domingo, 10 de novembro de 2013

MOGNO DE FIJI - o que é e o que a Gibson anda tramando...

Paulo May

         Em primeiro lugar, MOGNO é foda! Peço perdão pela palavra, mas é a única que resume toda a minha estupefação com essa madeira.
O motivo desse post é criar pontos de referência para guitarristas, já que hoje em dia a palavra "Mogno" em guitarras pode significar muitas coisas - a maioria delas não tem nada a ver com o que deveria ser o verdadeiro mogno.
Desde criança eu sei disso... Móveis de mogno eram - e ainda são - os mais desejados e valorizados. Tudo que é de "Mogno" vale mais e isso vem desde a época das grandes navegações, a partir do século XV, quando os europeus passaram a explorar madeiras tropicais.

O Mogno é uma árvore tropical da grande família das MELIÁCEAS, gênero "SWIETENIA", subdividido em 2 espécies:

1) -  Swietenia Macrophylla (Mogno Hondurenho)


Esse é o mogno VERDADEIRO pra nós, guitarristas. Também conhecido como "Mogno Hondurenho", Encontrado desde o México até o norte do Brasil (à partir do Pará em direção ao noroeste e extremo norte, ppte). Na américa do sul, também Peru (maior exportador atualmente) e Colômbia. O ponto central é Honduras e Belize e aí é que a coisa pega: para instrumentos musicais historicamente o melhor mogno é o de Honduras e Belize (Gibsons clássicas, só pra focar). Por mais que eu ouça o pessoal daqui (até botânico) jurar que o mogno brasileiro é igual, na prática tenho sérias dúvidas.
Nem preciso falar do mogno dos nossos vizinhos, deixo para o mestre luthier Bill Collings:

Bill Collings
"A lot of Peruvian mahogany can get up to 4 pounds a board foot. What we try to do is look to the areas in Belize, Honduras and Guatemala where a lot of the mahogany was originally sourced in the ‘40s, ‘50s and ‘60s. Most of the mahogany is coming out of Peru, and many companies are so big that they are buying containers of mahogany, and in those you’re getting all kinds of stuff that we wouldn’t use because of the weight.(fonte: ToneQuest Magazine)



(Tradução livre: "Grande parte do mogno peruano pode chegar a quase 2kg por tábua de 30 cm. O que tentamos fazer é procurar por áreas em Belize, Honduras e Guatemala, onde a maioria do mogno foi originalmente obtido nas décadas de 40, 50 e 60. A maior parte do mogno está vindo (para os EUA) do Peru e muitas empresas são tão grandes que estão comprando containers de mogno de todo tipo - coisa que não usamos por causa do peso")

Humm... Então provavelmente é isso. O que deve rolar por aí nas guitarras (americanas) de baixo e médio custo é Mogno peruano cheio de silica (lieralmente, "pedra") e pesado, tão pesado que os fabricantes têm que fazer furos e cavidades no corpo para aliviar o peso.

A outra espécie é a 2) - Swietenia Mahogani, também conhecida como "Mogno Cubano" encontrada desde a Flórida até Cuba e em outras partes do Caribe. É inferior ao Hondurenho.
Há uma possível terceira espécie (Swietenia Humilis), mas não vamos considerá-la porque nem é explorada comercialmente.

 "MOGNO AFRICANO"

Antes de entrar nos mognos "Africano", "Filipino", "Chinês", etc., vamos revisar a botânica. A sequência de caracterização de uma planta é: 1) - FAMÍLIA   2) - GÊNERO  3) - ESPÉCIE.

O famoso "Mogno Africano" é da mesma família (Meliácea) , mas do gênero "KHAYA" e não "SWIETENIA".

A pegadinha aí é que os caras apelam e muitos fabricantes passam a chamar de mogno qualquer madeira similar e que pertença a família Meliácea. Daí não dá, né? O Cedro é também da mesma família...Acho que 70% ou mais das guitarras de mogno que tenho aqui em casa são do gênero "Khaya"...



Mogno Africano (Khaya Senegalensis)


         É óbvio que o mogno mais desejado para instrumentos é o Hondurenho, a Swietenia Macrophylla. Mas o mogno brasileiro é, tecnicamente, a Swietenia Macrophylla e, exceto talvez pelo de origem do extremo norte da Amazônia, não tem a qualidade do melhor mogno Hondurenho. Por que? Não sei, mas eu já tive acesso a (pelo menos) 10 guitarras de mogno brasileiro e nenhuma soou mais do que bem. A maioria apenas razoável e TODAS pesadas.
Aí entramos em outro problema: independente da origem e suposta qualidade histórica, o mogno varia imensamente de qualidade, mesmo o Hondurenho e até mesmo de árvores hondurenhas separadas por às vezes poucos metros. 

Há uma declaração de 2010 muito interessante do lendário Tim Shaw (já trabalhou na Gibson e agora está na Fender (fonte: ToneQuest Magazine): 
"Now,mahogany varies enormously…was down in Belize a few years ago, and there is the mahogany that everybody wants – the light-weight, wonderfully resonant stuff, and there is the butt-ugly stuff with all the white streaks in it that is four times heavier. It all comes from the exact same species, and all of it can come from trees growing thirty feet apart from each other."

(Tradução livre: "O mogno varia demais... Eu estava em Belize há alguns anos e lá há o mogno que todo mundo quer - leve e maravilhosamente ressonante e também aquela coisa horrorosa com estrias brancas e quatro vezes mais pesado. Todos vêm exatamente da mesma espécie e de árvores crescendo a 10 metros umas das outras") Nota: a silica deixa estrias esbranquiçadas no mogno.



  
Quanto mais minerais (silica principalmente) impregnados no mogno (e isso depende do solo, clima, localização da árvore, etc.), mais pesado e menos ressonante ele será. Vocês lembram daquela guitarra Les Paul chinesa que eu coloquei num RX e tinha mais de 140 furos no mogno?


 Ela pesava 4,5 kg com os furos... Imagine sem... Aquele mogno, que provavelmente era o KHAYA africano, tinha tantos minerais que tava quase virando pedra! :)

Na década de 50 - e eu quero focar aqui nas burst de 58/59/60 - a produção da Gibson era ínfima comparada com o que é hoje. Havia mogno hondurenho de sobra e eles podiam selecionar à vontade...Naqueles 3 anos de produção das Les Paul sunburst, o total não ultrapassou 1.800 guitarras.
Em 2007, a fábrica da Gibson produzia cerca de 325 guitarras POR DIA (2.275 por semana), sem contar a produção da Custom Shop. Então, concluímos que hoje é necessária uma enorme quantidade de mogno pra atender essa demanda. E uma conclusão leva à outra - de acordo com os experts, no máximo 10-20% do mogno disponível é "bom" (leve e ressonante) - então o mogno bom é desviado para as guitarras custom shop e o restante... Por isso sempre me recusei a comprar uma Les Paul Gibson com alívio de peso :).
Complicado, né? Se a Gibson já utiliza essa quantidade enorme de mogno, acrescente os outros produtores e tente imaginar o quadro geral/mundial do consumo dessa madeira - e eu tô falando só das indústrias de instrumentos musicais. Nem mencionei a moveleira...

Porém, por volta de 2009, a Gibson finalmente colocou em prática um plano secreto que ela vinha arquitetando há um bom tempo. Codinome: "FIJI"

A GIBSON E O MOGNO DAS ILHAS FIJI



        Recentemente fiquei sabendo que, desde 2009/2010 a Gibson só utiliza mogno das Ilhas Fiji, inclusive para a linha Custom Shop. Já sabia do mogno de Fiji e do interesse e envolvimento da Gibson nele, porém não imaginei que o utilizassem também nas Custom Shop - e isso foi depois de comprar a minha R9 2013! :)
Gibson Custom Shop 2013: Mogno de Fiji, Rosewood da Índia, top de eastern soft maple americano (fonte: Edwin Wilson, da Gibson Custom Shop)

Pra explicar o que tá rolando, preciso antes entrar um pouco na história:
Nas décadas de 40 e 50 (depois da segunda guerra), americanos e ingleses transferiram milhares de mudas do mogno hondurenho (Swietenia Macrophylla) para as Ilhas Fiji, no pacífico sul. Assim como Honduras, as Ilhas Fiji eram colônias inglesas, e isso quer dizer que britânicos e americanos ainda têm forte influência na política e economia dessas ex-colônias.
A maioria aqui já deve saber que a Gibson sofreu em 2011 uma blitz severa dos federais americanos e teve sua fábrica fechada e todo o seu estoque de rosewood de Madagascar confiscado, através do argumento do "Lacey Act", um tipo de lei ambiental americana que visa preservar espécies em vias de extinção. Segundo o maluco do Ted Nugent, foi uma conspiração do presidente Obama porque a Gibson (e seu presidente Henry Juszkiewicz) sempre apoiou os republicanos... :)

Henry Juszkiewicz

Henry Juszkiewicz é muuuito esperto e já tinha uma outra porta aberta: há anos a Gibson faz doações à uma ONG de âmbito mundial chamada "Rainforest Alliance", que visa a preservação da fauna e ppte flora de países do terceiro mundo, entre outras coisas. Henry é um capitalista de corpo e alma e obviamente há um interesse maior do que "ajudar a salvar o mundo" aí. Isso cai bem na mídia e essa ONG exerce forte influência nas legislações ambientais dos países sub e ppte dos desenvolvidos.
Henry utilizou seu aval da Rainforest Alliance para ajudar o governo de Fiji a estabelecer como "oficial" o plantio e comercialização do mogno fijiano.
Uma vez oficializado no país como "Protocolo Fiji Pure Mahogany", em 2012 (numa cerimônia que obviamente contou com a presença de Henry), o governo fijiano solicitou o reconhecimento da marca/produto em 28 países, entre eles, os EUA... KKK!  No final do post colei parte do texto publicado no Timber Trades Journal Online, mas quem quiser ler a notícia na íntegra tá aqui (clique)
Não preciso dizer que a Rainforest Alliance atestou que a produção do mogno fijiano é sustentável e está de acordo com suas normas ambientais.

Clique na imagem acima para ver um vídeo institucional sobre a maior produtora de mogno de Fiji

O que muita gente deve estar se perguntando agora é se esse mogno de Fiji tem a qualidade do mogno de Honduras/Belize. Tecnicamente, já que as mudas são originárias de Honduras, sim. Vários luthiers da Nova Zelândia, que conhecem bem esse mogno (pela proximidade geográfica com Fiji), atestam que é de alta qualidade e alguns mencionam que soa mais "aberto/agudo" que o hondurenho. Não tenham dúvida, a Gibson chegou primeiro e está garantindo pra si o melhor mogno de Fiji...

É isso. A Gibson tecnicamente conseguiu comprar um país pra produzir seu mogno.

Saiba mais sobre o mogno de Fiji (clique)
Pra quem gosta de conspiração e aventura, esse vídeo é interessante: :)




SITUAÇÃO ATUAL DO MOGNO BRASILEIRO

E, enquanto isso, o nosso mognozinho aqui do Brasil, cuja comercialização havia sido proibida está voltando à cena... O Ministério do Meio Ambiente, através da INSTRUÇÃO NORMATIVA N o 7, DE 22 DE AGOSTO DE 2003, passou a permitir a comercialização do mogno, desde que conforme as regras do "Plano de Manejo Florestal Sustentável", ou PMFS.

Mas quem lida com o mogno brasileiro/Swietenia Macrophylla, conhece muito bem o seu pior inimigo: a larva "Broca da Ponteira" (Hypsypyla grandella). A presença desse inseto é altamente nociva para o mogno.
Infelizmente a tendência atual dos produtores é de ignorar a permissão do plantio da Swietenia Macrophylla e investir no plantio de mudas do MOGNO AFRICANO (Khaya), já que este cresce mais rápido e é mais resistente à broca e ao clima.

É uma pena... Estamos trocando um mogno superior por outro inferior.
Pelo menos, daqui há alguns anos, quando começarem a vender "Mogno" no Brasil, quem leu esse post saberá que é o africano :)
Vídeo interessante:


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FIJI PURE MAHOGANI: (05/2012):
"New hardwood brand Fiji Pure Mahogany has been launched by the country’s prime minister to meet demand for a legal and sustainable mahogany.
One US hardwood company described the move as “important” to world lumber markets and which should make Fiji the world’s leading producer of legal genuine mahogany.
A launch ceremony in the country was attended by the US ambassador to Fiji Frankie Reid, Henry Juszkiewicz, chairman and CEO of Gibson Guitars and Pembroke Jenkins, past president of the US Hardwood Manufacturers Association.
Fijian prime minister Josaia Voreqe Bainimarama said the branding and mandatory compliance protocol process for Fiji Pure Mahogany would ensure sustainability, legality, and the socially responsible use of timber.
The brand is being filed in approximately 28 countries throughout the world, including the USA, to protect its intellectual property right. It is the first brand of its kind to be owned by a sovereign nation - Fiji.
It is intended to ensure compliance with numerous environmental laws, including the United States Lacey Act.
“Fijian mahogany is becoming a sought-after timber and is being differentiated from other lumber in the rest of the world,” the prime minister said.

“Increased exports of value-added goods and the licensing regime are the culmination of new thinking, focused attention and perseverance, amidst skepticism. We must all continue to work to see the potential here is realised.”??
The launch event was held at Sustainable Mahogany Industries’ factory in Fiji - the first company granted a license to use the Fiji Pure Mahogany brand.
It is using mahogany grades 1 and 2 to make bodies and necks for Gibson Guitars. Other applications for licences to purchase Grades 3, 4, and 5 are currently being reviewed.
Two years the government passed the Mahogany Industry Development Decree, which made Fiji Hardwood Corporation Limited a forestry management company, and established the Mahogany Industry Council to license mahogany purchasers and sawmill operators, and direct the development of the industry. "

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PS1: Eu estava me perguntando qual a similaridade geográfica/climática entre Honduras e Fiji e o Velhinho (Fabrício), amigo meu e do Oscar, que é especialista na área, deu uma resposta que vale a pena acrescentar ao post::

Fabrício Barbosa:
"Para qualquer empreendimento florestal tem que se analisar algumas coisas:
- solo
- declividade
- regime hídrico
- espécie que vai ser plantada
- distância do pólo consumidor
- mão de obra.

No caso da Gibson eu acredito que eles devem ter achado um solo muito parecido, ou senão igual ao de Honduras, além do clima pois tanto Honduras e Fiji ainda estão encobertas por florestas nativas, o que influi positivamente no regime hídrico.
Quanto a ser norte e sul o que vai ditar é que no hemisfério sul temos mais luz que o norte,e isso para florestas impacta diretamente no crescimento do povoamento. Só fazendo um paralelo, plantios de pinus no Brasil crescem quase 3 vezes mais rápido que na América do Norte. Traduzindo: a árvore cresce mais rápido, encurta o ciclo de crescimento e corta-se mais cedo uma árvore mais grossa. Atende-se a demanda crescente por madeiras de melhor qualidade em menor tempo. Parece óbvio mas não é...rs...
Há outras outras questões estratégicas: imagine você ter uma ilha à disposição para plantar, sem ter que concorrer com outros tipos de plantios, sejam florestais ou agrícolas. É quase como ter um sítio exclusivo para o teu plantio. (sítio no caso é o termo usado para definir o local do empreendimento florestal)
Some-se ao fato que Fiji deve ter muitas questões de facilidades de impostos, visto os acordos que você citou. Não iriam fazer isso se não tivessem encargos beeeem menores e várias facilidades aduaneiras.
A mão de obra provavelmente não deve ser muito mais cara, ou até no mesmo patamar que em Honduras. 
Também há o fato que Fiji deve estar muito bem amparada pela Forestry Stewardship Council - FSC, que é o órgão que regula as boas práticas florestais no mundo. Lembro de ter visto algo sobre a Gibson apoiando a FSC há alguns anos em plantios no norte dos USA.
Com tudo isso acredito que a Gibson, provavelmente, vai usar nos plantios de mogno o que é feito nos plantios de eucaliptos, principalmente: melhoramento genético.
Vão poder ao longo dos anos escolher as melhores árvores, coletar as melhores sementes e partir para a constância no plantio, sendo que como você bem citou, há muitas variações no mogno em plantios in natura. 
É o melhor dos mundos: um país distante, com solo, clima, declividade, etc bem atraentes, água e sol em abundância, com acordo comercial só para a sua companhia, com muitos benefícios e ainda poder explorar e melhorar o seu plantio ao longo do tempo, garantindo a continuidade da melhor madeira disponível.

Resumindo: esses goddamned fucking americans são muito bons em negócios e estratégias. Não dão ponto sem nó... "

É... Muita coisa faz sentido. Bem, acho que no final das contas, nós e que saímos ganhando. Sem novas e boas fontes de mogno, acabaríamos tendo que comprar Custom Shops de mogno Peruano! KKK!



52 comentários:

  1. Jack

    Muito bom o post, bastante pesquisado e embasado. Apesar de discordar da sua opinião sobre o mogno brasileiro e o seu ceticismo em relação ao que botânicos dizem, creio que é muito educativo sobre as origens e destinações do mogno para instrumentos musicais. Com certeza muita gente vai se surpreender. Gostaria de só frisar um ponto importante sobre o mogno africano. Apesar de estar sendo bastante alardeado como uma alternativa para plantios de mogno e sua utilização comercial, ele ainda é bastante polêmico sobre a viabilidade financeira e comercial aqui no Brasil. As grandes consultorias florestais e ambientais tem reservas sobre esse assunto, ainda não é algo consolidado. Uma coisa é certa: muita gente sem o mínimo de conhecimento e/ou mal assessorada está apostando nisso, mas só o tempo vai dizer quem vai ganhar ou perder dinheiro...

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    1. É, parece mais empolgação...
      Velhinho, não consegui estabelecer uma correlação geográfica/climática e ppte geológica entre Honduras e Fiji pra justificar a semelhança do mogno, mesmo sendo da mesma espécie... Distância do equador, embora uma ao norte outra ao sul?

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    2. Jack, aí podem ter várias respostas mas vou me arriscar a algumas.
      Para qualquer empreendimento florestal tem que se analisar algumas coisas:
      - solo
      - declividade
      - regime hídrico
      - espécie que vai ser plantada
      - distância do pólo consumidor
      - mão de obra.

      No caso da Gibson eu acredito que eles devem ter achado um solo muito parecido, ou senão igual ao de Honduras, além do clima pois tanto Honduras e Fiji ainda estão encobertas por florestas nativas, o que influi positivamente no regime hídrico.
      Quanto a ser norte e sul o que vai ditar é que no hemisfério sul temos mais luz que o norte,e isso para florestas impacta diretamente no crescimento do povoamento. Só fazendo um paralelo, plantios de pinus no Brasil crescem quase 3 vezes mais rápido que na América do Norte. Traduzindo: a árvore cresce mais rápido, encurta o ciclo de crescimento e corta-se mais cedo uma árvore mais grossa. Atende-se a demanda crescente por madeiras de melhor qualidade em menor tempo. Parece óbvio mas não é...rs...
      Há outras outras questões estratégicas: imagine você ter uma ilha a disposição para plantar, sem ter que concorrer com outros tipos de plantios, sejam florestais ou agrícolas. É quase como ter um sítio exclusivo para o teu plantio. (sítio no caso é o termo usado para definir o local do empreendimento florestal)
      Some-se ao fato que Fiji deve ter muitas questões de facilidades de impostos, visto os acordos que você citou. Não iriam fazer isso se não tivessem encargos beeeem menores e várias facilidades aduaneiras.
      A mão de obra provavelmente não deve ser muito mais cara, ou até no mesmo patamar que em Honduras.
      Também há o fato que Fiji deve estar muito bem amparada pela Forestry Stewardship Council - FSC, que é o órgão que regula as boas práticas florestais no mundo. Lembro de ter visto algo sobre a Gibson apoiando a FSC há alguns anos em plantios no norte dos USA.
      Com tudo isso acredito que a Gibson, provavelmente, vai usar nos plantios de mogno o que é feito nos plantios de eucaliptos, principalmente: melhoramento genético.
      Vão poder ao longo dos anos escolher as melhores árvores, coletar as melhores sementes e partir para a constância no plantio, sendo que como você bem citou, há muitas variações no mogno em plantios in natura.
      É o melhor dos mundos: um país distante, com solo, clima, declividade, etc bem atraentes, água e sol em abundância, com acordo comercial só para a sua companhia, com muitos benefícios e ainda poder explorar e melhorar o seu plantio ao longo do tempo, garantindo a continuidade da melhor madeira disponível.

      Resumindo: esses goddamned fucking americans são muito bons em negócios e estratégias. Não dão ponto sem nó...

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    3. Beleza de resposta, Velhinho! :) Tomei a liberdade de acrescentá-la ao post, ok?
      Obrigado!

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    4. Eu é que agradeço Jack!
      É sempre um prazer poder contribuir de alguma forma!

      Um abraço!

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  2. Mto bom! E a wood library do PRS Paulo? Acho q ele deve reunir alguns blanks de primeira lá para as guitarras dele hein? Vc conhece a procedência dos fornecedores da PRS?

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    1. Eu ficaria maluco na sala "Private Stock" da PRS.
      E bem que gostaria de saber onde o Paul Reed Smith conseguiu o jacarandá brasileiro... Principalmente aquele toco que aparece num vídeo do youtube.
      E depois a Gibson que é bandida! :)

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    2. Jack, o lance do jacarandá é meio complexo, pois há empresas que juram que ainda tem estoques antigos a disposição, principalmente ao sul da Bahia.
      Também há outros que dizem que o estoque tem são de madeira de demolição...
      Contudo, eu acho que a fonte mais provável é dessa matéria que saiu ainda hoje no UOL:

      http://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2013/11/06/trafico-ilegal-de-madeira-gera-receitas-de-ate-us-100-bilhoes-por-ano.htm

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    3. Putz! Só naquela apreensão foi o equivalente a 730 caminhões cheios...
      Eu li há um tempo atrás que o governo havia permitido a extração de jacarandá de troncos já cortados (imagino que deve ser aquele meio metro que fica acima da terra).
      Oficialmente, é a única fonte de jacarandá brasileiro recente.,, :)
      O mogno e o jacarandá continuam saindo do país, infelizmente.

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  3. Paulo, tu sabe quanto deve pesar o m³ do bom mogno hondurenho?

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    1. Gostaria muito de saber. Os ameircanos usam cubic feet para padrões de corte de madeira.
      Primeiro tenho que saber qual é a medida do "blank" de les paul que a Gibson utiliza porque a relação de peso que a Custom Shop usa para seleção tá aqui:
      http://guitarra99.blogspot.com.br/2010/04/tava-na-parede-da-custom-shop-da-gibson.html

      Para R9 e R0, por exemplo, o peso do blank de mogno deve ser 8,0 pounds = 3,630 kg ou menos. Dá pra ver esses blanks nos vídeos da fábrica da Gibson, mas ainda não descobri suas dimensões exatas...

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    2. PS: Essa pergunta não foi pq tens acesso ao mogno hondurenho, né? Se por acaso tiveres, please, não esqueça do sofredor aqui:)

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    3. O Oscar já deve ter te dito não? Comprei esse ano 2 pranchas de mogno nacional com 15 anos de corte, certificado do Ibama e autorização judicial para venda, blá blá...
      Cortei tudo em Blank, mas as medidas devem ser bem diferentes das da Gibson. As pranchas tinham 8cm de espessura, cortei com 50cm e 40cm.

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    4. Temos que "testar" esse mogno Dalton! :-)

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    5. Gente, não sei se sou só eu ou coincidência, mas todo mogno que é mencionado pra mim vem com os qualitativos... "De dezenas de anos", "De demolição/igreja", "Guardado pela família", etc. :)
      A espessura do mogno na Les Paul é de 42 a 44 mm. É só cortar no formato básico e pesar - se passar de 2,5 a 3 kg, é provável que a guitarra fique com mais de 4,5 kg e aí voltamos ao ponto de partida :)

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    6. A resposta é simples Paulo, apesar da portaria permitir o manejo sustentável do mogno nacional, a regulamentação dessa IN nº7 só ocorreu em 2009 através da Resolução nº 6 de 2009 do CONAMA, dessa forma é muito provável que ainda não exista quem utilize essa possibilidade, pois os procedimentos são complexos. Dessa forma o mogno que se encontra hoje é ilegal, de alguma forma antigo ou alguma madereira teve autorização judicial para vender o que já estava cortado quando houve a proibição.

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    7. Sobre o mogno que tenho, o blank que medi tem 59cmx38cmx8cm o que nas minhas contas deu 0,01817 m³ e pesa 9,5kg, fiz uma conta de um blank com medidas justas para uma les paul e cheguei em 0,007 m³ e na regra de 3 o peso ficaria em 3,7kg. Paulo, quanto você imagina que tem esse blank que a Gibson usa?

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    8. Vamos investigar. Me lembro daquele luthier israelense fera que faz clones de bursts: num determinado momento ele olhou para o blank recém cortado, sem as cavidades e disse:"tá pesando "X" (não lembro) - vou ter que fazer alívio de peso.
      A gibson deve ter uma regrinha definida: "um blank com tal medida (padrão deles) deve pesar tanto..."

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  4. Paulo, tenho uma tele com essa madeira http://www.ecoecompanhia.com/conhecendoamadeira/andiroba

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    1. Alguém me disse que ela passa por mogno numa boa... :)
      É da mesma família, pelo menos

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    2. Sim Paulo, parece muito com o mogno, se quiser te mando umas fotos

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  5. Tudo bem? Você já viu essa LesPaul J Series, mais barata. Há algumas diferenças, com frisos, etc. Mas a qualidade das Madeiras e Montagem é a mesma da Standard ? Será que vale a pena? É uma Gibson americana mesmo? Abraço.

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    1. Filipe é uma Tribute Studio 50 Humbuckers com cara de mal! :-) Só isso! Éoa uma LesPaul com certeza!

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    2. Nem preciso mencionar que há uma seleção de madeiras na fábrica, Filipe. As linhas mais baratas recebem as madeiras mais "baratas". Mas isso não quer dizer que a guitarra seja ruim.
      Essa linha tem braço de maple - que é uma variação muito interessante nas Les Paul. Eu particularmente gosto, mas para um purista, é uma aberração :)

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    3. Esqueci de mencionar isso! :) bom ponto!

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  6. Sobre o seu "espanto" em existirem espécimes tão diferentes, dentro de uma mesma espécie de mogno... Cara... Pega um chinês, um africano, um alemão e um xavante e compara... É tudo Homo Sapiens! rs

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  7. Por esses posts percebo que se tivesse uma única oportunidade de ir para os EUA e trazer uma guitarra top, entre uma Gibson e uma Fender, a Gibson seria a mais indicada considerando toda essa questão de madeiras e o som resultante ou o "pó mágico", como o Jr. costuma dizer.

    Uma Fender CS também é fantástica mas me parece que se um luthier realmente for bom e se tiver boas madeiras tradicionais, independentemente do país onde estiver, consegue replicar algo bem próximo ou até melhor.

    Já a Gibson com sua exclusividade de plantio e disponibilidade de mogno, fica difícil para qualquer um chegar no som dela.

    Acho tb as PRS fantásticas e são tão caprichadas quanto, mas parecem soar sempre mais próximas a uma strato versátil com HB do que com uma LP.

    É por aí mesmo?

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    1. Quase isso Marçal.. Aquela Masterbuilt do outro tópico mudou um pouco essa minha opinião ... A Fender custom Shop sabe muito bem o que faz! Eh foda...

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    2. É exatamente por aí, com esse detalhe da "master built" Fender. Mas aí é o pó mágico individual do luthier. A verdade é que uma Gibson é BEM mais complicada de construir e se dar bem com o resultado final.
      As Fender são basicamente mais simples porque essa era a primeira diretriz do Leo Fender: "Simple, Practical, Functional and Serviceable" - tudo que uma Les Paul não é :)

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  8. ôpa, belíssimo post, aprendi muito aqui !

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  9. Realmente amo os posts técnicos de vocês que ajudam a entender muita coisa.... como por exemplo minha Epiphone Les Paul Custom Coreana soar extremamente melhor que uma Gibson LP Studio!


    Agora uma pergunta prática!
    Qual seria um modelo de Gibson Les Paul com um bom custo benefício? Hoje comprar uma Les Paul virou uma tarefa árdua, afinal existem diversos modelos, com aparência parecida e preços diferentes. Traditional, Standard, Classic, e assim vai...
    Para quem procura uma Les Paul honesta, com um timbre padrão e também madeira honesta, o qual Gibson vocês recomendariam? Qual seria a faixa de preço (nos EUA e usada aqui)?

    Muito obrigado pelo post e pela futura resposta.
    Cada dia mais fã do blog.

    PS: estou tentando a compra de uma Vintage V52, altamente recomendada por vocês! :)

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    1. Na minha opinião, o melhor custo X beneficio hoje da Gibson é a LP Traditional 2013 por ser sólida, sem alivio de peso, e ter grande potencial para "tunagens". Vamos esperar a opinião dos feras do blog...
      Abs
      Rodrigo

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    2. Também acho. Pode até haver Traditional que chegue bem perto de Custom Shop. Tudo depende, como sempre da sorte nas madeiras e suas combinações.

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  10. Olá Paulo e Oscar. Parabéns pelo blog. Uma dúvida: o citado Eastern Mahogany Arched Top do corpo das SX GG1 Std (Les Paul - braço colado), seriam especificamente qual mogno? Ou se tratam do nato? Em caso de ser nato, difere muito o som? O que vocês acham desse modelo de Les Paul da SX? Desde já agradeço!

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    1. Ramiro, até prova em contrário "Eastern Mahogany" é o "Nato", que é de outro gênero e não tem nada a ver com o mogno de verdade a não ser a semelhança visual.
      Chamar o Nato de Eastern Mahogany é uma picaretagem muito antiga utilizada para confundir as pessoas.
      Visualmente, após receberem corantes e verniz, fica difícil distingui-los. Eu já comprei guitarra de Nato achando que era Mogno... :)

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  11. Olá Paulo. Boa noite. Agradeço a rápida e esclarecedora resposta. E qto a esse modelo específico da SX (GG1 Std Les Paul - braço colado), conhece? Teve oportunidade de analisar? O q acha dele, hardware e tal, mesmo levando em conta o fato de ser nato? E o próprio nato, li um post seu falando de uma guitarra com nato q vc até curti a sonoridade. Poderia me dar uma opinião? Vale a pena, para tunar (tô podendo pegar uma a R$ 600,00 com o case)? Agradeço.

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  12. O Oscar teve uma dessa há muito tempo e acho que ele gostou da guitarra, Ramiro. Só toquei rapidamente com uma em loja então não posso avaliar. Porém, 600 reais com case tá um ótimo preço (se a guitarra estiver ok).
    Mas seria legal leres esse post:
    http://guitarra99.blogspot.com.br/2012/03/les-paul-chinesa-da-pra-encarar-ou-nao.html
    Tem fotos de uma SX dessas lá... :)

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    1. A guitarra de nato que tenho é uma Aria japonesa, dos anos 80. O centro é de maple, o que ajuda bastante no brilho e clareza do timbre, pois o nato às vezes é meio "fechado".

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  13. Então eu poderia dizer com certeza de que minha Gibson Classic 2007 black(deve ter mil emendas rsrsrs) é uma "merda"? Valeu... Ainda gostaria de possuir uma R8 ou R9, são lindas demais!

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    1. Pode ser o contrário :) Em 2007 acredito que a maior parte do mogno ainda era da américa central e as Classic, se não me engano, tinham apenas os 9 furos de alívio de peso. Sempre achei as Classic boas guitarras.

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    2. Desculpa por eu não ter me identificado, eu não sabia mexer muito bem aqui nesse Blogger rsrs Eu acho a minha Classic muito leve(todo mundo que pega nela diz que ela não é uma les paul rsrsrs). Tenho uma Epiphone STD PLUS 2005 e eu pluguei ela em um JCM 800 2204, que na minha opinião, a Epi soou melhor... Vai entender rsrs Se quiser sacar o som da epi: https://www.youtube.com/watch?v=HlMxyLR5Luo

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    3. E gostaria de acrescentar mais: Estou virando um fã desse blog. Parabéns, muito bom mesmo! Abraço!

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    4. Esqueci de dizer: troquei os caps da classic e botei alnico 2 pro.

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    5. Thiago, Lespaul não tem que ser pesada! Rsrs! Os malucos da tone quest ja reportaram que quanto mais leve melhor para os sons classicos de PAF! As minhas duas LP tem 4,5kg e 4kg , otimo peso considerando que ambas sao sólidas ( sem nenhum alivio de peso)! Excelente som da Epi! As vezes elas surpreendem

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    6. Muito bom o som dessa guitarra, Thiago :)
      Esperamos que continues aparecendo por aqui em 2014 :)

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    7. Opa... Já estou por aqui hahaha Feliz ano novo para todos vocês! Gostaria ter vocês como amigos no facebook, se puderem me adicionar, eu agradeço: https://www.facebook.com/thiago.slashguns

      Abraço!

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    8. Não utilizo o Facebook, Thiago. Tenho uma assinatura apenas pra eventualmente acompanhar um grupo sobre guitarras.

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  14. Amigo tenho uma Gibson R9 2013 VOS será que é FIJI ?

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    1. É muito provável que sim. Assim como a minha R9 2013.
      A Gibson também compra mogno de outras fontes e provavelmente ainda usa o mogno top de Honduras para a série Collector's Choice. Já o mogno da Colômbia, Peru, etc, geralmente inferior, deve ir para as Studio.

      Atualmente o principal fornecedor da Gibson é Fiji... O resto tô conjecturando a partir de alguns fatos conhecidos e informações em fóruns de alto nível.

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    2. Olá Paulo,

      Obrigado pela resposta!
      Essa e minha primeira R9, então pra ser sincero nem sei se ela é top ou não embora eu já tenha tido outras Les Paul Standard.

      Eu testei ela recentemente com uma outra R9 de 1996 e senti que a 96 tinha mais grave e um som mais fechado.

      Para mim a 2013 soou mais ressonante, com mais personalidade dando a sensação de ter um som diferenciado de outras guitarras embora a 96 seja muito boa.

      Estou agora em um dilema, confesso que gostei dos custom bucker porém nunca coloquei Jim Rolph ou esses outros que sempre vejo vocês falando no blog.

      Então me pergunto, ou melhor pergunto a você: Qual é a destes custom bucker?
      Estou cego com o som da guitarra ? Ou eles são bons? rs...

      Por acaso conhece os Skatterbrane ? Comprei um par mas ainda não chegou pra mim.

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    3. Em 1996 a Gibson ainda tava no começo das Custom Shop, Mário. Mas independente disso, As Les Paul variam muito nos detalhes do timbre, por isso o meu amigo e parceiro do blog, Oscar, teve que testar mais de quinze R9 e R8 até achar aquela que tinha mais ressonância e sonoridade aberta.
      Conseguir um Jim Rolph não é fácil, mas vale a pena - eu considero a melhor réplica de PAF atual. Nem perdi tempo testando muitos outros, segui a orientação do pessoal da Tone Quest e fui direto no Rolph.
      Mas cada LP tem sua particularidade, por isso não dá pra garantir que um captador que soe fantástico numa soará da mesma forma em outra...
      Qto aos Custom Buckers, achei-os algo anêmicos nos médios, talvez pelo alnico 3. Quando peguei a R9, toquei 10 minutos com eles e em seguida coloquei os Rolph. Bem mais vivos e dinâmicos.

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    4. Entendi, eu mandei um email pelo site do Jim Rolphs já que não tenho como ligar lá. Aguardar pra ver né...

      Agradeço pelas resposta!
      Grande abraço e um ótimo final de ano e um futuro ano melhor ainda.

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