quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Guia para Tunar Guitarras Baratas

(obs: antes de fazer perguntas e ou postar comentários, leia aqui: CLIQUE)


(Atenção - Adendo 30/09/13: temos um novo post sobre tunagem  (clique aqui)  - um guia definitivo para as guitarras SX. Até acho que o novo post deveria ser lido ANTES desse aqui...)
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         Ao longo de vários anos, aprendi muito sobre guitarras na medida que comprava modelos mais baratos, com madeiras razoáveis a boas e tentava melhorá-las. Cheguei à conclusão de que "guitarra barata é guitarra barata" e dificilmente conseguimos transformar uma delas em "top de linha", mesmo tunando ao extremo. Geralmente porque a essência de qualquer guitarra é a madeira. E madeira boa é, via de regra, cara.

          Prometi que não ia mais fazer isso, mas achei que essa era uma oportunidade de acompanhar tudo em "real time" aqui no blog.

Hoje comprei uma nova SX (já tunei duas anteriormente). Essa tem um selo escrito: "American Swamp Ash". Será? :)
Analisei-a por quase meia hora na loja e decidi comprá-la (600 reais). O corpo realmente parece Swamp Ash, é leve e composto de apenas duas peças (pelo que percebi até agora :) ), porém 5mm mais fino que uma Strato padrão (40mm x 45mm).


Guitarra Strato SX de Swamp Ash

Ponte ruim, sem massa, captadores cerâmicos, tarraxas "a esclarecer", mas não devem ser além do "razoável", escudo com figuração tortoise impressa, enfim, vai mais uma boa grana pra tuná-la devidamente.

Mas valerá a pena? Minha experiência é de que as chances para "Sim" não passam de 30%.
Antes de comprar, levantei o escudo e vi que a cavidade dos caps não é universal/piscinão. Um ponto positivo, pra começar.
Mãos à obra - vou postando aqui o dia-a-dia da tunagem.

DIA 1

Antes, é bom lembrar que o ideal seria num primeiro momento, apenas colocar bons captadores e checar o timbre da guitarra. Se não ficar legal, pare a tunagem aí mesmo... :). Mas, pelo timbre dos captadores cerâmicos, dá pra projetar com relativa certeza que ela tem boa sonoridade. Por isso, vou iniciar pela parte estética/estrutural.


1 - Retirei o escudo. Cavidades clássicas da Fender. Ainda bem que os caras nem tentaram colocar espaço para um humbucker na ponte. Nenhuma falha até agora.



2 - Captadores cerâmicos (já dava pra imaginar) de 5,3k para a ponte e 4,9k os demais. O da ponte tem espaçamento maior, como é o padrão Fender moderno. Pots de tonalidade A250k (logarítmico) e de volume B250k (linear). Capacitor de polipropileno, .047uf:


3 - Já comecei a adaptar os pots para deixar apenas um de tonalidade e desviar o de volume para o ponto do segundo pote de tonalidade (esse sai)


4 - O Escudo. Horrível, nitidamente dá pra notar que a imitação de Shell/Tortoise é pintada.:



Fui dar uma pequena lixada para diminuir a intensidade dos efeitos "super laranja" e a tinta desandou a sair e borrar tudo. Nunca vi disso. Resultado: tive que lixar tudo e deixá-lo com o top branco:


O problema aí é que eu não gosto de escudos de strato TOTALMENTE brancos. Em 1 hora, ele foi envelhecido (clique aqui para o post sobre "envelhecimento" de plásticos) e ficou com tons mais equilibrados com a madeira (deixei um full white do lado para comparar:



Não que eu não goste do escudo "tartaruga", mas não é o meu preferido nessas guitarras com acabamentos naturais. De qualquer forma, vou comprar um escudo "Shell/Tortoise" só para ter essa opção estética.
Se eu mantiver o escudo "envelhecido", toda a guitarra será manipulada para o aspecto vintage. A começar pela retirada do excesso de brilho do corpo.
Amanhã tem mais...
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DIA 2

Decidi que além de fazer o upgrade, vou também deixá-la com aspecto mais vintage. Pra isso, é importante retirar o excesso de brilho do verniz e das ferragens cromadas. Em ambos os casos, o processo é feito com lixa d'água, grão 600 pra cima. O corpo fiz com lixa 600 e ficou divino sem o brilho. A textura está perfeita.
Desmontei-a totalmente e nessa foto, o que de fato é importante: madeiras. Observem no detalhe que já fiz uma marca naquele bico de papagaio do headstock. Como fiz com todas as SX, vou aproximá-lo de um headstock Fender:


OBS: Para saber mais sobre a modificação do headstock, clique aqui.

Agora, com o corpo lixado e o headstock modificado (fiz com grosa e lixas):



Como sempre, deixar com aspecto de Fender e não colocar o logo é igual a garrafa de Coca Cola sem o logotipo: não faz sentido! :)



Ainda não consegui comprar a ponte Wilkinson mas eu tinha um bloco de aço pesado que comprei na Guitar Fetish e troquei aquele ridículo bloco chinês por esse (obs: o braço do tremolo original não cabe nesse bloco - compre um braço "USA sized" junto - custa apenas 4 dólares). O bloco pesado é muito importante para o timbre de uma strato, pois nela ele funciona como "bloco de inércia", garantindo boa e estável vibração das cordas. Aqui, uma foto comparando o bloco GFS de aço com outros chineses. Os "genéricos" são feitos de uma liga de metal que se martelar, esfarela, de tão vagabunda. O da Condor GX40 é pequeno, mas o metal é, aparentemente, de maior qualidade.

Caso alguém queira comprar um bloco desses para colocar numa ponte chinesa, escolha o modelo "Import", que é na medida de 90% das pontes genéricas.

A ponte ficou assim:



Os cromados foram lixados (grão 500 pra cima - às vezes só umas esfregadas de lixa 1200 já dá o efeito desejado) para ficarem foscos. Não pode lixar muito porque a camada cromada é bem fina... Aqui, antes de lixar.



Coloquei na foto uma outra canoa e um stoptail cromados para acentuar a diferença:


Observem que o chapa de tróculo é estilo Fender anos 70, com apenas 3 pontos de fixação. Não foi uma boa idéia do Leo Fender, tanto que não é mais usada. Alguém da SX marcou bobeira... Vou deixar assim por enquanto...

Poderia tê-la montado hoje, mas tive que envernizar (com spray) o headstock para proteger os logos. Terei que esperar pelo menos 36 horas antes de recolocar as tarraxas.
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DIA 3/4

Quando estamos lidando com instrumentos musicais, existe uma regra primordial: "Siga o padrão técnico". Se não a obedecemos, as leis de Murphy começam a pipocar aqui e ali e o projeto vira lixo.

Quando medi a espessura da guitarra e deu 40mm (o padrão é quase 45mm), achei (nunca "ache" nada) que isso não acarretaria nenhum problema na tunagem.
Pois bem, adivinhem qual é o comprimento do bloco de tremolo GFS? Perto do padrão: 41,5mm!
PUTZ! O corpo acaba e sobra uma ponta do bloco pra fora... :(


Um simples detalhe de 1,5 milímetros tecnicamente pode comprometer a sonoridade final da guitarra. Se eu não colocar esse bloco, ela não terá o timbre que eu quero, mas se deixar assim, toda vez que deitar a guitarra em alguma superfície, vai forçar o bloco e sua fixação.
... Continuando (e já li a dica do Pedro e do Lucas), quando coloquei as molas, subiu ainda mais... Terrível. Se não estivesse postando no blog, já teria parado por aí.
Tenho 3 opções: 1) Voltar para o bloco original (nem pensar); 2) Cortar uns 3-4mm desse bloco (aço... Nem imagino onde fazer isso) 3) Levantar a placa traseira. Uma 4ª opção seria deixá-la sem placa, mas daí tem que sempre lembrar de nunca colocá-la deitada na horizontal.... Alguém tem mais alguma ideia?

Decidi pela 3ª opção e usei uma segunda placa (partes dela) para levantar:
De cima, parece ok:

Mas de lado, a gambiarra aparece em toda a sua glória... :).

E as molas ainda estão praticamente coladas na placa. O espaço ali é menor do que 0,5mm. Provavelmente terei que ampliar ainda mais a abertura.
É realmente uma pena. Ela tava ficando muito legal:

Se o som dessa guitarra for excepcional (isso nunca aconteceu com uma chinesa antes), daí talvez tente fazer uma base de acrílico.
Só falta colocar o braço, cordas, regular a tocabilidade e finalmente ouvir o som dela :)

Outro detalhe importante pra quem ainda pretende comprá-la e tuná-la: os 3 captadores têm distâncias dos pinos distintas. É muito legal porque o espaço entre as cordas vai diminuindo à medida que afasta-se da ponte. Mas isso quer dizer também que podemos esquecer a reutilização das capinhas. Geralmente no mercado encontramos singles com dois espaçamentos: para ponte e meio/braço. Por sorte, tinha um captador antigo aqui que coube na capinha do braço, a mais estreita.

Adendo 14/05/2012: O Daniel resolveu esse problema da seguinte forma: "Peguei uma ponte Fender, bloco padrão e corpo 40 mmms... peguei o bloco, levei a um torneiro mecânico e ele cortou na parte superior (parafusada a ponte), foi feito com precisão, tirei 5 mms e ficou bem legal, me cobrou pouco pelo trampo, que tbm não é demorado. Se não fez, em torno de 20,00, faça, a minha ficou perfeita."

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DIA 4/5

Aqui a SX montada. Detalhe técnico: precisei colocar um calço no tróculo para leve angulação - coisa comum nas Fender (clique aqui para o post sobre angulação do braço). Agora a ação está perfeita em toda a escala. Tarraxas Grover Mini Rotomatics

Novamente, a foto não faz jus à beleza dela... :)


Observem na foto abaixo como os pólos dos captadores estão perfeitamente alinhados às cordas: nas Strato, o ideal é esse tipo de configuração, mas atualmente o pessoal tem usado apenas dois espaçamentos e o captador da ponte fica ligeiramente desalinhado. 

Ontem à noite coloquei as cordas e pude ouvir sua sonoridade. Embora conheça muito bem Teles de ash e Stratos de alder, tenho pouquíssima experiência com stratos de ash, principalmente swamp ash.

O que eu percebi foi uma ressonância muito boa, agudos e médios bem equilibrados, semelhantes ao alder, porém com graves mais fortes e projetados - e isso eu não esperava. Tinha a impressão oposta, que ela soaria mais magra e com médios mais fortes.
Como isso foi observado principalmente no captador do braço e acabei usando um muito antigo de apenas 4,9k porque queria manter as capinhas (a cor creme delas é perfeita), vou colocar um captador que conheço bem - o Fender CS54 ou o Rosar Fullerton hoje e testá-la novamente.

Mas num primeiro momento, gostei muito do som. Melhor do que eu esperava.
Se continuar assim, vai valer a pena o trabalho e vou atrás de alguém pra cortar o bloco do tremolo. :)
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DIA 5/6



Excelente a idéia do pessoal de cortar o bloco. Por enquanto, ela fica assim. Tá muito legal.
Tive que trocar os caps (54 no braço, Fender 97 no meio e Rosar Rock/Blues na ponte), então as capinhas e os botões obviamente foram trocados -  o visual ficou mais "branco"... :)



Gravei um solo (o mesmo feito com a Strato Candy Red no post anterior - podem comparar os timbres) com o Fender CS 54 no braço. Muito, muito bom! Timbrão.
Interessante é que ela é um pouco mais grave que a de alder. Mas a essência do timbre strato é essa mesma.
Ouça:

E aqui, só as duas guitarras. A strato Fender de Alder tá na direita, fazendo a base:

É isso aí. Ainda pretendo comparar o timbre só trocando novamente o bloco e gravando o mesmo solo...
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Concluindo, o som dessa SX de Swamp Ash é muito bom! Ainda prefiro o timbre da minha Fender de alder, mas gostei bastante do ataque e peso dela, mesmo com um corpo mais fino.
O único problema sério foi a falta de espaço para o bloco, mas aparentemente é fácil cortar um pedaço e a guitarra ficará bem equilibrada visualmente.
Abraço!

P.S.1: o Sávio perguntou quanto custou a tunagem e a questão do custo deveria ser mencionada também ao longo do post. Ao tunar uma guitarra, vamos gastar geralmente bem mais do que o preço inicial dela e, é importante ressaltar, o valor de revenda não aumenta tanto, porque as pessoas vão continuar vendo uma "guitarra chinesa barata".
Então, tunar pra vender não é negócio, é prejuízo... :)

Eu considero que paguei 630 reais não por uma SX, mas por um corpo de Swamp Ash e um braço razoável de maple/rosewood. 3 singles bons estão entre 330 e 600 reais, uma ponte Wilkinson "Selo Ouro LPG" :), 180-220 reais, tarraxas Grover Mini Rotomatics, 95-130 reais... O prazer de tunar sua própria guitarra... Não tem preço!! Hahahá.

P.S.2: Update 12/2011: Comprei um tremolo GFS de aço (42 dólares + uns 25 shipping + cerca de 45 de impostos - total de 200 e poucos reais) que coube no limite exato nessa guitarra. Melhor assim. Não precisei cortar nada, mas foi um saco tapar os furos dos parafusos e fazer dois novos para os pivôs desse tremolo. Recomendo um luthier para quem nunca fez isso.




sábado, 24 de setembro de 2011

Strato Candy Red II - o retorno.

Paulo May


(obs: antes de fazer perguntas e ou postar comentários, leia aqui: CLIQUE)
 

        Geralmente as minhas guitarras postadas aqui são definitivas, ou seja, todas as alterações e upgrades já foram testados e aprovados.
Mas a strato Candy Apple Red desse post: Stratocaster Lipstick  foi mexida...
Conforme o post - e ainda é a minha opinião - o som dela com os captadores "Lipstick" GFS era muito bom. O problema é que eu praticamente não tocava com ela. Na hora "H", sempre pegava a Fender com os captadores CS 54 (também postada aqui: Fender American Standard 1997 ).

Resolvi colocar os Rosar Fullerton (baseados no próprio Fender 54), feitos com fio Formvar especialmente para mim pelo meu grande amigo Sérgio Rosar. Pra deixá-la com aspecto algo vintage, envelheci (amarelei :) ) os plásticos. Acho que finalmente encontrei a "manha" pra amarelar/envelhecer plásticos... Depois eu conto.
Observem o escudo. Ele era totalmente branco. Os botões foram envelhecidos hás uns 6 meses, mas através de outro processo, bem mais complicado.



O resultado final foi exatamente como eu imaginava: ela tem o som da 97 com um pouco mais de estalo e seco.
Ter duas guitarras quase com o mesmo timbre é meio redundante, mas eu sou particularmente fanático pelo som dos captadores Fender Custom Shop 54. Eles podem parecer um pouquinho exagerados nos médios, mas é justamente esse detalhe que gera o som deliciosamente percussivo e equilibradíssimo nos agudos.

Os Rosar Fullerton são um meio termo entre o Fender 54 e o 57. Resolvemos de comum acordo deixá-los assim, com um timbre um pouco mais macio e cristalino porque nem todo mundo é fã dos médios do 54 como eu... :)
Mas esse trio o Sérgio fez com fio Formvar, então eles estão extremamente próximos do 54. No gosto do freguês :)



Tá linda! As fotos não fazem jus à beleza dela ao vivo.

Especificações:
Corpo: Alder, "Candy Apple Red" (Fender, 1997, cavidade universal)
Braço: Maple, "cru", sem verniz, formato em "C" (Fender Squier)
Escala: 251/2", Maple, Raio: 9,5"
Tarraxas: Grover Mini Rotomatics.
Captador Ponte: Rosar Fullerton Custom 6,2k
Captador Meio:  Rosar Fullerton Custom 5,9k
Captador Braço: Rosar Fullerton Custom 5,9k
Ponte: Wilkinson WVP 2 pivôs (o bloco pesado faz toda a diferença...)
Pots e capacitor: Volume Alpha 250K, Tone: Fender "No Load" 250k, capacitor 0.022uF

E... os Lipstick? Antes que alguém pergunte, eles foram colocados numa outra strato, feita com um corpo de basswood (um dos mais pesados que já toquei) de uma Squier. A sonoridade não mudou muita coisa com a troca das madeiras porque os Lipstick não têm agudos tão complexos quanto os singles de pino.

Ultimamente tenho me esforçado pra colocar samples e dessa vez consegui gravar alguma coisa (me considero um guitarrista base - solos não são o meu forte - dê um desconto, please :)
Obs: nessa demo, utilizei o Fullerton "oficial", com fio polysol.
A Red Candy tá na esquerda, solando. Na direita, a Fender 97, na base. Timbres captados do Tiny Terror microfonado com um SM57 e num split em linha, passando pelo Amplitube simulando o Fender Pro Jr. :


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Selo de Qualidade "Louco Por Guitarra"



        Antes que algum incauto vá pensando que isso é arrogância, explico: há alguns meses lancei no  fórum da Guitar Player a idéia de instituirmos um "certificado de qualidade" para alguns equipamentos com excelente relação custo-benefício. O objetivo seria de orientar, fornecer substrato às compras de guitarristas.
Claro que é um procedimento sujeito a problemas: opiniões podem variar, a qualidade do produto pode mudar, não sabíamos se seria possível usar o próprio nome "Fórum Guitar Player" por causa da revista... Enfim, tornou-se inviável lá no fórum, porém a idéia permaneceu e resolvi trazê-la pra cá.

Eu tô sempre comprando, usando e testando guitarras, captadores e hardware e de vez em quando me surpreendo com a qualidade e preço de alguns produtos. Quando me deparo com tal barganha, tenho vontade de dizer pra todo mundo: "olha, esse aqui tem a mesma qualidade e eficiência que aquele lá e custa a metade do preço!"

Então, a idéia é ressaltar - e com um selo espalhafatoso, hehehe - alguns produtos de excelente custo x benefício. E em se tratando de Brasil, onde os impostos são um tapa na cara, acho que a idéia procede. Não tenho absolutamente nenhum vínculo com ninguém e por isso posso citar marcas e até eventualmente as lojas onde comprei.

        Como o blog é meu e minhas premissas estão bem claras na apresentação, não preciso me justificar. É somente a minha opinião, que talvez não seja a melhor, a mais exata, a mais lógica e definitivamente, não é a única. Mas se de vez em quando ajudar alguém a economizar um dinheirinho, já valeu! :)

Criei um "Ouro" e um "Prata".


O ouro seria para coisas que  realmente me impressionaram, como, por exemplo, as pontes Wilkinson para strato e as tarraxas Planet Waves Auto Trim Lock... 
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E o primeiro Selo de Qualidade vai para:



Ponte Wilkinson WVPC de seis furos e WVP de dois pivôs - Selo Prata de Qualidade!
Construção e materiais excelentes, no nível das Fender americanas e Gotohs. Saddles de aço (não enferrujam), bloco pesado de zinco (as versões "SB" têm blocos de aço, mas são difíceis de encontrar no Brasil). Eu tenho 4 pontes dessas (e vou comprar mais uma :) ). Custam normalmente entre 150-200 reais.
Antes que alguém pergunte, o Zinco é um metal com densidade algo menor que o ferro e nessa ponte, tem uma sonoridade entre o aço/steel e o brass/latão. O latão é uma mistura de zinco e cobre.
Enfim, é uma ponte fantástica por um excelente preço, considerando que é importada.
Info sobre os diversos tipos de ponte Wilkinson: Clique Aqui


Adendo 04/03/2012: O selo da ponte Wilkinson foi alterado de ouro para prata porque o bloco de zinco realmente perde para o de aço. As versões "SB/SteelBlock" com bloco de aço, obviamente são "ouro" e eu recomendo veementemente que tentes conseguir a versão "SB" :)
Leia mais sobre isso aqui (CLIQUE).


Adendo 24/06/2013: ATENÇÃO***: Já temos disponível no Brasil um bloco de aço com a qualidade de um Callaham! Clique aqui para maiores detalhes.

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E em seguida, o segundo selo "ouro" vai para as tarraxas Auto Trim Lock da Planet Waves (a Planet Waves é uma linha de acessórios da D'Addario).
Patenteada pelo gênio do design Ned Steinberger, essa tarraxa possui um engenhoso sistema que além de travar, automaticamente corta o excesso de corda. É só passar a corda, travar e começar a afinar a guitarra. 
A relação de giro é de 18:1 (quanto maior a relação, mais precisa é a afinação - as Fender antigas tinham relação de giro de 14:1).
No Brasil, o jogo custa entre 190 e 235 reais. Geralmente é mais barata no ML.

É uma daquelas coisas que depois que usamos, o resto fica sem graça... :). E olha que eu tenho tarraxas Sperzel, Gotoh, Grover. A qualidade até que se equipara entre elas, mas nenhuma bate a Planet Waves em termos de praticidade.
Uma dica: mesmo não sendo necessário, deixe pelo menos uma volta da corda (trave-a com a corda bem solta e não esticada) - eu percebo que os bends ficam mais macios com esse procedimento.
O único senão é estético. Em todas as versões os botões da trava e o poste/eixo, são pretos - podem parecer exagerados para alguns puristas.


domingo, 11 de setembro de 2011

Braço de guitarra: formas/shapes

E eu falando de raio da escala sem antes falar do mais importante, do ponto de conexão entre o guitarrista e a guitarra: o braço!
Falei no post anterior sobre o formato naturalmente curvado da mão humana. Mas em relação às mãos, formato e tamanho variam muito. Exatamente por isso existem tantas variações de formato de braços.
Vamos ver alguns mais conhecidos:


Observem as variações. A profundidade e o desenho dos "ombros" é que determinam se a nossa mão vai ou não gostar de um determinado braço. O "ombro"/shoulder seria a curvatura lateral - quanto mais ampla, mais ombro. E mais aberta tem que ficar a mão, independente da profundidade. Veja:


O braço "D" é o que tem menos profundidade porém mais ombros. Já o "V" é exatamente o contrário.
O "D" (ou "C" achatado) é típico das Ibanez. Por ter menos profundidade, ele permite que os dedos avancem mais e tenham maior alcance na escala. Mas devido aos ombros, é um braço "largo" e nos obriga a manter a mão sempre aberta.
Os nomes e definição variam bastante e não existe uma regra formal: O "C gordo" pode ser chamado também de "U achatado". O "soft V", frequentemente é chamado de "oval". E por aí vai...

Fiz uma montagem dos tipos de braço da Warmoth. No esquema dá pra perceber bem a diferença entre eles. No centro, um braço "Standard Fino", que seria o braço "C Moderno" da Fender.


       Atualmente, todas as Gibson "Standard" têm braços assimétricos (como a Wolfgang, do esquema), com mais "ombro"/gordo na parte de cima (das cordas graves/pegada do polegar) e mais fino embaixo. As demais Gibsons mantém os braços no padrão 50's, mais gordo ou 60's, mais fino. (valeu o toque, Rodrigo).
   
       É isso aí... :) Cada um acaba descobrindo qual tipo de braço é o melhor pra si. Eventualmente o cara tem um braço tipo "C gordo" (quase todos os das SX são assim) e sente-se um pouco desconfortável com ele. É só pedir para o luthier (ou fazer em casa mesmo - um dia eu posto - * POSTADO: Clique) tirar um pouco dos ombros. Eu consegui transformar um desses braços SX - "C gordo" ou quase um "U" num ótimo e confortável "Soft V".

Mas gosto é gosto, mão é mão... :) Eu só conseguia tocar em braços Fender (um "C" um pouquinho mais gordo/cheio, de 1968), mas atualmente gosto muito dos braços em "U" Gibson (os "59"... :) ). Porém,  jamais me adaptei aos braços finos (e já sabemos, com muito ombro) tipo Ibanez. Nem pensar em tirar os ombros desses aí - não sobraria "massa" de madeira pra dar timbre! :)

Excelente site, com as medidas de inúmeros braços:
http://www.rocketmusiconline.com/necks.html

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Raio da Escala: que raio é isso?

       
(obs: antes de fazer perguntas e ou postar comentários, leia aqui: CLIQUE)

         Antes de começar a história devo dizer que, embora toque guitarra desde 1976, só comecei a entender o "instrumento guitarra" há uns 6 anos. Antes disso nem sabia o que era, onde estava e pra que servia o tensor, por exemplo. Pois bem:
         A minha Telecaster 68 tinha um raio de 7.25" (184.1 mm). Tinha, porque em 2004, depois de 15 anos sem manutenção, levei-a até um luthier (o 1º que conheci na vida) e ele deu uma "geral" nela. Trocou trastes e, se minha memória não falha, me ligou dizendo que iria aproveitar e "raiar" a escala pra 9,5". Não entendi porra nenhuma e disse pra fazer o que tivesse que ser feito pra voltar à tocabilidade que eu estava acostumado, mas sem mudar um pentelho a "pegada" do braço. Ele me garantiu que ficaria melhor e realmente, notei que os bends ficaram mais claros depois disso.

Hoje eu tenho um gabarito de escala (comprei na Music Tools, do Miguel Cardone). Agora sei porque me sentia tão desconfotável quando tocava com Jacksons ou Ibanez com raios de 14" pra cima. Não sou solista e muito menos fritador. Escala reta cansa demais a mão pra fazer acordes.

Raio (sou péssimo em matemática e geometria mas isso meus neurônios captaram): "O raio de uma circunferência (ou círculo) é definido com a distância do centro a um ponto qualquer da circunferência." Portanto, o raio é metade do diâmetro da circunferência.

Partindo disso, vamos pegar de exemplo o famoso raio de 7.25 polegadas das Fender antigas. 7.25 polegadas equivale a 184.1 milímetros. Vamos arredondar para 18,4 centímetros. Pegue uma régua, marque 18,4 cm, depois abra um compasso e faça um círculo usando esse raio (ou prenda um lápis na régua e gire-a - não precisamos ser exatos aqui). Observe a curvatura em qualquer ponto desse círculo: essa é a curvatura da escala.


A mão humana tem, mesmo na posição de descanso, uma curvatura natural, por isso quando fazemos acordes, percebemos que as escalas mais curvadas (de raios menores) são mais agradáveis/naturais:


 Escala reta exige uma abordagem diferente no manuseio do braço. Tem quem goste. Eu detesto! :)

Algumas escalas comuns:

Fender Stratocaster American (atuais):          9.5" (241 mm)
Vintage Fenders:                                                 7.25" (184.1 mm)
Gibson Les Paul:                                                 12" (305 mm)    
Ibanez (variam de 12" a 18"): RG e S:             14"(400-430)  Artcore:12" (305mm)
Jackson:                                                               16" (406 mm) ou composto, de 12" (nut) a 16" (heel).
PRS: a maioria é:                                                10" (254 mm). Santana e Custom 22/12: 11"
Guitarras (maioria) com LSR roller nuts:         9.5" a 10" (241 mm to 254 mm)
Guitarras (maioria) com Floyd Rose bridge:    10" (254 mm)
Violões Clássicos:                                                flat (reto, sem raio)

        O problema de escalas com raios menores que 9.5", ou seja, muito curvadas, é que quando damos um "bend", ppte nas duas primeiras cordas, às vezes ocorre um travamento da nota. Para minimizar esse problema, a ponte, aliás, os carrinhos/saddles da ponte devem ser alinhados numa curvatura correspondente ao raio da escala, fazendo também uma curva. Pouca gente se toca disso. Os saddles da 3ª e 4ª cordas estão bem mais elevados que os da 1ª e 6ª numa guitarra com escala de raio 7.25", por exemplo:

 Essa é a ferramenta (gabarito) para checarmos o raio da escala:

Atualmente a moda é braço com escala de raio"composto" (compound radius). Inicia com uma curvatura maior, favorecendo os acordes e termina com uma menor, favorecendo os solos e bends:

Tecnicamente, quando essa transição é gradativa, deveria ser chamada de escala "cônica" e não composta, porque ela lembra de fato um cone:

Cada guitarrista acaba tendo um raio de escala preferido. Eu gosto bastante dos raios entre 9.5" e 12". A PRS SE com raio de 10" é extremamente confortável pra mim.
Mas isso pode mudar com o tempo. O cara inicia com bases e prefere raios menores. Depois, começa a fritar e vai aumentando o raio... :)

Outro fator importante é a forma do braço (clique aqui para o post sobre isso), que juntamente com a escala, fazem o "full contact" com a nossa mão. As formas mais comuns de braço são:


Não sei se vocês já perceberam, mas pontes para Les Paul já vêm com uma certa curvatura. Exatamente 12" de raio, pra seguir o raio da escala Les Paul. Eu ajusto também os parafusos dos captadores para essa curvatura - nada mais óbvio e pouca gente faz.


sábado, 3 de setembro de 2011

Shelter SX Headstock: remake!


(obs: antes de fazer perguntas e ou postar comentários, leia aqui: CLIQUE)





Coisinha feia, não? :) Se o headstock (cabeça do braço) da Fender Stratocaster não fosse o ícone que é, talvez até não achasse esse tão feio, mas aquela ponta curvada...
Depois que a Fender ganhou na justiça a exclusividade do desenho do headstock (mas não do corpo da guitarra), os outros fabricantes foram obrigados a fazer pequenas variações para não serem processados.
Pois bem, tenho duas SX e coloquei outros braços nelas. Ano passado resolvi aproximar um deles do desenho da strato Fender. Recortei o bico. Ao fazer isso, retirei boa parte do verniz "amarelo mijo" (exagerado, mas é bem parecido com alguns modelos Fender da década de 50) e não sabia como fazer o acabamento no mesmo tom. Só uso verniz spray em lata, pra coisas pequenas.
Decidi então retirar TODO o verniz do braço. Foi um sufôco danado - ainda hoje tem resquícios na escala. Esse do ano passado ficou assim:

Bem melhor! :)

Há umas duas semanas, encomendei dois corpos de Telecaster (um Ash, outro Alder) e apenas um braço de maple com o luthier Cavalheiro. Como tinha esse outro braço SX de maple sobrando por aqui, resolvi transformá-lo num braço de Telecaster.
O trabalho aí é mais complicado. Tem que recortar mais e adaptar algumas curvas pra ficar no padrão Tele. Mas uma coisa já havia decidido: não retiraria todo o verniz. Tentaria refazê-lo.
Quando acabei, o headstock ficou assim:


Ficou uns 80-90% no padrão oficial vintage da Tele, mas quando tentei usar verniz em lata, ficou complicado. Resumindo, duas tentativas e dois fracassos. Nas duas tive que remover o verniz grudento com acetona. Terrível.
No desespero, peguei um pote de Acrilex laranja da minha filha, e misturei esse laranja (uns 20-30 ml) com 20 gotas de corante amarelo e 10 gotas de corante ôcre, ambos para tintas comuns:

Esfreguei direto no maple, com um pano, até grudar bem e ficar com a cor igual, no olhômetro mesmo... Em seguida, usei o velho verniz de spray em lata. 3 passadas e o headstock começou a ficar com cara de que nunca foi mexido... :)
Aproveitei e coloquei um decalque Fender (se não colocasse, seria como uma garrafa de Coca-Cola sem nada escrito - não faz sentido :) ). Veja a sequência de fotos:


Atrás, um decalque pra identificar como minha e não passar por falsificação de Fender - "Jack Custom" - hahahá! :)
Claro, tive que aumentar as cavidades das tarraxas pra colocar essas Grover Mini. Já postei aqui como fazer isso com tesoura, mas dessa vez tava sem paciência e arrisquei com uma furadeira. Tava com sorte mesmo! Apenas pequenas lascas quase invisíveis :)

Um luthier faz tudo isso profissionalmente, mas a idéia aqui é "sem luthier" - coisa caseira mesmo:


Serrinha, grosa, lima redonda, lixas, furadeira e verniz em spray. Essa é provavelmente a última vez que faço isso, pois não pretendo mais comprar guitarras baratas e tuná-las.
Mas o interessante é que esse tipo de trabalho é uma coisa meio "Zen". Pra mim, funciona como um Lexotan, ou melhor, uma terapia de relaxamento... :)

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Posts similares:
http://guitarra99.blogspot.com.br/2012/07/logotipo-fender-decalque.html

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Epiphone Les Paul Special


Essa eu ganhei de "brinde" ao comprar uma Aria semi acústica, em 2004 ou antes. É daquelas ruins, com corpo laminado de folhas de maple e alder. Se tirar um parafuso, o local "esfarela" de tal maneira que não dá mais pra recolocá-lo. Uma piada.
Observe na foto abaixo, da cavidade do captador, o excesso de cola e as camadas da laminação:


Portanto, bonitinha mas ordinária. :)
Poderia jogá-la fora, mas gostei muito do braço de maple, surpreendentemente bem acabado, "gordinho" e com uma bela escala de rosewood/jacarandá (raio de 12"). Ela ficou largada aqui em casa até o ano passado, quando o luthier Cavalheiro, de Blumenau, me avisou que tinha um pouco de mogno disponível. Pedi pra ele fazer um corpo (idêntico ao original) de mogno e colar o braço.
 
O ideal seria antes aumentar a base posterior/trocular, do braço e fazer um encaixe mais profundo, porém ele achou que não havia necessidade. Até o momento, está bem estável e sólido :)
No detalhe da foto, o braço colado:


Obviamente ficou outra guitarra, muito, mas muito superior em timbre e ressonância. O peso final é de 4,2 kilos, portanto, o mogno é bem pesado (a minha LP 81, que ainda tem um top de maple por cima, pesa 4,3kg).
O acabamento, apenas com selador e óleo (limão e peroba). Coloquei os dois captadores originais (início da década de 80) da Aria, com imãs trocados para alnico (II no braço e V na ponte) e sonoridade bem na praia dos PAF, 7,8k.
Como os captadores estavam naturalmente envelhecidos, resolvi deixar as ferragens também com aspecto antigo e foi fácil: lixa (grão no mínimo 400, 600 é o ideal) pra retirar o brilho cromado já equilibra o aspecto "vintage".
Ela ainda ganhou tarraxas Gotoh, nova fiação e potenciômetros e um capacitor Mojotone "Dijon" .022uF.
Ficou melhor do que eu imaginava. Tô surpreso com a sonoridade dela.
Até pensei em refazer o headstock pra apagar o passado "Epiphônico Negro" dessa Special, mas resolvi deixá-lo intacto. :)

(Foto da guitarra em 06/2012, depois de refazer o acabamento - leia o update no final)


PS: O Lucas fez a pergunta óbvia e me toquei que também o óbvio seria aproveitar o novo corpo e transformá-la numa Les Paul Jr. Uma Les Paul Jr. Special, com dois P-90, como essa Gibson:


Mas acontece que o luthier Cavalheiro tinha um outro pedaço de mogno (antigo, de "demolição") e encomendei uma Junior Special - nesse caso, idêntica à Gibson, com braço de mogno, etc (mas acho que com os controles da Jr - não preciso de 4 pots). Atrasou porque tivemos dificuldade pra achar jacarandá pra escala. Mas o luthier Inaldo, de Florianópolis, muito gentilmente me cedeu uma bela peça. Em breve mostro a guitarra aqui.


Update 10/06/2012: Embora gostasse do visual rústico dela, achei que o mogno merecia uma "acendida". E é fácil - o mogno mais comum é esse marron, mas quando tingido de vermelho ou roxo e coberto com verniz, fica lindo. Como resolvi trocar o captador do braço, já que esse humbucker tava soando algo abafado e gordo, aproveitei e fiz o trabalho de embelezar o mogno. Usei corante anilina para madeiras da marca Salisil e da cor "Mogno", que na verdade é roxo. O roxo com o marrom natural do mogno resulta num tom avermelhado muito bonito.

Na posição do braço,adaptei um single (Rosar Fullerton) para que coubesse na moldura de humbucker . Aproveitei e coloquei um Rosar Mojo 13 na ponte - é um captador mais orgânico e natural que o próprio Gibson 57. Troquei ponte/stop tail e molduras para metal enegrecido.
Tone control apenas para o captador single (50's wiring), já que o pot de volume é de 500k.

O visual novo dela tá assim:




Antes que perguntem, para adaptar o single numa moldura de humbucker, recortei um pedaço de escudo de strato velho pra que coubesse por dentro da moldura do humbucker.
A Guitar Fetish vende adaptadores prontos.

DEMO MP3
Nessa demo (antes da troca de captadores em 6/2012) estou usando sempre o captador da ponte (um Gibson 57 Plus modificado). Simulações do Amplitube: na direita, um JTM e na esquerda o Blues Jr com o pedal Moller (saturação). O solo é um Tiny Terror no talo. Como é uma guitarra de mogno com humbuckers, a sonoridade dela lembra a da Gibson SG, então fiz um tema no estilo ACDC/Hard Rock:



segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Guitarra AXL (SRO) Strato



Eu andava lendo várias coisas legais na internet sobre essa empresa californiana relativamente nova e a série "Badwater" me chamou a atenção pelo padrão "relic" de fábrica. Sabia que quase toda a produção é feita no oriente, as "USA" são montadas e envenenadas lá e os reviews invariavelmente positivos, ppte se considerarmos o preço.

Quando vi uma SRO à venda na Barra Music no RJ, por volta de 700 reais, comprei-a num impulso de GAS (Síndrome de Aquisição de Equipamento) do tipo "fiquei cego surdo e mudo" e só voltei à razão depois de ler "sua compra foi efetuada com sucesso" - hahahá :))
No mesmo dia vi no ML essa guitarra por 550 reais. Bem, coisas da vida.
A guitarra é realmente muito legal, padrão strato HSS, corpo de alder um pouco menor e mais fino e com um interessante processo artificial de envelhecimento, desenvolvido pela própria AXL.
Coisas de quem sofre de GAS: quando abri a caixa foi que caiu a ficha: "PUTZ! É uma strato HSS!"

Prá quem leu meu post sobre o "problema das guitarras HSS" sabe que eu tenho várias reservas em relação a essa configuração. Tenho duas HSS e tô de saco cheio delas. Se fosse uma strato padrão, era só trocar o escudo para SSS e beleza, mas o desenho do escudo e as cavidades dessa AXL são diferentes.

Tentei algumas configurações de captadores, mas no fundo eu já sabia que era perda de tempo e teria que enfiar uma mini chave pra colocar o Humbucker num pot de 500 e os singles num de 250.

Semana passada tomei uma decisão: vendê-la! Recolocaria os captadores originais (EMG designed, ou seja, feitos na china) e até os selos originais que havia guardado. Ela praticamente estava zerada...

Num último impulso, pra tentar manter meu status de "nunca ter vendido uma guitarra" (exceto uma Carvin há 20 anos, mas meu irmão que vendeu),  peguei um escudo de strato branco single layer, recortei grosseiramente com uma tesoura de placa de metal, lixei com a Dremel pra fazer as curvas, reposicionei o corte da chave de 5 posições e depois, a parte mais difícil: transformar um plástico branco num que ficasse adequado para o "visual" dessa AXL. Tentei alguns truques, vários tipos de tingimento e finalmente consegui com uma mistura de anilina de madeira, café, mostarda e uísque (não me lembro as medidas!!).


Acabou dando certo! :) Gostei do resultado final, me livrei do botão próximo ao captador da ponte e aproveitei que tava desmontada e troquei o bloco da ponte por um mais pesado (o original é muito leve). Pots de 250k e capacitor .047uf, exatamente como uma boa strato!
Coloquei 3 excelentes singles Sérgio Rosar Fullerton (semelhantes aos Fender CS 54) e agora ela tá um brinco de ergonomia (pra mim). Gostosa de tocar, timbre de strato ligeiramente mais macio, mas bem ressonante, com twang e tudo de direito.
Mais uma que fica por aqui... :)



Demo: Solo com o Sérgio Rosar Fullerton do braço (Amplitube estéreo: Fender Pro Jr e Tiny Terror)

domingo, 7 de agosto de 2011

Update da Cort KX Custom - Mistério resolvido!

Agora ela tá assim:
Ao retirar o verniz, descobri que a camada de maple era bem maior (e a de mogno menor) do que eu ingenuamente supunha...
Link para a aventura: clique aqui

sábado, 6 de agosto de 2011

Captadores Parte II: IMÃS

(Não leu a Parte I - Conceitos Básicos? Clique aqui)

Os magnetos, ou imãs, são o coração do captador e suas características e materiais determinam grande parte da sonoridade deste. Quatro tipos de imãs industriais são mais comumente usados (em ordem crescente de potência): Alnico, Ferrite, Samarium Cobalt e Neodymium. Todos são bem resistentes ao calor e corrosão.

1) - ALNICO. É uma liga formada por Alumínio, Níquel e Cobalto ( e Ferro). O Alnico foi o primeiro tipo de liga magnética desenvolvida, portanto é o mais antigo da família dos magnetos. Foi desenvolvido para uso comercial por volta de 1940 e é composto por porcentagens específicas (mas que podem variar um pouco entre os produtores) de Alumínio, Níquel, Cobalto e Ferro (Ex: AlNiCo V: 15%Ni, 25%Co, 9%Al, e 48%Fe). A combinação dos componentes pode variar, gerando ligas de Alnico de diferentes potências, que são numeradas em algarismos romanos, com ordem crescente de potência: II, III, IV, V, etc. Ainda não encontrei uma informação exata, mas me parece que o Alnico III é mais fraco que o II. Os mais usados são o II e o V.
Todos os captadores de 1940 até início de 1960, com raras exceções, usavam ALNICO. Seu "timbre" é mais macio, ou pelo menos, sua resposta ao ataque da nota é mais natural, além de refletir bem as ressonâncias das cordas e madeiras.
O Alnico II, por ser mais fraco, tem menos ataque e mais médios que o V. Esse, por sua vez, apresenta graves e agudos mais definidos.


2) Ferrite (ou Cerâmico) - Strontium Ferrite - O imã de Ferrite é manufaturado desde 1954 e nasceu como uma alternativa de baixo custo para o Alnico. Resulta da combinação de Estrôncio e Ferro, inicialmente em pó, depois prensado e aquecido a altas temperaturas, adquirindo um aspecto "cerâmico".
Devido a sua estrutura, nos captadores é usado apenas em forma de barras.
O Ferrite soa mais agudo, seco, com mais ataque e realça menos as ressonâncias que o Alnico.


3) Samarium Cobalt - Assim como o Neodymium, é formado por minerais raros (Rare Earth Magnets) e é bem mais potente que o Alnico ou Ferrite. Usado em alguns captadores, como os Fender SCN (Samarium Cobalt Noiseless).

4) Neodymium - Magnetos de extrema potência, mas atualmente usados mais em alto-falantes

Essas ligas são magnetizadas em máquinas específicas através de pulsos eletromagnéticos. Por curiosidade, o Neodymium é tão potente que ele próprio pode magnetizar/desmagnetizar o Alnico.
A maioria dos produtores de captadores magnetiza o Alnico somente após o captador montado.

Mas o que interessa para o guitarrista?
Nos interessa tão somente o TIMBRE que diferentes tipos de magnetos podem nos proporcionar. E a influência no timbre não depende apenas do material e força magnética, mas também da posição do magneto em relação à(s) bobina(s).
Vamos dar uma geral:

Nos Singles clássicos, os pinos de alnico estão no centro da bobina. Isso gera um timbre mais seco, com mais ataque e brilhante.


Já nos Humbuckers, a barra de alnico localiza-se embaixo das bobinas, transferindo o magnetismo para os parafusos.


O P-90 é exatamente um meio termo entre eles, pois tem apenas uma bobina (é um single), mas duas barras de alnico (uma de cada lado, polaridades inversas) magnetizam os 6 parafusos centrais.
 
Claro que cada captador tem sua sonoridade não apenas pela estrutura magnética e sim pela estrutura global, mas eu diria que o imã contribui com pelo menos 50% disso...
Esses são os 3 tipos básicos de captadores que utilizam Alnico, mas outros excelentes, como os Gretsch DeArmond, Dynasonic e Filtertron devem ser mencionados (por favor, procure pelas especificações da guitarra do Malcom Young/ACDC :) ). Aliás, os DeArmond e Dynasonic são singles incríveis - veja os links de vídeos abaixo.

A partir dos anos 60, gradativamente o alnico foi sendo substituido, nos captadores mais baratos, pelo ferrite. Nos anos 80, com os humbuckers de alta potência, o ferrite passou a ser uma opção até para captadores mais caros porque o aumento do número de voltas/resistência diminui os agudos e o ferrite é um pouco mais agudo que o alnico. Em captadores de baixa saída (os clássicos), ele soa estridente, mas pode ficar muito bem nos outros.
Uma mutreta que não dá pra encarar é um single que, ao invés de usar pinos de alnico, tem uma barra de ferrite embaixo magnetizando pinos de metal. São os que abundam por aí nas guitarras chinesas baratas. Veja:

Aqui no blog eu fiz um tutorial sobre como transformar um single de ferrite em alnico: Clique Aqui

Alguns humbuckers de alta potência, mais de 17k geralmente, precisam utilizar 3 barras de ferrite (uma central maior e duas laterais menores), senão soariam abafados demais.
Se tens curiosidade de saber se o teu single coil é cerâmico, é só procurar pela barra. Ou observar o brilho dos pinos - geralmente o alnico é mais fosco e nunca é niquelado.
Os imãs de ferrite são escuros e os de alnico via de regra têm aspecto de aço escovado (embora hoje em dia, alguns captadores vintage e caros utilizem alnico não polido).
Pessoalmente, nunca ouvi um captador feito de ferrite, de baixa/média saída, que soasse natural ou bonito. Alnico na cabeça! :)
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Pra ilustrar o post geral sobre captadores, vou colocar links para exemplos clássicos de captadores clássicos. Entre os caras, ninguém melhor do que o Phil X pra isso:
Um single DeArmond (Gretsch Duo Jet 1953):

Um single P-90 (Les Paul 1955) - ouça também a parte com saturação, por favor! :)


Um Humbucker PAF:

Stratocaster 1957 e seus singles (essa todos conhecem - ouça também Mark Knopfler, Eric Clapton, John Mayer, Hendrix e dezenas de outros mestres):


E pra finalizar esse post sobre captadores, um excelente vídeo com o Gary Moore (RIP) tocando só guitarras clássicas e captadores clássicos num Orange Tiny Terror (o pedal, ligado eventualmente, pode ser um Tube Screamer mas é mais provável um Digitech Bad Monkey).
A Telecaster dele é do mesmo ano da minha (1968)! :)


Captador é um assunto fascinante e inesgotável. Ficamos com o básico por aqui. Eventualmente voltarei com mais alguma coisa.
Abraço!

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 COMO TROCAR BARRA DE FERRITE POR ALNICO EM HUMBUCKERS

Ôps! voltei mais cedo do que eu imaginava! :)
Quando postei o tutorial para colocar pinos de alnico em singles cerâmicos, faltou explicar o processo num Humbucker, trocando a barra cerâmica/ferrite por uma de alnico. A barra de alnico custa por volta de 14 reais na captadores.com br. Geralmente o alnico II fica melhor em captadores mais fracos (até 8k), da posição do braço e o Alnico V na ponte, mas nada é definitivo aí.
Vamos lá:
(Antes de tudo, deixo bem claro que, embora simples e rápido, esse é um procedimento que pode danificar o captador, pois existe a possibilidade de romper os finíssimos fios de cobre. Faça o processo com muita atenção e cuidado.)

Se o captador tiver a capa de metal, ela geralmente é soldada. Use um ferro de solda (mínimo de 40 watts nesse caso) para soltá-la.
Lembre-se que a maioria dos captadores são parafinados - é comum desprender alguns pedaços de parafina. A barra cerâmica raramente é colada, mas pode estar levemente presa pela parafina, portanto, pode ser necessário usar a ponta de uma chave de fenda como alavanca para desprendê-la. Sempre com muito cuidado para não romper os fios.

1). Inicie retirando os 4 pequenos parafusos que prendem as bobinas à placa de base:



2) - Vire a tampa da base com cuidado para expor a parte de baixo das bobinas e a barra de imã cerâmico:
Atenção para a região circulada - é onde estão as sensíveis ligações. Nunca estique ou puxe essa parte. Apenas afaste-a para o lado e no final recoloque-a no lugar.


3): Antes de retirar a barra, coloque uma bússola uns 3-5 cm sobre ela (ex: posicione o norte para os parafusos), veja para que lado a bússola aponta e anote. Retire com cuidado a barra cerâmica e coloque a barra de alnico no lugar dela, seguindo a mesma orientação da bússola.


Por último, é só recolocar os parafusos de fixação.
Não adianta muito colocar barra de alnico em captadores de alta saída, mais de 15k, por exemplo, pois o som pode até piorar, soando mais abafado. Em captadores de até 9k, vale a tentativa - o timbre deve ficar mais macio e dinâmico. Assim como nos singles, dificilmente a troca de imãs irá transformar um captador ruim num bom, mas pode melhorar bastante sua sonoridade.