de alumínio

Obs: Em 5/2011 troquei o Seymour Duncan 59 do braço pelo Rosar Heartbreaker II - na mesma linha de timbre, mas muito mais definido, vivo e dinâmico. O 59 foi pra gaveta... :)


Antes que perguntem: aquilo no headstock é um amuleto/talismã conhecido como "olho turco", que afasta inveja e mau-olhado. Não sou supersticioso, mas o ganhei de um amigo que esteve no Marrocos e ficou muito legal ali... :)

Enfim, é uma guitarra com madeiras razoáveis (não, não imagino quantas emendas tem o mogno... :) ), bem construida, "garimpada" por apenas 500 reais. Após ser devidamente "tunada", transformou-se num bom instrumento.

PS: PQP! 144 furos é foda! E ela ainda pesa uns bons 4,4 kg... Verdadeiro mogno "pedra" :)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Pauleira Guitars

Para minha grata surpresa, esse blog teve uma visitante ilustre: a luthier Paula Bifulco!
Quando comecei a me interessar pelo aspecto técnico da construção de guitarras, o blog dela foi quase uma "luz no fim do túnel". Um dos poucos, senão o único a mostrar, de forma clara, espirituosa e didática, o dia-a-dia de um luthier. Aprendi um monte (detalhes, macetes, técnicas...às vezes aprendia só olhando para as fotos dela toda cheia de "serragem" na oficina.... :) ) de coisas interessantes de luthieria, e recomendo, como link essencial, para qualquer guitarrista. Sou fã declarado da Paula!! :)
Isso sem falar que o site dela é um primor de design funcional e bom gosto visual. Com um conteúdo e um visual desses, ela merece todos os prêmios top blogs que já ganhou a ainda vai ganhar... :)
Link: http://www.pauleiraguitars.com/

Adoro o blog do Henry Ho ( http://henryho777.blogspot.com/ ), o Jaques Molina (um cara iluminado e meu guru nas horas mais difíceis, que precisa ter um blog rápido!!), mas a Paula nesse aspecto "didático" tá no topo da minha lista.

Ainda preciso perguntar pra ela por que raios escolheu o Cedro para fazer uma Les Paul customizada, mas a guitarra tá ficando linda e vale (muito) a pena acompanhar o processo.
Grande abraço, Paula!

PS: já que tô indicando links, tem dois blogs de amigos lá do fórum da GP que também são um "prato cheio" pra guitarristas: o do Tanaka: http://tanakaguitar.blogspot.com/  e do Gilmar: http://bandadogilmar.blogspot.com/
Todos blogs de padrão "FVGV" - "Fui, vi, gostei, viciei"... :)

Abraço pra todos! daqui a pouco eu volto com as minhas guitarras... :)

terça-feira, 27 de julho de 2010

Les Paul Epiphone - olhando com atenção...

(obs: antes de fazer perguntas e ou postar comentários, leia aqui: CLIQUE)


         No fórum da GP (e em diversas fontes) fala-se muito das Epiphones Les Paul. Em alguns casos, diz-se que são quase iguais às Les Paul originais, mas apenas mais baratas. A idéia é "Compre uma LP Epiphone, troque os captadores e terás 90% de uma LP americana".
Pessoalmente, acho difícil... Se considerarmos as especificações: corpo de mogno, top de maple, braço de mogno colado com escala de rosewood, captadores humbuckers, etc, seguem os mesmos critérios.
Mas, um dos (se não o mais) elementos importantes numa guitarra é a madeira. O Mogno é em grande parte responsável pelo timbre característico das LPs. Pois bem, a madeira conduz o som e "vibra", criando uma ressonância própria. Imagine o som "caminhando" pela madeira. A densidade, direção das fibras, etc. é que determinam a condutividade. Quando pedaços de madeira são colados, é importante que sejam do mesmo tronco e se possível, da mesma região do tronco. Densidades diferentes interferem na condutividade e ressonância.

Tive a oportunidade de avaliar uma LP Epiphone "56" de um grande amigo. Ela pesa 5 (!!) kg e pensei: que bom, não deve ter câmaras. Mas, após 15 minutos analisando-a, percebi que o corpo foi "montado" com 7 pedaços de mogno. As diferentes tonalidades do mogno sugerem provavelmente que os pedaços usados foram aleatórios, portanto, devem diferir em densidade e demais características. Vamos contá-los:

Observem que estou girando a guitarra enquanto identifico as emendas. O bloco "6" é o maior, estendendo-se quase até o outro lado, chegando perto da junção do braço, onde finalmente damos de cara com o sétimo bloco...
Nessa última imagem, observem a direção das fibras no bloco "7" e a direção das fibras da parte traseira da guitarra. essa disparidade mostra que uma película fotográfica (ou uma fina camada de mogno linear - o relevo no canto superior esquerdo sugere mais uma placa de mogno)  foi  colocada na face posterior para esconder as 7 emendas. Se eles não colocassem isso, a guitarra ficaria com um aspecto todo retalhado.

Nessa outra foto, dá prá observar o ponto onde a folha de mogno (veneer) passa a cobrir a emenda:


O resultado final, visto de trás, dá a impressão de que essa guitarra tem uma bela peça de mogno, não? :)

Pois é... A pergunta que não quer se calar é: "Será que essa guitarra vale realmente mais de 2.000 reais?"
Eu não pagaria...
Além desses detalhes depreciativos, eles jamais poderiam ter colocado essa guitarra como uma "Les Paul Gold Top 56". O braço é fino demais (tipo LP "60") e a junção braço/corpo é curta (veja no início do blog as explicações sobre os "tenons" das Gibson) .

Convém lembrar aos proprietários de Epiphones com tops de maple figurado que, com exceção da linha "Elitist" e das feitas no Japão (grande parte), provavelmente todas têm apenas uma folha de maple figurado por cima de dois ou quase sempre mais pedaços de maple e, eventualmente pedaços de alder.
Isso vale também para outras marcas com tops figurados, como a PRS SE (é só olharem as fotos da minha - maples com aquele padrão real vão para as guitarras top de linha, não para as de menos de 600 dólares), Corts, LTDs, etc.

PS: Outra Epiphone 2009 que avaliei há 3 meses numa loja tinha 6 emendas... Entretanto, isso não quer dizer que todas as Epiphones sejam assim. Já li que as mais antigas, feitas na Coréia (a Epiphone já foi feita por diversas fábricas, entre elas, a japonesa Fuji-Gen Gakki/Ibanez) tinham madeiras e acabamentos melhores. O Petri, do fórum da GP, comprou uma nos EUA em 2009 com 3 emendas e sua Epi é muito boa...

Segue uma lista dos códigos das fábricas (genericamente, podemos classificar a ordem de qualidade decrescente como: Japão, Coréia, Indonésia, República Checa, China):
SI = Samick - Origin - Indonesia
S = Samick - Origin - Korea
SJ = Saejun - Origin - China
SM = Samil - Origin - Samil,Korea
U = Unsung - Origin - Korea
UC = Unsung - Origin - China
Z = Zaozhuang saehan - Origin - China
J = T Terada - Origin - Japan
O = Choice - Origin - Korea
P/R = Peerless - Origin - Korea
FN/N = Fine Guitars - Origin - Korea
I = Saein - Origin - Korea
K = Korea Ins - Origin - Korea
F = Fujigen - Origin - Japan
EE = Qingdao - Origin - China
EA = Qingdao - Origin - China
MC = Muse - Origin - China
DW = Daewon Origin - China
B = Bohemia Musico - Origin - Czech Republic

Para saber o local e o ano de fabricação de sua Epiphone, digite o número de série nesse site:
http://guitardaterproject.org/epiphone.aspx

Nos últimos anos, toda a produção é feita numa fábrica própria na China, em Qingdao. Algumas séries muito especiais ( e caras) são feitas pela Gibson nos EUA.

Esse post não tem o intuito de "malhar" as Epis, mas sim auxiliar o guitarrista a avaliar devidamente uma guitarra na hora da compra.

PS2: 10/8/10: Para fazer justiça à pobre Epiphone, ontem finalmente eu a liguei e toquei (confesso que depois de avaliá-la, perdi a vontade de tocá-la).
Surpresa! O som dela é bom. Não tenho uma Les Paul com P-90 aqui para comparar, mas toquei-a numa simulação do Vox AC30 (do fabuloso Amplitube 3), comparando-a com uma original de 1954 de um vídeo da Fretted Americana (o Phil X também usa um AC30). Não tem a dinâmica extraordinária daqueles captadores vintage, mas definitivamente não é uma guitarra ruim. O da ponte principalmente, soou muito parecido. Vivendo e aprendendo... :)

PS3: 12/10/10: Como falei, não tenho muitas referências pessoais com P-90 (apenas o que ouço em músicas), mas a ARIA com P-90 (postada em 2/10/10) tem um som mais bonito e orgânico que essa. O captador do braço da ARIA inclusive, tem mais definição e graves mais firmes (se bem que o captador está mais próximo da ponte que o da Epiphone LP)

PS4: abril de 2015: Já deveria ter reavaliado há tempo: os pedaços "1" e "5" são o mesmo. Como não tenho mais a guitarra aqui, não posso checar novamente. Ficamos assim então - ela tem no mínimo 5 pedaços... :)

domingo, 25 de julho de 2010

Fender Telecaster 1968


         Adquirida em 1987, completamente original. Infelizmente na época não tinha o conhecimento e nem interesse por instrumentos "vintage". Eu a comprei porque era uma tele excepcional. Após 2 meses, o captador da ponte pifou... O mais prático foi trocá-lo. E o fiz por um Seymour Duncan HotRails, além de trocar a ponte por uma Gotoh Modern Tele Bridge, com 6 saddles (adeus vintage...). O desinteresse era tanto que nem me dei ao trabalho de guardar as peças... (Meu Deus!!). Mas ficou uma guitarra "porrada" e me serviu durante 20 anos.

Ela veio de fábrica com pots de 500k. Por incrível que pareça, nas teles - e somente nelas - pots de 500 k soam melhor que 250k.

Em 2008 resolvi recolocar um captador tradicional na ponte e após várias tentativas frustradas com Seymours, DiMarzio e até os de boutique, consegui um Sérgio Rosar excepcional (o protótipo da linha atual).
O Ash é "northern", bem pesado (ela pesa 4,1 kg), mas o timbre é excepcional, sem comentários...


Ela tem outras estórias interessantes, mas deixo prá depois...

Especificações
Corpo: Northern Ash, 2 peças (colagem central), acabamento natural, com leve camada de nitrocelulose
Braço: Maple, "C"
Escala: 251/2", Rosewood, Raio: 7.25" modificado para 9,5". Nut: plastic
Tarraxas: Originais, com o logo "F"
Captador Ponte: Sérgio Rosar Tele nº1 - 7,2K (Protótipo do atual "Vintage Hot T")
Captador Braço: Original 1968: 8,8K
Pots e capacitor: Originais, 500K, capacitor à óleo (PIO) 0.047uf. Chave original
Ponte: Gotoh Modern Tele, de latão/brass (não magnética) com 6 saddles



O braço é o melhor que já toquei na vida. Parece que foi feito para a minha mão... :) A tocabilidade é coisa do outro mundo. Assim como falei que só pode existir alguma coisa "mágica" naquela Les Paul 1981, nessa tele a mágica é real mesmo. Impressionante.

Lamento o fato de não ter guardado o captador original (hoje seria muito fácil consertá-lo), mas a ponte com 6 saddles é na minha opinião uma obrigatoriedade para as telecasters. É muito legal o visual vintage das antigas de 3 saddles duplos, mas é difícil obter uma entonação perfeita com aquela ponte.
E, para quem não fez as contas ainda, essa guitarra tem 42 anosde vida! :)

Conforme prometido, aos poucos vou colocando áudios dos timbres de minhas guitarras. Esse é o timbre da Tele 68, num groove country/rock/train. Ela está com o Orange Tiny Terror de um lado (o que inicia) e o Fender Bassman 59 mais crunch do outro. Não é a minha especialidade, toquei com palheta, mas é uma ótima demo pra vocês sentirem o Twang clean/crunch dela. Segue o link para o áudio/vídeo no YouTube:

Fender Telecaster Custom 1974



         Adquirida em 1980. Comprei na importadora Leimar em SP, nova. Só há uns 7 anos descobri que ela é de 1974 (é uma guitarra com 36 anos, portanto). Estranho...6 anos nas lojas... Será que ninguém queria uma tele custom branca com Bigsby? Lembro que na época as Fender e Gibsons estavam "em baixa", todos queriam guitarras modernas (Ibanez, etc.). Eu fui até lá decidido a comprar uma Telecaster mas a única que havia era essa com Bigsby. Levei.

Toquei-a durante uns 2 anos original mas não usava o tremolo e até me incomodava bastante com os palm mute. Troquei-o por uma ponte Gotoh de 6 saddles. Pintei-a de vermelho e por último de preto... Assim como aconteceu com a tele 1968, na  época não tava nem aí pra essa coisa "vintage". Fiz o necessário pra deixá-la do meu gosto. A Bigsby ficou rolando pelas minhas gavetas durante usn 15 anos... Depois sumiu... Em 1985, o captador da ponte morreu... Coloquei um Seymour "Quarter Pound" (exagero!!). Tocava coisas mais pesadas e até que caiu bem pra época...

A pior coisa para uma guitarra é um guitarrista que não sabe nem o básico de manutenção. Eu mal sabia regular as oitavas. Tensor? O que é isso?
Em 2003 levei-a a um luthier (o primeiro que tive contato após 25 anos) e o braço tava tão empenado que ele teve que trocar a escala (até aí tudo bem - ele colocou uma nova de jacarandá baiano). Não quero comentar sobre esse luthier, mas diante de um cliente sem conhecimento, um pouco de ética e bondade são uma dádiva. Não os tive. Por alguma razão muito bizarra ele colocou marcadores pequenos, fora do padrão Fender. Os trastes novos, sem acabamento, quase cortavam a minha mão. E demorou uns 4 meses pra me entregar a guitarra. Mas pelo menos a escala é de jacarandá antigo.
Agora eu sei...
Bem, as fotos ainda são com os marcadores pequenos, mas ela já foi devidamente arrumada  há 4 meses (depois eu posto as fotos novas)
Sempre achei que o corpo fosse de Alder, mas hoje tenho quase certeza que é Ash - pelo peso e pela cor original, um branco quase transparente. Tô tentando localizar fotos da época, mas por enquanto tem uma de 1980 (fora de foco):


Ano passado resolvi colocar o Seymour HotRails retirado da tele 68 nessa. Prá minha surpresa, os pots são de 1 mega (todos) e os capacitores, cerâmicos de 0.022uf. Absolutamente fora do padrão telecaster. E essa parte nunca foi mexida...
Mas pesquisando, li que a Fender realmente usou pots de 1 mega nas Teles durante um período nos anos 70.

Update 01/2012:
Rebobinei um Seymour Quarter Pound antigo. Está com 8,2k. O HotRails foi pra outra guitarra, com madeiras menos ressonantes... :)
Update 08/2012: Não tem jeito - nenhum captador é melhor que o Rosar Vintage Hot T na ponte de telecaster,


Especificações
Corpo: Northern Ash
Braço: Maple, "C"
Escala: 251/2", Jacarandá, Raio: 9.5". Nut: latão
Tarraxas: Originais, com o logo "F"
Captador Ponte: Rosar Vintage Hot T - 7,4k
Captador Braço: Humbucker Wide Range original (Seth Lover/Fender) - 11k
Pots e capacitor: Originais, 1 MEG, capacitores cerâmicos 0.022uf
Ponte: Gotoh Modern Tele, com 6 saddles


O braço é quase igual ao da 68. Perfeito...

domingo, 18 de julho de 2010

Cort G260

       
        Comprada em 2007/2008 por cerca de 900 reais. Feita na Cort Indonésia. Pelas madeiras, hardware e construção, uma verdadeira pechincha.
Após ler as especificações no site da Cort, decidi comprá-la. Com exceção dos captadores (MightyMite), todo o resto é de alta qualidade. O corpo de "Swamp Ash" - que é aquele ash bem leve dos sul dos EUA - tem uma sonoridade única e deixa a guitarra extremamente leve (3,1 kg). O raio do braço é 12", com um perfil tipo strato, em "C", mas mais gordo. A construção e o acabamento são excepcionais. Toda guitarra Cort que tive a oportunidade de tocar apresentava esse nível de qualidade. Até a KX5, que é das mais baratas.

O interessante é que achei que seria muito fácil "tuná-la", pois tratava-se apenas de uma troca de captadores. Coloquei um Rosar Supershred na ponte e dois singles Rosar "Vintage Hot". Pra minha surpresa, a guitarra ficou aguda demais. Na verdade, era uma certa "rispidez" nos agudos, principalmente nos singles. Culpei de cara os potenciômetros de 500K.

Essa questão de usar humbucker com single é um dilema, pois se colocamos pots de 500K, os singles ficam ásperos. Se pots de 250K, o humbucker fica "abafado" (pra quem não sabe, quanto mais alto o valor do potenciômetro, mais agudos ele deixa passar). Tentei algumas coisas bem malucas que acabaram não funcionando, mas eu tinha um humbucker Rosar Custom (protótipo de teste) que sobrava um pouco nos agudos e ele aceitou bem o potenciômetro de 250k (não o liguei no controle de tonalidade, pra compensar um pouco). Porém, ainda sentia que os agudos dos singles não estavam legais. A solução, depois de várias tentativas, foi colocar um Malagoli Custom 57/62 na posição do braço (havia comprado anteriormente  um set mas não usei justamente porque achei-os sem brilho). Seu timbre um pouco mais "fechado" compensou o resto. Ufa! Finalmente! :)

Especificações
Corpo: Swamp Ash, 1 peça, apenas tingido de preto e com leve camada de verniz
Braço: Maple, "C gordo" (é quase um "D" com bastante ombro)
Escala: 251/2", Rosewood, Raio: 12". Nut: grafite
Tarraxas: Self Lock, escalonadas.
Captador Ponte: Sérgio Rosar Custom Humbucker - 11K
Captador Meio: Sérgio Rosar Vintage Hot - 6K 2.30H
Captador Braço: Malagoli Custom Shop 57/62  - 5.6K 3,0H
Pots e capacitor: Alpha, 250K, 0.047uf
Ponte: Wilkinson VS50 II



Há 3 meses coloquei uma pequena chave para splitar o humbucker Rosar. Com pot de 250K, o som de single dele fica legal.
A guitarra agora tá excelente, mas o que era prá ser uma coisa simples, deu mais trabalho do que tunar completamente uma SX... :)
(Update 02/2013: outra solução para esse configuração HSS: LEIA AQUI )

PS: Recentemente li um comentário do mestre John Suhr  (clique no nome para o link) sobre guitarras de Ash com escala de Rosewood. Transcrevo: "Rosewood fingerboard on Ash body will give too much sizzle for many players. We would only build such combination if you are positive that this is what you want.   (Escala de jacarandá em corpo de ash soará aguda demais para muitos guitarristas. Nós só fazemos tal combinação se você tem certeza que é isso que você quer)"
A tradução literal de "sizzle" é "chiado", e era exatamente isso que eu estava ouvindo em excesso. Se eu tivesse lido isso antes, teria optado pela versão com braço de maple...Mais uma informação preciosa que é constatada na prática... :)

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Strato SX SST 57 Modificada




A idéia de comprar guitarras com madeiras boas e trocar as partes ruins por outras melhores sempre me interessou. "Tunar" uma guitarra é de certa forma divertido e a gente acaba aprendendo um bocado. De cada 3 que tentei, uma ficou muito boa, outra razoável e a terceira ruim.
Geralmente o fator determinante é a madeira, porque nada garante que a peça usada na guitarra seja boa de fato (ou, como descobri numa Tagima supostamente de Alder, após retirar a pintura, podemos acabar levando gato por lebre).
Essa SX SST 57 Stratocaster veio assim (o acabamento do corpo é conhecido como "Antique Sunburst"):

O excesso de brilho me incomodava um pouco. Lixei suavemente o corpo com uma lixa 1.200 (dá prá fazer com Bom-Bril). Na verdade, dessa guitarra original, ficou apenas o corpo. O resto foi trocado.

A madeira é realmente alder (obs: em 2011 cheguei à conclusão que é Alder sim, mas chinês :) ), e tive muita sorte porque tem apenas 2 (talvez 3) peças. Ela originalmente vem com captadores ruins cerâmicos, tarraxas "vintage" razoáveis e braço de maple, gordo, fora do padrão Fender, mas não é de todo ruim. O headstock tem um desenho que lembra o Fender mas é feio também.
Tinha um bom braço strato de marfim com escala de jacarandá de uma strato de cedro (Cedro: arghhh!!!) e resolvi colocar nessa.
Como já possuia uma excelente strato Fender com 3 singles (postada anteriormente), optei por um Rosar dual blade na ponte. Um Rosar Fullerton (muito semelhante ao Fender 54) foi para a posição do braço . No meio, um Rosar True Vintage.
Resultado: guitarra excelente e muito versátil. Com o dualblade Screamin' Distortion, dá prá tocar até Heavy Metal, mas é no Hard Rock que ele é mortal ... O Fullerton do braço é excelente para solos de Blues e o True Vintage do meio resolve as bases de single.

O Screamin' Distortion adapta-se bem aos pots de 250k, ao contrário dos Seymour Duncan HotRails, que são mais "abafados".
Mesmo assim, em 2011 coloquei um pot de volume 500k estéreo (difícil de encontrar, mas custa 7 reais :))  - num dos terminais coloquei um resistor em paralelo para transformá-lo em 250K. Usei uma mini chave para selecionar o terminal de 250k para os singles e 500k para o Screamin'. Resolvi não splitá-lo. A posição "2" ficou  interessante com o dual blade "full".
 
Especificações
Corpo: Alder Chinês, 3 peças, 2-color "Antique Sunburst"
Braço: Marfim
Escala: 251/2", Jacarandá brasileiro, Raio: 9,5"
Tarraxas: Planet Waves Auto Trim Lock.
Captador Ponte: Sérgio Rosar Screamin' Distortion - 14K/7.80H
Captador Meio: Sérgio Rosar True Vintage - 5,9K/2,38H
Captador Braço: Sérgio Rosar Fullerton - 5.25K/2.1H
Pots e capacitor: Volume: estéreo 250/500k (com mini-chave de seleção) Tone: Alpha, 250K, 0.047uf
Ponte: Wilkinson WVPC (com bloco pesado)


Vídeo 1: Base com o Screamin' Distortion (amps: em estéreo, Tiny Terror real e Fender Blues Jr. simulado no Amplitube):



Vídeo 2: Solo com o Fullerton neck (amps: Tiny Terror real e Fender Blues Jr. simulado no Amplitube):



PS: Uma dica: sempre que for comprar guitarra barata que supostamente tem madeira boa, opte por uma com pintura transparente, que dê prá visualizar a madeira (mesmo assim, eles ainda podem te enganar - depois eu conto a minha estória com a Tagima). As transparentes (Naturais ou Sunburst) geralmente recebem as melhores peças do lote e/ou têm menos emendas.

A segunda SX SST57 que adquiri, toda pintada de creme não tem o mesmo timbre dessa. Quando tiver tempo, vou retirar a tinta só prá matar a curiosidade...hehehe
Update 12/2011: ÔPS! Retirei a tinta da SX creme! Surpresa! Veja aqui (clique)


sábado, 10 de julho de 2010

Fender American Standard 1997



         Maravilhosa!! Tudo que uma stratocaster deve ser. Comprei em 2007. O corpo original (Candy Apple Red) tinha a cavidade dos captadores tipo "universal" (famoso "piscinão") e isso realmente tirava um pouco de peso do timbre. A solução foi comprar um belo corpo da WD (autorizada Fender) de alder na loja virtual do Dodô Audrin (http://www.dodoaudrin.com.br/) , duas peças, two color sunburst. Ficou um sonho.

Os captadores originais eram bons, mas ela merecia melhores. Coloquei um set Fender Custom Shop 54. Na minha opinião (e do pessoal da revista "Tone Quest"), os melhores.
Porém, independente da qualidade, sempre tive uma certa bronca com o som do captador da ponte das stratos. Me ocorreu que o Seymour Duncan Alnico II Pro seria mais suave nos agudos e coloquei-o na ponte. Se já tava legal antes imagine depois da troca. Os bordões estão mais definidos e não existe mais aquela ponta de agudos sobrando.

Como em todas as minhas stratos, retiro o primeiro pot de tonalidade e coloco o pot de volume naquela posição. Isso porque me incomoda a posição original do botão de volume - a mão direita volta e meia acaba batendo inadvertidamente ali. E depois, 95% das vezes eu mantenho o volume e a tonalidade no 10... Já tentei retirar o "tone" do circuito mas a presença do potenciômetro e ppte do capacitor são essenciais para o equilíbrio dos agudos, mesmo no "10". 

Especificações
Corpo: Alder, 2 peças, 2-color sunburst
Braço: Maple
Escala: 251/2", Rosewood, Raio: 9,5"
Tarraxas: Fender originais.
Captador Ponte: Seymour Duncan Alnico II Pro
Captador Meio: Fender Custom Shop 54 - 5.9K 2.4H
Captador Braço: Fender Custom Shop 54 - 5.9K 2.4H
Pots e capacitor: originais, 250K, 0.047uf
Ponte: Standard "Modern", com dois pivôs

Embora a minha guitarra preferida seja a Telecaster 1968 e por vários anos mantive um certo desinteresse pelas stratos, eu não poderia mais viver sem o timbre clássico do captador do braço de uma stratocaster Fender. Cheguei à conclusão que todo guitarrista deveria ter uma Stratocaster, uma Telecaster e uma Les Paul... A "santíssima trindade" do timbre... :)


Aqui o vídeo dela, gravado durante o teste do captador Rosar Fullerton, que é muito semelhante ao Fender Custom Shop 54:






quarta-feira, 23 de junho de 2010

PRS SE Custom 22



2008, feita na Coréia pela World Musical Instrument Co. Ltd. Segundo informações não confirmadas, é uma das 3 grandes fábricas coreanas, juntamente com a Cort e Samick. Captadores originais de alnico, 9k, sem muita resposta dinâmica e presença. Os pontos fracos dessa guitarra eram os captadores e as tarraxas - foram devidamente trocados...
Coloquei potenciômetro "push/pull" no tone prá separar o humbucker do braço. Preferi não usá-lo no da ponte.

Especificações
Corpo: Mogno/Maple ( + folha c/ Flame), flat top
Braço: Mogno, colado, "wide fat", 22 trastes
Escala: 25", Rosewood, Raio: 10"
Tarraxas: Planet Waves Auto Trim Lock.
Captador Ponte: Sérgio Rosar Supershred, 12,5K
Captador Braço: Sérgio Rosar Dynabucker, 4k (split: 2,6k)
Ponte: PRS Tremolo
Binding: apenas no corpo, "natural" (faux binding)

É uma das melhores guitarras que tenho e é incrível sua relação custo/benefício. Segundo a GP americana, a qualidade chega a se aproximar das PRS originais. O braço é fantástico (os braços PRS Wide Fat têm um interessante raio de 10", assim como escala de 25), um meio termo entre Fender e Gibson.

No dia em que a comprei, havia uma americana do mesmo modelo e a "pegada" das duas é muito semelhante. A diferença de sonoridade era relevante em relação aos captadores, que foram trocados pelos Sérgio Rosar, de qualidade comparável, senão superior aos próprios PRS americanos. É claro que não dá pra transformar uma PRS SE numa PRS americana só trocando os caps, mas ajuda um bocado... :)

Tive problemas para encontrar um captador para o braço com a sonoridade que gosto, "hi-fi", que valorize a ressonância das madeiras e tenha excelente dinâmica e sensibilidade. Detesto o som "gordo", com graves sem definição e meio abafado dos captadores mais comuns. Tentei um Seymour 59 mas não chegou nem perto.




O Sérgio Rosar comprou a briga e depois de umas 4 ou 5 tentativas, sempre buscando a minha idéia de "graves discretos, mas firmes e definidos, com médios e agudos equilibrados e que proporcionem um certo estalo no ataque", chegamos nesse protótipo, que eu chamo de "Halfbucker" (mas o nome oficial é "Dynabucker" :) ), porque uma das bobinas é bem mais forte (enrolada) que a outra. Ao colocá-lo com a bobina ativa virada prá ponte e "splitado", tive a grata surpresa de perceber que tinha um maravilhoso som de single, extremamente semelhante a um captador do braço de Stratocaster (acredito que a ponte flutuante tenha contribuido prá isso, pois um outro Halfbucker colocado na Cort KX Custom não soou tão "strato" quanto esse).

Embora tenha apenas 4k, soa como se fosse mais forte. É óbvio que usar um captador de 12,5k junto com outro de 4k não é prático em situações "ao vivo", pela diferença de volumes. Mas nessa configuração e com esses captadores, é como se eu tivesse duas guitarras distintas. O "clean" do Halfbucker é excelente (no modo single, é fantástico) e o "dirty" do Supershred é matador.

Quanto ao Sérgio Rosar Supershred, esse é, na minha opinião, um dos melhores captadores de média/alta saída do mundo. Tenho dois Seymour Duncan JB. O Supershred tem o som de um JB, com mais definição de graves e médios mais equilibrados.
 


 Update 18/2/2012: VÍDEOS

Vídeo 1: Inicio com o riff de rockabilly de "Rock and Roll Zombie", tocado sem palheta com o Dynabucker e em seguida passo para o Supershred. O baixo foi gravado com meu Fender Jazz Bass (também com captadores Rosar) e os loopings de bateria retirados de músicas e editados no Sonar.




Vídeo 2: Dynabucker (splitado - apenas uma bobina) na direita e Supershred na esquerda. A base da música "Play That Funky Music" tem voz/bateria/baixo e é do guitarbakingtrack.com.



quinta-feira, 13 de maio de 2010

Les Paul Standard 1981 - parte 2

Quando postei a guitarra, ainda não tinha visto os captadores, mas disse: "o da ponte é muito bom, quem sabe é um Tim Shaw?".
Pois, prá minha grata surpresa, o captador da ponte é um Tim Shaw autêntico! Maravilha! Mesmo antes de aprender um pouco sobre guitarra, sempre confiei nos meus ouvidos. Tava bom demais prá ser um T-Top!
O do braço, que é até legal, mas sem muita dinâmica e meio abafado, é um T-Top. Esse vai ser trocado com certeza.
Também fiz duas alterações que melhoraram a sonoridade em uns 30% no mínimo (mais brilho e ressonância): stoptail (cordal) Gotoh de alumínio e inversão da passagem das cordas (agora por cima do stoptail, prá evitar o damping provocado pela angulação ponte/stoptail - as cordas encostavam no corpo da ponte antes de chegarem nos saddles)
Essa guitarra deve ter uma angulação de braço de 5 (comum na época) e não 4 graus, o que me obriga a levantar a ponte pelo menos até a metade do curso. Se alguém souber como medir de forma simples essa angulação, me avise, please.

Captador da ponte: Tim Shaw


Captador do braço: T-Top

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Como Modificar Um Captador Single Coil Cerâmico Para Alnico


 (obs: antes de fazer perguntas e ou postar comentários, leia aqui: CLIQUE)

Devido a minha G.A.S. ( :-) ), tinha aqui em casa uns 12 captadores singles cerâmicos retirados de guitarras baratas que eu customizei com captadores melhores. Pois bem, para não jogá-los fora, resolvi dar um upgrade neles prá alnico e deixá-los pelo menos com uma certa dignidade (usáveis, portanto...).
Por questão de economia, os single cerâmicos, em vez de pinos individuais de imã alnico (liga magnetizada de alumíno/níquel/cobalto + ferro), apresentam pinos metálicos que conduzem o magnetismo de um grande imã retangular do tipo cerâmico/ferrite colocado na base do captador:



Essa configuração gera um campo magnético totalmente diferente do gerado pelos pinos de alnico, por isso a diferença (para pior) de sonoridade dos captadores cerâmicos. O resto da estrutura é basicamente a mesma de um single alnico genérico: fios/enrolamento, carretel da bobina, ligações, etc. Então, a ideia aí e tirar o imã cerâmico e os pinos metálicos e colocar pinos de alnico.

Pessoalmente, não gosto da sonoridade dos imãs cerâmicos, com pouca dinâmica e agressiva. Ficam legais em captadores humbuckers de alto ganho, com mais de 12-14k, mas num single clássico de strato eles não fazem nenhum sentido.

Antes de começar, um aviso:
"Trocar os pinos de captadores de qualidade geralmente provoca rompimento do fio e perda do captador, pois os mesmos costumam ser enrolados com o fio praticamente em contato com os pinos.
Essa manobra é indicada apenas para captadores chineses, onde a estrutura de plástico da bobina tem tubos que isolam os pinos dos fios."

1) - Primeiro, retire o imã cerâmico: via de regra ele é colado à base. Eu uso um formão e martelo de borracha, mas uma boa faca e martelo de carne já servem. Coloque o formão/faca entre a junção imã/captador e dê umas marteladas para forçar o descolamento. Geralmente ele "pula" fora, mas eventualmente pode quebrar e tem que continuar martelando. Sempre com cuidado para não atingir a área de onde saem os fios de cobre da bobina:



2) – Retire os pinos metálicos. Eles estão presos por pressão ou com uma leve colagem. Martele para cima e para baixo para soltar um pouco e puxe-os (sempre girando, é mais fácil) com um alicate. O captador deve ficar assim:



3) – Coloque os pinos de Alnico. Podem ser adquiridos em lojas especializadas no exterior ou na Malagoli: (clique aqui) Custam R$ 3,50 cada e disponíveis na altura de 14 ou 18 milímetros (use os de 18mm se quiser “estagiar” – deixar diferentes alturas para cada corda respectiva). Os de 14 milímetros são ideais para ficarem “flat” na superfície. Deixam o captador com visual mais “equilibrado” mas têm menor massa, portanto, menor magnetismo.
Dependendo do diâmetro dos furos dos carretéis de bobina plástica, se os pinos ficarem um pouco frouxos, passe um cotonete molhado com um pouquinho (mesmo) de cola tipo Super Bonder nos furos antes de colocar o pino de alnico. Se necessário (e não estiver fazendo estagiamento/escalonamento), coloque também uma fita adesiva na base.
Obs: pinos de alnico devem ter suas polaridades checadas no topo e na base (positivo/negativo ou sul/norte). Com uma simples bússola escolar pode-se checar as polaridades. Todos os pinos devem ser colocados com a mesma polaridade num mesmo sentido. O captador do meio entretanto, pode ter os pinos de alnico colocados de forma invertida (se o polo “sul” dos outros está prá baixo, o do meio terá os polos “sul” para cima ou vice-e-versa). Esse procedimento foi iniciado na Fender somente em 1977. Nessa situação, ocorre cancelamento de fase nas posições “3” e “4”, diminuindo muito o ruído natural dos single coils (obs: para cancelamento eficiente do ruído, o captador do meio deve ter as polaridades magnética/imãs e elétrica/fios invertidos em relação aos outros dois).
Ele chegam da malagoli em blocos enrolados com uma fita adesiva com os mesmos pólos no mesmo sentido (mas sempre é bom checar... ) Os pinos que serão usados no captador do meio devem ser virados de “cabeça para baixo” e instalados nesse sentido... (obrigado pelo lembrete Jaques...)

Captador (re)montado com alnico e colocado na guitarra (o do braço com pinos de 18mm e o do meio com pinos de 14mm) :





PS1: Em 90% ou mais desses single cerâmicos, existe uma camada de plástico que fica entre o imã e o fio (originalmente o fio é enrolado em contato direto com os pinos), diminuindo um pouco a potência real do imã (mas não acredito que caia a ponto de virar um "alnico IV"). Algumas vezes o efeito é até benéfico, deixando o single mais "macio" - principalmente aqueles entre 6 e 7K.

PS2: Dependendo do processo de fabricação, alguns cerâmicos (ex: guitarras SX vintage - eles passam cola por tudo, até na capa) não permitem esse "truque".
Além disso, não é incomum rompermos o fio de cobre durante o processo (todo cuidado é pouco - caso a secção do fio ocorra nos terminais, dá para arrumar, mas daí já é assunto para outro post). Aproveite as dicas do multímetro aí de baixo prá checar se o cap continua vivo até o final... :)

Com humbuckers é mais fácil ainda. SIGA O LINK (Clique aqui)