terça-feira, 6 de agosto de 2013

Tarraxas: O que é "Relação de Giro / Gear Ratio"?


  Paulo May 

         Primeiro, um pouco de história: as engrenagens são conhecidas e utilizadas desde pelo menos 350 anos antes de Cristo, ou cerca de 2.500 anos. A foto abaixo é de um sistema de engrenagens primitivo encontrado em escavações no Iraque.


A engrenagem é uma invenção talvez mais importante que a própria roda. Quase tudo que gira no mundo tem engrenagens, de moinhos primitivos a motores de fórmula 1.




As tarraxas de guitarra são formadas basicamente por duas engrenagens e a quantidade de "dentes" dessas engrenagens caracteriza o tipo de funcionamento/giro.

A maioria dos fabricantes de tarraxas quase sempre especifica essa relação com o termo "gear ratio" (relação de transmissão /giro /engrenagem). Por exemplo, uma relação de giro/gear ratio de 12:1, típica das tarraxas mais antigas, significa que o eixo da cravelha (onde seguramos para girar) precisa dar 12 voltas para fazer o eixo principal (onde a corda é inserida) girar uma volta completa/360 graus.


A relação das tarraxas Fender (feitas pela alemã Schaller) das minhas Telecaster de 1968 e 1974 é de 12:1 (ou menos). É uma relação funcional, mas meio chata, pois com os afinadores digitais modernos, podemos perceber que às vezes o ponto ideal de pitch está entre um dente e outro! :)

Relações de 18:1 ou mais são bem melhores e não precisamos perder tanto tempo pra achar o centro da afinação. Fico bem mais confortável com a relação de 18:1 das Planet Waves. As Sperzel são ótimas, mas a relação da maioria delas é de 12:1. O único inconveniente das tarraxas com relações maiores é que temos que girar mais vezes quando estamos colocando as cordas, mas isso é plenamente compensado nas afinações seguintes.

O Rafael Casagrande, leitor do blog, fez um comentário importante ( e de quem é profissional do ramo, pelo jeito) que transcrevo pra cá:
"A relação de engrenamento nas tarraxas funciona com um sistema sem fim. Ou seja, na teoria independente da posição, sempre haverá um ponto de contato entre um dos dentes da engrenagem do poste onde a corda é enrolada e o eixo sem fim onde aplicamos o torque. Se há folga, ou há desgaste no conjunto ou o mecanismo está mal projetado. Uma relação maior, no caso de 18:1, também necessita de menor torque aplicado ao sistema, ou seja, menos cansativo. "

Imagino que a tradução técnica correta em português para "Gear Ratio" seja "Relação de Engrenamento", Rafael... :)

PS: antes que alguém pergunte, há dúvidas sobre a grafia correta da palavra, mas historicamente "TARRAXA", com x, parece a mais adequada.


20 comentários:

  1. Muito elucidativo o post, Paulo. Mas gostaria de fazer uma observação/pergunta:

    "...podemos perceber que às vezes o ponto ideal de pitch está entre um dente e outro!"

    Achei que a relação de afinação com as tarraxas fosse contínua. Mas pelo o que você diz, na verdade, é discreto (existem saltos de afinação de um dente para o outro). É isso mesmo?

    Abraço!

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    1. :) Se é realmente entre um dente e outro, não sei, mas parece... É um daqueles momentos em que o mostrador teima em ficar um pouco antes ou depois, nunca em cima do "0" :)

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    2. A relação de engrenamento nas tarraxas funciona com um sistema sem fim. Ou seja, na teoria independente da posição, sempre haverá um ponto de contato entra um dos dentes da engrenagem do poste onde a corda é enrolada e o eixo sem fim onde aplicamos o torque. Se há folga, ou há desgaste no conjunto ou o mecanismo está mal projetado. Uma relação maior, no caso de 18:1, também necessita de menor torque aplicado ao sistema, ou seja, menos cansativo. É isso, apenas um informação para acrescentar ao post.

      E mais uma vez parabéns Paulo.

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    3. Rafael, já acrescentei tua informação ao post. Obrigado!

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    4. Opa... Nós é que agradecemos o seu trabalho e o do Junior. Vlw

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  2. Novamente, muito bom o post Jack!
    Bastante informativo e bem elucidativo.

    Um abraço!

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    1. Valeu, Velhinho!
      Tive lá no face (visita mensal, hehehe) e vi uma foto de vocês num boteco de verdade... A tchurma de Curitiba é foda - todo mundo morrendo de frio e os caras de manga curta!! :)

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    2. Pois Jack

      No próximo iremos avisá-lo com antecedência e veja se aparece!!!

      Um abraço!!

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    3. O chato aqui não viaja. É mais fácil vocês trazerem o bar pra cá!!! :)

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  3. Tudo bom Paulo!
    Excelente post,pena que quanto maior a precisão da tarraxa mais cara ela é!
    Agora fugindo um pouco do assunto, gostaria e saber se você já usou ou analisou os captadores da linha Duncan Designed?
    Se sim, gostaria de saber qual o seu parecer sobre eles, já que entende muito mais de captação do que minha pessoa o que torna sua ajuda de suma importância.
    Dei uma desaparecida nos comentários pois estava acessando o blog pelo celular, posso sumir, mais jamais abandonarei o blog kkk :]

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    1. Bruno, me intrometendo no assunto, os Duncan Design são captadores desenvolvidos pela Seymour Duncan mas produzidos na Korea com materiais (Fio magneto etc) mais genéricos que a Seymour Americana. São ótimos captadores Custoxbenefício haja vista que usam as formulas dos captadores consagrados da Seymour como o 59 por exemplo. No site da Seymour há uma lista deles: http://www.seymourduncan.com/products/duncan-designed/all/

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    2. Obrigado Oscar e não há porque se desculpar!
      Ajudas são sempre bem vindas ainda mais com o fardo que o Paulo carrega de responder quase todos no blog!
      Faço essa pergunta pois amanhã comprarei uma guitarra nova e nela vem uma par de Duncan Designed, estou perguntando sobre eles pois estou tendo um caso com os captadores de assinatura do Dave Mustaine os Live Wire Blackouts da Seymour Duncan.... Se o veredito final fosse que esses captadores da Seymour fossem ruins (já li alguns reviews dizendo que a sonoridade deles é um pouco branda), a minha próxima aquisição seriam os Blackouts!!
      Mesmo assim muitíssmo obrigado, dei uma olhada no catalogo que me passou e fiquei um pouco mais aliviado sobre a qualidade deles!

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  4. Muito bom o post Paulo. Uma tarraxa bastante interessante é a equipa a Yamaha RGXA2 (tenho uma, guitarra levíssima e sonoridade bem própria), ela não tem a "borboleta", parece feita de uma liga muito leve e o "ratio" dela é bem macio. Aliás, a Yamaha tem sempre uns inovações, tenho também uma Pac712 e ela tem um sistema de calços sob as tarraxas que transformar tarraxas normais em staggered, dispensando abaixadores, algo facílimo de fazer, não sei porque não tem pronto para vender !

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    1. Não conheço essas... Mas se são Yamaha, com certeza são boas - têm respaldo do nome. :)

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  5. Interessantíssimo! Outra coisa que nunca nem tinha parado pra considerar. Estão de parabéns, como sempre. Me diz uma coisa se possível... O gear ratio é responsável pela precisão da afinação, mas há também uma relação direta de gear ratio com estabilidade na afinação ou vai apenas do mecanismo em si? Digo, um mecanismo bem projetado, estável, etc, independente do gear ratio

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    1. Acredito que não André. A estabilidade é mais associada aos níveis de tolerância na construção e/ou durabilidade das mesmas. Qualquer folga nas engrenagens causam essa instabilidade.

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    2. André gear ratio com certeza permite uma maior acuracidade no processo de afinação. Mas fazer o movimento contrário em um sistema engrenagem/sem fim é praticamente impossível. Se ele torna leve o acionamento no sentido sem fim/engrenagem, o contrário, ou seja, girar o mecanismo através do poste onde fixamos as cordas é quase que impossível. A engrenagem entra em colapso antes do movimento acontecer. Por isso ela é feita em latão, que é um material mais mole que o aço utilizado no sem fim.
      Escrevi isso para tentar elucidar que uma boa afinação estável depende muito de outros fatores que o gear ratio. Paulo e Junior, help!!!!! Rssss Creio que esse assunto daria um bom tópico hein pessoal. Fatores que ajudam na estabilidade da afinação. Se não for pedir muito.....

      Abs

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    3. Excelente observação, Rafael. 90% dos problemas de afinação não são das tarraxas. Vamos fazer um post específico, sim - já tá anotado.

      Só por curiosidade, peguei uma tarraxa e tentei girar o eixo principal sozinho... Aquilo não gira nem usando alicate! :)

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    4. Exatamente Paulo. Antes que você consiga girar o eixo principal o sistema entra em colapso. Chamamos de sistema auto blocante o sistema coroa sem-fim pois o mesmo trava por natureza o movimento contrário.
      Ficamos mo aguardo dobre boas práticas para uma afinação estável.

      Abs

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  6. A ortografia está certa tarracha com "CH" são aqueles perguinhos pequenos e tarraxa com "X" e a tarraxa de guitarra, bem pelo menos e assim que eu acho.
    Mas o post ta bem legal, bem explicativo parabéns.

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