domingo, 15 de maio de 2011

AMPLITUBE - escolha seu amp!

     Antes de entrar no assunto, um breve histórico da simulação analógica e digital de amplificadores de guitarra:   

     Eu me lembro quando entrei no estúdio da RCA em 1984 e vi o guitarrista Ivo de Carvalho arrasando com uma Les Paul 1958 (original) e uma caixinha preta parecida com um walkman, chamada de "Rockman". Perguntei para o técnico: cadê o amp? E ele apontou pra caixinha preta... Fiquei de cara!

O Rockman X100 (criado pelo Tom Scholz, guitarrista do Boston e engenheiro eletrônico), foi o primeiro "simulador" de amps/timbres e o mais legal é que podíamos usar fones de ouvido e gravar direto na mesa! Comprei um(pifou em 1998) e até hoje ainda gosto do timbre dele. Pra quem quiser ouvi-lo, aqui tem alguns mp3: Rockman X100



Em 1989, o Sansamp Classic, da Tech 21, foi ainda mais além na simulação analógica. Com pequenas chaves para ajustes, ele simulava desde Fender a Mesa Boogie. "Sans" em francês: "Sem": Sansamp: "Sem amp". Plugava direto na mesa de gravação ou ao vivo, fantástico. Em 1989, comprei um...


Em 1997, surgiu o primeiro simulador digital, o POD, da Line 6. Desse, nem preciso falar, e em 1998 comprei um. Na época, poder gravar as demos sem amp, microfones, com o Sansamp, já era fantástico, mas girar um botão do POD e trocar de amp/gabinete/microfone, putz!
E daí, com a evolução digital, os simuladores foram ficando cada vez melhores. Assim que lançaram os primeiros para PC (plugins VST), como o Amplitube e o Guitar Rig, comecei a usá-los também.

Toda essa intro foi pra dizer que, desde 1984, acompanho BEM de perto a evolução dos simuladores de amp, sejam eles digitais ou analógicos.
Entretanto, desde o primeiro POD, eu percebi também as limitações desses processadores. A principal delas era a resposta quase linear do timbre à dinâmica, ou seja, palhetada fraca ou forte, pouca diferença no timbre. Isso não ocorre nos amps reais, principalmente os valvulados, onde cada dinâmica, cada palhetada, tem uma "cor" diferente, um som diferente. É sutil mas perceptível.
Essa deficiência tornava a simulação às vezes monótona e cansativa.

Falei no tempo passado, porque, com o lançamento do Amplitube 3 (e suas variantes: Amplitube Fender, Hendrix, etc.), essa barreira finalmente foi quebrada. As simulações do Amplitube 3 e principalmente do Amplitube Fender me deixaram boquiaberto, como não ficava há mais de 10 ou 15 anos. Absolutamente fantásticas!
As nuances dinâmicas estão presentes e cada vez melhores na maioria das simulações mais recentes. Eu tenho um Tiny Terror real aqui do meu lado e, sinceramente, às vezes acho que o Amplitube tá soando melhor! :)
Até a versão 2 do Amplitube, o seu principal concorrente, Guitar Rig, era superior. Mas na versão 3 eles arrasaram. A 3.5 é ainda melhor e me parece que daqui pra frente, a "porteira está aberta" :)

Amplitube Fender Trailer no YouTube. Uau!
Amplitube Orange YouTube. Coisa linda! :)
Excelente a idéia da IK Multimedia, criadora do Amplitube, de vender os amps (e gabinetes, efeitos, etc.) isoladamente. O Tiny Terror custa cerca de 18 dólares e seu gabinete, menos de 5...
Visite a Custom Shop da IK e dê uma checada no que tem disponível por lá: Custom Shop Amplitube

      O Soldano, o Fender Princeton e Blues Jr., o Orange AD30... Incríveis!
As duas tecnologias exclusivas de simulação que colocaram a IK Multimedia (de origem italiana) na frente dos outros chamam-se: "DSM" - Dynamic Saturation Modeling e VRM - Volumetric Response Modeling. É por isso que a gente sente de fato o amp respondendo à nossa dinâmica.

E só agora percebi que ainda não cheguei no objetivo principal do post: usar o Amplitube para escolher seu TIPO de amp!
A maioria dos valvulados atuais, inclusive os nacionais, são baseados nos amps clássicos, portanto, podemos usar as ótimas simulações do Amplitube para definir qual amp, caixa, pedal (nunca tocou com um Tube Screamer? Lá tem um igualzinho) fica mais legal com a nossa guitarra ou com o nosso estilo.

No site da IK Multimedia há um link para download de uma versão básica, grátis, que vem com um Marshall JCM800, Fender Super Reverb e DeLuxe Reverb 65, respectivas caixas, alguns pedais e microfones. Podemos testar TODOS os demais os amps, pedais e caixas, sem limitações, por 3 dias - tempo suficiente para conhecê-los. É necessário cadastrar-se antes (simples e rápido): Link: ikmultimedia - cadastro  

Claro, aí entra a questão do computador, placa de som, monitor, etc. Não é o meu objetivo chegar até esse ponto, mas basta um computador dual core, uma interface dedicada de áudio (USB, Firewire, PCI) e um bom par de fones de ouvido ou caixas de som, para a coisa acontecer. Visite o fórum da GP, sub-fórum "Home Studio", e procure por posts do "Yanko" para algumas dicas essenciais.
Boa diversão! :)



PS: Também tenho o NI Guitar Rig 4 e antes que o pessoal comece a postar comentários comparando o Amplitube com o Guitar Rig, Peavey Revalver ou qualquer outro, esclareço que no post está implícito que tenho experiência suficiente com simuladores para emitir opinião pessoal sobre qual acho melhor. Seria redundante portanto discutirmos isso e nem é o objetivo do post.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

JR Guitar Blog

       Pessoal, finalmente podemos contar com mais um magnífico blog sobre guitarras e afins. Meu grande amigo Oscar Isaka Júnior, outro fanático por guitarras, acabou de inaugurar seu blogJrGuitarBlog
Grande conhecedor de guitarras e com "doutorado" em  captadores, o Jr. com certeza vai arrasar. Considerem esse blog um irmão do meu. Vamos dividir assuntos (ufa! :) ) e somar conhecimentos. O Jr. vai focar mais em captadores, que já fornecem tópicos para anos de blog.
O primeiro post do JrGuitarBlog segue, transcrito:

Oscar Isaka Júnior:

Seymour Duncan Live Wire Dave Mustaine



Nesse post de inauguração do JrGuitarBlog vou começar por um tema que é muito controverso e cheio de preconceitos entre os guitarristas, incluindo este que vos escreve!
Eu nunca fui com a cara dos ativos mesmo tendo-os testado somente em guitarras dos outros e por pouco tempo. Sempre pensei, não toco Ultra-Metal e nem uso afinações drop e nem sou tão fã do estilo/som do Zakk Wylde, logo não preciso de um set dos famosos EMG 81/85, apesar se sempre ter curiosidade de utilizá-los pra valer pra ver qual era a grande sacada além do super alto ganho , ruído 0 e baixa impedância do sinal.
Pesquisa daqui, leio dali, instalo EMGs pra um amigo, pra outro, ouço em outras guitarras, eis que certa vez o Tom Castelli comentou que instalou os Duncan Blackouts numa guitarra do Andre Hernandez subsituindo EMGs com o seguinte comentário: “O André preferiu os BlackOuts pois ele disse que o som é como se fosse uma Gibson com muita saída! Não tem som de EMG sintético”. Aquilo colocou uma pulga atrás da minha orelha, até que eu li no blog Zona do Humbucker do Rafael Gomes uma review do DaveMustaine LiveWire Set. Quem conhece um pouco sabe que o Mustaine sempre usou o par Jb/Jazz pra gerar os timbres do Megadeth e o que a Seymour prometia era que esse set era exatamente isso, versões do ativas dos famosos JB/Jazz. O Rafael ainda comenta que os picos de ressonância não casam e que o discurso da Seymour não era exatamente verdade, mas observou que gostou dos pickups pois eles não soam artificiais ou sintéticos como os EMG, associando-os inclusive aos timbres do JeffBeck do album “Blow by Blow”. Como assim? Eu precisava testar esses pickups e a oportunidade apareceu no ultimo sabado, graças ao meu amigo Tom, quando pude instalar um set na minha Epiphone BullsEye ( apesar de não ser fã do estilo/timbre do Zakk adoro o visual dessa guitarra).
Vamos ao que interessa, SOM! O Rafael faz uma ressalva na sua review, onde diz que não recomenda a instalação desse set em uma guitarra grave como uma LesPaul devido ao tipo do timbre gerado. A minha BullsEye timbra mais grave e com menos agudos que as Standard em geral e sofri pra achar uma captação do estilo que eu gosto pra equilibrar com ela, e apesar de ir contra, não tive como resistir a instalar os LiveWire. Essa guitarra PEDE por ativos e o visual fica simplesmente matador. Pena meu cartão da câmera ter derretido com as fotos que eu tirei.. Oh well..
Usando a fiação original como manda o manual com pots de 100K e capacitores de .1k o timbre ficou HORRIVELMENTE ABAFADO. Pensei comigo, não pode ser tão grave assim, e fui persquisar a respeito, descobrindo um usuário do fórum da Seymour que usou por acidente pots de 1 mg e disse ter tido bons resultados e foi aí a minha primeira surpresa com eles. Os Mustaine se comportam como os passivos até em relação aos potenciômetros e capacitores, com valores maiores , os agudos tornan-se mais aparentes e o som menos abafado e sofre real influência do valor dos capacitores. Nem preciso dizer que experimentei várias opções(e foram muitas mesmo, mas sou brasileiro e não desisto nunca!!! ) até chegar a utilizar pots de 250k no cap da ponte e 500k pro braço ambos com capacitores de .022.
Com essa configuração de parte elétrica eles apareceram e eu pude confirmar tudo o que o Rafael Gomes tinha comentado na sua review, que não vou repetir aqui, mas a Zakk começou a falar muito, com um timbre super orgânico e definido com ALTISSIMO ganho. Os graves de não embolam e são MUITO mais bonitos que no próprio JB, com uma linha de médios e agudos redonda que faz você tocar com MUITA VONTADE no mínimo. O som do captador do braço não é tão interessante quanto o da ponte, sendo mais seco e direto ao ponto. Funcionam MUITO bem com ganho, com muita definição nas notas pra passagens mais "fritadas" e o timbre no geral é melhor que o dos EMG.
No Metal ele fala MUITO, mas me surpreendeu que você não precisa ter o drive no 14 pra poder tirar o máximo deles. Riffs de HardRock ficam extremamente parrudos e polidos, então resolvi gravar uns bites pra vc’s ouvirem nessa estréia do JR Guitar Blog.Sons limpos não condizem com esses monstrinhos, mas eles foram desenvolvidos pelo líder do Megadeath e não do "Megapop"......

DEMOS:

Crunch de "Good Times Bad Times" do LedZeppeling.

O HardRock do Whitesnake com "Fool for your loving".
Os SeymourDuncan Dave Mustaine LiveWire são sem dúvida uma EXCELENTE opção para quem quer a potência e benefícios dos ativos sem deixar de lado o TIMBRE orgânico dos passivos. Do Rock ao METAL Extremo eles seguram muito bem a onda em quaiquer doses de ganho.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Enquete: O que esses músicos têm em comum?

Stevie Wonder
Chuck Berry
Wes Montgomery
Kurt Cobain
Bob Marley
Jimi Hendrix

Além de serem famosos e terem criados estilos marcantes e pessoais de músicas, é claro! :) Técnica esmerada também nunca foi o forte deles, mesmo considerando Wes e Hendrix.
Eu percebo uma característica (musical) em comum. É só uma curiosidade minha, para saber se mais alguém percebe dessa forma.

 28/05/11: O que eu acho que eles têm em comum é o RITMO... Não a capacidade, mas a percepção, o senso rítmico. Poderia falar muito sobre isso, mas é um assunto complexo e acho que está num nível algo subjetivo. Mas se tiveres tempo, perceba como quando o Bob Marley entra cantando, a música passa a se movimentar com ele. Idem para o Chuck Berry, que empurra o groove com a voz. Pra minha surpresa, o Kurt Cobain (não sou fã do Nirvana), idem.
Outro detalhe que não posso deixar de lado é que audições repetidas desses caras não cansam tanto quanto às dos "normais" de ritmo... :)
E paro por aqui :)

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Guitarras Roubadas

(Segue o relato de Márcio Bandeira, músico de Curitiba):
   
Arrombaram minha casa dia 20/04/2011 e fizeram uma limpa. Dentre a variedade de objetos futados como eletrônicos, roupas, computadores, dentre outros, 04 guitarras de minha propriedade foram da mesma forma furtadas.
Em relação aos eletro-eletrônicos vamos trabalhar, juntar dinheiro e comprar novamente na medida do possível.
O grande problema é que em relação as guitarras o dinheiro não seria a solução!
Quem é músico sabe quão caro custa um bom instrumento e da dificuldade para conseguir modelos mais sofisticados de real qualidade.
Toco há mais de 20 anos e durante todo esse tempo sempre almejei alguns modelos de guitarras que não se encontram em qualquer loja e quando sim os preços são absurdos. Em alguns casos, nem o dinheiro pode pagar, pois são modelos raríssimos.
No caso em questão me levaram:

Gibson Les Paul Custom Shop VOS Reissue 1968 cor Creme com case Gibson original preto.


Gretsch Country Classic Custom 6122 reissue 1962 (só existe marrom), case original Gretsch


Rickenbacker 330/12 (12 cordas) Fireglo com case original Rickenbacker


Fender Telecaster Custom Reissue 1972 preta, com case original Fender Vintage preto.

 
O objetivo do meu email é obviamente divulgar, mas acima disso, implorar aos amigos músicos, que se por ventura, algum dia alguèm oferecer esses instrumentos para compra, que iniciem o procedimento e façam contato imediato comigo através dos dados abaixo.

Além disso, vários desta lista são logistas, músicos, pessoas que trabalham no ramo artístico e também pessoas que saem na noite para se divertir a acabam vendo bandas de todos os estilos em muitos bairros e cidades e que independente do interesse em instrumentos, se por ventura ver alguém tocando com uma dessas guitarras, da mesma forma, por favor, me avise que vou ao local para conferir.

Tratam-se de modelos realmente raros, sendo que uma delas acredito que não exista mais que duas ou três em todo o Brasil. Até nos EUA não é fácil de se conseguir.
Eu possuo o número de série de todas elas, certificado e fotos tocando com cada uma.
A idéia, além de colocar o FDP que roubou na cadeia é também gratificar, e bem, a pessoa que me ajudar a recuperar qualquer uma delas.
Obrigado pela atenção e ainda peço que repassem este email a todos que conhecerem que são do meio musical, que trabalham em bares ou casas de shows, bandas, escolas de música, lojas de instrumentos e assim por diante.

Abraço a todos,
Marcio Bandeira
www.u2pop.com.br
contato@u2pop.com.br
marciobarrim@hotmail.com
Fone: 41 9924-9761

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Jim Rolph

Jim Rolph

      Eu estava há tempos pensando em postar um tópico especificamente sobre captadores e pensava se deveria começar do básico, algo bem didático, ou já entrar direto no cerne da questão. Mas meu amigo Oscar Isaka Jr., de Curitiba, acabou de ter um longo papo por telefone com um dos maiores mestres de captadores de todos os tempos, um senhor do Kentucky conhecido com "Jim Rolph".
J. M. Rolph faz captadores vintage desde a década de 60 e era um "segredo" desconhecido pela maioria dos guitarristas (nós... :) ), mas com clientes do nível de Eric Johnson, David Gilmour, Rolling Stones, Eagles, Steely Dan, Mick Mars e Robben Ford. Robben Ford que acabou "entregando o ouro" ao falar sobre o Jim Rolph para os maníacos por PAF da revista Tone Quest. Foi então que nós, meros mortais, tivemos acesso ao segredo... Eu tenho um par de PAFs J. M. Rolph 58. São absolutamente fantásticos!

J.M. Rolph 58 Pretender PAF

J.M. Rolph Pretender Vintage 60 Strat

      Diante da preciosidade das informações, vou postar o relato do Jr. e depois voltarei a falar de captadores, Jim Rolph, Sérgio Rosar, e tudo de (muuuito) interessante que esse assunto tem...
Segue:

Meu papo com Jim Rolph  (Oscar Isaka Júnior).

Estava de papo com o Paulo no telefone conversando sobre os novos protótipos e testes da versão de ponte do nosso já famoso PAF quando entramos no assunto (como todas as vezes..) dos segredos que poderiam estar dentro daquele famoso set de “Pretenders 58” feitos por Jim Rolph que o Paulo possui. Estamos (Eu, o Sérgio e o Paulo) a todo custo tentando entender qual é a mágica por trás deles e quanto mais tentamos, mais percebemos que não basta somente ter o tipo de enrolamento certo, fio e imã. São necessários o imã com correta proporção na composição do alnico, com o tamanho correto, o fio na espessura e isolamentos corretos e mais algum pó mágico que os fabricantes de clones de PAF possuem pra fazê-los soar como soam. Vou ressaltar que o nosso está soando muito bem dado que não temos isso tudo e o Sérgio faz mágica pra atender o que nós dizemos pra ele, mas isso é papo pro próximo post. :-)

O fato é que eu tenho um amigo que mora nos EUA  que está vindo pro Brasil nos próximos dias e resolvi mandar um e-mail pro Jim Rolph pra perguntar se ele tinha um set disponível e o preço. A Susan (esposa e baixista da banda dele...) cordialmente me respondeu com um telefone, dizendo para eu ligar. 
No dia seguinte pela manhã liguei para o número e eis a minha surpresa. “Hi this is Jim”... O próprio Jim Rolph atendeu o telefone. Fiquei meio sem palavras na hora mas lembrei dos fóruns gringos dizendo que ele adorava falar ao telefone com seus clientes, e na uma hora de papo que se seguiu eu confirmei isso.
Comecei perguntando sobre suas réplicas de PAF e ele me explicou as diferenças dos modelos 57, 58, 59, 60 e 61 que ele faz dizendo que todos são distintos quanto ao tipo de fio, quantidade de espiras, tipo e tamanho do magneto, padrão de bobinamento, etc. Eu pensei "como é que esse cara conhece tudo isso?" Foi aí que ele disse que a primeira vez que pisou num palco pra tocar foi em 1959. Simplesmente parei de falar e deixei o simpático senhor continuar aquela aula. Continuando a conversa perguntei sobre os 58 especificamente, e foi quando o “show” começou, o Sr Rolph comentou que tinha preparado uma R8 de 2002 com todas as vintage specs (VOS), e comparou numa apresentação de sua banda com sua VERDADEIRA GIBSON BURST FLAME TOP DE 1958. Ele gravou o A/B em uma fita e tocou pra mim no telefone a gravação pra eu perceber que não havia diferença entre essa R8 especial que ele havia pessoalmente escolhido, e sua VERDADEIRA Burst 58.

Abro um parênteses aqui pra fazer uma descrição da R8 que ele mencionou. Uma Gibson LesPaul Standard 1958 Reissue “Flame Top” com os JimRolph PAF Pretenders 58 (que ele também mencionou ser seu set preferido), ponte stop-tail com cordal de alumínio e capacitores Bumble-Bee originais. Segundo o próprio Jim tem uma razão de custarem quase USD400,00 CADA, pois fazem diferença sobre o timbre mesmo com os botões de tone e volume no 10 como nós já haviamos constatado nos testes daquele post do Glauco sobre capacitores. Mencionou também que especialmente os Flame Tops soam melhor que os Plain Top nas LesPaul. Achei um comentário curioso....

Depois dessa “DEMO”, onde confesso não ter conseguido ouvir direito (imaginem uma fita k7 tocada pelo telefone...), eu mencionei que minha referência pra timbre PAF era do GaryMoore, ele perguntou “Você já tocou na LesPaul do Gary Moore? Eu já....”. Depois de ele confirmar que estava falando da guitarra mais cara do mundo, contou que antres do Gary Moore adquiri-la ele foi ver para comprá-la do cidadão que comprou do Peter-Green e descreveu com as seguintes palavras “ Just a good worn-out LesPaul... Nothing Special..” (Só uma boa e malhada LesPaul.. Nada demais...). Que que eu digo depois disso... rsrsrs!!

O Sr Rolph então me perguntou se eu conhecia a LesPaul 69 (Deluxe com Mini Humbuckers...) e disse que tinha uma no colo que havia modificado para que pudessem ser instalados humbuckers tradicionais, e comecou a tocar pra mim no telefone. Pessoal, como o homem toca... Ouvi desde passagens de Country, Standards de Jazz, Johnny be good, Licks de Blues, ZZ Top com um timbre que até mesmo através do telefone era simplesmente maravilhoso. Foram quase 20 min ininterruptos do Mr. Rolph tocando essa LesPaul e eu besta do outro lado ouvindo.

Quando ele acabou, conversamos mais um pouco e entre broncas por ter colocado um captador de ponte (O Rolph do Paulo que está aqui comigo..) no braço, dicas de EQ de amplificador e auto-falantes para que os PAF brilhem e desliguei o telefone meio bobo ainda depois daquilo. Eu havia falado com um cidadão que antes dos meus pais se conhecerem, já tocava guitarra e rebobinava captadores de todos os tipos.

Depois da conversa ficou muito clara a intenção do Sr Rolph em oferecer simplesmente nada além do MELHOR em termos de réplicas de PAF. Nas suas palavaras, “Não existem “leituras” de um PAF, eu faço exatamente o que era na época e minha MAIOR preocupação é que meus clientes escutem os timbres do final dos anos 50 do jeito que eles eram.” isso mencionando que rebobina pelo menos 1 ou 2 PAFs reais por semana na sua oficina.

O cara é realmente uma LENDA da guitarra e ter tido a oportunidade de passar uma hora no telefone com esse cidadão simpático e prestativo e ainda ouvi-lo tocar foi realmente muito legal! :D

Fantástico! :) Depois eu volto com foco em captadores...
Enquanto isso, podem ir curtindo o som dos humbuckers "PAF" (Pretenders 58 ou mais provavelmente, 57)  Jim Rolph nessa Les Paul Gold Top 58 do Larry Carlton, aqui tocada pelo mestre Robben Ford:

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Jimmy Page: PAF ou T-Top?

      Como tem muito guitarrista fã do (som do) Jimmy Page, acho interessante saber que ele usou um famigerado Gibson T-Top a partir de 1972, no lugar de um raríssimo PAF com as duas bobinas brancas. Deveria, mas não vou falar da Les Paul "Nº 1" de Jimmy Page, uma burst 59 comprada do Joe Walsh em abril de 1969 por 500 dólares. Como ela teve (antes de Page) o braço lixado para ficar mais fino e no processo o número de série foi apagado, existem dúvidas quanto ao ano, mas atualmente a própria Gibson registra como 1959.
      Além disso, a famosa "fiação/wiring do Jimmy Page" só foi criada na década de 80, portanto, ele não gravou nenhum disco clássico com ela. Vamos ver então qual captador foi usado em cada disco (com exceção do Led I, gravado basicamente com a Telecaster Dragon)

      De abril de 1969 (portanto disponível no Led Zep II) até maio de 1972, a Les Paul Nº 1 tinha um PAF "double white" na ponte (o do braço aparentemente foi trocado por um PAF de 1960 após 2000):

O timbre desse PAF foi usado no Led Zeppelin II, III e IV. (Obs: curiosamente, o solo de Stairway To Heaven, o mais famoso de Page, do disco Led Zep IV, foi feito com a Telecaster)

Em maio de 1972, a guitarra é fotografada com um T-Top com capa na ponte. O último registro com o PAF branco é de fevereiro de 1972, na Austrália (foto colorida no canto inferior esquerdo da imagem acima). Na época, a lenda dos PAF ainda não existia e esse captador deve ter ido para o lixo...


      Então, todos os discos a partir de "Houses Of The Holy" (e o filme The Song Remains The Same) têm o som de um T-Top... Claro, ele tinha mais duas LP clássicas, mas sempre usou principalmente a Nº 1 nas gravações.

Interessante, existe uma enorme diferença de timbre entre um PAF:


e um T-Top:


Será que ele ignorou isso? Sabemos que alguns PAFs são ruins, mas não era o caso desse double white (vide os timbres das gravações) e os T-Tops são famosos pelos médios exagerados. Se bem que eles foram piorando de qualidade durante a década de 70. Eu tenho um T-Top de 1981 que é uma bela porcaria.

É importante acrescentar que, para quem acha que é necessário um captador mais potente, tipo o Seymour JB (16k)  pra tocar Led Zeppelin, tanto o PAF quanto o T-Top de 1972 eram captadores de baixa saída, entre 7 e 8k, no máximo 8,5k.
Na década de 90, o T-Top foi trocado por um Seymour Duncan exclusivo.

Concluindo, os melhores discos do Led foram gravados com uma LP burst 1959 e um par de PAFs com fiação original (50's wiring). Pra quem tá sempre à caça de timbres, é uma informação valiosa.

Se não fosse por esse excelente site sobre o Led Zeppelin, eu não saberia desses detalhes (imperdível): http://wholelottaled.webs.com/
Agora, vou ouvir - e comparar - os CDs....

terça-feira, 19 de abril de 2011

OCD ou Oh!CeeDee?

Só pra sair desse assunto desagradável da Tagima, vou colocar um rápido post sobre a comparação que fiz entre um OCD original e o "clone" Oh!CeeDee da EFX áudio, de São Paulo.
Primeiro, pra quem não conhece, o OCD da Fulltone é considerado por muitos o melhor pedal de overdrive de baixo/médio ganho do mercado atualmente.
Segundo, assim como tudo no mundo, nada se cria, tudo se copia. Essa máxima vale para pedais. Um novo pedal geralmente é uma variação melhorada de um velho pedal. Dito isso, o da EFX é um clone, mas tem o atenuante que o próprio OCD, embora engenhosamente modificado, foi baseado em outros pedais.

Comprei o Oh!CeeDee porque gostei do timbre da demo, e não por ser um clone do OCD - que eu nunca havia testado. É o melhor pedal de overdrive "low gain" que já ouvi (e olha que eu sou do tempo do primeiro OD1 da Boss - coisa horrorosa! :) ).
Fica perfeito no Blues Jr. e no Twin. Não o uso no Tiny Terror porque NENHUM pedal pode competir com aquela distorção valvulada deliciosa (mais do que uma Nhá Benta) da Orange (num Celestion vintage 30, tenho dito - não tente em outro :) ) 


Com os dois em casa, pluguei a guitarra (como era de madrugada, usei uma excelente simulação limpa/clean de um Fender Bassman 59 do Amplitube Fender) e gravei os dois pedais. Achei as diferenças irrelevantes e, segundo o Eugênio da EFX, os diferentes posicionamentos dos controles é porque ele baseou-se na versão posterior do OCD que eu tinha...
Um OCD aqui no Brasil não sai por menos de 500 reais. O da EFX, 220. Claro, há diferenças estéticas óbvias, já que o da EFX é artesanal. Quem se importa, com um timbre desses? :) A versão atual tem a antiga mini chave de ganho trocada por um foot switch - bem mais útil e prático, tornando-o um overdrive com booster acionável no pé.
Seguem os áudios para comparação de vocês. O amp usadoé uma exclente simulação de um Bassman Fender do Amplitube Fender, num preset "clean" - praticamente toda a satuação é dos pedais:
Oh!CeeDee - EFX:


OCD -Fulltone:



É isso aí! Atualmente tenho 4 pedais da EFX e considero todos excelentes.
Link para o site da empresa: EFX

PS: "OCD" é a abreviação em inglês para "Obsessive-Compulsive Disorder" ou "Transtorno Obsessivo-Compulsivo/ TOC". Segundo a Fulltone, o OCD deles é a abreviação de "Obsessive-Compulsive Drive"... Legal! Humor nunca é demais.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Tagima - parte II


Para quem acompanha o blog e já leu o post "Tagima 735 Special (ou, como levar gato por lebre...)"
Link: http://guitarra99.blogspot.com/2010/09/tagima-735-special-ou-como-levar-gato.html 

Hoje, 18/04/11, houve uma "Audiência Conciliatória" num fórum de Florianópolis. Ano passado iniciei um processo contra a empresa Marutec, dona da marca Tagima.
Interessante que a empresa contratou um advogado (local) que também é guitarrista e enviou um técnico de São Paulo (luthier? Não perguntei).

OFERTA DA TAGIMA: um corpo de Alder, sem acabamento, composto de 5 (sim, cinco!) emendas. Parecia uma daquelas cercas de madeira que vemos por aí. Como brinde, escudo, ponte e captadores (o mesmo hardware da T-735 nacional). Quase ia esquecendo: também um bag Tagima de plástico e uma camiseta Tagima.

O advogado, simpático e articulado, toca guitarra há 20 anos e tem uma "Fender Standard" - não sei se ele referiu-se à americana ou literalmente à standard mexicana, mas o fato é que ele achou o corpo "muito bom" e "gostaria de ter um desses".
Embora tenha ficado claro que fez a "lição de casa" e pesquisou antes, ele não tinha percebido esse detalhe do corpo e até tentou argumentar que as Fender americanas "podem ter cinco emendas/partes". Olha, duvido muuuito. Mesmo nos anos "negros" da CBS, acho extremamente difícil encontrar alguma. Duas peças é a regra geral. Três? Nas de cores sólidas, talvez.. Quatro? Humm... Cinco???
E acho que de certa forma eu me vi nesse advogado. Eu tinha pouco mais de 25 anos de guitarra quando finalmente me interessei pela construção delas. Há cinco anos, não perceberia essas mutretas.

O técnico/representante da Tagima, também muito educado, por 3 vezes mencionou "A Tagima não trabalha com alder". Na terceira eu pedi para ele assistir o vídeo do Zaganin!

Eu falei que tinha amigos guitarristas que sabem tudo o que eu passei com essa Tagima e eles iriam rir da oferta.
Não aceitei e achei uma falta de e educação e bom senso da Tagima me oferecer um corpo de Alder todo retalhado. Se eles não conseguiram me enganar com uma guitarra de "lenha", ingenuidade extrema achar que eu seria incapaz de perceber as emendas. Acho que nunca leram o meu blog... :)
E a cavidade dos captadores era piscinão! :)

Eu vou até o fim com essa coisa agora. A minha índole é de natureza pacífica e de certa forma até complacente, mas aprendi com meu pai o valor da honestidade e honra. E não foi isso que vivenciei hoje, novamente.

PS: 03/2013: Leia o final desse caso aqui (CLIQUE)

domingo, 6 de março de 2011

Quanto Custa Uma Boa Telecaster?

(obs: antes de fazer perguntas e ou postar comentários, leia aqui: CLIQUE)


Como subtítulos, deveria acrescentar também:
"Sem Luthier": Partes 3 (acabamentos caseiros) e 4 (blindagem caseira)
Antes, a foto e as especificações:


Especificações
Corpo: Swamp Ash, 3 peças, tingido e encerado
Braço: Maple, "C"
Escala: 251/2", Rosewood, Raio: 9.5". Nut: latão
Tarraxas: Planet Waves Auto Trim/Lock
Captador Ponte: Fender Custom Shop Nocaster 51
Captador Braço: Fender Custom Shop Nocaster 51 rebobinado (Sérgio Rosar)
Pots e capacitor: 250K, capacitor à óleo (PIO) 0.047uf
Ponte: Gotoh Modern Tele, com 6 saddles
    
     Quanto mais aprendemos sobre guitarras, maior a chance de adquirirmos bons exemplares sem pagar um real a mais. Melhor ainda, podemos montar uma excelente guitarra pesquisando componentes de qualidade com preços às vezes surpreendentemente baixos.
Assim, vou descrever como essa Telecaster "Custom" foi criada. Ainda não calculei o preço final - ao longo do post vamos somando... :)

     Tudo começou com uma Telecaster Squier Standard usada que adquiri por 450 reais. As Squier da série "Standard" são boas guitarras e essa particularmente me chamou a atenção por ter sido feita na fábrica da Cort. Eu sabia que o corpo, embora lindo (candy apple red) era de agathis, madeira que engana muito mas definitivamente não serve para um som clássico de tele. Assim, comprei-a por uma razão principal: o braço! Fantástico, muito semelhante ao da minha tele 68, acabamento e trastes perfeitos. Captadores bons, de alnico, ferragens muito boas. Vendi o corpo por 200 reais, então o preço final dela foi de 250 reais
Tudo bem, vocês podem pensar: "Mas isso é sorte - uma guitarra dessas por 450 reais". Bem, um bom braço de Telecaster da Guitar Center chega aqui por cerca de 300-350 reais.
Comprei um corpo (sem acabamento, madeira crua) de tele de Swamp Ash (aquele ash leve do sul dos EUA, usado pela Fender ppte nos anos 50) na Guitar Center. Recebi em casa e no total, com impostos, custou 374 reais. Pelo peso, não é swamp, parece northern, mas tudo bem, acho que até prefiro o ash mais denso. Chegou assim:

     Nunca gostei desses acabamentos modernos, com grossas camadas de verniz acrílico ou poliuretano bicomponente. Não deixam a madeira falar direito e esteticamente acho-os muito brilhantes, exagerados.
Resolvi apenas tingi-la e encerá-la. O ideal seria usar um selador e não sei o quanto a cera pode funcionar como selador, mas já havia feito isso numa outra guitarra e funcionou muito bem. Além do mais, minhas guitarras não são expostas à muita umidade.
A anilina é o corante mais usado para madeiras e um pote custa menos de cinco reais. Misturamos anilina com álcool (quanto mais puro o álcool, melhor) e espalhamos com uma pedaço de pano/estopa. Eu sempre começo com pouca concentração e vou aumentando se necessário. Como eu queria bem preta, coloquei logo uma colher de café de anilina em cerca de 50 ml de ácool (obs: anilina mancha muito a pele e demora para sair - sempre use luvas).


     Aplique uma ou mais vezes, dependendo da intensidade do tingimento desejada. Nesse caso, fiz duas ou 3 demãos. O álcool evapora rapidamente. Ele funciona como veículo para a anilina. Quanto mais e mais vezes "molhamos" a madeira com álcool, mais profundamente ele conduz a anilina, dependendo é claro, da permeabilidade da madeira, que é diretamente relacionada ao seu tipo de fibra e poros abertos/fechados.
O maple, por exemplo, tem poros tão fechados que pode até ficar sem impermeabilização/selador/verniz.
Depois do tingimento e secagem (que depende da pureza do álcool, mas é rápida), eu geralmente uso alguns pedaços de panos velhos (um deles levemente umedecido) para retirar o excesso de anilina.
Uma etapa intermediária: eu lixei (lixa 220 e depois 300/400) as bordas para dar um certo ar de "envelhecida" e um toque de "faux binding". O efeito é legal e já havia feito antes, inclusive acrescentando algumas lixações irregulares e aleatórias em outros locais. Fica mais velha ainda, porém eu ando meio preguiçoso ultimamente... :)
Mas ainda falta a cera...
Só que antes da cera, usei um spray da Colorgin de tinta magnética (com partículas de ferro) para blindar a cavidade de controle. Deveria, mas não repeti o procedimento nas cavidades dos captadores. Essa é uma solução caseira que funciona na prática. Tinta condutiva é cara e chata de aplicar e blindagem com fita de cobre + solda é mais chata ainda de fazer...
Como disse antes, nunca seria luthier porque não tenho o dom e principalmente, paciência para isso. Tudo o que faço é com o objetivo de aprender. Aprender "fazendo" - não tem coisa mais eficiente.
Observem na foto que o local deve ser isolado e é necessário deixar uma pequena borda superior de tinta para que entre em contato com a placa metálica de controle, fechando a "gaiola de Faraday". Bem, mais ou menos... :)

Obs: No site da Pauleira, uma aula sobre como fazer e aplicar tinta condutiva, pra quem não é tão preguiçoso quanto eu... :) Siga o link: Pauleira: Como fazer tinta condutiva e blindagem


Tinta seca, e cera Poliflor (sim a própria, com carnaúba e tudo!) passada, só falta uma parte meio chatinha. Esfregar, esfregar e esfregar, até o brilho da cera aparecer. Eu uso bastante fricção para gerar uma boa quantidade de calor, que derrete bem a cera e aumenta sua penetração nos poros, criando uma certa impermeabilização.
Aqui, com a cera, ainda sem polimento, fosca:

E depois de meia hora, suando: (dica: use meias velhas, nas duas mãos, para polir - tem que sentir a madeira aquecendo! :) ). A minha avó, que era do tempo ainda sem enceradeira elétrica, deveria fazer isso bem melhor que eu. Mas ficou assim:

(Adendo 07/2014: não utilizo mais a cera, que não lida bem som calor/sol/suor. Tenho utilizado quase sempre uma fina camada (3 a 4 demãos) de verniz spray incolor.)

Daí, foi questão de colocar e ajustar o braço (é óbvio que tive que refazer os furos), captadores, parte elétrica (usei pots, chave de seleção e placa de controle da squier e acrescentei um capacitor à óleo de .047uF) e parafusar a ponte. O que mais me deu trabalho foi a ponte - os furos "through body" estão posicionados para uma ponte vintage (que eu detesto) e a maioria das modernas não se adapta. Tive que comprar uma Gotoh "Modern Tele Bridge". Era isso ou refazer os furos. Comprei a Gotoh...
Claro que poderia ter enviado para um luthier, mas todo esse tempo mexendo em guitarras me deixou relativamente apto para essa montagem. Tenho uma Dremel que é uma mão na roda para quase tudo.
Comprei um escudo branco e também uma moldura de metal (na GFS - clique). Decidi deixá-la sem o escudo e com a moldura.
A guitarra ficou fantástica, tocabilidade excelente, timbre lindo, 100% vintage na ponte e de strato no braço. Mas eu tinha 95% de certeza que chegaria a esse resultado. Essa é a grande recompensa do conhecimento :)

     Vamos então aos cálculos do custo:
Hardware - incluidos uma das melhores pontes (Gotoh) e tarraxas (Planet Waves) do mundo:
Parte importada da StewMac (tarraxas compradas aqui por 210 reais) - tive a sorte de não ter sido selecionado pela receita - e parte comprada no ML. Total: 200 reais aprox. (410 com as tarraxas)
Captadores: 180 reais! Como estou sempre de olho no ML, comprei, por essa bagatela, um par de Fender Custom Shop Nocaster 51 (normalmente 600 reais no Brasil) usados mas como novos.  O captador do braço estava morto e o vendedor não gostava do som vintage do single da ponte (que é um clone do primeiro captador de tele feito pelo Leo Fender, com alnico III). Rebobinei o captador do braço no Sérgio Rosar e o aproximamos do "Twisted Tele", que tem som de captador de strato.

Resumindo: 374 (corpo) + 250 (braço) + 180 (captadores) + 410 (hardware) = 1.214 Reais

Tá bom demais para uma guitarra dessas, não? :)


Abraço!
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Update 04/2012: No final de 2011, coloquei o braço das fotos acima (com escala de rosewood) na Tele de Alder e comprei um braço todo da maple (da Mighty Mite/Guitar Center) para colocar nessa tele de swamp. A idéia era deixá-la com um timbre ainda mais vintage. O braço é excelente, típico Fender modern "C".
 Ficou assim:




quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Guitarras Mágicas

       Ganhei de presente há pouco tempo do Oscar Isaka Jr., amigo meu (e outro louco por guitarras :) ) um poster muito legal com várias guitarras importantes (Guitar Heaven). Agora está pendurado na entrada do meu home studio.
Pois bem, eu tinha várias fotografias muito legais e de boa resolução e já que domino um pouco o Photoshop, resolvi fazer eu mesmo um outro poster e colocar aqui no blog. Afinal, todo "louco por guitarra" adora essas "centerfolds", hehehe :)
Como não envolve nada comercial, o poster pode mostrar as guitarras e os nomes originais.

       Primeiro o poster em miniatura com todas, depois individualmente. No final, lá embaixo, o poster em tamanho real, com 1,5 metros de altura. :)


A primeira: LP Standard "Pearly Gates". Mais informações no site da Gibson: Clique


Uma Les Paul 59 é fantástica, mas a Telecaster 52 não deixa por menos:


25/01/11: Já que o Maurício mencionou, abro uma exceção para a JEM, pela relevância do Vai. Particularmente, é linda, mas não gosto dela. Bem, vamos colocar assim e eu me pouparei das críticas: "Eu não tenho habilidade suficiente para tocar essa guitarra..."


... Mas volto rapidamente para as clássicas: Fender Custom Shop Stratocaster Rory Gallagher Tribute:


Uma Zemaitis estonteante (Zemaitis S24-FR):


A Les Paul do Jeff Beck, antes de ele se decidir definitivamente pela strato:


Prefiro uma Les Paul, mas é impossível ignorar a PRS McCarty:


Uma verdadeira jóia: Gretsch White Falcon:


Uma guitarra que mudou todas as regras: EVH Frankenstrat:


Mais 3 Gibsons - e olha que eu ainda prefiro as Fender! :)
Explorer
 

SG Standard


Les Paul Júnior


Volto para uma das minhas preferidas (tenho uma 74) - Telecaster 72 Custom:


Não poderia faltar a ES-335, mas sou mais a do Alvin Lee:


E finalizo com a Strato doEric Johnson:


E finalmente, o poster em alta resolução. A qualidade da imagem jpeg é de "9" (3,8MB) e tem 1,5 metros de altura (quando impressa). Dá pra fazer um poster bacana... (É só clicar na imagem e após ela carregar, clique com o botão direito e escolha "salvar como"):

POSTER:



Abraço!
PS: A escolha das guitarras e dos guitarristas foi pessoal e também dependeu da disponibilidade e qualidade das imagens. Eu gostaria de colocar mais umas vinte guitarras e outros tantos guitarristas, mas...


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

"Alívio de Peso" - até onde podemos ir ?

          Vou aproveitar o antigo post sobre o sistema de alívio de peso (weight relief) da Gibson e acrescentar as imagens das radiografias de duas das minhas guitarras, feitas hoje.
A primeira, da Cort KX Custom: aparentemente, mogno sólido. As linhas horizontais acima da sexta e abaixo da primeira corda são das emendas do top de maple. A linha mais superior é provavelmente de outra emenda, mas do mogno.Veja:


Apenas a 1ª e 6ª cordas estão posicionadas. As outras foram puxadas para trás.
A guitarra é leve (3,6kg) para uma guitarra de mogno - por isso eu suspeitava que ela tinha furos, já que a percussão não revelava muita coisa. Dá pra observar também o braço de maple de 3 partes. Ambas estão sem alguns componentes, como os captadores do braço.

Mas boquiaberto fiquei mesmo quando vi isso na Les Paul chinesa (também postada aqui):


144 furos !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Que é isso, gente! Socorro! :) Essa sim é um verdadeiro "queijo suiço". E olha que ela pesa 4,4kg! Esse mogno deve ter mais mineral que uma pedra! :)
Além disso, existem cinco câmaras adicionais - ou coisa parecida - na parte posterior.

Conclusão: guitarra chinesa? Investigue, investigue, investigue. Quase sempre tem uma mutreta...

Segue a cópia do post original:

O mogno excepcional usado nas décadas de 50 e 60 começou a ficar escasso e durante a década de 70 as peças disponíveis tornaram-se cada vez mais pesadas (ppte em função da absorção de silica do solo - o melhor mogno é o antigo e de solo bem drenado). A solução encontrada pela Norlin/Gibson foi criar furos ou câmaras no mogno. Isso aliviaria o peso (weight relief) e seria imperceptível porque o mogno é coberto pelo top de maple. Toda e qualquer Les Paul Gibson USA produzida entre 1982 - 2007 é "weight-relieved". As únicas Les Paul atualmente com corpo sólido de mogno são as "Custom Shop Historic" e as réplicas de guitarras famosas (Jimmy Page, Billy Gibbons, etc.)
As duas técnicas usadas atualmente são:
Câmaras (chambered body):



ou buracos (9 holes - também conhecidos como "swiss chesse/queijo suiço"), uma série de nove buracos:


A regra é essa. Se tu tens uma Les Paul e queres realmente checar se ela é "weight relieved", podes fazer duas coisas: radiografá-la ou cortá-la ao meio... :)

                                                _______ R7 com mogno sólido__________

ADENDO:
Como o pessoal tem perguntado muito, algumas dicas para conseguir a radiografia:
Ligue para qualquer clínica radiológica, peça para chamar o técnico (não o médico) em radiologia e explique que desejas radiografar (pagando, óbvio) uma guitarra para investigar a parte interna. Se o cara não for um tapado, vai dizer que é possível (e é, plenamente).
A maioria das clínicas hoje em dia usa um sistema digital, onde a imagem primeiro é gerada digitalmente (pergunte sobre isso) e depois eles a passam para o filme. Se o cara perguntar o tamanho, diga que é o corpo de uma guitarra e do tamanho exato de uma radiografia de tórax.
Uma radiografia de tórax com apenas 1 pose deve custar por volta de 30-50 reais. Quando fores discutir o preço, explique que não queres o filme e, obviamente, o laudo médico (hahahá - Doutor... minha guitarra vai sobreviver?), apenas fotografar a imagem na tela (use uma câmera digital comum no automático, sem flash). O custo de uma radiografia é quase todo do filme e laudo médico, justamente o que não queremos. Algumas atendentes podem não entender, mas o técnico sim. Claro que podes também pagar pelo filme e pendurar na parede do teu quarto... :)
Se o pessoal da clínica tiver sensibilidade, acredito que isso custará menos de 25 reais. O processo todo não demora mais do que 5 minutos.