domingo, 9 de setembro de 2012

Timbre de Guitarra - Como Avaliar? P2: Braços e Frequência de Ressonância

      Aproveitando que tinha quatro braços soltos por aqui, verifiquei a frequência de ressonância de cada um deles. Pra minha surpresa, o braço de maple/maple de uma strato Fender Squier soou muito grave. O primeiro, de maple canadense, é mais agudo. Isso me fez voltar à mente a velha suspeita de que até o maple que os chineses usam nos braços não é americano/canadense... Nada de novo por aí... KKKK!

O braço de Marfim com escala de Jacarandá brasileiro é o mais agudo. Nenhuma surpresa: o jacarandá brasileiro é bem mais ressonante que o indiano.

      Chamo a atenção de vocês para um detalhe importante: A FR é somente a frequência dominante, aquela que nossos ouvidos identificam como "tom". Quando avaliei no analisador de espectro do Sound Forge, pude perceber o quanto as outras frequências variam - e influenciam no "timbre" geral, inclusive na percepção de volume. E pra nós, o que interessa é o timbre final, que é o conjunto e interação das frequências.
Geralmente as frequências secundárias são múltiplas da principal. Com exceção do braço Squier de maple/maple, que tinha a segunda frequência mais alta perto de 84 Hz, a segunda frequência de todos é sempre o dobro da FR , aproximadamente.
No analisador de espectro, o braço que tem mais equilíbrio na amplitude e distribuição das frequências é o último (um Mighty Mite).

Segue o vídeo:


12 comentários:

  1. Paulo, vc identificou a FR gravando o som com o Sound Forge e jogando no analisador de espectro?

    A minha dúvida é, como identifico a frequência de ressonância de uma guitarra? (p.ex. como vc avaliou que o cedro falta algo em torno de 1,8kHz?)

    Abraços

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    1. Pedro,
      Sim. Antes processei o áudio com o plugin "Transient Shaper" para diminuir o ruído das batidas e aumentar a "cauda" das ondas, onde estão os sons da madeira.

      Qualquer corpo tem uma frequência de ressonância - basta fazê-lo vibrar devidamente. Por isso, podes obter a FR de uma guitarra segurando-a pendurada na altura do nut, sem fechar os dedos (posicione-os como aqueles pegadores de guitarra - em alça aberta) e martelar (usei o cabo de plástico de uma martelo) com cuidado no final do corpo.

      Mas a idéia aí é obter a FR de um braço ou corpo isolados, desmontados, pra tentar definir como combiná-los. Isso não garante que o resultado final será o desejado, porque em guitarra o timbre final nem sempre é a soma das partes. Ou seja, às vezes montamos uma guitarra com as melhores peças e madeiras disponíveis e no final ela não soa bem... :)
      ...Mas ajuda a ter um norte... :)

      Comparei a minha strato de cedro com outras duas Fender que tenho através de gravações. Mesmo setup, mesmo riff, mesmo guitarrista. Para o Cedro soar como o Alder, sempre tinha que aumentar uns 2-3 db na região de 1,8k.
      O mesmo acorria com a Tele de Cedro X Tele Ash.
      Daí conclui que... :)

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    2. As gravações das guitarras foram comparadas num analisador de espectro sonoro de algum plug in, certo? O Reaper teria essa opção?

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    3. O próprio SF tem um SA embutido, Pedro. O Reaper aceita VST - deve haver alguns por aí. Ou um software dedicado - acho que tem até freeware.

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    4. Obrigado, Paulo. Resolvi a questão com o T Racks Deluxe da Ik multimédia.

      Não sei se os captadores mascararam muito, mas a Tele que montei de Cedro (captador cerâmico) apresentou uma resposta parecida com a Stagg (pelo fabricante, de Alder) com Humbucker de Alnico...

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    5. Pedro, é quase impossível separar as nuances das guitarras num software de análise espectral porque ao tocarmos notas, as frequências fundamentais e seus principais harmônicos dominam o espectro e todas parecem iguais... as diferenças de timbre estão basicamente: no equilíbrio relativo das frequências e suas respectivas amplitudes (muito difícil de analisar) e no conjunto de frequências paralelas geradas pelas madeiras (que devem ser analisadas/comparadas SEM tocar as cordas). Complicadinho, mas se fosse fácil, a gente resolvia os problemas num computador! :)

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  2. Fala Paulo! eu dei "continuidade" no meu blog rs
    e gostaria que você desse uma olhada nesse maravilha(na minha opinião) que a Malagoli criou! creio que goste pois ajuda e muito nas trocas de captadores de stratos ..... segue o link:http://aprendizdeluthierr.blogspot.com.br/2012/09/escudo-malagoli-solderless-p-strato.html
    obrigado pela atenção!

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    1. Já tinha visto. Muito prático e rápido!

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  3. Fala Paulo, excelente trabalho o teu. Achei interessante o que disseste a respeito do braço da Mighty Mite. Recentemente eu troquei o braço de maple 01 piece da minha Fender MIM, por 01 de maple birdseye com escala em ébano da Mighty Mite e mesmo sem saber fazer essa análise técnica que você faz no SF, notei exatamente o que você falou de um melhor equilíbrio das frequências, fora que o ébano, pelo menos na minha opinião, oferece um timbre aveludado por igual na distribuição de frequências, com um leve destaque nos graves que me pareceram aumentar a ressonância. Um abraço

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    1. Sempre gostei dos braços da Mighty Mite, Rafael. Segundo as más linguas, eles são feitos sob encomenda, na China. Mas independente de ser verdade ou não, o que importa e que as madeiras são boas e os braços muito bem construídos. E a Mighty Mite é autorizada da Fender :)

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  4. E sobre os Warmoth, arriscaria expor algum conceito, pois já vi várias opiniões em fóruns na net conceituando os braços e corpos da Warmoth (que também é licensiada pela Fender) como melhores que os Mighty Mite. Mas em fóruns geralmente tem muita especulação e pouco compromisso com uma análise fundamentada, como as que você faz. Você já teve a oportunidade de comparar peças dessas duas marcas pessoalmente? Um abraço.

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    1. Os Warmoth são feitos (99% de certeza) nos EUA mesmo, geralmente são um pouco (alguns top de linha são bem melhores) melhores que os Mighty Mite em termos gerais (madeiras, acabamento), mas são mais caros. Alguns, acho um exagero até para os americanos.

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