quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

As Ressucitadas (Tele Samick, Cort KX-5, Tagima Zero)

   (esq. p/ direita): Telecaster Samick, Cort KX-5 e Tagima Zero    

Todos sabem que tenho várias guitarras (30 na última conta). Me dou o direito porque fiquei quase 25 anos tocando basicamente com duas Teles (68 e 74 - as duas já postadas), mas a principal razão de ter acumulado tantas foi talvez curiosidade, aprendizado.

Bem antes disso, entretanto, em 2001 ou por aí, comprei uma Tagima Zero (feita no Brasil e acho que na época a madeira era Alder - parece mesmo) - achei que seria legal ter uma guitarra com Floyd Rose, mais "moderna". Ledo engano... Uso muito "palm mute" e Floyd é desconfortável pra isso. Não me adaptei. Mas gostei do braço - o primeiro braço tipo "Ibanez" que fiquei confortável.

A história da Cort KX-5 tá aqui

E tem a Telecaster Samick Artist, que comprei (usada, por 430 reais) na onda do "já sei distinguir guitarra boa de ruim" e não percebi alguns detalhes negativos, como corpo menor e mais fino e braço com escala de 14" e ruim de pegada....

Bem, ano passado resolvi tentar um corpo de Tauari pra Tagima e Louro vermelho pra KX-5. Torturei o luthier Cavalheiro com duas madeiras pesadas e chatas de trabalhar (esse Tauari era duro que nem pedra) e no final a sonoridade das duas ficou muito, mas MUITO ruim...
Nesse meio tempo, os corpos originais ficaram num quarto de depósito, numa estante que, por coincidência, recebia sol direto, boa parte do dia,  por quase 8 meses. Em várias ocasiões, pensei em jogá-los fora.
Mas, com os braços sobrando e as peças idem, nada mais óbvio do que juntar novamente as partes, fazer uma derradeira tentativa de tunagem e as 3 foram ressucitadas! :)

Pra minha surpresa, TODAS estão soando muito melhor do que antes. Minha capacidade de escolher captadores aumentou muito nos últimos dois anos, mas aposto que aquele solzinho andou fazendo alguma coisa nas meninas... :)

Talvez por já ter testado pelo menos 3 tipos de captadores em cada uma delas antes, dessa vez acertei na veia. A Samick, que era algo suave demais para Tele, tá com um Rosar Vintage Hot Custom (com enamel) feito quase que especialmente pra ela.
Outro detalhe importante é que depois que descobri que os pots originais da minha telecaster 68 são de 500 e não 250k, mudei todas. Atualmente, apenas uma telecaster (a  vermelha de alder) está com pots de 250k - todas as outras (a 74 tem originalmente, pots de 1Giga) com 500k.
Uma beleza de som e agora com um braço bem sólido de hard maple.
Basicamente, elas eram assim antes de serem assassinadas:
Agora, estão assim:

A Tagima foi de longe a que deu mais trabalho, porque há uns 3 anos eu tentei colocar uma ponte padrão de strato e cavei demais a madeira na região de parafusamento da ponte. Além disso, estupidamente posicionei-a muito atrás, e mesmo esticando ao máximo os carrinhos, não afinava as oitavas. Coisa de guitarrista metido a luthier.... :)
Mas nessas férias de final de ano, com muita chuva aqui no sul, resolvi pegar uns pedaços de Angelim (provavelmente angelim-pedra) e fechar toda a cavidade posterior da ponte. O plano era colocar uma ponte "hardtail" e cordas através do corpo, tipo telecaster.
Observem que não há "assoalho" na região do captador da ponte. Nesse local ela já era assim.

Na parte de cima, tinha a cavidade do "back box" da Floyd, que fechei com alguns pedaços de Marupá e cola de madeira misturada com a serragem do Angelim. Aquela pequena cavidade quase no final foi uma brincadeira que fiz pra treinar e testar a minha Dremel. Não imaginei que fosse usar esse corpo novamente. Mas deixei-a, inclusive com o enfeite Star Trek :)


A superfície da back box deveria ficar absolutamente plana e aí é uma questão de ir preeenchendo e lixando até a perfeição, mas, como falei, não tava botando muita fé e deixei o local "mais ou menos"
Aproveitei que tava com a mão na massa e mudei a posição dos potenciômetros. Originalmente, o de volume fica muito perto da mão. Ótimo pra solos, mas um horror pra bases com muito movimento de braço.
Ficou "eficiente". Resolvi pintá-la de dourado - spray, é óbvio. Meu objetivo era não gastar um real que fosse nessas guitarras. Fui avarento até no spray - é uma marca chamada "Mr. Cor" - chinesa provavelmente. Na lata diz que seca em 24 horas mas é mentira! :)
No final, o stress de posicionar corretamente a nova ponte (êta coisinha chata pra quem não é luthier), fazer os furos e colocar os "ferrules" na parte posterior.

72 horas depois, dei uma leve lixada e fui passar cera automotiva Grand Prix - ótima pra dar um brilho. A tinta começou a mover-se junto com a cera. Fiquei p da cara na hora, mas em seguida percebi que o efeito ficou interessante, pois deu de imediato um aspecto envelhecido e de metal "moldado".
Parei a cera, lixei alguns pontos (às vezes até chegar na madeira mesmo) randomicamente, esperei mais uns 3 dias e encerei novamente. Dessa vez o brilho veio e ela ficou com um aspecto bem interessante.

Cortei a ponta do headstock porque não gostava do desenho e tinha uma peça de metal (de um peso para papéis) perfeita pra colocar ali, mas acabei perdendo (até o momento). Deixo pra depois...

Coloquei um Rosar HEARTBREAKER de braço (7,7k) na ponte - queria um timbre mais aberto e com médios. No braço, um single de alnico de 6,4k, acho que da strato AXL.

Então, estou novamente com 30 guitarras. Eu tento me livrar delas mas não tem jeito! :)
Mas o mais importante é que agora elas estão soando muito bem, uma surpresa pra lá de agradável :)

17 comentários:

  1. Pô Paulo, que trampo legal esse na tagima!
    Salvou mais uma!
    Essa do spray é fogo mesmo, uma vez fui avarento assim e demorou 3 meses pra secar o maldito! Resultado, nunca mais! kkk
    Spray só se for colorgin, 13 pilas e pronto...
    E a Floyd, sobrou ai? Uma boa pra usar com palm mute é a da Kahler, como não é flutuante dá até pra dormir com a mão em cima que não acontece nada...
    Abs
    Abs

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  2. Luthier Cavalheiro27 de janeiro de 2012 17:29

    É meu grande amigo Paulo,acho que vou me render a seu talento e pedir pra vc construir uma guitarra pra mim,hehehe,cada vez que passo aqui fico mais surpreso!!!muita competência e profissionalismo,impressionante o que vc conseguiu fazer com estas guitarras,ficou muito bom mesmo Parabéns!!!dá uma passada aqui na oficina e vamos fazer um Making of, vc fazendo uma guitarra do zero,o que acha???tudo registrado bahhhh,que maravilha!!!!
    Abraço amigo tudo de bom,e mais uma vez parabéns!!!

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  3. Caramba, achei bem legal a pintura, ainda mais antes de encerar. Fica "diferente". No mais, a guitarra ficou linda!

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  4. Jack, será que você não vende essa tagima zero pra mim?, ficou animal!

    abraços

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  5. André, já tive uma Kahler (numa Carvin V-220) na década de 80. A angústia era semelhante... :)
    O problema sou eu e não as pontes! kkkk!

    Maranho, tu já tens uma Tagima dessas, não? :)

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  6. Grande Cavalheiro! :)
    O pessoal nem imagina o sufoco que passaste com aquelas madeirinhas malditas que eu inventei pra te incomodar, né? :)
    Lembras que eu disse pra jogares o corpo original da Tagima fora, enquanto tava aí? Ainda bem que não fizeste isso :)

    Cara, só meto a mão no desespero - eu ia te mandar o corpo da Tagima novamente pra dar essa arrumada nele, mas achei que irias me xingar e fiz por aqui mesmo! kkkk!

    Abração!

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  7. Não entendo por que tirou a floyd se até ajudava a disfarçar o visual medonho da Tamija. Eu penso que todo guitarrista tem direito a uma guitarra com duas oitavas, floyd e braço wizard-shaped. Tem coisas que você só consegue tocar com essa configuração, ou pelo menos de maneira menos dolorosa. E guitarra é um instrumento nascido para o high-gain, então quanto mais ganho melhor. Fender, pra mim, sempre representou o atraso (i.e. captadores singles pato fanho/abelha + tremolo da déc. de 50). Blueseiros e jazzistas que vão tocar viola, ora.

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  8. Jack, tenho sim, mas gostaria de uma outra tagima zero, e queria testar uma de alder, e também adoro o modelo, é muito confortável para mim.

    abraços

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  9. Sr.May

    Cara gostava muito da tagima zero...pena ela ter saido de linha agora só ficou essa K1 e 2 do Kiko Muambeiro, é boa mas não quero pagar pau pra ele rsrsrsrs
    O design da Zero era muito "futurista" e com essa pintura dourada ficou ainda mais legal e esse enfeite heim paulão ficou show ! tira mais umas fotos dela quem sabe a tamija se anima e re-lança ela!
    Vc sabe me dizer qual é o radius dela?tira umas fotos detalhando o nut , parece que vc deixou o original só tirou as travas ?
    quantos pedaços tem a sua ?
    A que eu tive por volta de 1996 ou 98 era toda retalhada devia ter mais de 5 pedaços rsrsrsrs gostava da safada me arrependo de te-la vendido...

    abçs

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  10. KKK! :)
    Pois ela deve ter alguma "macumba" mesmo - não consigo me desfazer dessa ZERO - mesmo sendo uma guitarra não muito adequada para o que eu toco.
    Realmente, o corpo tem 3 emendas principais e outras 2 pequenas nas extremidades. Mas foram bem feitas e dá pra perceber que provavelmente são do mesmo lote de madeira. Não é cedro e nem basswood e lembra muito o alder.
    Tirei a trava mas deixei o nut metálico - até porque a cavidade (larga) foi feita pra ele. Não muda em nada a tocabilidade e dá um brilho extra ao som.
    O raio da escala é 14".

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  11. so para ti que esse roberto cavalheiro faz instrumentos..que tenho umas 10 pessoas aqui no meu e-mail que entraram com processo contra ele

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  12. Paulo, eu aqui também! rs

    HB de braço na ponte não fica demasiadamente agudo? Principalmente um "tipo Paf" bem brilhante?

    Abraços

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    1. Depende. Alguns humbuckers de braço são timbrados mais agudos. Se colocarmos esses na ponte de uma guitarra aguda, aí não funciona mesmo :)
      OS PAFS de verdade não tinham distinção entre braço e ponte - eram todos iguais (teoricamente).

      O que geralmente não dá certo é HB de medio/alto ganho de ponte em braço. Mas o inverso quase sempre funciona.

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    2. Estou negociando a compra Seymour Duncan 59 de braço bem baratinho... será que vale a pena arriscá-lo na ponte?

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    3. Pedro,
      O pico de ressonância do 59 neck é cerca de 800 hertz mais alto que o bridge, portanto vai soar mais agudo na ponte.
      Particularmente, não gosto do 59 por achá-los meio "scooped" nos médios e sobrando agudos.
      Mas gosto é gosto e dependendo da guitarra, pode soar legal.

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  13. Olá! Estou procurando referências sobre a Tele Samick FA2, assinatura Greg Bennett. Está dificil achar quem saiba algo concreto dela. Vc teria alguma recomendação?
    Abraço!

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    1. Samick eu só conheci essa, Eduardo. Já vi um vídeo do próprio Bennett falando sobre essas modificações que ele fez no padrão telecaster, ppte o headstock angulado - que parece interessante. Mas não espere corpos de alder ou ash. São madeiras orientais. Corpos geralmente de agathis ou similar.

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