sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Selo de Qualidade "Louco Por Guitarra"



        Antes que algum incauto vá pensando que isso é arrogância, explico: há alguns meses lancei no  fórum da Guitar Player a idéia de instituirmos um "certificado de qualidade" para alguns equipamentos com excelente relação custo-benefício. O objetivo seria de orientar, fornecer substrato às compras de guitarristas.
Claro que é um procedimento sujeito a problemas: opiniões podem variar, a qualidade do produto pode mudar, não sabíamos se seria possível usar o próprio nome "Fórum Guitar Player" por causa da revista... Enfim, tornou-se inviável lá no fórum, porém a idéia permaneceu e resolvi trazê-la pra cá.

Eu tô sempre comprando, usando e testando guitarras, captadores e hardware e de vez em quando me surpreendo com a qualidade e preço de alguns produtos. Quando me deparo com tal barganha, tenho vontade de dizer pra todo mundo: "olha, esse aqui tem a mesma qualidade e eficiência que aquele lá e custa a metade do preço!"

Então, a idéia é ressaltar - e com um selo espalhafatoso, hehehe - alguns produtos de excelente custo x benefício. E em se tratando de Brasil, onde os impostos são um tapa na cara, acho que a idéia procede. Não tenho absolutamente nenhum vínculo com ninguém e por isso posso citar marcas e até eventualmente as lojas onde comprei.

        Como o blog é meu e minhas premissas estão bem claras na apresentação, não preciso me justificar. É somente a minha opinião, que talvez não seja a melhor, a mais exata, a mais lógica e definitivamente, não é a única. Mas se de vez em quando ajudar alguém a economizar um dinheirinho, já valeu! :)

Criei um "Ouro" e um "Prata".


O ouro seria para coisas que  realmente me impressionaram, como, por exemplo, as pontes Wilkinson para strato e as tarraxas Planet Waves Auto Trim Lock... 
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E o primeiro Selo de Qualidade vai para:



Ponte Wilkinson WVPC de seis furos e WVP de dois pivôs - Selo Prata de Qualidade!
Construção e materiais excelentes, no nível das Fender americanas e Gotohs. Saddles de aço (não enferrujam), bloco pesado de zinco (as versões "SB" têm blocos de aço, mas são difíceis de encontrar no Brasil). Eu tenho 4 pontes dessas (e vou comprar mais uma :) ). Custam normalmente entre 150-200 reais.
Antes que alguém pergunte, o Zinco é um metal com densidade algo menor que o ferro e nessa ponte, tem uma sonoridade entre o aço/steel e o brass/latão. O latão é uma mistura de zinco e cobre.
Enfim, é uma ponte fantástica por um excelente preço, considerando que é importada.
Info sobre os diversos tipos de ponte Wilkinson: Clique Aqui


Adendo 04/03/2012: O selo da ponte Wilkinson foi alterado de ouro para prata porque o bloco de zinco realmente perde para o de aço. As versões "SB/SteelBlock" com bloco de aço, obviamente são "ouro" e eu recomendo veementemente que tentes conseguir a versão "SB" :)
Leia mais sobre isso aqui (CLIQUE).


Adendo 24/06/2013: ATENÇÃO***: Já temos disponível no Brasil um bloco de aço com a qualidade de um Callaham! Clique aqui para maiores detalhes.

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E em seguida, o segundo selo "ouro" vai para as tarraxas Auto Trim Lock da Planet Waves (a Planet Waves é uma linha de acessórios da D'Addario).
Patenteada pelo gênio do design Ned Steinberger, essa tarraxa possui um engenhoso sistema que além de travar, automaticamente corta o excesso de corda. É só passar a corda, travar e começar a afinar a guitarra. 
A relação de giro é de 18:1 (quanto maior a relação, mais precisa é a afinação - as Fender antigas tinham relação de giro de 14:1).
No Brasil, o jogo custa entre 190 e 235 reais. Geralmente é mais barata no ML.

É uma daquelas coisas que depois que usamos, o resto fica sem graça... :). E olha que eu tenho tarraxas Sperzel, Gotoh, Grover. A qualidade até que se equipara entre elas, mas nenhuma bate a Planet Waves em termos de praticidade.
Uma dica: mesmo não sendo necessário, deixe pelo menos uma volta da corda (trave-a com a corda bem solta e não esticada) - eu percebo que os bends ficam mais macios com esse procedimento.
O único senão é estético. Em todas as versões os botões da trava e o poste/eixo, são pretos - podem parecer exagerados para alguns puristas.


domingo, 11 de setembro de 2011

Braço de guitarra: formas/shapes

E eu falando de raio da escala sem antes falar do mais importante, do ponto de conexão entre o guitarrista e a guitarra: o braço!
Falei no post anterior sobre o formato naturalmente curvado da mão humana. Mas em relação às mãos, formato e tamanho variam muito. Exatamente por isso existem tantas variações de formato de braços.
Vamos ver alguns mais conhecidos:


Observem as variações. A profundidade e o desenho dos "ombros" é que determinam se a nossa mão vai ou não gostar de um determinado braço. O "ombro"/shoulder seria a curvatura lateral - quanto mais ampla, mais ombro. E mais aberta tem que ficar a mão, independente da profundidade. Veja:


O braço "D" é o que tem menos profundidade porém mais ombros. Já o "V" é exatamente o contrário.
O "D" (ou "C" achatado) é típico das Ibanez. Por ter menos profundidade, ele permite que os dedos avancem mais e tenham maior alcance na escala. Mas devido aos ombros, é um braço "largo" e nos obriga a manter a mão sempre aberta.
Os nomes e definição variam bastante e não existe uma regra formal: O "C gordo" pode ser chamado também de "U achatado". O "soft V", frequentemente é chamado de "oval". E por aí vai...

Fiz uma montagem dos tipos de braço da Warmoth. No esquema dá pra perceber bem a diferença entre eles. No centro, um braço "Standard Fino", que seria o braço "C Moderno" da Fender.


       Atualmente, todas as Gibson "Standard" têm braços assimétricos (como a Wolfgang, do esquema), com mais "ombro"/gordo na parte de cima (das cordas graves/pegada do polegar) e mais fino embaixo. As demais Gibsons mantém os braços no padrão 50's, mais gordo ou 60's, mais fino. (valeu o toque, Rodrigo).
   
       É isso aí... :) Cada um acaba descobrindo qual tipo de braço é o melhor pra si. Eventualmente o cara tem um braço tipo "C gordo" (quase todos os das SX são assim) e sente-se um pouco desconfortável com ele. É só pedir para o luthier (ou fazer em casa mesmo - um dia eu posto - * POSTADO: Clique) tirar um pouco dos ombros. Eu consegui transformar um desses braços SX - "C gordo" ou quase um "U" num ótimo e confortável "Soft V".

Mas gosto é gosto, mão é mão... :) Eu só conseguia tocar em braços Fender (um "C" um pouquinho mais gordo/cheio, de 1968), mas atualmente gosto muito dos braços em "U" Gibson (os "59"... :) ). Porém,  jamais me adaptei aos braços finos (e já sabemos, com muito ombro) tipo Ibanez. Nem pensar em tirar os ombros desses aí - não sobraria "massa" de madeira pra dar timbre! :)

Excelente site, com as medidas de inúmeros braços:
http://www.rocketmusiconline.com/necks.html

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Raio da Escala: que raio é isso?

       
(obs: antes de fazer perguntas e ou postar comentários, leia aqui: CLIQUE)

         Antes de começar a história devo dizer que, embora toque guitarra desde 1976, só comecei a entender o "instrumento guitarra" há uns 6 anos. Antes disso nem sabia o que era, onde estava e pra que servia o tensor, por exemplo. Pois bem:
         A minha Telecaster 68 tinha um raio de 7.25" (184.1 mm). Tinha, porque em 2004, depois de 15 anos sem manutenção, levei-a até um luthier (o 1º que conheci na vida) e ele deu uma "geral" nela. Trocou trastes e, se minha memória não falha, me ligou dizendo que iria aproveitar e "raiar" a escala pra 9,5". Não entendi porra nenhuma e disse pra fazer o que tivesse que ser feito pra voltar à tocabilidade que eu estava acostumado, mas sem mudar um pentelho a "pegada" do braço. Ele me garantiu que ficaria melhor e realmente, notei que os bends ficaram mais claros depois disso.

Hoje eu tenho um gabarito de escala (comprei na Music Tools, do Miguel Cardone). Agora sei porque me sentia tão desconfotável quando tocava com Jacksons ou Ibanez com raios de 14" pra cima. Não sou solista e muito menos fritador. Escala reta cansa demais a mão pra fazer acordes.

Raio (sou péssimo em matemática e geometria mas isso meus neurônios captaram): "O raio de uma circunferência (ou círculo) é definido com a distância do centro a um ponto qualquer da circunferência." Portanto, o raio é metade do diâmetro da circunferência.

Partindo disso, vamos pegar de exemplo o famoso raio de 7.25 polegadas das Fender antigas. 7.25 polegadas equivale a 184.1 milímetros. Vamos arredondar para 18,4 centímetros. Pegue uma régua, marque 18,4 cm, depois abra um compasso e faça um círculo usando esse raio (ou prenda um lápis na régua e gire-a - não precisamos ser exatos aqui). Observe a curvatura em qualquer ponto desse círculo: essa é a curvatura da escala.


A mão humana tem, mesmo na posição de descanso, uma curvatura natural, por isso quando fazemos acordes, percebemos que as escalas mais curvadas (de raios menores) são mais agradáveis/naturais:


 Escala reta exige uma abordagem diferente no manuseio do braço. Tem quem goste. Eu detesto! :)

Algumas escalas comuns:

Fender Stratocaster American (atuais):          9.5" (241 mm)
Vintage Fenders:                                                 7.25" (184.1 mm)
Gibson Les Paul:                                                 12" (305 mm)    
Ibanez (variam de 12" a 18"): RG e S:             14"(400-430)  Artcore:12" (305mm)
Jackson:                                                               16" (406 mm) ou composto, de 12" (nut) a 16" (heel).
PRS: a maioria é:                                                10" (254 mm). Santana e Custom 22/12: 11"
Guitarras (maioria) com LSR roller nuts:         9.5" a 10" (241 mm to 254 mm)
Guitarras (maioria) com Floyd Rose bridge:    10" (254 mm)
Violões Clássicos:                                                flat (reto, sem raio)

        O problema de escalas com raios menores que 9.5", ou seja, muito curvadas, é que quando damos um "bend", ppte nas duas primeiras cordas, às vezes ocorre um travamento da nota. Para minimizar esse problema, a ponte, aliás, os carrinhos/saddles da ponte devem ser alinhados numa curvatura correspondente ao raio da escala, fazendo também uma curva. Pouca gente se toca disso. Os saddles da 3ª e 4ª cordas estão bem mais elevados que os da 1ª e 6ª numa guitarra com escala de raio 7.25", por exemplo:

 Essa é a ferramenta (gabarito) para checarmos o raio da escala:

Atualmente a moda é braço com escala de raio"composto" (compound radius). Inicia com uma curvatura maior, favorecendo os acordes e termina com uma menor, favorecendo os solos e bends:

Tecnicamente, quando essa transição é gradativa, deveria ser chamada de escala "cônica" e não composta, porque ela lembra de fato um cone:

Cada guitarrista acaba tendo um raio de escala preferido. Eu gosto bastante dos raios entre 9.5" e 12". A PRS SE com raio de 10" é extremamente confortável pra mim.
Mas isso pode mudar com o tempo. O cara inicia com bases e prefere raios menores. Depois, começa a fritar e vai aumentando o raio... :)

Outro fator importante é a forma do braço (clique aqui para o post sobre isso), que juntamente com a escala, fazem o "full contact" com a nossa mão. As formas mais comuns de braço são:


Não sei se vocês já perceberam, mas pontes para Les Paul já vêm com uma certa curvatura. Exatamente 12" de raio, pra seguir o raio da escala Les Paul. Eu ajusto também os parafusos dos captadores para essa curvatura - nada mais óbvio e pouca gente faz.


sábado, 3 de setembro de 2011

Shelter SX Headstock: remake!


(obs: antes de fazer perguntas e ou postar comentários, leia aqui: CLIQUE)





Coisinha feia, não? :) Se o headstock (cabeça do braço) da Fender Stratocaster não fosse o ícone que é, talvez até não achasse esse tão feio, mas aquela ponta curvada...
Depois que a Fender ganhou na justiça a exclusividade do desenho do headstock (mas não do corpo da guitarra), os outros fabricantes foram obrigados a fazer pequenas variações para não serem processados.
Pois bem, tenho duas SX e coloquei outros braços nelas. Ano passado resolvi aproximar um deles do desenho da strato Fender. Recortei o bico. Ao fazer isso, retirei boa parte do verniz "amarelo mijo" (exagerado, mas é bem parecido com alguns modelos Fender da década de 50) e não sabia como fazer o acabamento no mesmo tom. Só uso verniz spray em lata, pra coisas pequenas.
Decidi então retirar TODO o verniz do braço. Foi um sufôco danado - ainda hoje tem resquícios na escala. Esse do ano passado ficou assim:

Bem melhor! :)

Há umas duas semanas, encomendei dois corpos de Telecaster (um Ash, outro Alder) e apenas um braço de maple com o luthier Cavalheiro. Como tinha esse outro braço SX de maple sobrando por aqui, resolvi transformá-lo num braço de Telecaster.
O trabalho aí é mais complicado. Tem que recortar mais e adaptar algumas curvas pra ficar no padrão Tele. Mas uma coisa já havia decidido: não retiraria todo o verniz. Tentaria refazê-lo.
Quando acabei, o headstock ficou assim:


Ficou uns 80-90% no padrão oficial vintage da Tele, mas quando tentei usar verniz em lata, ficou complicado. Resumindo, duas tentativas e dois fracassos. Nas duas tive que remover o verniz grudento com acetona. Terrível.
No desespero, peguei um pote de Acrilex laranja da minha filha, e misturei esse laranja (uns 20-30 ml) com 20 gotas de corante amarelo e 10 gotas de corante ôcre, ambos para tintas comuns:

Esfreguei direto no maple, com um pano, até grudar bem e ficar com a cor igual, no olhômetro mesmo... Em seguida, usei o velho verniz de spray em lata. 3 passadas e o headstock começou a ficar com cara de que nunca foi mexido... :)
Aproveitei e coloquei um decalque Fender (se não colocasse, seria como uma garrafa de Coca-Cola sem nada escrito - não faz sentido :) ). Veja a sequência de fotos:


Atrás, um decalque pra identificar como minha e não passar por falsificação de Fender - "Jack Custom" - hahahá! :)
Claro, tive que aumentar as cavidades das tarraxas pra colocar essas Grover Mini. Já postei aqui como fazer isso com tesoura, mas dessa vez tava sem paciência e arrisquei com uma furadeira. Tava com sorte mesmo! Apenas pequenas lascas quase invisíveis :)

Um luthier faz tudo isso profissionalmente, mas a idéia aqui é "sem luthier" - coisa caseira mesmo:


Serrinha, grosa, lima redonda, lixas, furadeira e verniz em spray. Essa é provavelmente a última vez que faço isso, pois não pretendo mais comprar guitarras baratas e tuná-las.
Mas o interessante é que esse tipo de trabalho é uma coisa meio "Zen". Pra mim, funciona como um Lexotan, ou melhor, uma terapia de relaxamento... :)

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Posts similares:
http://guitarra99.blogspot.com.br/2012/07/logotipo-fender-decalque.html

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Epiphone Les Paul Special


Essa eu ganhei de "brinde" ao comprar uma Aria semi acústica, em 2004 ou antes. É daquelas ruins, com corpo laminado de folhas de maple e alder. Se tirar um parafuso, o local "esfarela" de tal maneira que não dá mais pra recolocá-lo. Uma piada.
Observe na foto abaixo, da cavidade do captador, o excesso de cola e as camadas da laminação:


Portanto, bonitinha mas ordinária. :)
Poderia jogá-la fora, mas gostei muito do braço de maple, surpreendentemente bem acabado, "gordinho" e com uma bela escala de rosewood/jacarandá (raio de 12"). Ela ficou largada aqui em casa até o ano passado, quando o luthier Cavalheiro, de Blumenau, me avisou que tinha um pouco de mogno disponível. Pedi pra ele fazer um corpo (idêntico ao original) de mogno e colar o braço.
 
O ideal seria antes aumentar a base posterior/trocular, do braço e fazer um encaixe mais profundo, porém ele achou que não havia necessidade. Até o momento, está bem estável e sólido :)
No detalhe da foto, o braço colado:


Obviamente ficou outra guitarra, muito, mas muito superior em timbre e ressonância. O peso final é de 4,2 kilos, portanto, o mogno é bem pesado (a minha LP 81, que ainda tem um top de maple por cima, pesa 4,3kg).
O acabamento, apenas com selador e óleo (limão e peroba). Coloquei os dois captadores originais (início da década de 80) da Aria, com imãs trocados para alnico (II no braço e V na ponte) e sonoridade bem na praia dos PAF, 7,8k.
Como os captadores estavam naturalmente envelhecidos, resolvi deixar as ferragens também com aspecto antigo e foi fácil: lixa (grão no mínimo 400, 600 é o ideal) pra retirar o brilho cromado já equilibra o aspecto "vintage".
Ela ainda ganhou tarraxas Gotoh, nova fiação e potenciômetros e um capacitor Mojotone "Dijon" .022uF.
Ficou melhor do que eu imaginava. Tô surpreso com a sonoridade dela.
Até pensei em refazer o headstock pra apagar o passado "Epiphônico Negro" dessa Special, mas resolvi deixá-lo intacto. :)

(Foto da guitarra em 06/2012, depois de refazer o acabamento - leia o update no final)


PS: O Lucas fez a pergunta óbvia e me toquei que também o óbvio seria aproveitar o novo corpo e transformá-la numa Les Paul Jr. Uma Les Paul Jr. Special, com dois P-90, como essa Gibson:


Mas acontece que o luthier Cavalheiro tinha um outro pedaço de mogno (antigo, de "demolição") e encomendei uma Junior Special - nesse caso, idêntica à Gibson, com braço de mogno, etc (mas acho que com os controles da Jr - não preciso de 4 pots). Atrasou porque tivemos dificuldade pra achar jacarandá pra escala. Mas o luthier Inaldo, de Florianópolis, muito gentilmente me cedeu uma bela peça. Em breve mostro a guitarra aqui.


Update 10/06/2012: Embora gostasse do visual rústico dela, achei que o mogno merecia uma "acendida". E é fácil - o mogno mais comum é esse marron, mas quando tingido de vermelho ou roxo e coberto com verniz, fica lindo. Como resolvi trocar o captador do braço, já que esse humbucker tava soando algo abafado e gordo, aproveitei e fiz o trabalho de embelezar o mogno. Usei corante anilina para madeiras da marca Salisil e da cor "Mogno", que na verdade é roxo. O roxo com o marrom natural do mogno resulta num tom avermelhado muito bonito.

Na posição do braço,adaptei um single (Rosar Fullerton) para que coubesse na moldura de humbucker . Aproveitei e coloquei um Rosar Mojo 13 na ponte - é um captador mais orgânico e natural que o próprio Gibson 57. Troquei ponte/stop tail e molduras para metal enegrecido.
Tone control apenas para o captador single (50's wiring), já que o pot de volume é de 500k.

O visual novo dela tá assim:




Antes que perguntem, para adaptar o single numa moldura de humbucker, recortei um pedaço de escudo de strato velho pra que coubesse por dentro da moldura do humbucker.
A Guitar Fetish vende adaptadores prontos.

DEMO MP3
Nessa demo (antes da troca de captadores em 6/2012) estou usando sempre o captador da ponte (um Gibson 57 Plus modificado). Simulações do Amplitube: na direita, um JTM e na esquerda o Blues Jr com o pedal Moller (saturação). O solo é um Tiny Terror no talo. Como é uma guitarra de mogno com humbuckers, a sonoridade dela lembra a da Gibson SG, então fiz um tema no estilo ACDC/Hard Rock:



segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Guitarra AXL (SRO) Strato



Eu andava lendo várias coisas legais na internet sobre essa empresa californiana relativamente nova e a série "Badwater" me chamou a atenção pelo padrão "relic" de fábrica. Sabia que quase toda a produção é feita no oriente, as "USA" são montadas e envenenadas lá e os reviews invariavelmente positivos, ppte se considerarmos o preço.

Quando vi uma SRO à venda na Barra Music no RJ, por volta de 700 reais, comprei-a num impulso de GAS (Síndrome de Aquisição de Equipamento) do tipo "fiquei cego surdo e mudo" e só voltei à razão depois de ler "sua compra foi efetuada com sucesso" - hahahá :))
No mesmo dia vi no ML essa guitarra por 550 reais. Bem, coisas da vida.
A guitarra é realmente muito legal, padrão strato HSS, corpo de alder um pouco menor e mais fino e com um interessante processo artificial de envelhecimento, desenvolvido pela própria AXL.
Coisas de quem sofre de GAS: quando abri a caixa foi que caiu a ficha: "PUTZ! É uma strato HSS!"

Prá quem leu meu post sobre o "problema das guitarras HSS" sabe que eu tenho várias reservas em relação a essa configuração. Tenho duas HSS e tô de saco cheio delas. Se fosse uma strato padrão, era só trocar o escudo para SSS e beleza, mas o desenho do escudo e as cavidades dessa AXL são diferentes.

Tentei algumas configurações de captadores, mas no fundo eu já sabia que era perda de tempo e teria que enfiar uma mini chave pra colocar o Humbucker num pot de 500 e os singles num de 250.

Semana passada tomei uma decisão: vendê-la! Recolocaria os captadores originais (EMG designed, ou seja, feitos na china) e até os selos originais que havia guardado. Ela praticamente estava zerada...

Num último impulso, pra tentar manter meu status de "nunca ter vendido uma guitarra" (exceto uma Carvin há 20 anos, mas meu irmão que vendeu),  peguei um escudo de strato branco single layer, recortei grosseiramente com uma tesoura de placa de metal, lixei com a Dremel pra fazer as curvas, reposicionei o corte da chave de 5 posições e depois, a parte mais difícil: transformar um plástico branco num que ficasse adequado para o "visual" dessa AXL. Tentei alguns truques, vários tipos de tingimento e finalmente consegui com uma mistura de anilina de madeira, café, mostarda e uísque (não me lembro as medidas!!).


Acabou dando certo! :) Gostei do resultado final, me livrei do botão próximo ao captador da ponte e aproveitei que tava desmontada e troquei o bloco da ponte por um mais pesado (o original é muito leve). Pots de 250k e capacitor .047uf, exatamente como uma boa strato!
Coloquei 3 excelentes singles Sérgio Rosar Fullerton (semelhantes aos Fender CS 54) e agora ela tá um brinco de ergonomia (pra mim). Gostosa de tocar, timbre de strato ligeiramente mais macio, mas bem ressonante, com twang e tudo de direito.
Mais uma que fica por aqui... :)



Demo: Solo com o Sérgio Rosar Fullerton do braço (Amplitube estéreo: Fender Pro Jr e Tiny Terror)

domingo, 7 de agosto de 2011

Update da Cort KX Custom - Mistério resolvido!

Agora ela tá assim:
Ao retirar o verniz, descobri que a camada de maple era bem maior (e a de mogno menor) do que eu ingenuamente supunha...
Link para a aventura: clique aqui

sábado, 6 de agosto de 2011

Captadores Parte II: IMÃS

(Não leu a Parte I - Conceitos Básicos? Clique aqui)

Os magnetos, ou imãs, são o coração do captador e suas características e materiais determinam grande parte da sonoridade deste. Quatro tipos de imãs industriais são mais comumente usados (em ordem crescente de potência): Alnico, Ferrite, Samarium Cobalt e Neodymium. Todos são bem resistentes ao calor e corrosão.

1) - ALNICO. É uma liga formada por Alumínio, Níquel e Cobalto ( e Ferro). O Alnico foi o primeiro tipo de liga magnética desenvolvida, portanto é o mais antigo da família dos magnetos. Foi desenvolvido para uso comercial por volta de 1940 e é composto por porcentagens específicas (mas que podem variar um pouco entre os produtores) de Alumínio, Níquel, Cobalto e Ferro (Ex: AlNiCo V: 15%Ni, 25%Co, 9%Al, e 48%Fe). A combinação dos componentes pode variar, gerando ligas de Alnico de diferentes potências, que são numeradas em algarismos romanos, com ordem crescente de potência: II, III, IV, V, etc. Ainda não encontrei uma informação exata, mas me parece que o Alnico III é mais fraco que o II. Os mais usados são o II e o V.
Todos os captadores de 1940 até início de 1960, com raras exceções, usavam ALNICO. Seu "timbre" é mais macio, ou pelo menos, sua resposta ao ataque da nota é mais natural, além de refletir bem as ressonâncias das cordas e madeiras.
O Alnico II, por ser mais fraco, tem menos ataque e mais médios que o V. Esse, por sua vez, apresenta graves e agudos mais definidos.


2) Ferrite (ou Cerâmico) - Strontium Ferrite - O imã de Ferrite é manufaturado desde 1954 e nasceu como uma alternativa de baixo custo para o Alnico. Resulta da combinação de Estrôncio e Ferro, inicialmente em pó, depois prensado e aquecido a altas temperaturas, adquirindo um aspecto "cerâmico".
Devido a sua estrutura, nos captadores é usado apenas em forma de barras.
O Ferrite soa mais agudo, seco, com mais ataque e realça menos as ressonâncias que o Alnico.


3) Samarium Cobalt - Assim como o Neodymium, é formado por minerais raros (Rare Earth Magnets) e é bem mais potente que o Alnico ou Ferrite. Usado em alguns captadores, como os Fender SCN (Samarium Cobalt Noiseless).

4) Neodymium - Magnetos de extrema potência, mas atualmente usados mais em alto-falantes

Essas ligas são magnetizadas em máquinas específicas através de pulsos eletromagnéticos. Por curiosidade, o Neodymium é tão potente que ele próprio pode magnetizar/desmagnetizar o Alnico.
A maioria dos produtores de captadores magnetiza o Alnico somente após o captador montado.

Mas o que interessa para o guitarrista?
Nos interessa tão somente o TIMBRE que diferentes tipos de magnetos podem nos proporcionar. E a influência no timbre não depende apenas do material e força magnética, mas também da posição do magneto em relação à(s) bobina(s).
Vamos dar uma geral:

Nos Singles clássicos, os pinos de alnico estão no centro da bobina. Isso gera um timbre mais seco, com mais ataque e brilhante.


Já nos Humbuckers, a barra de alnico localiza-se embaixo das bobinas, transferindo o magnetismo para os parafusos.


O P-90 é exatamente um meio termo entre eles, pois tem apenas uma bobina (é um single), mas duas barras de alnico (uma de cada lado, polaridades inversas) magnetizam os 6 parafusos centrais.
 
Claro que cada captador tem sua sonoridade não apenas pela estrutura magnética e sim pela estrutura global, mas eu diria que o imã contribui com pelo menos 50% disso...
Esses são os 3 tipos básicos de captadores que utilizam Alnico, mas outros excelentes, como os Gretsch DeArmond, Dynasonic e Filtertron devem ser mencionados (por favor, procure pelas especificações da guitarra do Malcom Young/ACDC :) ). Aliás, os DeArmond e Dynasonic são singles incríveis - veja os links de vídeos abaixo.

A partir dos anos 60, gradativamente o alnico foi sendo substituido, nos captadores mais baratos, pelo ferrite. Nos anos 80, com os humbuckers de alta potência, o ferrite passou a ser uma opção até para captadores mais caros porque o aumento do número de voltas/resistência diminui os agudos e o ferrite é um pouco mais agudo que o alnico. Em captadores de baixa saída (os clássicos), ele soa estridente, mas pode ficar muito bem nos outros.
Uma mutreta que não dá pra encarar é um single que, ao invés de usar pinos de alnico, tem uma barra de ferrite embaixo magnetizando pinos de metal. São os que abundam por aí nas guitarras chinesas baratas. Veja:

Aqui no blog eu fiz um tutorial sobre como transformar um single de ferrite em alnico: Clique Aqui

Alguns humbuckers de alta potência, mais de 17k geralmente, precisam utilizar 3 barras de ferrite (uma central maior e duas laterais menores), senão soariam abafados demais.
Se tens curiosidade de saber se o teu single coil é cerâmico, é só procurar pela barra. Ou observar o brilho dos pinos - geralmente o alnico é mais fosco e nunca é niquelado.
Os imãs de ferrite são escuros e os de alnico via de regra têm aspecto de aço escovado (embora hoje em dia, alguns captadores vintage e caros utilizem alnico não polido).
Pessoalmente, nunca ouvi um captador feito de ferrite, de baixa/média saída, que soasse natural ou bonito. Alnico na cabeça! :)
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Pra ilustrar o post geral sobre captadores, vou colocar links para exemplos clássicos de captadores clássicos. Entre os caras, ninguém melhor do que o Phil X pra isso:
Um single DeArmond (Gretsch Duo Jet 1953):

Um single P-90 (Les Paul 1955) - ouça também a parte com saturação, por favor! :)


Um Humbucker PAF:

Stratocaster 1957 e seus singles (essa todos conhecem - ouça também Mark Knopfler, Eric Clapton, John Mayer, Hendrix e dezenas de outros mestres):


E pra finalizar esse post sobre captadores, um excelente vídeo com o Gary Moore (RIP) tocando só guitarras clássicas e captadores clássicos num Orange Tiny Terror (o pedal, ligado eventualmente, pode ser um Tube Screamer mas é mais provável um Digitech Bad Monkey).
A Telecaster dele é do mesmo ano da minha (1968)! :)


Captador é um assunto fascinante e inesgotável. Ficamos com o básico por aqui. Eventualmente voltarei com mais alguma coisa.
Abraço!

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 COMO TROCAR BARRA DE FERRITE POR ALNICO EM HUMBUCKERS

Ôps! voltei mais cedo do que eu imaginava! :)
Quando postei o tutorial para colocar pinos de alnico em singles cerâmicos, faltou explicar o processo num Humbucker, trocando a barra cerâmica/ferrite por uma de alnico. A barra de alnico custa por volta de 14 reais na captadores.com br. Geralmente o alnico II fica melhor em captadores mais fracos (até 8k), da posição do braço e o Alnico V na ponte, mas nada é definitivo aí.
Vamos lá:
(Antes de tudo, deixo bem claro que, embora simples e rápido, esse é um procedimento que pode danificar o captador, pois existe a possibilidade de romper os finíssimos fios de cobre. Faça o processo com muita atenção e cuidado.)

Se o captador tiver a capa de metal, ela geralmente é soldada. Use um ferro de solda (mínimo de 40 watts nesse caso) para soltá-la.
Lembre-se que a maioria dos captadores são parafinados - é comum desprender alguns pedaços de parafina. A barra cerâmica raramente é colada, mas pode estar levemente presa pela parafina, portanto, pode ser necessário usar a ponta de uma chave de fenda como alavanca para desprendê-la. Sempre com muito cuidado para não romper os fios.

1). Inicie retirando os 4 pequenos parafusos que prendem as bobinas à placa de base:



2) - Vire a tampa da base com cuidado para expor a parte de baixo das bobinas e a barra de imã cerâmico:
Atenção para a região circulada - é onde estão as sensíveis ligações. Nunca estique ou puxe essa parte. Apenas afaste-a para o lado e no final recoloque-a no lugar.


3): Antes de retirar a barra, coloque uma bússola uns 3-5 cm sobre ela (ex: posicione o norte para os parafusos), veja para que lado a bússola aponta e anote. Retire com cuidado a barra cerâmica e coloque a barra de alnico no lugar dela, seguindo a mesma orientação da bússola.


Por último, é só recolocar os parafusos de fixação.
Não adianta muito colocar barra de alnico em captadores de alta saída, mais de 15k, por exemplo, pois o som pode até piorar, soando mais abafado. Em captadores de até 9k, vale a tentativa - o timbre deve ficar mais macio e dinâmico. Assim como nos singles, dificilmente a troca de imãs irá transformar um captador ruim num bom, mas pode melhorar bastante sua sonoridade.

domingo, 31 de julho de 2011

Esclarecimento

Em relação aos posts (links no final) sobre a Tagima e os decorrentes contatos com o luthier Fábio Seiji, devo esclarecer:

Os comentários do Sr. Fábio Seiji são plenamente válidos, têm respaldo técnico e foram considerados por mim em relação às informações iniciais.

Em nenhum momento questionei ou tive a intenção de denegrir o profissional em questão. Suas intervenções técnicas não deveriam ser questionadas. Pelo contrário, foram cruciais para guiar meus posts posteriores. Desde então, tenho limitado mais ainda informações específicas de luthieria sem forte embasamento.

Quando mencionei que estava "questionando minhas motivações" em relação ao blog foi porque após o debate no fórum cifraclub, num primeiro momento não aceitei as críticas e por isso achei que tal stress não seria condizente com a proposta do blog, até então para mim instrumento de lazer e exercício de informações.

Enquanto no âmbito pessoal, de foro íntimo, tenha desgostado da forma como as colocações foram feitas, não posso de maneira alguma contestar o conteúdo das mesmas, que, repito, foi elaborado por um profissional do mais alto gabarito, o Sr. Fábio Seiji.

Se, de alguma maneira, a imagem profissional do Sr. Fábio Seiji foi questionada nesse blog, o foi de forma absolutamente involuntária e paradoxal.

Paulo May


http://guitarra99.blogspot.com/2010/10/esse-blog-no-cifra-club.html
http://guitarra99.blogspot.com/2010/09/tagima-735-special-ou-como-levar-gato.html

sexta-feira, 8 de julho de 2011

CAPTADOR DE GUITARRA (conceitos básicos)

(obs: antes de fazer perguntas e ou postar comentários, leia aqui: CLIQUE)


 Aviso aos incautos: O post que segue é extremamente básico e didático. É baseado no mesmo que postei no fórum da GP. Achei interessante colocá-lo no blog, mas admito que não tenho formação técnica ideal para vários conceitos aqui explicados. Na falta de um texto similar em português (se alguém achar um, me avise :) ), espero que esse ajude.


1 - O QUE É UM CAPTADOR DE GUITARRA?

Artefato formado basicamente por imã e fios de cobre (enrolados geralmente em uma bobina), de propriedades eletromagnéticas cuja função é transformar o som proveniente das vibrações das cordas e das madeiras em um sinal elétrico que possa ser amplificado.

Por uma lei da física, se um campo magnético que está envolto em uma bobina formada por fio de metal (cobre) enrolado (centenas a milhares de voltas) sofrer flutuação (a vibração da corda de metal da guitarra modifica o campo magnético), ocorrerá formação/indução de uma carga elétrica pelo fio da bobina.

Um exemplo prático: imagino que todos conheçam o famoso "dínamo" de bicicleta. Ele tem essa estrutura:


Quando o pneu gira, ele promove a rotação do imã dentro da bobina, que induz uma carga elétrica no fio de cobre enrolado em volta dele. Essa carga vai alimentar a lâmpada... Simples!

Mais simples ainda é essa experiência: o cara enrolou (cerca de 500 voltas) um fio de cobre e, ao girar um imã em volta dele, há indução elétrica (milésimos de volt), como podemos abservar no multímetro:


Ele poderia colocar o imã parado dentro do anel de fio de cobre e movimentar algum objeto metálico próximo ao imã. Também geraria uma corrente e esse é o princípio exato da relação captador/corda da guitarra.

Veja:

Depois a gente entra em detalhes sobre as diferenças entre single coil e humbucker, mas a imagem seguinte é pra percebermos as diferenças de estrutura e relação de posição entre imã e bobina: nos singles os magnetos são os próprios pinos e nos humbuckers é uma barra na base, que encosta e transfere o magnetismo para os parafusos.


A carga elétrica gerada é pequena, de 100 milivolts até mais de 1 volt nos captadores mais potentes, mas suficiente para ser interpretada e amplificada.

Um detalhe importantíssimo é que o fio de cobre não pode encostar nele mesmo - a corrente elétrica só é gerada se correr livremente AO LONGO do fio. Então, ele recebe uma cobertura/capa isolante. Quanto mais eficiente essa "capa" em termos de isolamento, volume, elasticidade e resistência ao calor, melhor.

Atualmente (na verdade, desde os anos 60) usamos uma camada de poliuretano (polysol), que é bem fina e transparente. A cor visualizada é a do cobre mesmo. Obs: fios de cobre com revestimento isolante são feitos basicamente para a indústria de transformadores. Captadores utilizam uma ínfima parte desse volume. O Polysol é um fio mais eficiente pelos padrões atuais de indústria de transformadores, mas pior quando usado em captadores. Justamente pela sua eficiência na condutividade e isolamento, ele tem uma certa aspereza, um brilho excessivo nos agudos.
Como as madeiras foram piorando com o passar dos anos, perdendo ressonância e brilho (basswood, por exemplo), e os captadores foram ficando mais potentes (perdendo agudos, portanto) ele acaba sendo útil e em alguns casos (captadores de alto ganho), ideal. Mas coloque-o numa strato com madeiras superiores, em busca de um timbre vintage autêntico,  ele vai incomodar nos agudos. É sutil, mas perceptível.

Até os anos 50, usava-se muito o "ENAMEL" (fio esmaltado) que é um tipo de esmalte e deixava o fio com a cor entre marrom escuro e púrpura. Também o FORMVAR (fio fica dourado/amarelado), que seria um meio termo de modernidade entre o enamel e o polysol.

Existe sim diferença de timbre entre os tipos de isolamento, com o polysol tendendo a sobrar nos agudos. Mas é assunto pra adiante.


Vários fabricantes de captadores utilizam tanto o Enamel (geralmente para humbucker, P90, Telecaster e Texas Special) quanto o Formvar (single coils típicos de strato) para seus modelos "vintage". O Seymour Duncan utiliza Enamel na maioria dos humbuckers estilo vintage.

Eletricidade e magnetismo estão à nossa volta o tempo todo mas nosso cérebro insiste em processá-los (ou mesmo ignorá-los) subjetivamente, dificultando a compreensão porque não os enxergamos... :)


2 - PROPRIEDADES ELETROMAGNÉTICAS DOS CAPTADORES

Resistência, Indutância, Capacitância, Frequência de Ressonância, Fator “Q”.

Esses conceitos são difíceis de compreender plenamente, mas vou tentar simplificar (sem agredir a física... :) ).
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Adendo: relendo todo o texto, percebi que é difícil, num primeiro momento, extrapolar as propriedades eletromagnéticas para a nossa visão leiga e "sonora" do captador. Então, mesmo correndo o risco de ser execrado por algum físico ou engenheiro eletricista, vamos nos guiar pelo seguinte:

a) Resistência e principalmente Indutância estão relacionados com a potência/volume do captador. Quanto mais elevados mais sinal é enviado para o amplificador. Não podemos esquecer que quanto maiores, geralmente teremos mais médios e menos agudos. Lembre-se: o aumento isolado da resistência (só enrolando mais fio) não vai aumentar tanto a potência e vai tirar muito agudo.
b) Capacitância: vamos relacioná-la como responsável pela diminuição/atenuação de agudos do captador
c) Frequência de Ressonância: define se o captador tem mais ou menos agudos, se é mais ou menos brilhante. Quanto maior, mas agudo é o captador.
d) Fator "Q": a combinação dos valores acima deve ter um certo equilíbrio, por exemplo, não podemos enrolar muito fio e usar um imã fraco. O som vai ficar muito ruim e/ou estranho. O fator Q é o resultado de uma fórmula que mostra se os outros valores estão equilibrados entre si.

Então, pelo descrito acima, um captador com muita resistência, baixa/média indutância, alta capacitância e pico de ressonância de 4k (use de referência um captador Fender de strato, que está por volta de pelo menos 8-9k de ressonância) será com certeza um captador mais potente, porém "abafado" e desequilibrado. O fator Q dele certamente não estaria na faixa considerada ideal.

Importante: A força magnética (tipo, forma e volume do imã) também influencia no volume e é diretamente proporcional.

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Antes, é importante ressaltar que essas propriedades sempre atuam em conjunto para o timbre final. Nunca devemos usar um valor isoladamente para “ler” o captador.

Resistência (expressa em Ohms): “Oposição à passagem da corrente elétrica relacionada com o comprimento e diâmetro do fio de cobre”. Ou seja, quanto mais longo e, surpresa,mais fino, maior a resistência. A resistência e a indutância geralmente indicam (existem outros fatores) a potência (volume) do captador. Os fios de cobre usados têm o diâmetro padronizado (AWG: American Wire Gauge) de 42 ou 43 AWG, raramente outro valor. Quanto maior o AWG, mais fino, quanto mais fino, mais resistência. Então, 1.000 voltas (espiras) de fio 43AWG terá mais resistência (e mais potência) do que 1.000 de 42AWG. Mas quanto mais alta a resistência, maior a perda de agudos.

Indutância (expressa em Henries): “A capacidade de uma bobina em criar o fluxo com determinada corrente que a percorre é denominada Indutância (símbolo L) medida em "henry" cujo símbolo é H.” Essa é difícil... :) Seria mais ou menos a “força bruta” do captador. A corrente elétrica gerada e correndo pela bobina cria também um campo magnético, que se opõe ao do imã. Mas ambos não se anulam, e sim geram ainda mais força. Pense assim: a corrente elétrica da bobina , devido à presença de metal no seu centro (o metal do próprio imã e dos parafusos no caso dos humbuckers) cria um campo eletromagnético que por sua vez interage com o campo magnético do próprio imã. Isso gera força bruta... Dá pra perceber a importância do imã - não só pelo seu magnetismo, mas pelo seu tamanho e estrutura metálica também.
Captadores geralmente têm indutâncias entre 2.5 a 10 Henries. Geralmente, quanto mais voltas do fio, maior a resistência E indutância, mas essa em menor grau, pois a indutância depende também da quantidade de metal e força do imã. Ou seja, se elevarmos a resistência aumentando o número de voltas do fio, teremos que aumentar a força magnética e geralmente a quantidade de metal no seu núcleo para haver um equilíbrio.

Então, pra gente não se perder, se eu pegar um single coil típico de strato com 6 k ohms de resistência (entre 7.500 – 8.000 voltas/espiras) e 2,4 henries, deverei “ler” da seguinte forma: os 6K estão diretamente relacionados às voltas e espessura do fio e é a resistência pura. Os 2,4 henries estão relacionados às voltas e espessura do fio e TAMBÉM à força dos pinos de imãs e quantidade total de metal (ppte dos pinos). Exercitando:

1 - Se eu aumentar o número de voltas/espiras apenas, terei um pequeno acréscimo de volume/ganho (pelo aumento da resistência e pequeno da indutância) mas começo a diminuir a resposta de agudos.

2 - Se eu aumentar o número de voltas/espiras mas diminuir a força e/ou o tamanho dos imãs, vou mudar muito o som do captador mas ele terá quase a mesma potência/volume.

3 - Entretanto, se eu aumentar as espiras E a força ou o tamanho do imã, aumentarei de fato a potência (e também a sonoridade) e força do captador.

Esses exemplos são apenas pra citar as possibilidades de tunagem do timbre. Cada pequena mudança gera uma sonoridade diferente. Obviamente já deu pra compreender que não se aumenta a potência de um captador apenas enrolando mais fio – vai chegar num ponto que ele ficará extremamente agressivo nos médios, pálido de agudos e com pouca dinâmica.

Se estiveres lendo atentamente, podes pensar: e se fosse um Humbucker? Sou metaleiro e quero muita potência pra estourar o input do meu amp! Eu não poderia trocar o fio 42AWG por um 43 AWG, que é mais fino (cabem mais voltas nas bobinas) e tem mais resistência, aumentar as espiras e jogar a resistência para acima de 13K e trocar essa barra de AlNiCo fraquinha por uma barra de imã cerâmico/ferrite para aumentar também a indutância? Ele teria o dobro da potência de um PAF! Esse captador ficaria super power e o amp distorceria mais.... :)

...Pois foi exatamente essa a idéia do Larry DiMarzio quando criou em 1972 o lendário captador “Super Distortion”, que mudou pra sempre o conceito de captadores. Aqui está o monstro que matou o PAF - DiMarzio Super Distortion (DP 100). Cerca de 13k DC de resistência, fio polysol, imã cerâmico:
Capacitância (expressa em Farad ou Faradays): “Capacidade de um corpo de reter carga elétrica”. O nome já sugere tudo: metais absorvem/roubam/desviam eletricidade. E quando um sinal elétrico como o do captador, que está traduzindo um som, é desviado, as frequências mais altas/agudas vão primeiro...
O fio de cobre é um metal? Sim. Ele induz sua própria capacitância. Idem para o metal do imã. Idem para os parafusos, capinha, base plate. Até o material usado para a blindagem pode induzir capacitância e modificar os agudos e o timbre final da guitarra. Quando o Seth Lover quis usar a capa no humbucker para blindá-lo de ruídos externos, ele logo percebeu que ao colocar uma capa rica em cobre houve degradação dos agudos. Idem para as com acabamento dourado. Alumínio? Pouca capacitância mas alumínio (da época) não segurava solda... Optou finalmente por uma capa de níquel e zinco (Níckel Silver ou Prata Alemã ou a nossa “Alpaca”).

Já deves ter pensado: Por isso que quando aumentamos as espiras/resistência do fio de cobre, perdemos agudos... Sim, uma das razões é essa: mais fio, mais resistência, mas também MAIS CAPACITÂNCIA (e menos agudos)... :)


Frequência (pico) de Ressonância (expressa em Hertz): É a "impressão digital sonora" de um captador. A frequência dominante, a partir da qual ele reproduz as outras. O pico de ressonância revela mais de um captador do que sua resistência ou indutância.

Se um engenheiro elétrico analisar um captador ele dirá: “Os elementos ativos (bobina com fio de cobre + magneto(s)) formam um circuito elétrico que apresenta um indutor e um capacitor ligados em paralelo com um resistor em série... Isso é semelhante ao “tuner” dos rádios e cria uma frequência dominante que varia conforme os valores acima”.

Traduzindo, a combinação da resistência, indutância e capacitância gera uma frequência, que geralmente está entre 1 e 10 kHz. Quanto mais alta, mais agudo o captador (mas não necessariamente mais “limpo”). Singles têm pico de ressonância entre 5 e 9 kHz geralmente. Humbuckers, de 3 a 7 kHz.

Outro exercício: já sabemos que aumentando o número de espiras, aumentamos a resistência mas diminuimos os agudos. Portanto, quanto mais fio vamos colocando mais baixo (menos agudo) vai se posicionar o pico de ressonância.

Fator “Q”: Fator de qualidade/eficiência do captador. É uma medida criada pelos engenheiros e baseada numa fórmula que analisa a relação Resistência e Indutância numa frequência pré-determinada (geralmente 1 kHz). Um "Q Factor" muito alto ou baixo sugere um captador desequilibrado e provavelmente ruim, ou no mínimo, estranho. A maioria dos captadores têm “Q” entre 2 e 3,5.
Agora olhe para um humbucker e veja quantas coisas podem interferir e determinar sua sonoridade:


Por enquanto é isso... Essa é uma parte relativamente chata e teórica, mas depois que a gente absorve e começa a exercitar esses conceitos básicos, fica muito mais fácil “ler” um captador.

Observe nesse link: Fórum GP Brasil (clique) a maneira como o Oscar Isaka Jr. "lê" os captadores: ele está sempre considerando o pico de ressonância (além da estrutura de single com pinos de alnico V, etc.) e não apenas a resistência. Não é um método infalível, mas com certeza nos dá informações bem próximas da realidade sonora do captador.

Volto a dizer: todas essas propriedades, atuando em conjunto, é que determinam o som final de um captador, sua personalidade. Mude o tamanho de um simples parafuso e o que acontece? De cara, diminui a quantidade de metal, alterando a capacitância e indutância. Isso sem falar no campo magnético dos imãs (próximo capítulo)... Podes ter certeza que o timbre vai mudar... Ouvidos e mente atentos! :)

PS: com essas noções, já dá pra avaliar o "Tone Chart" do Seymour Duncan com mais propriedade... :)
Já no site do Sérgio Rosar são fornecidas a Resistência, Indutância e o tipo de imã. Falta o pico de ressonância, mas dá pra ter uma boa idéia...

Parte II: IMÃS (clique aqui)