segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Telecastermania - parte 3: Making Of

       Então vamos à sequência de passos:

1) Madeiras: para Telecaster, só existem 3 madeiras (minha opinião): Ash leve (swamp), Ash pesado (northern) e Alder. Pinus (americano), Marupá, Cedro, todas podem funcionar, mas não ficam iguais às clássicas. Resolvi fazer uma de ash e outra de alder, além de um braço de maple com escala de maple.

Comprei os blocos (blanks) no Brasil, na MusicTools do Miguel Cardone. Já havia comprado antes alguns equipamentos de luthieria e um lindo blank de flamed maple AAAA para o top da minha - ainda distante - Les Paul 59. Acesse o site: www.luthierexpress.com e faça o download do catálogo de madeiras (e do de ferramentas, caso seja metido como eu :) ). O Miguel é gente finíssima -  o telefone para contato direto é (11) 9193-8797.
Preços: blank de Ash (pesado/northern): 200,00. Alder: 270,00 Maple: braço: 80, escala: 45 reais.


Posicionei os blocos e escolhi (a decisão final seria do luthier, mas o Cavalheiro concordou comigo) a melhor combinação para colagem. Cada corpo terá duas partes. Convém citar que mesmo na Fender, em qualquer época, corpos de bloco único são raros.
É importante evitar os nós da madeira - onde o som não se propaga tão bem e podem gerar problemas no acabamento. Usei o corpo da minha Tele 68 pra desenhar o local do corte:


As fotos seguintes já são na oficina do luthier Roberto Cavalheiro, de Blumenau (oficinadomusico@ig.com.br / Fone: (47)33785960), cerca de 150 km daqui (Florianópolis). Já havia feito um corpo de cedro e a Les Paul Jr (postada anteriormente) com ele e fiquei impressionado com a qualidade. O Cavalheiro poderia finalizá-las completamente, mas eu queira ficar com a diversão final do acabamento e montagem, hehehe...


Observem na foto acima, que o corpo de alder foi posicionado bem embaixo no blank, pra fugir daquele nó no canto superior direito. O blank de ash tá com aspecto feio porque havia uma camada de resina/cera para proteção.
Então, passo número 2:

2) Manufatura dos Corpos/Braço: A sequência de fotos é do próprio Cavalheiro:

Colagem dos blocos. As superfícies devem estar absolutamente planas para um perfeito acoplamento e os clamps mantém a pressão até secagem completa


Blocos colados. Observe que a linha de separação do ash é praticamente invisível.


Corpos semi prontos. À esquerda, já com as cavidades, feitas na tupia copiadora (vide vídeo da tele de mogno no post anterior). Pedi para o Cavalheiro não arredondar as bordas, pois queria fazê-las pessoalmente. Gosto de bordas suaves, mas sem exagero, e dá pra fazê-las rapidinho com lixa.


Furação do "string through body". Telecaster  com "top load", cordas presas em cima, sem atravessar o corpo, não tem o som clássico.


Braço. Esse é bem mais complicado... Acredito que a habilidade do luthier de guitarras é colocada à prova aí. Braço não é fácil! Desenho e corte inicial.


Cavidade e colocação do tensor.


A escala é colada.



Escala cortada,"raiada" (curvatura/raio), posicionamento e corte para os trastes e colocação das bolinhas de marcação.



Trastes (Dumlop Jumbo) colocação e corte. Depois disso ainda tem o check-up do nivelamento e arredondamento das bordas.


Acabamento do shape do  braço: parte posterior e cavidades das tarraxas. Tudo é medido exaustivamente. Braço é geometria/matemática pura. A pegada/forma do braço (vide post sobre tipos de braço) vai depender do cliente. Pedi um "C" um pouco mais gordo, com mais ombros. Prefiro assim porque é fácil retirar um pouco dos ombros depois e eu mesmo posso fazer (mas gostei dele assim). Quando o braço fica muito fino ou pequeno, não tem remédio...


 Os 3 corpos (o de Mogno tá explicado no post anterior :) ) e o braço, já aqui em casa. Pretendia fazer um acabamento natural no de alder, mas esse tá muito liso e sem figuração - é ideal pra pintura sólida. Como decidi só depois de trazê-lo pra cá, fiquei com preguiça de viajar novamente e levá-lo para o Cavalheiro pintar... Resolvi fazer por aqui mesmo, com o cara de uma oficina de carros que pintou alguns arranhões no meu carro. Mas essa eu vou postar assim que acabar de montá-la... :)


3) - Acabamento:
"Butterscotch Blonde" é a cor mais famosa da Telecaster,  e fui atrás dela com a anilina. Num primeiro momento, ficou assim, bem no tom "butterscotch" (essa tonalidade refere-se a um doce feito de manteiga e caramelo). Porém, ele é conseguido no verniz, que é tingido com corantes e não na anilina. O resultado final da Fender provoca um certo apagamento dos veios de ash. Como esse ash tava muito bonito, resolvi fugir um pouco do laranja e me direcionar para o amarelo, para realçá-lo ainda mais. Após essa foto, cheguei a passar duas demãos de verniz incolor:

Mas, não sei como, tive a paciência de lixar tudo, retirar o verniz, enfraquecer o primeiro tingimento e acrescentar um pouco mais de amarelo. Antes de envernizar novamente, uso as lixas para tirar a uniformidade da cor, lixando mais nas partes naturalmente mais gastas com o tempo (bordas, ângulos e apoio do braço)


         Aqui, o resultado final, mais sutil. 4-5 passadas de verniz spray e depois muita lixa (600 e 1200) pra cortar o brilho. No final fica verniz suficiente apenas pra deixá-la com o toque sedoso/macio e bem selada.
O braço também ficou muito legal com o tingimento/envelhecimento.
Os metais passaram todos por uma lixa de 1200. Saddles de aço, roubados de uma ponte Wilkinson de strato. Captador da ponte feito pelo Sérgio Rosar (fio Enamel 42 AWG) com uma bobina velha que eu tinha guardado. Captador do braço GFS Premium 63 vintage wound (fio Enamel 43 AWG). Tarraxas Planet Waves (não poderia ser outra:) )
Capacitor Mojotone Dijon de .047uF,  potenciômetros de 250k, mas acabei de descobrir que minha Tele 68 tem pots originais de 500k - nunca me preocupei em checar e isso me colocou uma pulga atrás da orelha. Vou testá-la também com pots de 500k.
O restante do hardware foi comprado na Mensageiro Musical e é da Condor Parts. O escudo não foi parafusado porque está ligeiramente fora do padrão Fender. Encomendei um da GFS (Guitar Fetish: http://store.guitarfetish.com/ que vai chegar em breve.
O braço foi tão bem feito e com encaixe soberbo no corpo que pude deixar a ação extremamente baixa, ainda mais que a das Tele 68 e 74. Mais um mérito para o Cavalheiro!

CONCLUSÃO :

          A guitarra ficou linda e excelente. Madeiras e hardware de primeira, construção impecável do Cavalheiro. Ela não perde em nada pra minha 68. Os timbres são ligeiramente diferentes devido ppte às escalas distintas, mas ambos excepcionais. Telecaster na veia!

Vamos checar o custo final da guitarra (algumas peças eu já tinha, mas vou passar o custo como se não as tivesse):
Blank de Ash/Corpo de 2 peças: 200
Blank Maple braço/escala: 125
Manufatura corpo e braço (Cavalheiro): ainda não acertei com ele, mas acredito que entre 500-600 reais
Captadores: Ponte: 175 (Sérgio Rosar Hot T). Braço (GFS Premium 63): 180 reais (originalmente custa 34 dólares - o resto é a porcaria de impostos). O modelo do Érico Malagoli da www.captadores.com.br custa 135 reais à vista e é adequado. Quando ele passar a usar o fio original (enamel 43AWG), não haverá razão pra comprar lá fora.
Tarraxas Planet Waves: 200 reais
Hardware restante: 120 reais
Fato interessante: ela foi em boa parte baseada na minha 68. No final, por coincidência, o peso das duas é o mesmo: 4,1kg... :)
Total: R$ 1.500
Garanto-lhes que nenhuma Fender mexicana (e provavelmente algumas americanas) chegam perto dessa guitarra em termos de qualidade. O valor dela aqui, a julgar pela qualidade e pelas outras que temos à venda, seria no mínimo 2.500 a 3.000 reais.
Meu amigo Oscar Isaka Jr., também membro do fórum da Guitar Player, esteve aqui em casa hoje e pode avaliá-la e tocá-la. Vou pedir pra ele comentar, da forma mais sincera possível, o que ele viu aqui.

Sei que algumas pessoas que acompanham o blog acham uma perda de tempo tunar e montar guitarras. Tudo bem, tunar SX chinesa não é a melhor ideia do mundo, mas nesse caso, mostrei uma opção viável, sem muito risco e com uma relação custo benefício excelente. Mesmo que o cara não saiba ou não queira finalizar a guitarra, o luthier pode fazê-lo, com um acréscimo, é claro.
O mesmo processo pode ser aplicado para uma strato de alder ou ash, com custos semelhantes.

Recentemente o Fagner Cirino postou aqui dizendo que só tem 3.000 reais pra fazer uma strato. "Só 3.000?" Imagine a strato que dá pra fazer com esse dinheiro. É só ligar para as fontes citadas (ou outras que eu não conheça) e esperar sentado em casa. Com 2.000 reais ele faz uma strato absolutamente top de linha.

Novamente: não tenho vínculo comercial com ninguém. Indico as pessoas e fornecedores que eu mesmo utilizo e comprovei a qualidade. O objetivo do blog permanece: trocar informações e dicas com guitarristas. Quanto mais sabemos, menos gastamos! :)




PS: O baixista Flávio Siodoni fez um processo semelhante para construir o seu Precision 51. A história, com os custos especificados, está aqui: Siodoni P-Bass by luthier Cavalheiro

72 comentários:

  1. Paulo may blz!!!(Aqui é o Fagner Cirino).

    Cara estou estarrecido com o preço que saiu essas guitarras, já estou me organizando para fazer minha strato e realmente R$3.000,00 vai dar e sobrar vlw pela dica.

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  2. Caraca velho, ta muito linda essa telecaster.


    Parabéns, melhor custo x benefício que já vi.
    1500 numa guitarra dessa? caraca, muito bom esse negócio.

    Espero fazer uma dessa um dia!

    Seria legal postar uns samples do som dela, sera que tem como Paulo?

    abraço

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  3. Fagner faz duas então, uma com escala clara e outra com escala escura...ou uma de alder e uma de ASH...

    Paulo seu blog está melhorando a cada dia, da até orgulho de participar do blog e ler seus textos...

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  4. Jack, levando em consideração que uma fender am standard(que de diferença pra deluxe tem apenas hardware e o detalhe no neck junction) já não tem uma rigorosa seleção de madeiras (inclusive em usar partes de madeiras do mesmo bloco), acho bem improvável que uma guitarra feita com todos esses cuidados, não soe no MINIMO com uma american Standard/deluxe.

    Sobre os potenciometros de 500k na sua tele, a minha musicmaker é com 500k também, segundo o Ivan Freitas ele faz todas as guitarras com esses pots. Eu confesso que achei muito estranho, mas ela soa maravilhosamente bem.

    Abraço, Paulo... e muito obrigado por dividir tudo isso com a gente.

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  5. Agora.. tb tenho uma ponta de inveja.. eu sempre quis uma Tele Butterscotch (fico em dúvida se mais pra do Rory Gallagher ou pra do Keith Richards dúvida cruel!!!)... e esse ficou mto bacana!!! ficamos agora ansiosos pelos samples dela!!!

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  6. Bah, muito legal essa tele.

    Me impressionou saber que podemos conseguir madeiras de qualidade aqui para fazer guitarras replicando as top de linha.

    Estou pensando seriamente em trocar o corpo da minha Yamaha Pacífica por um de Alder com menos emendas e sem a cavidade universal dos pickups.

    Mas isso fica pro ano que vem.

    Abraço, e parabéns por mais um ótimo post.

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  7. Ta aí, sempre falei pros meus amigos, "manda um luthier fazer que fica melhor e sai mais barato" Apesar de eu ainda nao ter uma handmade, mas com esse preço, quando via achei que fosse piada, da pra juntar uma grana rapido, fazer uma guita e me divertir montando!! òtimo post, espero mais!!

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  8. Pessoal, obrigado pelos comentários. Há tempos vinha querendo fazer isso. Definitivamente, não é complicado fazer uma guitarra boa e barata por aqui. Sem desmerecer alguns luthiers nacionais, não dá pra cobrar 3, 4 mil reais por uma strato. Sei que o trabalho não é fácil, é profissional, mas o próprio Cavalheiro acha que há exageros por aí.
    Ivan, legal o toque. A Telecaster , com a ponte de metal aumentando a capacitância e diminuindo os agudos (mesmo efeito da capinha do cap do braço)realmente pode falar melhor com pots de 500k.
    E vocês viram o catálogo de madeiras do Miguel? Putz! Desperta a GAS de defunto! kkkk!

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  9. Paulo blz!!(aqui é fagner cirino)
    To pesquisando os captadores, to na duvida entre SSS ou HSS, no meu projeto original eu queria Hss e por o mesmo set do Andy Timmons(que sou fan!!)dois cruiser bridge e um at-1 todos da dimarzio, mas eu não teria aquele som tipico de strato apesar do Andy tirar uns sons limpos bons, Estou em duvida sobre o sergio rosar captadores, vi uns videos com sons gêniais(joão castilho-usa twin vintage) e os pots 250k ou 500k. Cara essas escolhas vou ter que pesquisar direitinho, mas se vc poder ajudar com dicas blz. As ferragens acho que vou comprar na stewmac mesmo fiz uns calculos e mesmo com imposto fica mais barato que aqui, EX: a ponte wilkinson vsvg lá fica com imposto + transporte uns R$250,00 enquanto aqui no brasil a mesma ponte fica R$530,00. Mas é isso mesmo! vou escolher cada item com muita pesquisa e carinho para depois fazer a strato e não venha me arrepender em nada.
    Cara vc me salvou em mais de mil conto kkk... Que nem diz o Fabio Junior: "Brigaduuuuuu!!!!"

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  10. Paulo, não testei muitos, mas o que achas dos pickups Cabrera? Abraço e valeu pelas dicas!

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  11. Que bom Fagner! E ainda tem a diversão de poder escolher pessoalmente cada item da guitarra... :)

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  12. Schneider, não conheço pessoalmente os captadores Cabrera, mas até hoje, mais de 95% dos comentários que li são de elogios.
    Recentemente o JR. me disse que testou um Cabrera (acho que o Classic) e gostou muito.

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  13. Grande Jack, estava aqui nas lojas nos EUA testando algumas guitarras e a cada post desses, ficava mais louco atrás das Teles hehehe. Nessa jornada, me deparei com uma Fender Tele fabricada na Coréia, com uma construção impecável e com as madeiras empregadas de primeiríssima linha. O Braço era em birds eye maple e o corpo em Alder com o acabamento semelhante ao que você deu. O preço por aqui? U$410,00. De cair o queixo!

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  14. Jack, deixa eu ver se eu entendi...O "blank" são os dois pedaços utilizados no corpo? E caramba, realmente o catalogo já me deixou fazendo contas aqui, kkk...

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  15. Mestre Tanaka! USA! Que inveja, meu caro :)
    Acho essas Fender Korea excelentes. Specs de primeira.
    Tem duas à venda na Barra Music por cerca de 3.500 reais. Êta custo Brasil!
    Abraço!

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  16. Lucas: sim, "blank" é um (ou mais partes) bloco de madeira de onde fazemos a guitarra. O Miguel vende geralmente em duas partes: blanks com duas peças.

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  17. Cara, 3.5K? Eu peguei na mão e deixei por lá por não saber como seria a revenda por aqui... se tivesse falado contigo antes teria trazido!
    Peguei uma Jay Turser com um acabamento de primeira, um timbre muito interessante com um Hb no braço e um single na ponte. O melhor foi o preço... U$160.00

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  18. Jack, uma dúvida em relação a tua réplica.

    Tu não usaste a escala de rosewood, tal qual a existente na tele 68 original pela falta da madeira, ou pra evitar o 'sizzle' que tu menciona num post de uma COrt que tu tens, que é de ash, com escala de rosewood?

    Fiquei curioso com isso.

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  19. Tanaka: 160 dólares... putz! Madeiras boas?

    Jou: a minha tele 68 tem escala de rosewood mas não apresenta essa sibilância (sutil) da G260. Acredito que o ash pesado aceite bem tanto o rosewood como o maple.
    Eu resolvi fazer escala de maple porque num determinado momento, achei meio redundante ter duas guitarras muito parecidas no timbre.
    Se tu olhares na terceira foto desse post, verás um bloco fino para escala, de jacarandá, junto com as outras madeiras.
    Resolvi guardá-la para uma LP Jr. :)

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  20. Achei que de repente tu fosse fazer uma réplica até pra preservar a guitarra de shows e apresentações, mas não perder o timbre dela, algo assim.. eu ficaria muito temeroso de levar uma Fender 68 pra fora do meu domicílio, hehe

    Mesmo assim, obrigado por me esclarecer a dúvida.

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  21. Jou, era essa exatamente a minha idéia, mas na real, a tendência daqui pra frente é tocar cada vez menos ao vivo/shows. Então resolvi fazê-la com escala de maple, pois não tinha nenhuma tele assim.
    E pra shows de 1 a 2 horas, sem muita frescura, a minha PRS SE 22 é imbatível. De longe a guitarra com os timbres mais versáteis que tenho. Improvável que a usasse em gravações/estúdio, mas ao vivo, é a melhor guitarra que já tive. Pergunte para o Jr... :)

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  22. E na prática, como se comportam as duas tão semelhantes mas com a escala diferente? Em que as duas se diferenciam mais em termos de som?

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  23. Então... Quando fui montar essa, fiz questão de copiar a fiação da outra. No último momento, percebi (depois de 20 anos) que os pots originais da 68 são todos de 500k. Isso explicaria o maior punch de médios e agudos dela. Mas eu precisava ouvir a nova com 250k... Gostei demais também - ela tem um timbre mais vintage, com estalo algo mais macio, bem das teles pós 52 e pré 60 (inclusive os captadores com fio enamel e nas specs originais).
    Vou curti-la ainda um bom tempo assim, talvez coloque pots de 500 e um Rosar Hot T só por curiosidade, mas gostei demais desse timbre!

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  24. Pra tentar atiçar um pouco mais tua GAS ( se é que isso é possivel) vi que o Solon tem a venda na loja dele pickups pra strato e tele.

    O timbre de strato tem demos e eles parecem bons, mas se tu te interessar em testar, o de tele em uma das novas guitarras, deixo a dica.

    "Depois de inúmeros pedidos, estamos lançando o nosso set de captadores para Telecaster.Seguindo a filosofia dos pick ups de strato , esta série foi produzida aos moldes dos originais da metade dos anos 50, liga de Alnico 5 e método scatter wind .
    Nosso modelo único batizado de Buttertone apresenta em ambos os pick ups resistência aproximada de 7.2.k, produzindo aquele timbre encorpado , rasgado e com o twang das Butterscotch Blondes dos anos 50. Fios de pano e cordão protegendo a bobina do captador da ponte dão o visual característico.No final um banho de parafina e cera de abelha pra assegurar o bom rendimento sem microfonia."

    Deixo claro que não tenho nada a ver com a loja, é só curiosidade pra saber se os produtos são bons ou não, hehehe.

    Abraço.

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  25. Jou, nunca toquei com os caps do Solon (Fishbone - uma lenda do blues brasileiro), mas tenho certeza absoluta que são de primeira linha. Tudo que o Solon faz prima pela excelência.
    Comprei a minha Les Paul 1981 com ele.
    Eu até que estou bem servido de caps para tele. Como sempre, o calcanhar de aquiles das teles clássicas é o captador do braço, originalmente feito pelo Leo Fender para ser grave a algo abafado, tipo um cap de "Jazz".
    O "twisted tele" novo tem características de cap de strato, pois os caras deixaram a bobina mais alta e mudaram muita coisa por dentro.
    Ando atrás desse... :)

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  26. Fala Paulo, blz? Muito bom o seu trabalho, mas também gostaria de divulgar o meu! Rsss. Inspirado no seu post: "Quanto custa uma boa Telecaster" e depois de trocar algumas ideias contigo nos comentários, muito empolgado resolvi montar minha própria tele, batizada de "Bittencaster" em homenagem ao patriarca da minha família.

    Montei a minha guitarra junto com meu amigo luthier e colecionador de instrumentos raros que mora em Barra de Guaratiba - RJ, chamado Blank.

    Composição: corpo em premium swamp ash (duas peças), braço em peça única de birdseye maple, ambos norte-americanos da WD Music, captação Jason Lollar vintage, pots CTS 250K, jack Switchcraft, fiação vintage de pano USA da WD, nut Tusq da Graphtech canadense, ponte moderna 6 saddles da Gotoh Japan, knobs Gotoh, tarrachas Kluson Deluxe americanas, chave 4 posições da Fender (série-paralelo), capacitor Orange Drop 0.047 USA., encordoamento Ernie Ball 0.10.

    O instrumento ficou excepcional, lindo, timbre incrível, twang maravilhoso (os caps do Lollar são demais!!!) se encontra no nível das Custom Shop, afinal a matéria prima utilizada, em sua maioria, foi fabricada nos EUA, sob rigoroso controle de qualidade e não poupei esforços: instalei tudo que existe de melhor no ramo. Dá banho em qualquer Mexicana e é páreo duro para as americanas. No material todo, com os impostos pagos, recebendo tudo em casa via USPS, gastei cerca de 2.000,00 reais.

    Veja os meus videos:
    www.youtube.com/watch?v=8ezbPCrI60I
    www.youtube.com/watch?v=IhIXDdBycoI

    (Neste último preciso ajustar um pouquinho a sincronia do áudio na filmagem, mas ele tá legal - coisas de celular...)

    Enfim, se você permitir é claro, poderia lhe enviar as fotos da guitarra e as etapas da construção da mesma e se não for incômodo, gostaria de lhe pedir a gentileza de publicá-las em seu blog, eis que você é notório conhecedor destes fantásticos instrumentos musicais e muito me inspirou a construir minha primeira teleca, a Bittencaster! Abraço. Anderson Aguiar. Rio de Janeiro, RJ. andersonaguiar2009@gmail.com

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  27. Anderson, com certeza. Será um prazer postar a tua linda Tele aqui.
    Vou te enviar um e-mail essa semana,ok?

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  28. Valeu Paulo, muito obrigado mesmo! Aguardo contato.

    Há outras guitarras fantásticas aqui no Rio de Janeiro que o meu amigo Blank, o luthier, montou, entre elas a "Rosilene" cuja história e transformação foi incrível!

    Abraço! Anderson

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  29. Paulo, obrigado por colocar o link da montagem do meu Precision, sei que seu blog é para guitarristas, mas, confesso que sempre dou uma passada.

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  30. Não há de que, Flávio - o link é muito legal e só acrescenta ao post. Eu é que agradeço a oportunidade. :)
    Grande abraço!

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  31. Quem faz guitarra elétrica não é luthier. Um instrumento amplificado não precisa da metade do conhecimento requerido por um acústico, dentro da arte da luteria.

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  32. Anônimo,
    Por favor, identifique-se e especifique o seu grau de conhecimento/formação na área de luthieria ou o post será deletado.

    Por definição, cito o próprio dicionário Merrian-Webster: "Luthier: one who makes stringed musical instruments"

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  33. Então... pela sua experiência "Alder" é a melhor para receber uma pintura sólida? (preto por exemplo).

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  34. Não é experiência, é lógica - está no texto:
    "Pretendia fazer um acabamento natural no de alder, mas esse tá muito liso e sem figuração - é ideal pra pintura sólida."

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  35. Olá Paulo, Parabéns pelo blog. É demais.
    Comecei um projeto de uma tele a partir das dicas que vc deu e agora depois de montada e testada. O som ficou excelente. Vc acertou em tudo.
    Braço de maple Mighty Mite, corpo tb da MM em swamp ash, ferragens e eletronica Fender e cap. neck GFS, braço Sergio Rosar Vintage Hot T.
    Agora, estou efetuando o acabamento e tenho dúvida quanto a envernizar o braço. Vc envernizou tb a escala? Se sim como vc fez com os trastes? Isolou-os ou lixou depois?
    Se vc puder contribuir mais uma vez com suas dicas, fico agradecido.
    Abraço e sucesso,
    Alex

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    1. Obrigado, Alex.
      O braço de maple da MM tem um acabamento à óleo. É um óleo especial que seca e endurece após a aplicação e deixa um aspecto bem natural. Não há necessidade de envernizar.
      Semana passada fiz uma experiência com uma anilina para madeiras na cor âmbar para tentar deixá-lo (não o braço desse post mas o MM da tele black de um post anterior) mais "vintage", um pouco mais amarelado - funcionou bem...

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    2. Valeu, Paulo.
      Então com o braço não farei nada, a não ser o adesivo da Fender. Aliás, dá pra envernizar só a parte do adesivo?
      Se vc puder postar o resultado desse tingimento que vc fez com a tele black, para a gente ver como ficou, agradeceria.
      Grande abraço,

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    3. Vou postar sim.
      Se fores usar o decalque de água, o ideal é passar umas 3 ou 4 camadas de verniz spray antes, esperar secar 24 horas, aplicar o decalque, esperar mais 24 horas e cobrir com 4-8 camadas de spray.

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    4. ...Só na face anterior do headstock - isole o braço, etc...

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  36. http://www.youtube.com/watch?v=JrIHPvAR_0Q Eu não entendo muito de guitarras mas gosto muito desse jazztone! Qual captador se consegue esse som "aveludado e sedoso" na telecaster?

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    1. Se tivesses lido os comentários embaixo do vídeo terias a tua resposta - esse timbre é de um captador padrão de Tele, mas com o controle de tonalidade na metade.

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  37. Paulo, meu nome é Nei Sá. Sou muito fan desse som aveludado e sedoso nas telcaster. Desculpe-me mas não sei que vídeo você se refere. Aproveitando a oportunidade gostaria de saber se uma telecaster (USA) ou essa que vc construiu, com um amplificador Roland Cube 40XL, se consegue esse som macio de jazz? Qual deve ser a configuração do agudo e e do grave no amplificador?

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    1. Amigo, se tem um estilo onde a Telecaster não é indicada, é o Jazz. Existem inúmeras outras guitarras com maior vocação para timbres macios e aveludados.
      Jogar uma telecaster para o jazz é a mesma coisa que forçar um casca grossa, brigão de rua, a dançar balé - fica estranho, no mínimo :)

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  38. Paulo... é fico muito satisfeito comesse trabalho que vc fez você na verdade está de parabéns, sou novo em tudo que você imaginar mas acredito que chego lá. obrigado pela a ajuda das informações.
    parabéns e felicidades.

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    1. Obrigado Franss - esse é o objetivo do blog. Mãos à obra! :)

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  39. Caro, Paulo. Esse captador da GFS que você usou seria o: "63 Tele Vintage Wound Professional Series Neck Pickup 7.8K" ? Caso sim, o que você pode me dizer dele? Percebi que você compra bastante coisa na GFS, já experimentou o captador Fatbody pra telecaster? Obrigado pela atenção.

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    1. Sim, Jefferson.
      Mas ele já foi trocado, nessa guitarra, pelo Fender "Twisted Tele". Troco frequentemente os captadores pra timbrar as teles, mas esse captador particularmente não me agradou. Timbre muito fechado (esses captadores de tele/neck sempre soaram fechados porque foram criados para simular som de baixo) e com pouca dinâmica. Como são captadores chineses (todos da GFS são chineses), imagino que o material da capa deve ser bem ruinzinho...
      De cada 5 guitarristas, 4 não gostam do timbre desses captadores. Mas essa é a natureza deles...
      O Fatbody é cópia do Seymour Quarter Pound/STR3. Por coincidência também tenho esse captador (o STR3) e não gostei nadinha dele.
      Pra te falar a verdade, só gosto do meu original da tele de 68 e sempre que a estética vintage não é mandatória, coloco um captador de strato nessa posição - muito melhor e bem mais útil.

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  40. Entendo. Mas o que você me recomendaria para uma Telecaster? Estou montando uma (corpo e braço Mighty Mite) e, pensando bem, acho que a mesma merece mais atenção na captação. Como sou por fora de captadores, estou meio perdido. Procuro um timbre bem característico de tele pra tocar um rockzinho clássico, mas com uma saída não muito baixa.

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    1. No braço, um single de strato (escudo GFS com cavidade para strato)... :)
      Na ponte - e aí vai depender da ponte (leia o mais recente post sobre pontes de tele), o Rosar Vintage Hot T.

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  41. Caro, Paulo. Li o post várias vezes mas não consegui captar como foi conseguida esse tom amarelado. Houve a aplicação de alguma tinta anterior ou só a mistura da anilina ao verniz, Você poderia me resumir o que foi necessário e as etapas do processo? Obrigado.

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    1. Há citações sobre isso em diversos posts no blog, Jefferson. Acho que esse aqui resolve tua dúvida:
      http://guitarra99.blogspot.com.br/2011/03/quanto-custa-uma-boa-telecaster.html

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  42. Paulo linda telecaster.

    Será que se eu fizer este acabamento de anilina na minha telecaster de " Marupá " vai dar um tom bonito? Você já fez este trabalho de tingimento em alguma telecaster de " Marupá "?

    Grato pela Atenção

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    1. A anilina fica legal quando a madeira tem texturas bonitas e queremos realçá-las. O Marupá é geralmente liso. Acho mais fácil pintar direto.

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    2. Paulo Não quero ser Chato mas ja sendo chato.

      Eu vi que vc prepara o corpo com lixas nas telecaster Butterschot e na Strato Wally, Antes de vc aplicar a tinta esmalte a base de água na Guitarra vc aplica algum primer um aplica direto na maderia ?

      Abrs

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    3. Nunca utilizei primer porque a maioria das guitarras são pintadas já com a ideia de relicagem posterior, então não sinto necessidade de fazer todo o processo, inclusive o polimento final. Em madeiras muito porosas, o primer pode ser legal porque evitaria, em tese, a penetração da água nas fibras. Mas eu sempre deixo secar por pelo menos uma semana...

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    4. Obrigado Paulo

      Vou seguir o seguinte processo,

      Lixas com 120,150,220, até a 600
      Passar Primer a Base de Água
      Depois lixar o Primer até tirar toda irregularidade.
      Após este processo Pintar com tinta a Base de Água.
      Depois lixar e polir com cera poliflor de carnauba.

      Esta certo esse processo.

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    5. Lixas 120 e 150 é pra acabamento pesado, quando a guitarra sai meio tosca do corte inicial. O corpo é do Adriano? Eu acho que ele já faz a primeira lixa após o corte - só falta m (às vezes talvez um pouco da 220 em algum ponto mais crítico) as demais para as pequenas irregularidades.
      Com pincel ou rolo, tens que lixar a cada 2 a 4 demãos se queres que a guitarra fique bem lisa. O polimento final pode ser com cera automotiva (ex: grand prix) - é mais eficiente e rápida que a cera de carnaúba.

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    6. Paulo O corpo é do Adriano sim eu pensei em até trocar com um corpo de ASH mas a grana ta curta. Vou fazer com o corpo de marupá mas a sonoridade fica legal curti muito o som da sua butterscotch Relic, vou copiar a sua axei lindona. O corpo que tenho aki tem algumas irregularidades sim da madeira, Pois o serviço do Adriano é excelente.

      PS: " Grava mais sons delas pra gente ouvir mais Cleans e mais Dirts hehehe "
      Não canso de todo hora voltar o video para ouvir o som dela cara.

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  43. Ola Paulo

    Amigo obrigado com este post seu eu consegui economizar grana na compra deu um braço novo para minha teleca heheh

    eu tinha um braço de pau marfim aqui em casa olhando seu post acendeu a lampada magica pq non modificar o braço de strato para telecaster, cara ao meu ver ficou lindo perfeito.

    PS: Depois te mando Fotos.

    Abrs

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    1. Sempre fico feliz quando o blog ajuda alguém... :)

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  44. Paulo Boa Novas

    O Erico da Malagoli esta para lançar um captador feito Enamel 43AWG para posição do braço da telecaster hehehe eu já to encomendando o meu.

    abrsss

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  45. Ola Paulo, gosto muito do seu blog sempre me ajuda muito, estou com um corpo de tele one piece em pau marfim e gostaria muito de atingir este acabamento q vc fez com o amarelo, poderia me dar uma breve explicação de como vc conseguiu este efeito com anelina? Um abraço cara :)

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    1. Já tentaste digitar "anilina" na pesquisa?
      Abraço!

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    2. Obrigado pela resposta, sim digito anilina em pesquisar e aparece: NENHUM RESULTADO, por isso perguntei, no caso eu já tenho a anilina amarela e thiner! Vou colorir sábado agora, só gostaria de saber como faço para conseguir este efeito como o seu, um abraço!!

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    3. http://guitarra99.blogspot.com.br/search?q=anilina#uds-search-results

      Me desculpe, mas já falei demais sobre isso - fora o que está nos posts, há inúmeras respostas semelhantes. Siga o link acima.

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  46. Show o blog Paulo, me diz uma coisas, esse bloco para alinhamento dos trastes comprou ou construiu? vlw

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    1. Ele possui a angulação da escala?

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    2. No post tá bem claro que quem fez a guitarra foi o luthier Cavalheiro, Peres.
      Eu não me atrevo a mexer muito em trastes :)

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  47. Olá Paulo,
    Relendo esse post, cara como você foi feliz no acabamento dessa tele de Ash hein. Acho que foi o melhor que você fez até hoje.
    O som deve ter ficado ótimo, se não fosse sua 68 acho que você teria mantido ela aí.
    Sorte do felizardo que a comprou.
    Deu tempo de testá-la com pots de 500k para ver as diferenças no timbre com os de 250K?

    Até mais.
    Marçal.

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    1. Ela agora é de um amigo meu de Porto Alegre, Marçal :)
      Eu acrescentei mais umas duas ou três camadas de uma tinta "caramelo/laranja" e o visual é mais pra butterscotch.
      Mas se estivesse ainda comigo, acho que reverteria para o original. Bem... O problema é que quando tô entediado sempre acabo mexendo nas guitarras, kkk!

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    2. Sim, os pots são de 500k. Não tenho (e nunca tive) tele com menos de 500k nos pots. Pra mim, definitivamente soam melhor assim.

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  48. Sim Paulo, já li bastante sobre sua preferência pelos pots de 500K nas teles. Não é o único.
    Vários guitarristas que postam no fórum TDPRI.com e o Ivan Freitas da Music Maker só usam pots de 500 nas suas teles.
    Já a Fender, usa nas teles Am. Vintage pots de 250K e capacitor de .1uf, acho que para compensar os pots e ter a "mordida" no som.

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