quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Dumble - A Lenda.

Oscar Isaka Jr





Todo mundo conhece o nome Dumble e o associa a uma característica: BOM TIMBRE!

Acho que eu mesmo só conheci os Dumble depois que o John Mayer virou uma hype total e todo mundo (incluindo eu) queria saber da onde vinham os timbres da época mais Blues da sua carreira. Só depois de pesquisar que descobri que o timbre DUMBLE estava muito mais presente na minha memória auditiva do que eu poderia imaginar pois um verdadeiro exército de guitarristas que eu gosto já usaram ou ainda usam amps Dumble em seus setups. Eric Johnson, Stevie Ray, Santana, Robben Ford são só alguns dos mais famosos.

Todo nós conhecemos o timbre Dumble, seja através das mãos dos nossos ídolos que os usam desde sempre ou pelos inúmeros vídeos dos originais e clones que temos no YouTube, mas pouco conhecemos sobre a cabeça por trás dessas máquinas. Na verdade existe muito pouco material sobre Alexander Howard Dumble na internet ou em qualquer outro meio de comunicação. Não há livros, não há registros oficiais, apenas algumas menções e aparições esparsas de um homem aparentemente muito reservado. Outro dia no Facebook um dos integrantes do nosso grupo deixou uma pergunta

"O que são os amps Dumble? O que os torna tão bons?"

A pergunta é muito genérica (experimente fazer a mesma pra Fender ou Marshall :-) ) e até soa preguiçosa num primeiro momento, mas faz todo sentido pois se quase não há informação em geral sobre o cara, não vai ter nada (ou quase nada) em português.

Ainda vamos tratar desse assunto novamente aqui no Blog, mas num primeiro post, decidi traduzir um artigo que achei numa Guitar Player antiga (Setembro de 1985) que tem informações básicas e uma ótima entrevista com o próprio Dumble, para termos uma ideia de quem é Alexander Howard Dumble.


O Mago dos Amplificadores Howard Dumble

Por Dan Forte/Guitar Player, edição de setembro de 1985 (Tradução Oscar Isaka Jr.)



         Jackson Brown vaga meio preocupado pelo backstage do San Francisco Cow Place. "Onde está Lindley?" ele pergunta ao seu Diretor de Turnê[...] "Subimos ao palco em 15 minutos!"

A porta ao final do corredor do backstage é esmurrada por uma onda de licks de LapSteel cheios de "gordura" e "sustain". No interior, Lindley destila seus acordes cheios e riffs claros, numa pequena salinha. com sua guitarra Havaiana no colo, através de um amplificador de aparência simples e rudimentar. 

"Eu quero esse, Howard," diz David a um homem de grande porte que estampa o sorriso de um pai orgulhoso no rosto. "Não um desse modelo, não um parecido com este, mas quero ESTE mesmo OK?"

"É só um protótipo" diz Howard Dumble.
"Beleza" diz Lindley, "Eu vou levá-lo."

David Lindley é conhecido por usar uma vasta coleção(mais de 100 instrumentos) de guitarras exóticas. Mas na estrada, ele usa somente uma marca de amplificadores, fato que deixa Howard Dumble orgulhoso. Como disse Lindley a Guitar Player nume entrevista em Julho de '77, "Eu tenho um monte de amps pequenos, mas sempre uso os amps Dumble na estrada, pois eles nunca quebram. 

"Levei um velho Fender Deluxe até Howard e disse: Quero ESSE som, mas com um timbre maior e mais alto, e ele conseguiu o que eu queria melhor do que qualquer outro."

Howard Dumble, nasceu em Setembro de 1945 e cresceu em Bakersfield na California, começando a construir rádios com 12 anos de idade. Conheceu a guitarra aos 16 (trabalhando inclusive como músico de estúdio), e em 1965 construiu uma série de amplificadores para a marca Mosrite que foram utilizados pela banda Ventures. Com o dinheiro de uma longa turnê na qual participou,
Dumble conseguiu financiar sua primeira aventura: sair de sua construção de garagem para uma oficina de amplificadores em 1968, em Santa Cruz na Califórnia. 


No ano seguinte, Dumble lançou seu amplificador modelo Explosion (o protótipo original ainda funciona) que mais tarde veio a ser conhecido como o famoso Overdrive Special. Sua linha de amplificadores atualmente inclui 7 modelos básicos: o Overdrive, o Steel-String-Singer, o Winterland e o Dumbleland para baixo, a unidade de Rack Phoenix, um direto Dumbleman de 50 Watts, o Dumbleator-- um conversor de impedâncias para uso no loop de efeitos-- e uma unidade de reverb chamada de Big Tex. Desde o começo, ele se mantém sozinho em sua oficina construindo manualmente todos os amps. peça a peça. 



Mesmo com seus altos preços -- um Head Overdrive de 100-watts custa $1,920.00; o Steel-String-Singer e o Dumbleland por $5000,00 sem nenhum opcional-- os amps Dumble estão sempre em alta demanda, mantendo Howard muito ocupado para suprir seus consumidores. Além de Lindley e Browne, sua impressionante lista de clientes inclui Larry Carlton, Bonnie Raitt, Graham Nash, Robben For, Stevie Ray Vaughan, Jay Graydon, Ry Coode, Tom Verlaine, Eric Johnson, Steve Lukather, Dean Parks, Carlos Rios, The Beach Boys, Christopher Cross, Tiran Porter, Jimmy Haslip, Jerry Miller, Thom Rhotella, Randy California, Terry Haggerty, Rick Vito, Kenny Loggins e muitos outros   (* obs: lembrem-se que esse texto é de 1985 - imaginem hoje). 

Discutindo o que há de tão especial sobre seus amplificadores, Dumble usa a estética mais do que termos técnicos. "É assim que funciona,"ele enfatiza. "É a influência emocional que realmente importa; a tecnologia é secundária - é somente um veículo. A ideia é realmente se divertir."

O exímio improvisador Henry Kaiser adiciona ao tema sobre o que faz os amplificadores Dumble diferentes do resto: 
"Numero 1, você pode jogá-lo de um prédio de 4 andares, trocar as válvulas que quebrarem, e ele vai funcionar perfeitamente. Aparenta ser o mais durável amp já contruido. 
Numero 2, a mim parece que o Howard calibra cada amplificador individualmente de ouvido, fazendo-os maquinas sofisticadas de timbres e texturas sonoras. Por conta do meu interesse anormal de explorar novos sons e timbres, eu preciso ter uma vasta carta de opções tonais a meu dispor. Eu tenho pelo menos 4 vezes mais opções num Dumble do que eu teria em qualquer outro Amplificador. Todo o resto soa terrível e eu me sinto péssimo tocando em qualquer outra coisa -- exceto por um Fender Champ."

Em agosto de '77, Lowell George da banda Little Feat foi mais sucinto. "É como um Fender feito corretamente," disse ele sobre seu Dumble. "É o melhor amplificador que eu já tive a oportunidade de tocar"...



ENTREVISTA:


Seus amps têm a reputação de nunca quebrarem. Como você os constrói para tanta durabilidade?

Esses são segredos guardados. Na verdade, se você desmontar um amplificador meu, você não conseguirá detectar como eu faço. Eu definitivamente tenho meus segredos que fazem o amplificador ter o timbre e durabilidade que tem. Com a maioria das companhias, é somente uma aplicação equivocada da tecnologia. Você não precisa destruir o produto, não precisa de um Variac para ter bons resultados. Eu presto uma atenção extrema a cada conexão e sei quais os componentes que duram e quais não.




O que fez você optar pela área da eletrônica?

Eu amava música. Música sempre foi uma grande paixão. Eu ouvia Les Paul e Mary Ford quando criança. Vindo de uma família de engenheiros, meu pai participou do desenvolvimento de um dos primeiros câmbios automáticos, então não foi muito difícil absorver tecnologia, pois estava em todos os lugares na minha casa. Ganhei uns trocados no colégio fazendo amplificadores transistorizados quando jovem e vendendo por $5 cada. Tudo ia muito bem até um dia todos tinham um e um professor me pegou...

O que o inspirou a fazer um amp?

Eu estava no segundo grau e esse cara chamado Jack Smith me pediu para construir um equipamento para a associação de Baseball. Ele disse que tinha acesso a "uma montanha" de peças, então eu concordei. Fomos ao seu depósito e pegamos tudo o que precisávamos - e tudo de graça. Construímos esse monstruoso amplificador de 200Watts para que eles pudessem fazer anúncios nos jogos de baseball. Até onde eu sei, esse amplificador funciona até hoje. Depois, eu e o Jack fizemos alguns amps baseados no Fender Dual-Showman, e apesar de não conseguirmos os transformadores originais Fender na época, soavam muito bem pois usamos transformadores David Hafler.

Antes de construir seus próprios amps, você chegou a desmontar outros como Fender e Gibson?

Eu posso desenhar alguns desses esquemáticos de cor[risos]. Claro, tive que absorver outras abordagens. Na verdade, minhas antigas modificações de Fender nos anos 60 tinham a mesma abordagem que muitos dos amplificadores High-Gain que vieram bem mais tarde.

Como você chegou a fazer os amps dos Ventures?

Eu tinha 18 anos de idade numa escola em Bakersfield e fui conversar com Semie Moseley (criador das guitarras Mosrite), que era a única pessoa a quem eu tinha acesso lá. Eu entrei do nada e já fui dizendo, "Eu tenho algo que soa completamente único. Você precisa escutar." Ele ficou surpreso e disse "Isso é a melhor coisa que eu já ouvi " e ofereceu para se associar a mim para a construção de 10 amplificadores. O negócio era de que ele compraria as peças e me pagaria $90,00 por semana por aproximadamente 4 semanas, e depois disso eu trabalharia de graça. Mesmo assim, eu ainda tinha que construir 10 amplificadores - com 18 anos e sendo somente um moleque. Eles se chamaram Mosrite Amps, mas eram meu projeto. Na verdade eu construí 11, pois eu ainda tenho o protótipo original. Os Ventures tiveram a oportunidade de testá-los e ficaram realmente impressionados, mas os amps soavam um pouco Rock demais para eles. Queriam que eu me juntasse a eles, mas eu recusei e voltei a tocar nos estúdios e bandas de rock locais.

Seus amplificadores tinham alguma qualidade que faltava às marcas comerciais daquele período?

Sim, eu definitivamente os fazia para que tivessem maior abrangência sonora, com mais frequências. Uma das coisas que eu notei nos amps de guitarra mais antigos era o fato que eram bastante limitados, especialmente nos graves. Você precisa ter muito cuidado e garantir que seus médios e agudos ainda respondam de maneira apropriada e eu descobri isso desde o começo. Você não pode construir um amp Hi-Fi e esperar que ele soe bem com guitarra, Simplesmente não funciona assim pois a curva tonal é completamente diferente. Eu descobri que se você adicionar um pouco de graves nos estágios de pré amplificação do circuito a coisa toda fica muito mais saborosa e divertida de tocar.



 Desde que você começou, a filosofia Dumble evoluiu?

Eu tento ser flexível. Eu sempre soube que tudo o que eu me propuser a fazer deve ser feito com a melhor das intenções, nunca ter nada mal feito ou meia-boca, sempre ter certeza de que funciona perfeitamente e que o visual também está perfeito. As técnicas que eu uso para obter os sons que eu busco sim, evoluíram extensivamente. É um processo de crescimento e essa é a parte mais difícil de se manter num único negócio pois você está sempre pensando em maneiras diferentes de faze-lo. Eu tenho mantido o Overdrive o mesmo, mas os outros modelos são abertos à flexibilidade.

Quais as mudanças sofridas pelo Explosion original até que o Overdrive Special fosse concebido?

O circuito mais ativo mudou bastante e o circuito responsável pelo timbre também. O que se manteve o mesmo foi a maneira de processar o sinal após o estágio de pre-amplificação. A maioria dos amplificadores de alto ganho usa um boost de ganho no pré amp mas eu já não uso isso desde o final dos anos 60. Eu descobri que tentando construir o sinal muito cedo nos estágio de pré amplificação há uma tendência de sobrecarregá-lo e isso gera efeitos "não-harmônicos", Sem contar com problemas das válvulas, com um resultado final extremamente não musical. Então meu objetivo era conseguir aquele maravilhoso "OMMPH" (corpo/presença equilibrada de graves) e sustain com toda a riqueza harmônica das notas sem nenhum desses problemas eletrônicos.



Você já fabricava o que viria a ser o Dumble Overdrive, antes de fazer o Steel String Singer?

O Steel String Singer veio depois, mas na verdade eu já estava começando a fazer uma série chamada Dumbleland em meados de 66, que eu ainda produzo até hoje. Esse foi o precursor do Steel String Singer. Eu não mudei muito dele, mas era um projeto muito à frente do seu tempo. Tinha muita potência e era muito limpo para as pessoas em geral, mas era perfeito para Stevie Ray (Vaughan). Ele tinha dificuldades de tocar num Overdrive.



Por que o Overdrive é tão sensível?

A maneira de lidar com o sinal é diferente no Overdrive pois trabalho com níveis de ganho muito intensos. Dentro de uma região linear, eu tenho uma capacidade de ganho de sinal na faixa de um milhão. Se eu entrar com 10 microvolts, eu recebo 10 microvolts de volta, e consigo isso de maneira muito estável e muito musical. A melhor maneira de encarar o Overdrive é de uma forma lenta, olhe todos os knobs e deixe o volume baixo. Saiba o que fazer com seus dedos para que ele responda bem ao seu toque. Sinta o amp! Ele tem a tendência de assustar as pessoas se não for assim devagar. O controle secreto do Overdrive é o knob de Ratio, que controla o quanto de sinal de overdrive é alimentado de novo ao circuito. Se você aumenta-lo, é ROCK CITY!


Quais as diferenças do Overdrive Special standard para o customizado para David Lindley ?

Eu modifiquei um capacitor para que a resposta dos agudos fosse um pouco diferente, mas o circuito é basicamente o mesmo.


O Lindley disse que que para alguns dos sons que ele busca, você pega emprestados a guitarra e seu Dumble para "casar" os dois..?

Sim é verdade. O amplificador responde de maneira diferente a cada guitarra para se obter alguns efeitos específicos. Eu preciso usar a guitarra do guitarrista em questão para ajustá-lo e não nenhuma das minhas. Essa é uma das grandes coisas do bom amplificado, ele não modifica o DNA da guitarra para um som homogêneo, mas simplesmente expande o sinal original. O amplificador é uma parte importantíssima da geração sonora, mas precisa ser extremamente responsivo ao que guitarra envia para ele. A filosofia que eu tento seguir é que o amplificador vai ajudar você a gerar o som que você ouve na sua cabeça.

Stevie Ray gosta de chamar seu Steel String Singer de "King Tone Consoul"

Tem algumas coisas diferentes no amp do Stevie. Ele é calibrado mais como um amplificador de baixo, modificado para acomodar as frequências de guitarra. Não é o que a maioria dos guitarristas solo usam. Uma das coisas que ele gostava é que ele podia levantar o volume até o máximo e ainda assim não distorcia, só ficava com mais volume. Ele o fazia distorcer algumas vezes por causa da sua pegada de 50 megatons de pressão, o que gera um sinal incrivelmente alto vindo de sua guitarra, o que muitos amplificadores simplesmente não suportavam. Ele gravou seu primeiro álbum com um amp de baixo que eu fiz para Jackson Browne.



Alguns guitarristas descrevem o Dumble como  uma versão do Fender Deluxe, mas com mais durabilidade, eficiência e potência. 

É uma maneira boa, porém limitada de descrever. O pequeno Deluxe tem algumas qualidades importantes, pois você consegue um grande conteúdo harmônico em volumes baixos. É realmente agradável, especialmente quando se toca sozinho. O problema é que esse som não é eficiente numa sala maior. Então uma boa analogia seria dizer que eu tento fazer algo confortável e musical, mas numa escala maior de potência mas pra isso acontecer e a analogia para por aí. O circuito é todo diferente e único para que eu consiga o resultado que eu quero. É como eu trato o circuito e como processo a inversão de fase.


Você pode "Dumbleizar" um amp Fender ao ponto dele entregar o som Dumble?

Seria uma escolha. A própria construção física do Fender limita o que pode ser modificado. Na verdade depois da ultima mod que eu fiz no Steel Sting Singer para David Lindley, ele não usa mais o Bassman que eu modifiquei pra ele. Ele buscava máxima transparência e resposta, como se flutuasse nas nuvens, então desenvolvi um circuito especial para isso. Eu posso usar um chassis Fender, mas preciso tirar tudo de dentro e refazer praticamente do zero. Tudo fica meio apertado, e as vezes meio centímetro faz muita diferença em como algumas coisas soam. É uma ciência que envolve o que chamamos de "constantes de circuito".


Ao invés de uma única chave de "Bright/deep" (brilho e profundidade), a maioria dos seus amps tem uma chave dedicada para cada controle. Você pode usá-los ao mesmo tempo?

Pode apostar que sim. O som vai ser vistoso nos graves que flutuam e os agudos cristalinos e macios como seda.


Quantos watts têm os vários modelos?

Os overdrives têm 100Watts, mas com chave para 50 e eu faço um modelo especial com 150Watts que é extremamente divertido. A escala de potência começa no Hotel Hog de 25Watts até o Winterland de 450Watts (baixo).

Existe um amp que seria o ultimato em timbre para você ou o Overdrie e o Steel String Singer são monstros muito diferentes para serem combinados? 

Na verdade a linha Phoenix é onde eu fiz isso, combinei ambos numa unidade de Rack. Você pode comprar todos os preamps separados com ou sem overdrive e a escolha entre powers de 50, 100 ou 150Watts, e juntar como quiser. A seção overdrive é expandida, ao invés de dois controles temos 4.

Após experimentar com vários auto-falantes, o que você prefere?

Eu experimentei de tudo e tem muita coisa que eu gosto. O mais versátil é o Electro-Voice, mas todos os fabricantes incluindo Altec e JBL fazem falantes maravilhosos para tarefas específicas que outros falantes não podem fazer. Eu divido falantes em duas categorias: os eficientes e os com baixa eficiência e ambos são super úteis. Falantes com baixa eficiência são os Celestion, Jensen e PAS e por uma questão de construção física não alcançam a mesma eficiência por watt como os EV ou JBL e existe uma vantagem nisso. Você consegue que o amplificador trabalhe mais, com menos volume acústico e uma estrutura harmônica unica e diferente também. Eu amo o som dos JBL especialmente para acordes, mas tive muito trabalho com um cone de 4 polegadas trabalhando de maneira não linear fazendo a bobina entrar em curto com a estrutura magnética. Os Altecs não faziam isso, então usei-os até 1979 quando a EV lançou a linha EVM.

Como sua filosofia de gabinetes contrasta com a de outras companhias?

Eu acho que a minha é diferente, pois eu não acredito numa estrutura simples de "Baffle" (defletor) com 4 laterais. Tudo é projetado para responder no timbre, e até meus gabinetes "open-back" usam o ar de maneira otimizada. É um processo contínuo de descobrir coisas que são úteis. Definitivamente existe uma técnica para projetar e desenvolver gabinetes para que exista um processo de inversão e utilização do ar movendo. Eu faço o ar responder de maneira a estar numa relação "em-fase"tanto na frente quanto na parte traseira do gabinete, de maneira que eu uso mesmo número de falantes para gerar quase o dobro de som.

Dumble e Crhistopher Cross em 1986 (amp Dumble 300 SL)


Isso afeta a qualidade do timbre?

Sim, os graves ficam absolutamente lindos. Você sente como se estivesse flutuando num campo de futebol cheio de marshmallows e adiciona uma qualidade vocal nos médios que coloca seus solos la na frente. Funciona especialmente bem para Slide, e é o gabinete que Lindley e Lowell George usavam.

Existe um alvo emocional você ainda persegue? Ou seria mais de um?

É todo um panorama. Eu não gosto de ficar confinado. Existem centenas, talvez milhares ou milhões de timbres de guitarra válidos. Quando o ar se torna elétrico, esse é o timbre perfeito, não interessa qual ele seja. É o som que excita os sentidos e cada um tem o seu!


Guitar Player Magazine - September 1985  (http://personalpages.manchester.ac.uk/staff/rob.livesey/dumble/Articles/)

Obs: infelizmente existem poucas fotos e vídeos de Alexander Dumble. Abaixo duas pequenas aparições em vídeos.
(Paulo May:) Mais triste ainda é ter que ouvir um maluco e mala como o Henry Kaiser "apagando" o Dumble no vídeo. Se o Oscar me permitir fugir do tópico, nunca ouvi um cara mais chato que esse Henry Kaiser - PQP!. Não entendo como o Dumble entrou nessa roubada...




32 comentários:

  1. Parece que tem alguém aí na GAS....

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  2. Ei, obrigado por reservar esta leitura tão interessante para esta sexta-feira 13, véspera de Carnaval: já tenho como ficar entretido até pelo menos a próxima quarta-feira, rsrsrs... Este blog é um oásis!

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  3. Muito Boa a Matéria .. !! Parabéns!!

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  4. Excelente matéria !!!!! Sou apaixonado por esse timbre!!! O Timbre que o Robben Ford tira nesse vídeo ( https://www.youtube.com/watch?v=oRil3JBW35c ) é simplesmente sensacional!!! Uma dúvida me atormenta : Esse timbre sempre me remete a um bom som clean Fender!!!Teria alguma alternativa para obter esse timbre(estou falando do amplificador , jamais chegarei perto da pegada do Robben kk ) ? Vi que vcs elogiaram bastante os Pedrones, venho namorando algum tempo o Super Clean... sei que a alternativa mais obvia seria o clone que ele faz do próprio Dumble ...

    Mais uma vez parabéns pelo blog!!

    att Ulisses Lima

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    1. Eu tenho um clone de Dumble e é realmente complicado chegar nesse timbre de outra forma que não seja com um desses amps, mas uma alternativa realmente seria o Super Clean do pedrone com algum pedal de boost na onda dos klons. Tenho um Super Clean e uso bastante ele dessa forma, soa muito bem

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  5. Legal o post do Dumble.
    Pelo preço cobrado pelos seus amps, devem soar diferenciados mesmo em ouvidos calibrados.

    E o Paulo tem razão, pelo menos no vídeo do post, o som desse Kaiser não empolga rsrs
    Mas tudo é questão de gosto.
    Até mais.

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    1. rsrs os videos são mais pra mostrar a cara do Alexander em persona do que o som dos amps. rsrs!!

      Valeu marçal!

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  6. Excelente o post e essa é entrevista é um achado! Também só conheci o nome "Dumble" pesquisando pelo timbre do Mayer, e hoje pra mim o Dumble é uma das partes mais importantes do melhor timbre de blues, que é do Robben Ford. Mais uma vez parabéns pelo post!

    PS: Vcs ainda estão devendo uma matéria sobre o Pedrone Overdone.. hehehe

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    1. Calma Alexandre, logo vai vir o post sobre o Overdone! :-)

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  7. Muito bom o Post! Aliás, primeira vez que comento aqui, mas já tenho acompanhado o blog há uns 2 anos e aprendi muita coisa bacana sobre guitarras de excelente qualidade. Estão de parabéns Paulo e Oscar. Em breve penso em montar uma strato com as dicas adquiridas aqui.

    Sobre o Dumble, tenho um T Miranda Overdrive 50s, que é uma cópia do Overdrive Special. Recomendo muito vocês conhecerem! Nunca toquei com um Dumble original, mas pelo que eu já ouvi em videos, garanto que o timbre dele ta no T Miranda Overdrive. É um amp sensacional, o melhor que já toquei, repleto de harmônicos lindos.

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    1. O próprio Júnior ja teve um desse amigão...mas nunca vi nenhum comentário dele por aqui a respeito desse ampli... vi na comunidade do Guitar Player!!!

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    2. Já tive um André, mas eu tive a versão 35s. É um amp legal sim.

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    3. Oscar, qual as diferenças de timbre, qualidade e etc, entre o clone do Dumble do T. Miranda e o do Pedrone? Vc sabe dizer qual chegaria mais perto do som do original?

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    4. Nunca toquei num original pra poder dizer Marcelo. Mas os dois sao amps diferentes entre si, nao da pra comparar

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  8. Excelente Post.
    Esse blog tem se reafirmado como uma das maiores fontes de informação para os amantes das 6 cordas. Parabéns mais uma vez, ao Paulo e Oscar.
    Quanto aos amps Dumble's há em alguns fóruns a informação de que Alexander Dumble passou a esconder os circuitos de seus amps, tornando assim, impossível de copiar na integra. Mesmo assim, alguns fabricante dizem tê-lo feito.

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  9. Paulo,

    Mudando de assunto (bem off topic), creio que você já deve ter visto, mas dá uma olhada nisso

    https://www.youtube.com/watch?v=zESDUh4Ic5s
    https://www.youtube.com/watch?v=RisWJFmOYrI

    abraço

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    1. Totalmente off topic, Arthur, mas valeu a pena - muito legal o vídeo do Deke Dickerson. :)

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  10. O Thiago Castro conhece o Dumble e tem mais informações sobre ele.

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    1. Sim Luiz, ele inclusive me ajudou a revisar esse texto :-) Estou ha tempos combinando com ele para fazermos uma matéria sobre os Dumble que ele tem, contando as estorias e tudo mais, mas ainda não conseguimos tempo para tal. Mas vai sair!
      Abraço!

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  11. Agradeço por essa postagem, atá então não conhecia esse gênio dos amplificadores, ainda sou muito leigo nesse universo, mas pelo que li sobre ele me fez concluir que deve ter sido uma pessoa incrível.
    Agradeço também pela preocupação em dividir o conhecimento e a experiência de vocês com os leitores do Blog, embora seja leitor a pouco tempo, achei sensacional tudo que li até agora.
    Parabéns pelo excelente trabalho, Paulo e Oscar!!!

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    1. Ainda é Rodrigo. Dumble ainda vive, embora mais anonimo do que nunca. A altíssima demanda e idade mais avançada dele (uns 70 anos) fazem com ele esteja mais focado em atender seus clientes atuais do que angariar novos. O cara é um ET mesmo :-)

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  12. Baita matéria! Esse blog é fera! E o clone da NV Ampificadores? Alguém conhece, já tocou? Em termos de visual é sensacional. Quanto ao som, pelo menos o que temos de demos disponíveis no youtube, pra mim é o clone nacional que mais tem som de Dumble. Acho que nossos demos em geral tem um som morto, complicam o que deveria ser simples, se filmassem com celular captando o som do ambiente teríamos mais noção do som do amp de verdade. Me refiro a demos de Overdone e T Miranda que tive acesso. Se assistirmos a vídeos do Fuchs ou Bludotone a diferença é gritante. Torço pra que seja a forma como captam o audio, e que não tenha tanta diferença assim nos amps. Abraço e parabéns pra galera do Blog!

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    1. Luiz, no próximo post do blog faremos uma excelente demonstração do Overdone. Tenho certeza que vais gostar.

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    2. O da NV eu nunca toquei mas tenho curiosidade! Eu tenho o Overdone hoje e como o Paulo disse vou fazer um post extensivo demonstrando e fala do dele ! Fique ligado!:)

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  13. o que você acha do clone feito pelo Nelson Verdura (NV) e do Pedrone?

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    1. O do Pedrone é muito bom! O da NV ainda no toquei!

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