quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Rapidinha... Fender "FSR" Blonde Mexicana

Oscar Jr.

          Pessoal, fui dar uma regulada numa stratocaster de um colega e achei algumas coisas interessantes pra compartilhar rapidamente.
Ele havia me pedido pra dar uma olhada pois achava que a ação estava estranha e que a sustentação morria rápido, etc. Num primeiro momento achei se tratar de uma guitarra ruim simplesmente mas disse que poderia ver se tinha algo errado. A guitarra era uma Fender F.S.R. (Factory Special Run) White Blonde, feita no México.

Nota: As FSR são edições especiais que a Fender lança esporadicamente com alguma característica diferenciada das linhas de produção normais. Podem ser "American", Custom Shop, mexicana ou mesmo asiáticas (japonesas, coreanas e etc), mas via de regra são instrumentos "melhores" que a linha standard.

Segue um video demo do pessoal "bem humorado" da Andertons explicando esse modelo.

O acabamento chamado Blonde é um branco opaco mas que deixa um pouco dos veios da madeira à vista, como na foto abaixo. Tradicionalmente, a Fender só utiliza essa cor em corpos de Ash, que tem veios bem mais aparentes (e bonitos) que o Alder.



Quando peguei a guitarra e toquei um pouco dava pra perceber que realmente o som estava lá mas algo estava estranho, e olhando o braço notei que o neck-pocket/tróculo estava com uma folga, na base, de quase 1 mm entre o braço e a madeira do corpo. Olhem só o que eu encontrei:
                                   


No hora de regular o instrumento, foi colocado um calço no tróculo inteiro de umas 5-6 folhas de lixa 600 o que dá quase 1 mm de espessura. Embora isso resolva o problema da altura do braço, que ocorre às vezes nas guitarras, remove também a área de contato do braço com o corpo, absorvendo boa parte das vibrações transmitidas. Isso é sentido especialmente no ataque das cordas. O ideal nesse caso é utilizar folhas de madeira laminada, mas podemos usar folhas de lixa fina para regulagem do ângulo do braço como já explicado nesse post.

Removi o calço completamente para deixar apenas 1 folhinha perto do captador do braço para conseguir o ângulo e poder regular legal a guitarra, mas quando removi o braço encontrei uma surpresa:

                


Na verdade não deveria ser surpresa. Já sabíamos de que as mexicanas de um tempo pra cá usavam o artifício do top para acabamentos translúcidos, mas juro que por um momento pensei que essa seria diferente por ser uma Factory Special Run. Na foto acima nota-se claramente pelo menos 2 pedaços de Alder e um top de 2 mm da madeira "de fachada", nesse caso algo parecido com o Ash.
Em suma, o corpo é de vários pedaços de alder com lâminas de ash no top e back.

Aproveitei e dei uma olhada na parte elétrica e encontrei os caps cerâmicos básicos de Strato Standard MIM (Made In Mexico). Na hora até meio que desanimei pensando quantas peças teria debaixo das lâminas, mas montei e regulei a guitarra toda mesmo assim e pra minha surpresa ela soou muito bem. Bem melhor que as outras Strato México que eu estava acostumado e muito melhor do que quando peguei ela.

Devia ter tirado fotos dela inteira, mas depois que montei o cara ficou tão empolgado com a diferença que ficamos tocando e eu acabei esquecendo.

Juro que se eu não tivesse visto o truque eu afirmaria que a guitarra era mesmo feita de 2 partes de ASH tamanha a consistência da sonoridade. As vezes observar essas coisas são interessantes mas não devemos criar preconceitos antes de ligar a guitarra e ouvi-la. Podemos nos surpreender com os resultados!


55 comentários:

  1. Confesso que foi uma surpresa pra mim - achei que só as Fender méxico Standard apresentavam essas baixarias: placas pra esconder as emendas e caps cerâmicos. Some a isso um braço em desacordo com a profundidade do tróculo e temos uma mutreta descarada da Fender.
    E uma bizarrice dessas deve ser vendida aqui por volta de 1.800 a 2.000 reais, imagino...

    Soou bem por sorte, pois afinal, alder é alder e essa teve a sorte de receber bons pedaços.

    Mas colocar um veneer de ash é demais - vou checar as specs no site da Fender e ver se pelo menos eles tiveram a decência de colocar que o corpo é de alder.

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    1. Paulo, depois que vimos aquela minha Jackson Japonesa modelo JDR com corpo de 4 partes de ASH e veneer de Basswood eu não duvido de mais nada! :-)

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  2. Eu procuro não ter preconceitos com relação à origem da guitarra, aos tipos de madeira, etc. Acho que essas guitarras podem soar bem sim.
    Só não acho justo quem vendam gato por lebre. O consumidor tem que saber o que está comprando para analisar se vale a pena ou não pagar um preço muitas vezes exorbitante.

    Parabéns pelo post.

    Abraços,
    Fabiano

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    1. O intuito do Post é exatamente esse Fabiano, mostrar o que acontece debaixo do capô de alguns modelos mas ainda assim exaltar que soam bem.

      E concordo que a Fender poderia ser mais "honesta" nesse ponto. Algumas marcas como a Cort por exemplo colocam nas Specs o seu top de Veneer. Penso que assim as empresas ganham credibilidade e evitam problemas!

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  3. Este tipo de coisa reacende aquela velha discussão: até que ponto uma marca no headstock é sinônimo de excelência de qualidade? Não há como negar que a Fender fabrica guitarras excepcionais, com o que há de melhor que um guitarrista pode querer. Por outro lado, as mexicanas, ash lite, modern players não podem "se passarem" por guitarras top de linha. Mesmo essas que citei são boas guitarras, sem dúvida. Mas aí o cara menos curioso e atento, vê o Frusciante e fala: "tenho um strato Fender igual aquela". E não é por aí.

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    1. Julio, eu costumo dizer sempre que Fender MESMO é só a Americana. Você pode esperar um mínimo de qualidade em toda American Std e de maneira geral há muito mais BONS instrumentos que ruins.

      As Mexicanas são feitas por concepção como a linha de entrada da Fender muitas vezes alimentar fetiche/sonho. "Quero uma Fender mas não quero pagar o preço de uma Am Std, pq toco pouco, só em casa e etc mas quero uma Fender." Não quer dizer que são guitarra ruins, mas já nasceram pra custar menos.

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  4. Cara eu fico puto com aqueles caras que só olham pra marca, por isso quando muitos duvidam eu recomendo esses post do blog, mais essa e a triste realidade muitos preferem pegar fender só porque tem o nome fender no headstock na verdade só pra dizer que tem uma fender nunca olham a qualidade da guitarra.

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    1. Muitas vezes é o sonho do cara e nesse caso até concordo que ele compre a Fender mesmo. :-)

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  5. Achei as especificações num post do youtube:
    Ash body
    C-shaped maple neck
    Maple fretboard
    21 medium-jumbo frets
    9.5" radius
    Vintage-style synchronous tremolo
    Die-cast tuning keys
    3 single-coil pickups with ceramic magnets
    5-way pickup selector switch
    Chrome hardware

    ASH BODY? :)

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    1. Tem certeza que vc não leu ASH Veneer top? :)

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    2. Pra falar a verdade, não consegui achar as specs no site da Fender e parece que esse modelo nem existe mais? Mas esse cara ( http://www.youtube.com/watch?v=bIR4zt7mmS4 ) pegou as especificações em algum lugar...
      Fiquei com pena dele porque a única indagação que ele fez foi pra saber se o ash é swamp ou "regular" :)

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    3. É, foi difícil até de achar fotos pra por no post. Edições limitadas mesmo.

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  6. Há um bom tempo venho buscando me aperfeiçoar nesse conhecimento. O Paulo está de parabéns pelo blog.
    . Mas, realmente, como dito acima, há muito preconceito (eu mesmo tenho muitos).
    . Esses dias testei um amplificador Staner e fiquei de boca aberta.
    Nas guitarras também vejo que as vezes falamos que algo é "melhor", e na prática, não é praticamente ouvido, ou é compensado com um ajuste de frequências de um Pre (em alguns casos, claro).
    Creio que nossa referência de "melhor" e "pior" deve ser bem apurada e criteriosa.
    Creio que podemos ter bom Conhecimento + Ouvido + Bom senso.

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  7. http://www.fender.com/es-MX/series/special-edition/fsr-american-stratocaster-rustic-ash-rosewood-fingerboard-olympic-white/

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    1. Essa é Americana Gabriel! :-) Me surpreenderia se essa fosse falcatrua também.

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  8. Mas eu estaria pensando assim: já que as mexicanas são copias das americanas, talvez essa americana citada tenha a mesma configuração da mexicana.

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  9. Sinceramente, com a alta do dólar com certeza uma guitarra nova dessas aqui na região de Campinas não sairia por menos de 3.000 reais.

    Acho esse problema de não casar altura de braço e corpo aceitável para guitarra chinesa de 400 reais. Não esperaria isso de uma Fender, mesmo numa STD méxico.

    Legal que o som é bom, guitarra Fender bonita e até fácil de revender, mas ia fica P da vida em gastar essa grana num paliteiro de marca KKK

    E sem o alerta, com certeza seria um candidato a ter uma dessas pelo perfil descrito pelo Jr: treinar e tocar em casa, se achar um pessoal legal para fazer um barulho sem compromisso melhor ainda.

    Um rápido desvio: você e o Jr tem/já tiveram ampli Mesa Express né? Acha válido para uso doméstico, com guitarras diversas e som variado, desde rock, blues até pop, mpb, etc? Por enquanto só ouvindo opiniões para ampliar as opções, já que um bom Fender ou Vox valvulado sempre são recomendados.

    Abs.

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    1. O Mesa Express 25 é meu, Marçal. O Jr teve um Rectifier.
      O Express é um amp que pode operar tanto no modo class A como A/B, com dois circuitos independentes. É uma aula de como a tecnologia pode ser aplicada à circuitos de tubo para nos fornecer uma ampla variedade de timbres, tanto modernos quanto vintage. A única coisa que não gosto muito nele, se tiver que citar, é o alto-falante pois os falantes também devem ter características definidas. Eles optaram por um meio termo nesse caso. Em operação classe A, o Express soa bem melhor com o Celestion V30 do meu Tiny Terror.
      Tenho vários amps valvulados, mas se tivesse que optar apenas por um, seria esse (porém com duas opções de alto falantes).

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    2. Eu tenho um Mark V Marçal!

      O Mesa é foda pro som Mesa clássico, que inventou a saturação em cascata! É versátil no ponto que tem um bom som clean mas seu forte é mesmo o drive e ganho em diversos níveis se destacando principalmente nas saturaçãoes um pouco mais carregadas. Ali é onde ele brilha de verdade!

      Percebi que os sons que vc comentou, rock, blues até pop, mpb, são predonminantemente mais limpos e aí eu acho que o Fender e VOX ainda seriam o que eu recomendaria!! Se você tivesse falado Rock, Metal, Grunge e Blues Rock eu diria que o Mesa seria sua casa!! :-)

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    3. Jr, sempre considerei que para sons limpos um bom Fender ou Vox dá conta sim.

      Mas qdo citei Rock falei de modo bem geral. Rolaria grunge e blues rock, com certeza. Já metal e suas variantes dicilmente ou pouca coisa mesmo.

      Agradeço sua opinião e a do Paulo sobre os Mesa, está dentro do que eu esperava e vale a pena considerá-los sim.

      Continuarei pesquisando outros modelos/marcas que tenham boa capacidade para sons limpos e saturados, mas vai ser difícil escapar desses três fabricantes.

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    4. Putz! Sim, um Mark V. Falei Rectifier?? :)

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  10. Caramba Paulo, que gambiarra ! O incrível é que encontramos hoje muitas guitarras chinesas baratas com corpo feito de ash, por vezes até em peça única, o que leva a supor que essa madeira é bem acessível, não entendo porque a Fender fez isso !

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    1. Mad, esse ASH das chinesas não é o mesmo ASH clássico e famoso. Já fizemos inúmeros testes e constatamos a diferença sonora, pode procurar aqui no blog mesmo, tirando claro as SX de American Alder/ASH.

      Mas de toda a foram, sim tanto o ASH quanto o Alder são extremamente acessíveis e abundantes nos EUA e insisto comigo que fazer de ASH seja menos trabalhoso que o processo de colar os paliteiro e ainda uma folha por cima.. Sei lá, vai que minha idéia é errada.. rsrs!

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    2. Verdade Oscar, inclusive mesmo entre peças de Ash americano tem muita diferença de sonoridade e não só apenas entre o pesadão (hard) e o mais leve (swamp), a impressão que eu tenho é que é a madeira mais "imprevisivel" que existe, rsrs, essa aí só testando ! Mais seguro comprar alder ! As guitarras em ash que eu toquei que tinham melhor som foram 2 Fenders dos ano 70, levíssimas. Idade faz muita diferença, afinal, a madeira estava sumbersa no swamp, kkkk !

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    3. É um fato indiscutível realmente, Mad. O Ash é complicado e imprevisível, independente de ser swamp ou hard, daqui ou dali. Eu acho que jamais compraria uma strato ou tele de ash sem testá-la antes. A idade pode influenciar no som do ash sim, mas como curiosidade, a minha 68 soa cada vez melhor e a 74 mantém-se sem alterações desde que a comprei, em 1980... :)
      O alder é outro papo - as variações de timbres são bem menores e a maioria soa de bom a ótimo. Poucos soam mal.

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    4. Mad eu creio que justifica a utilização de tantos pedaços, é justamente o reaproveitamento de restos dos blanks utilizados quando da fabricação de guitarras de uma ou duas peças.
      A madeira já foi comprada, então reaproveitá-la sai mais barato que a compra de novos lotes de madeira. Trabalhei muito tempo em um grupo de redução de custos em produtos/processos que já estavam em produção há anos. Reaproveitar é muito mais barato que material novo. Esse é o capitalismo. Lucro......

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  11. Mad, o post é do Oscar :)
    Pra mim foi uma novidade também - sempre achei que essa gambiarra só ocorresse nas MIM Standard...

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    1. Custos, sempre Custos!! A Fender México tem por concepção ser a melhor guitarra possível dentro de um determinado custo, senão canibaliza as irmãs americanas! :-)

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  12. Olá!

    Possuo uma Fender Mexico. Já fiz uma porção de ajustes, mas uma coisa que não consigo nunca é deixar o tremolo mais macio. A minha é muito dura.
    Tem alguma forma de "soltar" o tremolo.

    Se eu não me engano, na Suhr do Scott Henderson os furos do tremolo são 2x maiores que o parafuso. Não entendo como isso funcionaria.

    abs

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    1. Esse tipo de tremolo (strato) é geralmente mais duro que os modernos.
      Quantas molas tem o teu?
      Com 3 fica um pouco mais macio, mas talvez tenhas que ajustar/compensar a altura dos carrinhos.

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    2. A regulagem das molas e as próprias molas também podem influenciar na maciez do tremolo. Experimente afrouxar os parafusos que seguram a "garra" e as molas a fim de diminuir a tensão das mesmas. Dessa maneira você pode deixar a ponte flutuando, ou mesmo sentada no corpo mas com as molas um pouco mais frouxas pra dar mais maciez. Como o Paulo falou, talvez precisa compensar na altura dos carrinhos a medida que a ponte suba também.

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  13. Olha, eu já fiz de tudo. rsrsrs
    A minha ponte é vintage de 6 parafusos.
    Já deixei com 2 molas (bem frouxas) e a ponte "flutuando" mas mesmo assim fica duro.
    Estranho que quando puxo a alavanca pra trás ela está bem macia! E olhe que quando puxo ela sobe uma terça maior na sol. Em compensação pra descer 1,5 tom eu quase quebro a alavanca.

    ai ai Fender

    abs.

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    1. Estranho mesmo. O bloco está livre de qualquer contato com a madeira? Retire a tampa traseira, movimente o tremolo e observe o bloco, ppte a parte final, por onde entram as cordas.
      Podes também afrouxar um pouco os parafusos de fixação da placa da ponte - não há necessidade de deixá-los muito apertados.

      Uma vez eu percebi coisa semelhante numa strato mas descobri que era porque a haste do tremolo não estava colocada até o final. Qdo ficou na posição/profundidade correta, melhorou uns 50%...

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    2. Vou observar com mais detalhes. Mas com certeza os parafusos não estão muito apertados, justamente pro bloco da ponte dar uma respirada. Sobre a haste do tremolo, eu vou até o final. Isso porque eu não gosto de usar a alavanca com a "folga".
      Estranho é que atualmente ela está com 3 molas e a dureza continua a mesma. Emfim, dá pra tocar.

      O mais estranho sobre as Fenders Mexicanas é que apesar dos paliteiros e defeitos de fabricação, eu sinto que elas soam muito bem.
      A minha é de 2002, mas o braço é em C com raio vintage de 7, trastes finos demais. É osso tocar nela, a guitarra parece presa, dura demais.
      Troquei o bloco da ponte ha um tempo, os caps ainda são os mesmos (não me desagradam)

      Penso em trocar o braço, mas talvez o investimento não compense.

      abs

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  14. Quando leio essas coisas eu penso que dei muita sorte com a minha Std MIM 2009... Não consigo achar defeito nenhum nela! Só troquei os captadores por um trio de Hot Noiseless e pronto. Nem curti muito os noiseless, pra ser sincero, mas a bichinha funciona 100%. Só acho meio pesada demais, mas isso deve ser porque montei uma outra com um corpo de Paulownia da GFS, que é praticamente uma Balsa! Aí a comparação de peso é absurda! kkkkkk

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    1. Excelente JJJ. A melhor forma de escolher uma boa guitarra é com os nossos ouvidos. Se confiarmos neles sempre não tem erro, pode ser até uma Squier Chinesa, soando bem ta valendo :-)

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  15. Oi Oscar! Primeiramente, parabéns pelo blog, vou adicionar nos meus favoritos aqui. Como sou tarado por Fender, além de estudar e vender as Fenders americanas, algumas infos pra galera:

    As FSR (Factory Special Run) não tem nenhuma diferença das Standards e American Standard, além da cor (e do Factory Special Run na placa de metal). As especificações são as mesmas, eles só pintam numa cor diferente das cores de catálogo (por exemplo, já tive duas FSR Surf Green e Daphne Blue, no caso com matching headstock).

    O gap no neck pocket sempre existiu desde que Fender é Fender, não é questão de defeito de fabricação. Antigamente usava-se uma tira de couro pra angular o braço. Depois inventaram o ajuste micro-tilt para as americanas. A mexicana e reedições americanas não tem esse ajuste, e lá fora mtos luthiers usam pedaço de cartão de crédito para fazer esse preenchimento. Aliás, no livro do Dan Erlewine há inclusive relarto de luthiers americanos que preferem o braço com o calço ao invés de colado ao corpo, numa angulação que favorece o timbre.

    As Fenders Mexicanas são todas feitas com pedaços de madeiras colados, inclusive se procurar no google vai achar fotos da fábrica Mexicana, é bem interessante ver os blocos de retalhos. Pode ser retalhos de alder, ou de ash, madeira onde usam a capa de ash pra acabamentos translúcidos. Agora, se pensarmos que as Les Pauls em 90% dos casos são três pedaços de madeira colados (maple, mógno, mógno, e as Fenders americanas são dois pedaços de alder ou ash, qual seria realmente a influência das colagens no tímbre?

    Desculpe o texto gigante, hehehe, espero ter colaborado! Abraços!

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    1. Oi James!
      Obrigado pelo texto esclarecedor. Eu sempre achei que as FSR tinham algo a mais além somente da cor, mas você só confirma o que eu constatei nesse post. :-)

      O ajuste do angulo do neck eu ressaltei aqui pois estava feito de maneira equivocada e compromentendo a sonoridade do instrument. Depois que "arrumei" deixando um calço leve para angular um pouco o breaço a guitarra toda soou melhor.

      Quanto as colagens é difícil dizer a influência. Tenho uma Strato feita com corpo de 1 única peça de Alder (vou posta-la mais pra frente) e que não pude constatar uma resposta MUITO diferente da outra de 3 peças que tenho aqui, e ambas soam muito bem. Já tive outras de 2 peças que soaram ruins e assim por diante. A quantidade de peças parece não determiner com absoluta certeza se vai soar bem ou não e essa FSR do post provou isso novamente pois soou muito bem tbem!

      Abraço e apareça sempre! :-)

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    2. Concordo com a onipresença do "calço" na história da Fender. Mas via de regra eles foram e são utilizados para pequenas correções de ângulo do braço. Quando um calço preenche todo o tróculo, a correção é de um erro estrutural - tróculo muito profundo e/ou braço muito "raso" - e isso é um erro crasso e primário em luthieria.
      "Special Run" refere-se, historicamente, a qualquer modificação de caráter temporário - estética ou estrutural. O objetivo, conforme citado em livros, pode ser dos mais singelos, como uma edição comemorativa, até suspeito, tipo pra desovar um excedente de estoque... :)

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    3. To vendendo essa que que é FSR de luxe Mexico e é difererenciada em captação e outros detalhes http://www.youtube.com/watch?v=oN0hSWk4Nqw só pra acrescentar ...

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    4. Aproveitando o assunto tróculo aqui nos comentários: qual a maneira correta de um braço de 22 casas ser montado no que se refere àquela porção da escala que fica sobreposta ao escudo? Deve haver espaço entre a escala e o escudo ou a escala deve ficar "colada" ao escudo? Abraço e mais sucesso pra vocês.

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    5. Foi difícil achar essa pergunta, Jr, leia aqui:
      http://guitarra99.blogspot.com.br/2014/05/faq-003-orientacoes-para-perguntas.html
      Qto à tua dúvida, a relação de altura do braço é essencial apenas com a ponte (e os captadores, é óbvio) - os carrinhos não devem ficar nem muito altos e nem muito baixos.
      Como via de regra,pelo padrão fender, sempre há um espaço de 1 a 3 mm, mas em outras cópias, isso varia bastante, infelizmente.

      A profundidade do tróculo é de 16mm e a parte de maple do braço (sem contar a escala, que tem espessura entre 3-6mm em média), 19-20mm, portanto, terias 3mm pelo menos de sobra. O escudo Fender tem no máximo 2mm de espessura.

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  16. Mais um post impressionante! Aos poucos vou perdendo minha fé no logo da Fender.

    Gostaria de saber quais são os captadores mais em conta pra substituir os cerâmicos da Fender Mex. Quais são os mais populares?

    Abração! =)

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    1. Luís, indicar captador é como indicar carro - vai muito do gosto pessoal e a resposta seria extensa demais. Os captadores que mais utilizo estão descritos nos meus posts sobre stratos.
      No Brasil, recomendo os Rosar - e prefiro particularmente o "Fullerton" e os Malagoli - ppte os novos 54 e 57/62 com fio formvar.
      Bons e mais baratos, se encontrares, são os Wilkinson de alnico. Abaixo desses não recomendo nada :)

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    2. Claro, todo captador é um caixinha de surpresas!

      Mas vejo que temos uma afinidade para timbres, e quanto mais opiniões (de qualidade!) eu conseguir, menores minhas chances de ter uma surpresa ruim ;)

      Valeu!!!

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  17. Bom dia,
    Tenho lido seu blog e quero dar-lhe os parabéns pelo modo objetivo e sem prepotencia como trata o assunto.
    Há 4 anos comprei uma Fender Stratocaster 3 single-coin, Candy Apple Red, Made in Mexico.
    Em pesquisa na web baixei 242 fotos de um tour que um cara fez na fábrica da Fender, em Ensenada, México.
    As fotos mostram desde os cortes de madeira bruta até a finalização do instrumento e a vistoria feita pelo pessoal da Fender em Scottsdale, Arizona, USA.
    Fico curioso em saber que tipo de madeira foi utilizada no corpo da que comprei.
    O braço é em Maple e a escala em Rosewwod mas a dúvida é se o corpo é Alder sólido ou "fatiado".
    O Serial Number da minha é MZ9504556, o que segundo pesquisa no site da Fender, significa que ela foi fabricada em 2009/2010 pois até 2000 utilizavam MN e após 2000 MZ.
    Vpce saberia algo a respeito do corpo?
    Agradeço muito.
    Um abraço.

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    1. A única maneira de ter certeza absoluta é lixando a tinta pra constatar! :-) Normalmente, os modelos Standard são os que recebem o corpo com mais juncos/partes. As Road Worn e outras linhas mais "caras" recebem os corpos com 2-3 partes. A minha Road Worn tem claramente 3 peças!

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    2. Obrigado, Mr. Lee! :)
      Há uma "tour" - não sei se é a mesma - já conhecida e assustadora - tem fotos onde dá pra contar 6 ou 7 pedaços de alder... A linha "Standard" mexicana é a que recebe as piores madeiras, acredito, Mas isso não quer dizer necessariamente que sejam guitarras ruins. Só não compraria uma Fender Standard mexicana, ainda mais pelo preço que chega no Brasil... Há outras linhas bem legais feitas no México, mas raramente chegam até aqui.
      O captadores das standard são cerâmicos, por falar nisso.

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  18. Tenho uma Fender Stratocaster 2012 MIM. escala em maple, HSS, corpo Ash 3 peças.
    Captadores standar single coil alnico II e humbucker alnico V, ponte vintage 6 parafusos.
    Bom timbre, bom sustainer, mesmo com os captadores originais. Claro que não é igual a uma USA, mas tem um bom custo x benefício. Para mim valeu a pena comprar, toco por hobby.
    O que não gostei: Folga excessiva na alvanca, o furo da ponte parece maior que a espeçura da rosca da alavanca. As marcas das emendas é visível para mim, embora os outros não percebam. E o pior é que não consigo baixar a ação das cordas popis começa a trastejar. Ajustei o tensor para 0.20 mm a curvatura conforme tabela da Fefnder, mas da 12 ~15° em diante começa a trastejar se eu baixar muito a ponte, não consigo deixar com 1 mm de altura na 12ª casa como eu deixo na minha Gibson LP. Este calço no braço resolve isto?

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    1. Todas as cordas trastejam em todas as casas a partir da 15ª?
      Se sim pode ser realmente um problema de angulação do braço (leia:
      http://guitarra99.blogspot.com.br/2011/12/angulacao-do-braco-correcao-com-calcos.html )

      O calço teria que ficar na frente, mas é muito raro ter que usar um calço nessa posição. Há a possibilidade dos trastes estarem mais altos, mas não todos e o trastejamento deveria ser em determinadas casas apenas.
      De cada 6 guitarras com problemas de trastejamento que tenho, duas em média eu não consigo resolver sozinho e vão para o meu luthier, que SEMPRE resolve o mistério :)

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  19. Será que todas as FSR Standard Stratocaster® White Blonde sairam assim? Ou esse foi um exemplar a parte? Eu tenho uma FSR dessa e estou com essa dúvida. Será que esse calço também existe na minha?

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